Episódio 10
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ARCHISHA
Chego em casa e já vou direto pro banho antes de ir pra cozinha fazer a janta. Tô exausta e não consigo tirar da cabeça tudo que aquela mulher falou. Tipo, uma parte de mim quer muito aceitar esse trampo, mas sei lá por quê?
Nem conheço ela, mas parece que sim.
Termino de fazer a comida e arrumo a mesa enquanto o resto da galera se junta pra comer. Não entendo por que a minha Tia não ajuda em nada na cozinha. Só se preocupa com qual sari usar e qual joia vai combinar.
"Archi, como foi a sua busca hoje?" Minha mãe pergunta, me tirando do transe.
"Mãe, a gente conversa depois da janta" falo pra ela e ela balança a cabeça devagar.
Depois da janta, Pihu e Kuhu limpam a mesa enquanto eu levo ela pro quarto dela. Ela fecha a porta e senta na cama enquanto eu coloco a cabeça no colo dela.
"Tá tudo bem?"
"Tô bem, Mãe. Só precisava sentir seu calor, só isso" respondo. Ela passa os dedos no meu cabelo grosso enquanto eu fico olhando pro nada.
"Já tá pronta pra me contar o que tá rolando?" Ela pergunta e eu me afasto dela e olho pra cara dela.
"Não consegui um emprego hoje. Todo mundo se recusou a me contratar, mas aí..." Comecei a contar tudo que aconteceu hoje antes de chegar em casa.
"Sério?"
"Sim, mãe."
"E o que você vai fazer?"
"Tô confusa também. Realmente não quero fazer isso, mas a gente precisa da grana e tenho até amanhã de manhã pra decidir, e é isso"
"Archi, se você realmente quiser ajudar ela, tem meu apoio. Quem sabe o quanto a pobre menina tá sofrendo. Não é fácil ser estrangeira num lugar estranho sem ninguém pra te dar uma força" mãe explica.
"Tá dizendo que eu deveria fazer isso?"
"Fazer o quê?" Pihu e Kuhu entram quase na mesma hora que fazem a pergunta.
"O que vocês estão fazendo aqui?"
"Viemos passar um tempo com a mãe" elas respondem e sentam do lado da mãe.
"Vocês não precisam estar aqui"
"Vocês são minhas filhas e todas vocês precisam estar aqui comigo" ela responde e as duas dão risada.
Foi-se o tempo de querer ter uma conversa tranquila com ela.
"Archi, reza pro Todo-Poderoso. Tenho certeza que ele vai iluminar seu caminho e te mostrar qual direção seguir"
Levanto e vou pro meu quarto descansar. Talvez a mãe esteja certa. Vou rezar e pensar nisso, depois tomo minha decisão final. Puxo os lençóis e deito enquanto a brisa da noite entra no meu quarto pra me acalmar.
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SAM
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Chego em casa sentindo um monte de emoções de uma vez. Tava animada e com medo ao mesmo tempo. Animada por finalmente ter encontrado ela e com medo de que ela não aceite me ajudar.
"Até agora, não vejo nenhum progresso. Você tem certeza que quer ficar com o meu ADI? " A voz da mãe me interrompe.
"Você tem menos de vinte e cinco dias, Samaria. E mal posso esperar pra você perder e sair da minha casa" ela fala e sai andando.
As palavras dela me cortaram como uma faca no coração. Como ela pode ser tão cruel e dizer essas coisas pra mim?
Me senti tão mal que subi pro meu quarto sem dizer uma palavra pra ninguém e só espero que o ADI não descubra sobre o surto da mãe, porque pode causar mais problemas entre eles.
Tomo banho e pego meu laptop pra fazer uma videochamada com o SHAURYA. Se tem alguém que pode falar umas besteiras e coisas chatas pra me acalmar, além do ADI, é ele.
Toca e ele atende quase que na hora.
"Sam, tô trabalhando, o que você quer?" Ele fala assim que aparece na tela.
"Não podia esperar cinco minutos antes de começar com a sua grosseria?" Eu reclamo.
"Tô fazendo progresso, SHAURYA. Consegui uma guru" digo animada.
"Uma guru?"
"Bem, ela ainda não aceitou, mas tô torcendo pra que sim"
"Espera, calma aí. O que é uma guru?" Ele pergunta e eu dou risada.
"E você se diz o cara indiano. É uma pessoa, não um quê" eu provoco e ele resmunga.
"Te odeio"
"O sentimento é mútuo. Uma guru vai me ajudar a aprender as culturas e tradições indianas"
"Então você ainda não começou? Quantos dias te restam?"
"Por favor, não me lembre" suspiro.
"Então por que ela não aceitou?" Ele pergunta.
"Bem..." Conto tudo que aconteceu no templo até hoje à tarde e ele escuta com atenção.
"Ela deve ser muito orgulhosa pra não aceitar o dinheiro que você ofereceu"
"Ela não é orgulhosa. Peguei ela de surpresa, então ela precisa de um tempo pra processar"
"Seja o que for, e tome muito cuidado pra não ser enganada"
"E..." Eu arrasto a voz "devo acrescentar que ela também é muito bonita? Aposto que você vai parar de procurar aquela menina assim que a vir"
"Não tô interessado"
"Que estraga-prazeres. Como estão as coisas no trabalho?"
"Tudo indo muito bem. Organizei uma entrevista pra um novo gerente de vendas, mas ainda não escolhi um candidato. Embora eu tenha outra pessoa em mente"
"Sua mulher misteriosa?" Eu provoco.
"Sem graça"
"De qualquer forma, preciso ir pra cama, mas vou te mandar a foto daquela menina, caso você mude de ideia"
"Sam..."
"Boa noite, rabugento" eu digo e desligo a chamada na hora. Rapidamente tiro o cartão SD da minha câmera e coloco no laptop. Depois procuro as fotos dela do festival e mando pro SHAURYA antes de sair. Tomara que ele pelo menos reconheça o quão bonita ela é. Puxo o edredom e fecho os olhos antes de cair no sono.
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SHAURYA
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Fico olhando pro PC desligado enquanto xingo a Sam por dentro.
Essa menina é uma verdadeira dor de cabeça. Ainda não entendo por que e como somos primos. É como se ela tivesse sido enviada do inferno pra me torturar.
Rapidamente entro em outro site pra continuar meu trabalho quando recebo uma notificação de mensagem da Sam. O que ela quer agora?
Volto a ficar online e vejo que ela me mandou fotos. Baixo elas e fico pasmo.
É ela. A mesma menina que ameaçou me denunciar pra polícia se eu demitisse meu motorista. Como ela conhece a Sam?
Abro as outras fotos e o rosto bonito dela enfeita minha tela que por um segundo abandono tudo que estou fazendo. Ela está tão bonita com aquela saia longa e top curto e o dupatta amarrado de um jeito legal. Ela é dançarina? Ela realmente parece familiar. E por que parece que eu a conheço só de olhar pra foto dela?
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