Episódio 9
***
SAM
Acordo bem cedo de manhã e tomo meu banho, depois vou colocar minhas roupas antes de pegar minha câmera na cozinha para fazer uma tigela de cereal. Encontro Charu batendo sei lá o quê.
Só de olhar pra ela me dá uma raiva... Tipo, já não basta a mãe do Adi ter trazido ela pra me irritar, agora tenho que ver a cara dela em todo lugar que vou. Droga!
Faço meu cereal rapidinho e saio da cozinha, indo pra mesa de jantar. Sento e como quieto, de vez em quando checando as lentes da minha câmera.
Ouço passos descendo a escada e por um segundo fico assustado, achando que era a mãe do Adi, mas meu medo passa quando o Adi me beija na bochecha.
"Bom dia, Sam", ele diz, e eu solto um suspiro que nem sabia que estava segurando.
"Bom dia, Adi. Dormiu bem?"
"Acho que sim", ele responde e puxa uma cadeira do meu lado para sentar.
Toco na testa dele com a palma da mão para sentir a temperatura.
"Normal", murmuro.
"Tô bem, Sam. Juro que tô", ele responde, e nesse momento a Charu entra com uma bandeja com o café da manhã, que tenho certeza que é pra ele.
Ela coloca na frente dele com um sorriso enorme no rosto.
Ele solta um rosnado frustrado: "Que é isso, Charu?"
"Seu café da manhã", ela responde toda feliz.
"Eu vou comer cereal no café da manhã e, se eu quiser comer outra coisa, minha noiva ou a Payal vão fazer pra mim. Você não precisa fazer isso."
"Eu sei, mas sua mãe..."
"...então leva pra ela, por favor. Obrigado. E Sam, faz outra tigela de cereal pra mim antes de sair", ele responde com um tom de decisão. Conheço o Adi demais pra saber que, quando ele toma uma decisão assim, de mau humor, nenhuma discussão vai mudar a cabeça dele, então fui rápido fazer o café da manhã dele.
Depois de comer, limpo a louça antes de sair. Falei pro Adi que ia fazer turismo, mas é só meia mentira. Na verdade, tô tentando matar dois coelhos com uma cajadada só. Enquanto tô fora, vou tentar ficar de olho em alguém confiável que possa me ajudar a alcançar meus objetivos. Até agora, tenho menos de vinte e cinco dias pra achar um guru, porque o tempo tá acabando.
Pego um carro. Ideia do Adi. Não culpo ele, não. Ele só tá tentando cuidar de mim. Primeiro chego no mercado. Exploro à vontade e vou até o rio ali perto. Tiro umas fotos antes de ir explorar outros lugares.
.
ARCHISHA
.
Acordo e faço o café da manhã pra família toda, logo depois do banho. Depois de servir, coloco minhas pantufas, coloco minhas pulseiras e pego uma bolsinha. Aí faço uma oração rapidinha antes de sair do meu quarto.
"Indo pra algum lugar?", minha mãe pergunta, me parando no caminho.
"Sim, vou procurar um emprego", murmuro, ajeitando o véu no pescoço.
"Por que perder tempo procurando empregos de merda?", minha Tia fala. "É só procurar um homem rico e casar com ele. Você não nasceu com a sorte da Veera. Soube que ela já conseguiu um emprego porque o pai dela puxou uns pauzinhos, e logo vai casar com um homem rico, e você, como fica? Catando migalhas?", ela conclui, enfiando comida na boca.
Ignorando ela, me viro pra minha mãe e digo: "Volto antes de anoitecer. Tomara que eu encontre alguma coisa pra mim", me abaixo pra tocar nos pés dela, que simboliza receber as bênçãos.
"Que Deus te abençoe e que o Todo-Poderoso realize todos os seus desejos."
"Podemos ir com você?", Kuhu pergunta, e eu suspiro.
"Não. Até mais", respondo antes de sair de casa.
Pego um tuk-tuk e vou direto pro mercado, primeiro.
Chegando lá, percebo que todo mundo tá ocupado.
"Bom dia, senhor", cumprimento, juntando as mãos. "Precisa de alguém pra trabalhar aqui? Sou muito boa..."
"Não, moça. Tente em outro lugar", ele me dispensa com a mão, e eu balanço a cabeça em sinal de compreensão.
Fui em outra barraca e a mesma coisa. Fiz isso por uma hora, mas não consegui mudar a ideia de ninguém, então desisti e decidi ir pra casa.
No caminho pra casa, parei num templo pra rezar. Depois de rezar, tava quase indo embora quando vi uma mulher tirando fotos, mas minha atenção foi pro menino que tava tentando roubar a bolsa dela.
"Ei!", grito o mais alto que posso, correndo pelas escadas do templo. Pego uma pedra no chão e jogo nele, mas ele desvia e sai correndo.
"Você tá bem, moça?", pergunto assim que chego perto dela.
"Hã?"
"De nada", respondo seca. "Quer dizer, ele tava tentando roubar você. Sua bolsa tá aberta, tá me entendendo?", digo, apontando pra bolsa dela. Ela olha pra baixo na hora e engasga com a revelação.
"Muito obrigada", ela responde, fechando o zíper, enquanto eu balanço a cabeça e me viro pra ir.
"Com licença", ela fala de novo, e eu paro no lugar.
"Sim?"
"Sou a Sam", ela se apresenta, e eu só balanço a cabeça.
"Archisha", digo.
"Você não se lembra de mim? A gente se viu ontem depois do festival. Mas você foi embora antes que eu pudesse conversar com você", ela explica, e aí me ficha.
"Ah, lembro de você agora. Desculpa ter ido embora. Tinha outras coisas pra resolver."
"Tudo bem. Não precisa pedir desculpa. O que você tá fazendo aqui?", ela pergunta.
"Tô tentando arrumar um emprego. Foi bom te encontrar de novo", digo pra ela, sincera, e me viro pra ir, mas ela me impede de novo.
"Podemos conversar? Tenho um favor pra te pedir."
"Claro", respondo.
Vamos pra um canto e sentamos. Ela me explica tudo o que aconteceu e como quer que eu seja a guru dela, senão ela perde o amor da vida dela pra outra mulher. Por mais que eu quisesse ajudar, não quero me envolver nos dramas de outra família.
"Adoraria te ajudar, Sam, mas acho que não quero me envolver nos seus problemas", digo pra ela, sincera.
"Por favor, Archisha. Você é minha última esperança. Não sei pra quem pedir ajuda e só tenho um mês, então não tenho tempo pra procurar outra pessoa", ela implora.
"Sinto muito, mas não", digo, e me viro pra ir embora.
"Vou te pagar quinhentos e dois libras, que dá mais ou menos cinquenta mil rúpias por mês", ela diz, e eu paro no lugar.
"Quê?"
"E por semana? Você disse que tá procurando um emprego, então deixa eu te pagar pra trabalhar pra mim. Desculpa se tô te colocando nessa pressão, mas não tenho escolha. Tô desesperada", ela acrescenta.
"Pode pensar sobre isso se quiser. Pensa hoje à noite e me liga de manhã se mudar de ideia", ela me diz, e coloca um papel na minha mão. "Esse é meu número. Vou esperar sua ligação. Muito obrigada", ela conclui antes de ir embora.
Que tipo de teste você tá me colocando, meu Deus? Já é cansativo ter que andar pela cidade procurando onde trabalhar, e agora você me joga essa.
Rezei pra você me ajudar e não me colocar em uma série de testes. Me viro na direção que ela foi e vejo ela entrando num carro, que sai em disparada assim que ela fecha a porta.
Vou ter que ir pra casa primeiro e conversar com a mãe, e aí vou saber o que fazer.
.
.
Amor Com Benefícios
.