Capítulo 32: O Plano
“JÁ decidiu?” A Reina perguntou enquanto sentava ao meu lado e botava a bandeja na mesa. Eu dei uma olhada nela com preguiça e voltei pro livro que eu tava segurando, continuei virando as páginas mas não tava lendo. Soltei um suspiro profundo e fechei o livro.
“Não sei. E mesmo que eu queira, não tenho dinheiro. As passagens de avião são muito caras, e não tenho como pagar.”
A Reina riu de mim enquanto tomava um gole da sua bebida de fruta. “Nossa, eu te falei, eu quero ajudar. E a gente vai achar passagens baratas. Tem umas companhias aéreas que oferecem umas bem baratas.”
Eu balancei a cabeça. “Mesmo se eu for pra lá, como vou achar ele?”
A Reina bateu na mesa. “Que que… tá maluca? Que fim levou a Becca gênia que eu conhecia? Olha,” ela levantou meu queixo, “o Linus é um príncipe. E onde príncipes moram?” ela perguntou.
“Palácio.”
“Exato. Nossa, Becca. Claro que você consegue achar ele lá. E só tem um palácio na Dinamarca. Não é tão difícil de achar. É só falar pro taxista—”
Eu interrompi, “Eu sei, Rey. Eu sei. Mas como eu vou entrar no palácio? Olha pra mim? Eu não sou ninguém. Eu não tenho poder. Eu não tenho nada. Você me entende?” Eu perguntei, desesperançosa.
“Não tem esperança em planejar isso, Reina,” eu adicionei e voltei pro livro, virei as páginas de novo.
“Ai. Meu. Deus! Eu não sabia que você ia desistir tão fácil. A Becca que eu conheço costumava superar as dificuldades de cabeça erguida. Esse é só o começo do seu relacionamento. Quando você ama—e mesmo que não ame, ainda vai ter dificuldades… dificuldades. Eu tô te dando uma força, tô te ajudando, Becca. Se você ama o Linus, você vai fazer de tudo pra ir atrás dele—”
“E ele? Se ele realmente me ama, ele tem que fazer de tudo pra voltar pra cá e me contar os motivos dele.”
A Reina balançou a cabeça. “Homens nem sempre fazem os sacrifícios, Becca. Se for por amor, vale tudo. Depende de você como você se esforça pra construir seu relacionamento mais forte. Deixa eu te colocar em um cenário, tipo por exemplo, você tem uma semente e você planta ela, essa semente vai crescer se você não botar água nela? Ela cresceria se você não ajudasse e se esforçasse pra fazer ela crescer? Não. Porque você só deixa ela lá no chão e nunca dá atenção. Assim é o amor, Becca. Se só ele estiver se esforçando, eu te garanto, seu relacionamento vai encolher. Olha, o Linus concordou quando você disse pra manter seu relacionamento em segredo. Pra um homem, você sabe o quanto eles são egoístas, que eles amam exibir o relacionamento deles, especialmente quando amam de verdade a pessoa, mas você tirou isso dele. Eu sei, eu posso odiá-lo também, porque ele mentiu pra você, pra gente, mas eu consigo ver nos olhos dele que ele te ama, Becca. E ele tem um motivo pra ter ido embora. Você sabe que realeza tem deveres e tal, então, ele pode ter quebrado algumas regras e queria escapar, e aconteceu de ele ter achado esse lugar, aí ele te achou.”
Uma lágrima caiu do meu olho. Será que eu tô sendo egoísta?
“Eu sei que você também o ama, Becca. Então, por favor, pensa. E você sabe que não custa tentar. Eu sei que você consegue fazer as coisas acontecerem quando você ama elas. Pensa em um jeito melhor de conseguir ele. Se for preciso invadir o palácio só pra chegar mais perto dele, então que seja. Faz isso. Arrisca quando você ama.”
Doía que o que a Reina disse era tudo verdade.
E eu sou uma namorada inútil que só depende dele.
A gente ainda tá no começo desse relacionamento e eu tô quase desistindo. Burra eu.
“Quanto custa a passagem de avião?”
A Reina riu. “Eu não tô vendendo, mas a gente acha uma.”
Eu balancei a cabeça e limpei as lágrimas que escorriam pelas minhas bochechas.
NO DIA SEGUINTE a Reina achou uma passagem mais barata online. Eu pulei de alegria mas fiz uma careta quando percebi que ainda não tinha dinheiro suficiente. Naquele momento, a Srta. Dory, colocou duas xícaras de café na nossa frente.
“Algum problema, meninas?” ela perguntou enquanto puxava uma cadeira perto da Reina.
A Reina soltou um suspiro profundo. “Da Becca,” ela respondeu.
A Srta. Dory olhou pra mim. “Por que a Becca? Você precisa de alguma coisa?”
Eu balancei a cabeça. “Só um—”
“É um problema de amor, Srta. Dory,” disse a Reina.
Um O se formou na boca da Srta. Dory. “Quer dividir comigo? Talvez eu possa ajudar. Além disso,” ela olhou pro relógio de pulso dela, “já são quase seis da noite,” ela disse.
Bem, eu tinha acabado de sair do meu trabalho de meio período e decidi ficar no café por um tempo.
Eu soltei um suspiro profundo e botei as palmas das mãos nas laterais da xícara, sentindo o calor do café, o aroma enquanto eu respirava fundo me mantinha calma por um tempinho.
Café me deixa maluca.
“É sobre o Linus, senhora,” eu comecei. “Ele foi embora.”
“Sim. E sobre isso, eu não sabia que ele era um príncipe. E a monarquia da Dinamarca é algo muito doido. E eu até levantei uma sobrancelha pra ele quando ele tava procurando um trabalho de meio período. E se os guardas reais vissem, eu podia estar na cadeia agora,” ela disse e riu.
A Reina riu junto. “Igual. Iguaizinha, senhora. Eu até falei com ele de um jeito grosseiro. Nossa, mas quem diria, né? Ele parece só um estudante de elite comum, tipo aqueles garotos ricos típicos que tem de tudo. E o Linus sendo um príncipe nunca passou pela minha cabeça. Ele age diferente. E ele é bom em esconder,” a Reina disse.
“Eu concordo com isso. Imagina, um príncipe trabalhando de garçom no meu restaurante? O que as pessoas iriam pensar? Nossa, me dá calafrios,” disse a Srta. Dory. “Então, e ele? Como o nome dele é um problema pra você?” ela perguntou enquanto olhava pra mim.
Eu tomei um gole do meu café.
“Ele é o namorado da Becca,” a Reina respondeu.
“Você é a Becca?” A Srta. Dory olhou pra ela. “Eu não tô falando com você, Reina, tá?”
Eu soltei uma risada suave e balancei a cabeça. “A Reina tava certa, senhora.”
“Ah… então?”
“A Becca quer comprar uma passagem pra Dinamarca, senhora.”
A Srta. Dory fechou os olhos, “Reina…” ela olhou pra Reina de novo, “Eu não tô falando com você, querida,” a Srta. Dory disse.
Eu ri de novo. “Ah. Srta. Dory, você fez o meu dia.”
“Voltando pra você, Becca. O que você precisa? Você precisa de dinheiro?”
“Sim—”
“Ei, eu não tô falando com você, Reina.” É a Srta. Dory.
Eu só balancei a cabeça.
“Sim, senhora. Eu tô planejando ir pra Dinamarca pra conversar com ele.”
“Uau. Eu gosto da sua determinação, e eu admiro o seu amor por ele. Com isso, eu posso te ajudar, querida,” disse a Srta. Dory.
Eu balancei a mão, “não, senhora. A gente não quer incomodar a senhora—”
A Srta. Dory levantou a mão. “Ei. Eu insisto. Além disso, eu vou pra Dinamarca também.”
Nossas bocas caíram. “Como?”
A Srta. Dory sorriu. “Eu vou visitar minha avó lá. A antiga dama da realeza, Agatha.”
“Dama da realeza tipo dama de companhia?” perguntou a Reina, exasperada.
A Srta. Dory concordou, “ela é uma antiga dama da corte da antiga Rainha—avó do Linus. E eu posso te ajudar não só com o dinheiro mas também pra entrar no Palácio da Dinamarca,” ela disse.
A minha mente queria sair da minha cabeça porque eu não conseguia absorver aquela informação.
“Deus, eu também sonhava em ser uma Dama da Realeza, mas que pena, eu só posso acompanhar minha mamãe,” disse a Reina.
“Você é realmente interessada na realeza, hein?” Eu perguntei.
“Sim. Mas aconteceu que você pegou o peixão e eu tô fora. E quando você casar com o Linus, eu já posso entrar no palácio, e pra mim tá tudo bem.”
“O que você tá dizendo?” Eu perguntei enquanto ela falava de casamento.
“Isso que você chama de pensar no futuro,” ela respondeu e piscou pra mim. A Srta. Dory só balançou a cabeça.