Capítulo 15
PELO CORAÇÃO DA ABRIL.
Três semanas viraram quatro, depois cinco, e a sexta semana chegou, me assustando a cada dia que passava.
No começo, tava tudo fluindo, mas tudo mudou depois.
A gente não tava mais se comunicando como antes, ele tava frio e quase nunca atendia as ligações ou respondia as minhas mensagens.
Eu tava muito preocupada e depois com medo de que algo ruim tivesse acontecido com ele.
Eu tava em pânico, porque não conseguia pensar direito no que tava rolando.
E se ele tivesse terminado comigo e não quisesse mais nada comigo?
Ele não pode simplesmente entrar na minha vida e bagunçar tudo assim.
Embora eu não tivesse nada a perder, eu já tinha me apaixonado totalmente por ele.
O Phillip é único, e eu vou estar muito ferrada se eu perder um cara desses.
Talvez o dinheiro que ele mandou fosse um presente de adeus. Eu nunca nem pensei nisso até agora.
Será que eu o ofendi sem saber, ou foi porque eu me recusei a deixá-lo vir ver meu tal tio que nem existe?
Ou será que ele descobriu sobre o Luís?
Ele provavelmente fez suas investigações e descobriu que eu tava morando com um cara que por acaso é meu namorado.
"Não... não, ele não pode saber disso..."
A minha culpa vai atormentar minha consciência dia após dia. Embora eu ainda me sinta torturada, eu consigo lidar sabendo muito bem que o Phillip não sabe absolutamente nada sobre mim.
Eu tava quase perdendo a cabeça pensando no Phillip.
Eu fiquei mal-humorada e perdi o apetite.
Nada me interessa.
Eu tento seguir em frente e não deixar nada sobre o Phillip me derrubar emocionalmente, mas nada realmente tava ajudando.
"O que você tem?" o Luís perguntou um dia.
"Nada, tô bem..." eu respondi.
"Não, você não tá bem. Eu percebi que você tá aí, toda cabisbaixa, como uma sombra. Tem alguma coisa te corroendo... e você sabe que pode me contar qualquer coisa, né..."
Eu olhei pra ele, sem expressão e com raiva por ele não largar o assunto.
"... você pode me contar qualquer coisa, Abril, porque eu me importo..."
Essa foi uma mentira deslavada, o Luís não se importa nem um pouco, ele tava só sendo curioso, ele realmente queria saber o que tava acontecendo na minha vida, e eu não tô pronta pra abrir o jogo.
"Eu tô bem, Luís, por favor, me deixa em paz. Obrigada por se importar..."
Eu entrei no quarto pra tentar o número do Phillip, esperando que ele atendesse, mas, como sempre, não tava completando.
Eu decidi mandar uma mensagem, depois de mandar a primeira, mandei outra e esperei, mas nenhuma resposta veio.
Foi aí que acabou pra mim. Eu vou deletar o número dele e tudo sobre ele.
Eu vou tentar esquecer ele pra poder seguir em frente, porque pensar nele, ligar e mandar mensagem sem receber resposta me dá vontade de chorar.
Talvez, eu dê mais alguns dias, e nunca mais vou ligar pra ele.
Ele não pode ficar brincando com as minhas emoções.
Na manhã seguinte, enquanto eu tava no banheiro me arrumando pro trabalho, eu comecei a desejar saber o escritório dele ou onde ele mora.
Se eu soubesse, eu poderia ter ido fazer uma visita, fazer uma visita inesperada pode não cair bem pra ele, mas ele não me deixou escolha.
Eu terminei de sair do banheiro, entrei no quarto e lá estava o Luís sentado na cama, mexendo no meu celular.
Eu corri pra pegar meu celular dele, mas ele me empurrou, eu perdi o equilíbrio e caí.
Ele não disse nada enquanto continuava mexendo.
Eu levantei pra encarar ele.
"Quem é Phill?"
Eu não disse nada, ele se aproximou de mim e repetiu a pergunta.
"Não é ninguém..." Eu respondi, ainda em pé.
"Não parece que não é ninguém pra mim, você tá se comunicando com ele faz um tempo e eu sei que você deve ter deletado algumas mensagens antigas também. Mas essa última que você mandou, você tava implorando pra ele atender suas ligações. Deixa eu ler um pouco: 'me diz o que eu fiz de errado, Phil, por favor, responde ou atende minhas ligações, porque eu tô ficando louca pensando em você..."
O Luís leu do celular pra mim e eu fiquei quieta sem tentar me defender.
"…então, quem é Phil, eu te pergunto de novo?"
"Não é ninguém." Eu respondi de novo.
Ele jogou meu celular com raiva na parede e disse: "Para de me enrolar, Abril, pela última vez, quem é esse Phil, que você liga e manda mensagem pra ele, implorando pra ele te responder, porque você tá ficando louca? Então, ele é o motivo da sua recente mau humor. Você tá me traindo? Você tá vendo outro cara? Você tá vendo outro cara na minha cara...? Abril, me responde, porque se não, a sua cabeça vai ser a próxima coisa que eu vou quebrar..."
Eu tava com medo, mas tentei não demonstrar. Eu queria que aquele momento passasse, porque eu tava com medo do que o Luís ia fazer em seguida.
"Eu não tô vendo outro cara, Luís. Você é o único homem na minha vida, e o Phill não significa nada pra mim. Por favor, eu não quero problemas hoje de manhã. É só um daqueles momentos no trabalho, eu acabei conhecendo um cliente que provavelmente me encantou, porque o cara não é carinhoso, não é bom, não é romântico e não me ama, mas eu não consigo tirar ele da cabeça. Eu tô começando a achar que ele fez alguma coisa comigo, talvez ele me enfeitiçou. Até tem uma esposa e filhos... é loucura, Luís. Eu preciso rezar, porque isso não é normal. Talvez seja do sorvete que ele trouxe pra mim e eu comi inocentemente. Falando sobre isso agora, eu me sinto um pouco livre. Essa é a verdade..."
Ele me olhou por alguns minutos e disse:
"Realmente, você tá enfeitiçada, se for o caso. Eu não quero que essa loucura se repita de novo, então tente se desencantar antes que algo pior aconteça. Ele já te levou pra sair antes... você já dormiu com ele..."
Eu disse pra ele que nada disso aconteceu.
"Eu acredito em você, mas prove isso."
"Como...?" Eu respondi, incerta do que ele realmente queria dizer.
Ele disse que ia me mostrar como.
O Luís tirou a toalha amarrada no meu peito e me empurrou pra cama.
Quinze minutos depois, ele terminou, satisfeito, e se vestiu.
Eu aguentei, não fiz nenhum som e nem resisti.
Eu senti mais ódio e nojo por ele, mas eu não disse nada.
"...Antes de ir pro trabalho, certifique-se de passar na farmácia e pegar alguns remédios pra você. Eu sei que você é ingênua e estúpida, você precisa que te digam o que fazer toda hora, mas você age como se fosse esperta, mas na verdade você é burra..."
Eu entrei quietamente no banheiro e me lavei, quando eu saí, ele ainda tava lá.
Eu imediatamente comecei a me vestir apressadamente.
"... outra coisa é que, não importa quem seja o cara ou quais desculpas você provavelmente tem pra ele, por favor, não deixe isso acontecer de novo. Você não tem permissão pra se relacionar ou ter relações com qualquer outro homem romanticamente. A não ser que você seja tola e queira ver o meu outro lado. Eu sou muito legal, Abril, mas eu odeio que brinquem comigo. Respeite tanto a minha presença quanto a minha ausência, por favor, se relacionar com qualquer homem, seja qual for a base que você coloque, é traição e desrespeito, e eu não vou tolerar isso de você..."
Ele ainda tava falando quando eu me vesti e tava quase saindo, quando ele perguntou:
"Espero que você tenha ouvido tudo o que eu disse..."
"Sim, eu ouvi você..."
"Bom. Não se esqueça de pegar os remédios na farmácia. Eu não quero ouvir nenhuma história patética de como você foi vomitar ou ter cólicas, porque você suspeita de gravidez. Você é grande o suficiente pra cuidar de si mesma nesse aspecto. Então, por favor, faça o que precisa ser feito... espero que você entenda?"
"Claro, eu entendi..."
Eu olhei para onde meu celular quebrado estava em pedaços no chão. Eu tentei ir pegar.
"Ei... o que você tá fazendo, onde você acha que vai?"
"Eu quero pegar meu celular..." Eu respondi, parando perto de onde o celular estava.
"Pra quê, pra você encontrar outra forma e continuar se comunicando com o seu Phil?"
"É um celular quebrado, Luís, eu quero ver se ainda funciona. Como vamos nos comunicar sem um celular. Você não vai conseguir me alcançar, e eu não vou conseguir te alcançar. Eu provavelmente vou levar pra um técnico consertar."
"Tudo bem, pode ir e pegar..." Ele finalmente disse.
Eu coloquei o celular na minha bolsa e fui.
Eu passei numa farmácia e peguei uns remédios.
Eu tava muito atrasada pro trabalho naquele dia, dei desculpas por estar atrasada pro trabalho e meu chefe estava por perto.
"Abril, você já sabe que você está entre os funcionários aqui que eu admiro. Sempre pontual, limpa e muito atenciosa com os clientes. Você está entre os funcionários que ganharam o prêmio de melhor funcionária do ano. Muitos funcionários aqui se inspiram em você, eles querem seguir seus passos. Chegar muito atrasada no trabalho sem ligar, e sua linha não estava completando não é legal. Você é a imagem da empresa e precisa estar no seu melhor o tempo todo. Se houver alguma razão pela qual você teve que chegar atrasada, tente ligar. Eu vou desculpar o comportamento de hoje, mas, por favor, não deixe acontecer de novo..."
Eu tava me esforçando muito pra controlar minhas emoções e me impedir de chorar.
Eu consegui agradecer a ela antes de ir para o vestiário pra trocar pro uniforme de trabalho, e foi lá que eu desmoronei e comecei a chorar.
Eu liberei todas as emoções que eu tava guardando e deixei as lágrimas rolarem.
Quando eu me senti um pouco livre, eu limpei meu rosto, me preparei pra enfrentar o dia.
Naquele dia, eu tentei ligar meu celular, mas ele não tava ligando de novo.
Eu peguei o celular da minha colega emprestado pra fazer uma ligação.
Eu tentei ligar pro Phillip, porque eu tinha o número dele na minha cabeça, mas o número dele ainda não tava completando.
Eu finalmente decidi que o Phillip era história, e era hora de encarar a realidade e seguir em frente.
Ser forte e lutar contra qualquer batalha que eu tiver que enfrentar a partir de agora sozinha, e o Luís é uma batalha do inferno que eu terei que lutar com tudo que eu tenho, até que ele seja derrotado.