Capítulo 2 Cheio de Talento
Scott respirou fundo, entrou em choque, e caiu de joelhos, implorando perdão, ‘Sr. Henrique, eu tava errado! Não devia ter esses pensamentos sinistros sobre você, a gente já vai, essa… essa… é a carta que pegamos antes, tudo seu, a gente não quer nada.’
‘Sr. Scott, sabe por que eu falei pra vocês pegarem as cartas?’
‘Hã… O quê, fez de propósito?’
Henrique balançou a cabeça enquanto ia andando e sorriu, ‘Claro, porque eu te conheço, e você é insaciável.’
……
Oito da manhã.
O céu que era azul, de repente ficou preto, e uma carão enorme de um monstro difícil de descrever com palavras explodiu das nuvens, um rostão com um monte de buracos de olhos que tomava todo o céu.
No momento em que a galera tava em pânico, bolas de sangue começaram a sair de cada buraco de olho.
Milhares de bolas de sangue caíram e quebraram no chão rapidinho.
Por incrível que pareça, essas bolas de sangue não destruíram as casas, mas sim, como uma meleca, grudaram no chão ou na parede, e o tamanho das bolas de sangue variava de grande a pequeno, as maiores tinham cinco ou seis metros de altura e três ou quatro metros de diâmetro, e as menores tinham só um ou dois metros de altura e meio metro de diâmetro.
Algumas pessoas ousadas chegaram perto e usaram um taco pra cutucar a bola de sangue, e descobriram que era mole, e o taco afundou sem problemas.
‘Parece que tem alguma coisa se mexendo lá dentro!’
‘Que nojo!’
Alguém percebeu a presença de criaturas na bola de sangue e tava quase saindo de perto quando, estrondo…!
Várias criaturas humanoides sangrentas saíram correndo da bola de sangue, agarrando a pessoa mais próxima e mordendo com força no rosto, e no meio de uma gritaria, o cara foi despedaçado.
‘Enterro… Zumbi do Enterro! Corre!!!’
‘Socorro!’
‘……’
O fim do mundo chegou, e a terra virou um purgatório.
E isso, é só o começo.
‘Essa parada, o nome oficial é Cadáver de Sangue…’
Henrique abaixou as cortinas em silêncio, a expressão dele era super parada.
A cena lá fora da janela nem era uma entrada pra ele, um sobrevivente que tinha vivido cinco anos no mundo pós-apocalíptico.
‘É melhor me darem talentos ou habilidades…’
Henrique tirou duas cartas coloridas lendárias e virou uma delas de cabeça pra baixo.
No brilho colorido da luz, Henrique viu o texto que tava na carta - [Talento: Corpo Super Recuperativo]
[Corpo Super Recuperativo]: transforma o dono num corpo super recuperativo, e os ferimentos podem se curar sozinhos em um tempo muito curto.
‘Esse talento…’
Enquanto Henrique tava animado, o canto da boca dele deu uma tremida enquanto ele lembrava de umas memórias horríveis.
Na vida passada dele, a comunidade dele tinha sofrido um ataque de um portador do talento [Corpo de Super Recuperação], quase dizimando o regimento, e no final, depois de pagar um preço trágico de várias centenas de pessoas, ele conseguiu acabar com o portador do Corpo de Super Recuperação.
‘Tch-ching!‘
Henrique rasgou a carta colorida, e na hora, um calor se espalhou por todo o corpo dele, enchendo o corpo dele de poder.
Henrique tirou o sabre dele e fez um corte no braço esquerdo, e enquanto o sangue jorrava, o ferimento curou rapidinho numa velocidade que dava pra ver a olho nu.
‘Nada mal.’
Henrique virou a segunda Carta Lendária e ficou chocado.
[Item: Abrigo Seguro]
[Abrigo Seguro: ocupa uma área de duzentos metros quadrados, exclusivo, com uma barreira defensiva absoluta que pode aguentar ataques de nível de bomba nuclear]
‘O pequeno pátio que ele viu no centro do lago mais cedo deve ser o Abrigo Seguro…’
No segundo ano do Fim dos Tempos, quando ele saiu pra procurar recursos pra não ser perseguido pelos demônios da noite, ele tinha se escondido no Abrigo Seguro, mas infelizmente, o dono do abrigo já tinha morrido, não por ter sido atacado por monstros, mas por não ter conseguido aguentar o clima extremo, e tinha ficado preso vivo no Abrigo Seguro na falta de suprimentos.
No fim dos tempos, o horror não são só aqueles monstros estranhos, mas também o clima extremo, tipo: frio extremo, calor escaldante, chuva venenosa, gás do pântano, e por aí vai.
‘Itens estratégicos que não deveriam ser usados agora.’
Embora o Abrigo Seguro tivesse uma habilidade de defesa extremamente forte, ele tinha uma desvantagem enorme, ou seja, não podia ser movido, e agora, Henrique não tava com nenhuma intenção de se instalar em um lugar.
Guardando a carta do abrigo perto do corpo dele, Henrique abriu uma mochila, essa mochila foi trazida pelos três do Scott, e tinha um monte de cartas lá dentro também, os três juntos, tinham mais ou menos seiscentas, a grande maioria era branca e verde, e só tinha um punhado de cartas azuis e prateadas.
‘Tem muita carta, é muito chato organizar elas, se a Alice estivesse aqui…’ Henrique suspirou.
Categorizar as cartas nunca foi a parada do Feng Xiao Ni.
‘Alice, na minha vida passada, eu tinha habilidades limitadas e não consegui te proteger. Nessa vida, eu nunca vou dar a chance pra ninguém te machucar! Espera por mim… Eu logo vou pra você!’
Desfazendo os punhos fechados, Henrique pegou as dez cartas de ouro na camisa dele.
[Talento - Super Força]: Aumenta a força física do dono ao máximo.
[Talento - Lutador de Punho Pesado]: faz os punhos do dono serem tão poderosos quanto balas de canhão.
[Talento - Visão Noturna]: permite que o dono veja claramente mesmo no meio da noite.
[Talento - Chakra Ren Dui Er]: faz o dono abrir o Chakra Ren Dui Er, e o verdadeiro qi flui sozinho.
[Arma - Faca Negra Corta Ouro]: Faca que pode cortar metal com facilidade, funciona melhor com habilidades de faca.
[Arma - Rifle Sniper Lobo da Madeira]: Nenhuma criatura viva consegue aguentar um tiro dessa parada, e se conseguir, dois tiros.
[Recurso - Casa Cheia]: Uma mesa de iguarias que pode aumentar a moral.
[Ferramenta - Gerador de Energia Avançado]: Usado em conjunto com uma bateria, pode gerar energia por um bom tempo.
[Veículo - Fogo Fantasma (Moto)]: Se o Fogo Fantasma estiver em apuros, oito partes vão elogiar.
[Transportador - Caravana Pequena Resistente]: Onde você dirige, tem casa.
No geral, Henrique tava muito satisfeito porque a qualidade desse monte de cartas de ouro era muito boa.
Seja Super Força ou Lutador de Punho Pesado, os dois pertenciam ao talento t0 entre as cartas de ouro, e eram extremamente úteis no período pré-apocalíptico, enquanto o significado estratégico da Faca Negra Corta Ouro e da Caravana Pequena Resistente não precisava de apresentação, um era pra fortalecer a habilidade de ataque, e o outro era a habilidade de mobilidade, o que era perfeito.
‘……’
‘Socorro… socorro!’
‘Bam!’
No momento em que Henrique tava aprendendo o talento, a porta do quarto foi aberta de repente com um estrondo, e uma mulher esfarrapada, quase nua, caiu, atrás dela estavam três cadáveres de sangue, um deles tava segurando o braço de alguma pessoa azarada na mão.
‘Socorro… Socorro!’
A jovem gritou miseravelmente e estendeu a mão.
Henrique foi andando e bam, bam, bam, três socos.
Os três cadáveres de sangue, sem exceção, todos tiveram suas cabeças explodidas e seus cérebros espirrando pra todos os lados.
‘Ah…?’
Annie ficou chocada, olhando fixamente para os três cadáveres sangrentos caindo no chão, e demorou um tempão pra perceber que ela tava quase nua, e tava muito ocupada cobrindo o corpo dela.
‘Valeu… ah!’ Annie agradeceu Henrique com gratidão, de repente percebendo que, a dois metros de distância dela, três corpos masculinos estavam espalhados pela sala, o tapete da sala quase manchado de vermelho com sangue.
‘Não liga pros corpos.’
Henrique lembrou com um sorriso fraco, olhando pra mulher na frente dele com um olhar leve.
Annie?
Que coincidência ter encontrado ela no primeiro dia do Fim dos Tempos?
Na vida passada dele, Henrique tinha encontrado Annie meio mês depois da abertura do Fim dos Tempos, e foi com a ajuda dessa mulher que ele tinha quase sobrevivido, e depois a comunidade em que eles estavam foi invadida por uma onda de cadáveres, e ele não tinha visto ela desde então.
Tecnicamente falando, Annie tinha salvado a vida dele e era uma das poucas pessoas boas no ambiente pós-apocalíptico.
Henrique jogou uma carta branca pra Annie casualmente, ‘Rasga.’
‘Rasga?’ Annie ficou chocada e obedeceu, rasgando a carta branca, e no segundo seguinte, a carta rasgada virou uma camisa branca do nada.
‘Que…! Mágica, ou um sonho?’ Anne beliscou com força as pernas longas dela, ‘Por que não é um sonho… Isso, que diabos tá rolando, hein?’
Henrique fechou a porta, olhou pra Annie que tinha trocado de roupa, e riu, ‘Annie, você acabou de beliscar sua perna e não vai acordar.’
Annie congelou, ‘Você me conhece?’
‘Estrelona, claro que eu conheço.’
A carinha bonita da Annie ficou vermelha, um pouco vaidosa, ‘Que estrelona… Nem uma estrela de terceira.’
‘Você pode me dizer o que tá rolando? Que parada são essas…?’ Annie tava com um humor menos tenso nessa hora.
‘Esses são cadáveres de sangue de baixo nível que se alimentam de humanos.’ Henrique explicou brevemente e divagou, ‘Você pelo menos é uma estrela, por que tá sozinha? Onde estão aqueles seus companheiros?’
Annie balançou a cabeça, ‘Cheguei uma noite mais cedo, minha assistente tinha um negócio temporário e falou que eu ia me atrasar. Assim que eu acordei, fui perseguida por esses monstros, cadáveres de sangue…’
‘Por que o telefone tá morto, eu obviamente carreguei ele, você tem um celular, pode me emprestar pra fazer uma ligação?’ Annie descobriu que o celular dela tinha virado um cubo de ferro inútil.
‘Não serve pra nada, todas as redes, a energia, a hidráulica, tudo morto.’
Henrique jogou o telefone pra Annie casualmente, ‘Você não ouviu aquele alarme alto apitando ontem à noite? Dormindo tanto?’
Annie franziu os lábios, um pouco envergonhada, ‘Eu tô com enxaqueca, não consigo dormir sem comprimidos pra dormir, e ontem à noite eu tava com uma dor de cabeça muito forte, então tomei dois comprimidos extras.’
Razoável.
Henrique concordou com a cabeça, ‘Acontece que eu tô precisando de gente do meu lado, você quer fazer uma dupla comigo?’
‘Dupla?’
‘Bem, o que você tem que fazer é simples, é me ajudar a organizar as cartas, enquanto eu sou responsável por proteger sua segurança e comer e viver.’