Capítulo 24 Deixe uma marca quente
Ashley cobriu a cara toda fodida e olhou pra mulher que apareceu do nada. "Sarah! Por que você pode me bater?"
Sarah avisou: "Jacob é meu funcionário. Então eu tô qualificada pra te bater."
"A filha mais velha da família Davis e os guarda-costas sem identidade tão tendo uns rolos secretos? Ou você curte mesmo um pau de três?"
Ashley achou que a Sarah ia ficar cagada de medo, se ela fosse cruel o suficiente.
Só que não rolou vergonha nem raiva na cara da Sarah.
Foi tipo o soco bater em algodão, e o clima ficou mó estranho de repente.
"Tanto faz o que você fala, mas, maninha, você parece que tá bem mais gorda do que eu," Sarah falou, de boas. "Pelo menos eu ainda tenho um monte de gente correndo atrás de mim, mas e você?"
Ela começou a rir, tipo, mó feliz. A mão da Ashley, que tava parada do lado dela, levantou de repente——
"Eu preciso te dar uns tapas…"
Antes de sair a palavra "vadia", seus pulsos foram torcidos por dois pares de braços fortes e finos.
Jacob e Brandon se olharam e saíram fora ao mesmo tempo. As ações deles foram sincronizadas.
As pessoas que estavam passando olharam pra Ashley, e uns poucos sorriram, tipo, curtindo a novela.
"Sarah, pode esperar pra ver. Eu não vou deixar você viver em paz!" Sabendo que tava em desvantagem numérica, Ashley falou umas coisas cruéis e saiu correndo.
Aí, no meio da galera, tinha um cara diferente, segurando um celular com as duas mãos, tipo, fazendo o papel de quem tava assistindo a palhaçada. Ele tava observando tudo ali, de boa.
Depois que a palhaçada acabou, o carro do Brandon foi consertado, e os três foram pra loja 4S.
"Sarah, valeu por hoje. A gente pode marcar de novo da próxima vez."
"A gente também vai."
Sarah fez um gesto com a mão e entrou no carro.
O carro tava indo de boa na estrada, e a vista da rua tava escura, quase não dava pra ver nada direito.
Sarah deu uma olhada pro cara que tava no banco do motorista, que tava segurando o volante de qualquer jeito, mas tava indo rápido demais.
Parecia que não era justo dar esse carro pra ele.
"Jacob, vai mais devagar! Você vai se afogar se continuar nessa velocidade!"
O cara diminuiu a velocidade, e a Sarah aproveitou pra curtir a paisagem bonita de Raleigh.
Não muito longe dali, um portal de pedra em arco chamou a atenção da Sarah.
Na frente tava a rua velha de Raleigh.
Sarah lembrou que era o lugar que o pai dela mais tinha levado ela, e aquelas vezes eram as únicas lembranças boas que sobraram.
Os olhos dela ficaram um pouco marejados.
Ela queria muito visitar…
"Jacob, vira à direita ali na frente."
Os dois saíram do carro juntos e foram em direção à entrada da rua velha.
Quando eles entraram nas ruas, o barulho lá dentro era completamente diferente do trânsito na estrada.
De dia, os turistas passeavam, e as lojas faziam mó propaganda dos seus produtos especiais.
"Bolo de osmanthus doce, bolo de osmanthus doce fresquinho, não perca essa chance!"
Um grito melodioso chamou a atenção da Sarah.
Ela olhou pra cima e viu que era a loja de bolo de osmanthus doce que o pai dela sempre levava ela!
Ela apressou os passos em direção à loja.
"Tia, me dá duas caixas de bolo de osmanthus fresquinho."
A mulher de meia-idade olhou pra Sarah com surpresa. "É você, Sarah?"
Sarah sorriu e falou: "Faz tempo que a gente não se vê, tia!"
A voz da mulher tava misturada com um pouco de surpresa. "Faz tempo mesmo que eu não te vejo. Eu lembro da primeira vez que te vi, você ainda era uma menininha."
Sarah sorriu e apresentou o Jacob pra ela: "Eu gosto muito de bolo de osmanthus doce. Eu sempre peço pro meu pai me trazer aqui pra comprar, por isso eu conheço bem a tia."
"Como o tempo voa! Você arrumou um namorado."
"Tia, a gente…" Sarah queria explicar, mas foi interrompida.
"Vocês combinam muito."
"Tia, a gente não tem esse tipo de relação." Sarah explicou, rapidinho.
"Acho que ele é mó legal com você."
A tia olhou pros homens e pras mulheres na frente dela, sorrindo.
"Tia, a gente não é namorado e namorada." Jacob finalmente foi explicar.
"Beleza, eu tô zoando. Faz tanto tempo que eu não te vejo. Eu vou te dar os bolos de graça hoje!"
A tia correu pra loja e embalou os bolos de osmanthus doces fresquinhos.
"Ah, a tia sempre gosta de brincar."
"De boa, eu não me importo." Jacob olhou pra mulher na frente dele e falou: "Senhorita Davis, por que sua cara tá vermelha?"
Sarah fingiu que tava calma. "Tá muito quente."
Nessa hora, a tia saiu com o bolo de osmanthus doce. "Aqui, pega. Tá fresquinho."
"Valeu, tia." Depois que a Sarah pegou, ela botou dinheiro no caixa.
"Então a gente já vai."
Depois que os dois se despediram, a Sarah pegou um pedaço de bolo de osmanthus e mordeu enquanto andava. O gosto familiar de arroz glutinoso macio estimulou as papilas gustativas dela, e ela ficou mó satisfeita.
"Também tem um restaurante de tofu fedorento na nossa frente. Também tem um velho que faz bonecos de açúcar. Ele sempre monta uma barraca na porta dos fundos da escola no beco…"
Jacob não achou que ela tava falando demais, de jeito nenhum. Ele ouviu ela com paciência, e percebeu a farelo de bolo de osmanthus no canto da boca dela.
"Não se mexe."
"O que foi?"
Sarah parou e olhou pro Jacob com curiosidade.
Jacob esticou a mão, e o toque quente deixou uma marca quente nos lábios dela.
"Tudo bem, Senhorita Davis."
"Vamos em frente dar uma olhada." Sarah sentiu as bochechas queimando, e os passos dela aceleraram sem querer.
"Espera por mim."
……
Nessa hora, tinha um monte de gente na rua. Num piscar de olhos, as duas pessoas foram separadas pela multidão.
Sarah andou um tempão sem parar. "É esse que eu te falei."
Ela virou a cabeça. Mas, na rua agitada e diferente, ela não conseguiu achar o Jacob.
Ela voltou. Tinha um monte de gente na rua, andando e parando.
Enquanto isso, na outra ponta da rua velha.
Jacob não viu a Sarah, mas foi parado por um cara de terno preto.
"Sr. Jacob, nosso chefe Joseph te convidou."
O cara era o assistente do Joseph, e fez um gesto de convite pra ele.
Jacob seguiu ele e chegou numa sala reservada numa casa de chá. Comparado com a cena barulhenta lá fora, parecia particularmente quieto.
"Meu irmão, quanto tempo."
O cara que tava sentado na frente do portão viu o Jacob aparecer e pediu pro garçom servir chá.
"Irmão, por favor, experimenta o chá preto de Dover. Eu trouxe, especialmente pra você."
"Joseph, o que você quer fazer?"
O cara que falou era o irmão do Jacob, Joseph, o terceiro filho mais novo da família Jones.
Porque uns anos atrás, o filho mais velho da família Jones morreu num acidente, a relação entre os dois começou a ficar incompatível.
"Da última vez que a gente se encontrou em Madison, eu não esperava que meu irmão ia correr pra Raleigh," falou o Joseph, com as pernas cruzadas e as mãos juntas, olhando pra ele. "Mas eu também não esperava que meu irmão parecesse ter feito novos amigos aqui."
"Eu não consigo ficar parado por uma mulher como você?"