Capítulo 28
DO CORAÇÃO DA Abril.
Luís não parava de me ameaçar, dizendo que ia se vingar se não recebesse logo o aviso do meu salário.
Ele também ameaçou ir atrás do Philip pra me expor.
Ele suspeitava que eu estava aprontando alguma coisa, mas não conseguia descobrir exatamente o que eu estava fazendo.
E eu gostava do fato de que ele só podia adivinhar e ia continuar adivinhando.
Depois de mandar uma mensagem pro Phil que eu queria ver ele, ele pediu pra eu esperar depois do trabalho, o que eu fiz.
Esperei uns trinta minutos depois que o trabalho acabou, até que eu vi ele chegando.
Quase nunca o vejo depois do trabalho, ele fica no escritório até tarde da noite trabalhando, mas naquele dia, por minha causa, ele decidiu sair mais cedo do que o normal.
Ele perguntou se eu estava bem, eu disse que tinha sido atropelada ontem por um carro.
Ele gritou em choque e começou a checar meu corpo pra ver se eu estava bem.
Eu falei que estava tudo bem, o carro não estava em alta velocidade, senão seria pior.
Não tinha mais tempo pra perder, não queria atrasar mais a execução do meu plano.
Com uma cara triste e um pouco de maquiagem no meu rosto, porque os verdadeiros hematomas que eu tinha ganhado do Luís já tinham sarado, eu tinha que inventar um falso.
Comecei a contar minhas provações pro Phil. Não era tudo verdade, mas isso não negava o fato de que eu estava passando por muita coisa nas mãos do Luís.
Menti e falei pro Phil que era por causa do Luís. "Já que ele vai voltar da viagem em breve, ele me mandou comprar uns presentes numa loja de estilistas, onde a namorada dele costuma comprar, ele precisava que eu fosse lá depois do trabalho ontem pra comprar umas coisas pra uma das suas várias mulheres e guardar em casa, pra que, quando ele voltasse e a moça viesse visitar, ele pudesse dar o presente pra ela, fingindo que tinha comprado em algum lugar que ele viajou... Foi no caminho de volta que o carro me atingiu..."
Eu observei a expressão triste no rosto do Philip, não parei por aí, continuei com a história triste.
Eu falei pro Phil que o Luís me mandou um dia entregar um pacote pra namorada dele que mora longe. "...isso foi antes do Luís viajar e eu quase sofri um acidente também, mas graças a Deus que me salvou naquele dia..."
O Philip não ficou feliz que eu tive que fazer essa tarefa, ele se perguntou por que o Luís não enviou o item por transportadoras.
Eu falei pro Philip que essa é a maneira do Luís e eu já estou acostumada com isso. Ele me manda pra várias namoradas, mesmo tarde da noite, e quando alguma das minhas babes vem, o Luís me proíbe de entrar no quarto.
Às vezes eu tenho que sair de casa por causa delas.
Um dia, eu quase fui molestada por uns caras na noite por causa da mesma coisa.
Eles rasgaram minhas roupas, mas eu consegui escapar.
O Philip gritou e perguntou por que eu fiquei quieta todo esse tempo. Ele disse que eu deveria ter falado e contado pra ele.
Ele me perguntou se eu queria ter meu próprio apartamento, eu respondi que já estava trabalhando pra isso.
Essa foi uma grande oportunidade que eu estava procurando, finalmente veio, inesperadamente. Eu estava realmente procurando uma forma de ferrar o Luís, uma forma de fazer o Phil saber que morar com o Luís era perigoso pra mim.
Eu estava feliz porque consegui e fiz o Phil acreditar em tudo que eu disse.
O Phil falou que eu deveria falar com os meus pais sobre isso antes de fazer qualquer plano pra me mudar, que, não importa o que acontecesse, o Luís ainda era minha família.
Eu disse pra ele que meus pais já estavam cientes disso e não veem a hora de eu sair da casa do Luís antes que ele me machuque indiretamente.
O Phil concordou com tudo, ele pediu pra eu avisá-lo quando eu quisesse me mudar, pra que ele pudesse me conseguir um lugar melhor só meu.
Ele me deu um pouco de dinheiro depois que demos um longo beijo. Enquanto isso, eu lembrei que eu deveria estar com dores no corpo ou com uma dor leve por causa do acidente falso, eu rapidamente fiz uma careta de dor falsa.
Ele parou, pediu desculpas e prometeu vir ver o Luís assim que voltasse e dizer pra ele parar de me mandar em tarefas perigosas só pra agradar as mulheres dele.
Eu disse que não era necessário, mas ele insistiu e eu decidi me aquietar.
Ele também queria me levar pra minha casa naquele dia, mas eu pedi pra ele me deixar no mercado, eu queria comprar algumas coisas de comida. Eu pedi pra ele ir, mas ele se recusou.
O Phil disse que ia esperar e me levar pra minha casa. Eu não consegui convencê-lo.
Eu peguei algumas coisas no mercado, coisas que eu não planejava comprar antes.
O tempo todo eu sempre dou uma desculpa ou outra sobre por que ele não deveria me levar pra casa, mas eu não consegui inventar nada razoável.
O mercado poderia ter ajudado, mas ele insistiu em esperar.
Quando chegamos perto da casa, eu estava olhando ao redor pra ver o Luís, quando desci rapidamente do carro assim que o Phil estacionou.
Ele estava até tentando dizer mais alguma coisa, mas eu já estava fora. Eu acenei pra ele e corri pra dentro do portão.
Quando entrei, eu estava feliz que tudo estava indo como planejado.
O Luís nem estava em casa ainda.
Naquele momento, eu ouvi o som da porta, eu sabia que era o Luís, porque nós dois tínhamos nossa própria chave de casa. Eu corri para o banheiro.
Contei o dinheiro que o Phil me deu no banheiro e eram onze mil.
O Phil também prometeu transferir dinheiro pra mim e também vai me ajudar a procurar um apartamento adequado pra eu me mudar.
Já está na hora de eu sair do Luís e ficar por minha conta, foi o que o Phil disse e eu concordo totalmente. Sem que ele saiba que eu já arrumei um lugar pra mim.
Eu queria ter esperado um pouco e falar com o Phil sobre o Luís primeiro, ele poderia ter me conseguido um apartamento mobiliado. Eu não precisaria gastar todo o meu dinheiro pela segunda vez arrumando outro lugar depois que o primeiro foi pro vento.
Eu vou reunir coragem e contar pro Phil a verdade sobre o Luís assim que entrar no meu próprio apartamento.
De repente, eu lembrei que as coisas de comida que eu parei no mercado pra comprar, eu esqueci no carro do Phil.
Deve ter sido quando eu estava correndo pra evitar que o Luís nos visse.
O Philip pode nem perceber isso até amanhã e eu vou pedir pra ele e jogar fora, porque tem coisas perecíveis lá e vão estragar, já que não estão na geladeira nem cozidas.
Quando eu saí do banheiro, o Luís estava na sala.
"Eu vi alguém que se parece com o Phil e até o carro dele? Ele passou por mim e nem me viu andando. Ele veio te deixar, né... Eu pensei que você tinha dito que ele viajou?"
"Ele viajou, mas voltou. Ele voltou hoje de manhã..." Eu menti.
"Sério..." Luís disse, olhando pra mim com raiva.
"...Bom, fico feliz que ele voltou, então agora eu posso ou conseguir meu próprio carro e dinheiro também, ou te jogar pela borda como lixo estragado. Você não tem mais desculpas Abril... Preciso do contato do Phil, e quero dizer agora..."
"Eu ainda não tenho o número do celular dele, vou pegar amanhã..."
"É mentira, uma grande mentira... deixa eu ver seu celular. Me dá qualquer celular que você esteja usando, e não me importa se você quiser mentir dizendo que é de uma amiga ou do seu chefe..."
Eu me recusei, ele pulou em cima de mim e pegou minha bolsa.
Eu sei que salvei o número do Phil com outro nome, mas nossa interação recente e até a mensagem de texto de hoje pro Phil estão todas lá no celular.
O Luís vai ver e saber que eu estou mentindo o tempo todo.
Enquanto ele pegava minha bolsa, ele jogou tudo no chão e meu dinheiro caiu.
O Luís pegou o dinheiro antes de pegar o celular.
Ele começou a rolar.
Eu não vou deixar ele fazer isso, eu corri e comecei a lutar com ele pra pegar o celular.
Ele me deu um tapa, eu cuspi na cara dele enquanto ainda segurava o celular com as duas mãos.
Ele me chutou forte e eu caí longe, eu gritei e me levantei de novo.
Eu peguei alguma coisa, não me importei em saber o que era.
Eu corri com tanta raiva e ódio no meu coração e bati nele bem na cabeça antes que ele pudesse desviar da arma. Foi depois de bater nele que eu percebi que era uma garrafa de vinho vazia.
Ele gritou, abandonou tudo na mão e veio pra cima de mim.
Assim que ele ia dar um soco forte na minha cara, houve uma batida repentina na porta.
Eu tenho certeza que com a força que o Luís estava vindo pra cima de mim, ele poderia ter me desfigurado naquela noite, mas eu ainda estou agradecendo a Deus por quem quer que estivesse batendo na porta naquela noite.
Amanhã de manhã, eu definitivamente vou sair da casa do Luís e ir pro meu próprio apartamento.
Eu vou pegar minhas coisas restantes e desaparecer. Eu posso nem dormir nessa casa hoje.
O Luís vai me destruir sem pensar duas vezes.
O Luís ainda estava segurando o celular com uma mão e a cabeça com a outra, bem no lugar onde eu bati nele quando ele foi atender quem estava na porta.
Eu rapidamente comecei a colocar as coisas de volta na minha bolsa.
Mas quem poderia estar batendo a essa hora?
O Luís convidou uma das suas várias mulheres?
E se fosse o Phil?
Meu coração pulou no momento em que pensei no Phil.
Eu rezo e espero que não seja o Phil, ou meu fim virá mais rápido do que o esperado.