Capítulo 40
DO CORAÇÃO DA ABRIL.
Eu atravessei pro outro lado da rua pra ir encontrar com ele.
Eu tava toda animada e não conseguia esconder isso dele.
Eu vi um envelope na mão dele e meu sorriso se abriu mais ainda.
Eu comecei a calcular o que eu ia comprar e arrumar na casa.
Eu fiquei pensando por que ele escolheu vir de carro, sendo que ele podia ter transferido a grana pra mim.
Os olhos dele ficavam indo do John, que tava no outro lado, pra mim.
"Não consegui fazer a transferência pra você ontem à noite, então decidi trazer pessoalmente..." ele finalmente falou.
"Valeu... muito. Você não precisava ter vindo até aqui. Mas eu agradeço por ter vindo..."
Eu falei, mostrando os dentes. Eu tava tão feliz que não conseguia esconder a alegria de ver ele e o envelope também.
Ele não tava prestando atenção enquanto me entregava o envelope com dinheiro.
Parecia bem mais pesado do que eu esperava.
O que significa que o Phillip colocou mais grana.
"...Obrigada..." eu falei de novo.
Ele me olhou sem falar nada.
"Você quer entrar e ver meu apê...?" Eu perguntei, mas ele não respondeu.
Os olhos dele continuavam indo e vindo.
Do John, aí de volta pra mim.
Ele tava cheio de perguntas nos olhos, que eu queria que ele fizesse, mas ele não fazia.
Eu esperei, torcendo pra ele falar alguma coisa, mas quando ele não falou nada, eu decidi virar de leve pra ir embora, pra evitar que ele me perguntasse de novo o que eu tava esperando, já que ele já tinha me dado o envelope com a grana. Do mesmo jeito que ele fez ontem no carro dele.
Ele provavelmente ia pedir pra eu ir embora, já que era só pra isso que ele tinha vindo.
O John me olhou e abriu um sorriso, eu sorri de volta porque eu tava feliz e simplesmente não conseguia esconder.
O Phillip ter vindo de carro pra me dar um envelope tão grande, só o gesto já tava me dando muita alegria.
Eu tava agradecendo ele sem parar enquanto eu virava pra ir embora.
"Aquele é seu novo namorado?"
Ele finalmente perguntou quando eu tava quase indo embora.
"Ele é só meu vizinho, o nome dele é John..."
"Ah, seu vizinho? Eu não acredito em você, nem confio em você..."
Eu levantei uma sobrancelha, sem saber o que responder.
"...sim, eu não acredito em você, Abril. O Luís um dia foi seu primo também, mas acabou que ele era seu amante..."
Eu dei uma respirada funda antes de falar:
"O John é irmão da minha vizinha, e a gente só se conheceu ontem..."
"Você conheceu ele só ontem? Espera... você disse que conheceu ele só ontem e vocês já estão juntos? Rindo e fofocando na rua cheia de gente como um casal recém-casado..."
Eu não respondi ele. Eu fico pensando por que ele tá tão agitado e irritado de me ver com o John.
Ele age como se não se importasse comigo e, ao mesmo tempo, mostra que se importa de um jeito violento.
"Phillip, eu não quero brigar, de verdade. Por favor, não estraga o bom humor de hoje com mais uma discussão ou ficar remoendo o passado, por favor..."
Eu falei, implorando pra ele.
"Você tá de bom humor por causa do John ou por minha causa? Não precisa responder... não é importante. Você é uma grande mentirosa e eu tenho medo que isso tenha te consumido profundamente..."
Ele fez uma pausa e continuou:
"...você me disse, no começo, que ele era seu vizinho. E você também disse que ele é irmão da sua vizinha? Nossa, as mentiras não param de voar, e eu fico pensando se você é uma inimiga da 'verdade' e tem medo de se relacionar com ela..."
"Tudo bem..." eu respondi, já pronta pra ir.
"Tudo bem? É só isso que você tem pra dizer? Você é uma mentirosa barata e eu não vou ficar surpreso se você já tiver dormindo com o seu tal vizinho, do mesmo jeito que fez com o Luís..."
Ele tava gritando comigo com raiva, e eu tenho certeza que até o John e outras pessoas que passavam por ali conseguiram ouvir.
Eu fiquei com vergonha, mas prometi pra mim mesma que, por mais que eu ficasse com raiva, eu não ia largar aquele envelope enorme na minha mão.
Eu balancei a cabeça e virei pra ir embora, segurando firme o meu envelope.
"Era o Luís, seu irmão e parceiro sexual, e agora é o John, seu vizinho, que você acabou de conhecer ontem, mas parece que ele já tava esquentando sua cama antes..."
Eu virei com raiva, dessa vez eu não aguentei mais o insulto.
Eu joguei o que tava na minha mão nele e nem percebi que era o envelope que eu pretendia guardar, por mais que eu ficasse com raiva.
"Você não me quer mais, mas se importa tanto com cada detalhe da minha vida. A amargura no seu coração fede muito, Phillip, eu rezo pra você se curar logo..."
O John veio pra perto da gente e encarou o Phillip com raiva.
"Ei, não é assim que se fala com uma mulher. Eu não quero saber quem você é, se você não sabe como tratar uma Dama, então você precisa aprender..." o John falou, mas o Phillip não tava nem aí.
Ele ficou mais furioso e disse:
"Nossa, Abril, seu bom vizinho tá aqui. Ele veio te defender e te resgatar como um herói. Eu espero que o caso dele não termine como o do Luís, que você não consegue mais encarar por causa do medo e da vergonha..."
"Pra sua informação, Phillip, eu não tenho medo do Luís nem me envergonho de nada. Ele é meu passado, e eu não gosto de visitar lá. E você também é meu passado, e eu não preciso de alguém como você no meu futuro. Se controla e para com o ódio, pra você poder seguir em frente..." eu retruquei.
Eu comecei a ir embora, e ele não aguentou a cena do John me seguindo como um guarda.
"Nossa, seu bom vizinho tá de olho na sua bunda, claramente esperando pra te devorar. Eu fico pensando quando você vai se cansar de usar os homens ou deles te usarem, porque você não é esperta. Vizinho, ah vá..."
Eu ignorei ele e fui embora, do jeito que minhas pernas me permitiram.
Ele parou de falar quando eu fui embora, mas eu nunca virei pra olhar pra trás.
Eu entrei no portão e fui direto pro meu apê.
O John me seguiu, as lágrimas brilhavam nos meus olhos.
Eu pisquei várias vezes pra evitar que elas escorressem.
O John entrou atrás de mim, tentando me acalmar.
Eu precisava conversar com alguém, minhas emoções não estavam estáveis e eu não queria ficar sozinha.
Eu falei pro John, resumidamente, que tudo era minha culpa, narrei um pouco do que causou o ódio do Phillip. Eu não entrei em muitos detalhes.
"Ainda não é motivo suficiente pra todos os insultos e constrangimentos que ele te causou. Eu sinto muito por ele ter transformado seu rosto sorridente em um triste. Eu vou ficar aqui até você ficar bem..."
Eu falei pro John que eu tava bem e que ele podia ir.
A pior coisa nisso tudo é que eu perdi um envelope tão grande, que ia resolver várias coisas pra mim, principalmente agora que eu tô sem emprego.
Quando o John tava quase indo embora, bateram na porta.
Eu fui até a porta, e era o Phillip.
"Você deixou isso..."
Ele estendeu o envelope pra mim, eu vi a culpa escrita por todo ele.
Eu queria dizer pra ele pegar o dinheiro e ir embora, mas eu não posso fingir que eu não preciso do dinheiro.
Eu fiquei olhando pro envelope antes de pegar.
"Eu sinto muito pelo que eu falei com raiva ali fora..." Ele fez uma pausa quando o John apareceu na porta e ficou do meu lado.
Tudo ficou em silêncio de novo.
Eu tava segurando o envelope e não tava pronta pra largar, acontecesse o que acontecesse.
O silêncio continuou, e a minha primeira coisa também.