Capítulo 8 Anel Espacial
Seis cartões dourados, com quatro deles sendo top de linha, enquanto o 'Cartão de Comida' e o 'Biólogo' tão temporariamente inúteis. Desses, os quatro cartões restantes são *realmente* excepcionais, com talentos de nível t0, especialmente o 'Sentido de Perigo', que pode garantir ainda mais a sobrevivência e diminuir as chances de ser emboscado.
"Tô curioso pra saber o que o lendário cartão arco-íris vai oferecer..."
Henrique virou um dos cartões arco-íris e, enquanto lia a descrição, suas pupilas se contraíram.
[Talento – Domínio do Qi]: Concede ao usuário a habilidade de manipular [energia espiritual]. [Requisito de Uso: Oito Meridianos Desbloqueados]
"Esse é definitivamente um talento de nível divino entre os cartões arco-íris, mas as condições são meio pesadas; ainda não posso aprender..."
Henrique sentiu tanto empolgação quanto uma pitada de frustração.
Os chamados 'Oito Meridianos Desbloqueados' significam que, antes de aprender o Domínio do Qi, é preciso adquirir quatro talentos de cartão dourado, especificamente: os meridianos Ren e Du, os meridianos Chong e Dai, os meridianos Yang Wei e Yin Wei e os meridianos Yang Qiao e Yin Qiao.
Se a dificuldade de aprender esse talento fosse o único problema, Henrique não estaria tão frustrado. Sua real frustração vinha do fato de que o Domínio do Qi, como um talento de nível divino, era definitivamente do tipo de crescimento lento. Mesmo que ele o dominasse, seu desempenho inicial seria muito menos prático do que talentos de cartão dourado como Lutador de Soco Pesado, Artista Marcial ou Campeão de Sanda. Só atingiria todo o seu potencial mais tarde, exigindo aprimoramento contínuo através de cartões dourados e arco-íris para liberar seu poder de combate mais forte. Era um talento que se construía lentamente, mas se tornava mais poderoso com o tempo.
Em suas memórias, houve, de fato, algumas pessoas em sua vida anterior que aprenderam o Domínio do Qi, mas aquelas que alcançaram níveis mais altos eram extremamente raras. No entanto, quando alguém o dominasse, inevitavelmente se tornaria uma força dominante.
'Não adianta pensar nisso se não posso aprender', Henrique murmurou, guardando o cartão [Domínio do Qi], e então virou o segundo cartão arco-íris. Quando viu seu conteúdo, não conseguiu conter uma gargalhada.
'Boa, boa, boa, então foi isso que você me deu, hein?'
A face de Henrique se iluminou de alegria, praticamente radiante.
Não era que ele não tivesse compostura; era só que esse presente foi *tão* inesperadamente bom.
[Armadura – Pulseira Eletrônica de Proteção]: Contanto que haja eletricidade, você não morre fácil.
Uma descrição simples, mas brutalmente eficaz.
Ecoava o famoso ditado de sua vida passada: quanto menos detalhada a descrição, mais forte o item.
Henrique já tinha visto a Pulseira Eletrônica de Proteção em uso antes. Era um dispositivo que exigia um 'Cartão de Bateria de Prata' para carregar.
Quando totalmente carregada, ela podia suportar três ataques letais ou vários ataques comuns, dependendo do dano causado pelo oponente. Claro, a condição prévia era que o ataque não deveria exceder o limite de proteção da pulseira; caso contrário, ela falharia. Essencialmente, funcionava como um super escudo ativado passivamente.
Sem hesitar, Henrique imediatamente pegou a pulseira do cartão e a colocou em seu pulso. Então, ele tirou três cartões de bateria de prata de seu colete tático.
Henrique já tinha categorizado os cartões acima do nível azul em seu tempo livre, então encontrar o que ele precisava não era problemático; ele estava bem ciente do que tinha e do que não tinha.
Quando as três barras de energia verde na pulseira se encheram, ele de repente sentiu uma onda de segurança. Depois de um momento de reflexão, ele entregou sua pistola para Annie.
Annie ficou chocada. "Eu não sei usar isso."
Pessoas da Nação Hualong, que cresceram em tempos de paz, raramente tinham a chance de manusear uma arma de fogo de verdade.
"Eu vou te ensinar. Faz assim, e depois assim..."
Annie aprendeu rápido, e Henrique só precisou mostrar uma vez antes que ela pegasse o jeito. No entanto, o que Henrique disse a seguir a deixou totalmente sem palavras.
"Atira em mim."
Henrique apontou para a testa.
Annie olhou para ele com descrença. "Quê?"
Henrique respondeu: "Não se preocupe, eu só quero testar as habilidades de proteção da pulseira. Eu não brincaria com a minha vida. Vai em frente e atira."
Vendo a insistência de Henrique, Annie só conseguiu cerrar os dentes e puxar o gatilho.
"Bang!"
A bala foi absorvida por uma barreira protetora no momento em que se aproximou da testa de Henrique, desaparecendo sem deixar rastros. Olhando para a pulseira, ele notou que uma das barras de energia realmente tinha se esgotado.
"Tô pensando quanta energia usaria se atirassem em outro lugar. Mas eu não tenho muitos Cartões de Bateria de Prata — só uns dez — então não posso me dar ao luxo de desperdiçá-los."
Henrique murmurou para si mesmo, então olhou para Annie. Seu rosto mostrava não só choque, mas também muita dor.
Depois de saber o motivo, Henrique não pôde deixar de rir — descobriu-se que o recuo da arma era muito forte e tinha deslocado o pulso dela.
"Você é *realmente* bem frágil", ele comentou.
Henrique ajudou Annie até a área de jantar e colocou seu pulso no lugar. "Parece que esse tipo de arma de fogo não é adequado para você. É melhor usar um arco e uma besta."
Antes de obter a pulseira protetora, Henrique não tinha intenção de deixar Annie lutar, principalmente porque estava preocupado que, se desse uma arma a ela, ela pudesse se voltar contra ele. Agora, com a pulseira fornecendo proteção, ele não tinha essas preocupações.
A Annie atirar nele não era apenas sobre testar ou se exibir; era uma forma de intimidação.
Na verdade, Henrique estava sendo excessivamente cauteloso, suspeitando de traição onde não havia nenhuma. Annie nunca pensou em traí-lo. Ela estava totalmente ciente de que era apenas uma atrizzinha impotente, e não havia como ela sobreviver sozinha no apocalipse. Encontrar alguém tão forte quanto Henrique era como encontrar uma tábua de salvação, e ela pretendia se agarrar a ela com força — traição estava fora de questão.
Mas Henrique não podia ser realmente culpado por sua mentalidade. Afinal, ele tinha vivido cinco anos do apocalipse e tinha visto inúmeras traições, que moldaram seu pensamento, fazendo-o ver todos com suspeita.
"Eu, na verdade, treinei com um arco mecânico por um tempo quando estava filmando. Você tem um?" Annie perguntou, com uma expressão um pouco estranha enquanto esfregava suavemente o pulso.
Quando Henrique tinha colocado o pulso dela no lugar, ela sentiu uma emoção estranha surgir dentro dela, embora não conseguisse descobrir o que era.
"Claro que tenho. Tenho muitos", Henrique respondeu, tirando o Cartão de Prata. Havia um total de seis arcos mecânicos no conjunto do Cartão de Prata, todos idênticos em função e poder, com a única diferença sendo suas coberturas de cores.
Sem surpresa, Annie escolheu o arco mecânico com acabamento rosa.
Sim, quanto mais rosa, mais forte bate.
Faz sentido.
"..."
"Tenta atirar naquele poste de luz e vê como você se sai", disse Henrique, apontando para o poste não muito longe.
"OK! Eu sou *muito* boa nisso!" Annie se endireitou e puxou o arco com perícia. Com um 'whoosh', a flecha voou como um raio — só para pousar precisamente em uma lixeira a três metros do poste...
"Impressionante", disse Henrique, dando-lhe um joinha.
O rosto de Annie ficou vermelho de vergonha. "Eu... faz muito tempo que eu não pratico! Deixa eu tentar de novo!"
"Não se apresse. Use esses cartões primeiro e depois tente de novo", disse Henrique, entregando a ela alguns Cartões de Prata que ele tinha classificado anteriormente. Eram: [Talento – Domínio do Arco e Flecha], [Talento – Precisão], [Talento – Tiro de Longa Distância (Arco)] e [Habilidade – Atiradora de Elite (Arco)].
"Isso é tudo para mim?" Annie perguntou, incrédula.
"Sim, os monstros que vamos encontrar vão ficar cada vez mais fortes, então eu preciso de uma parceira. Além disso, você tem me ajudado o tempo todo; você merece isso."
Palavras lisonjeiras não custam nada, mas podem fazer alguém se sentir bem, e Henrique não se importava de dizer mais algumas.
As bochechas de Annie coraram, e ela estava muito envergonhada para olhar diretamente para Henrique. Ela sabia muito bem o que realmente tinha feito nos últimos dois dias: três coisas — classificar cartões, classificar cartões e classificar cartões de novo...
Mas a ideia de lutar ao lado de Henrique a encheu de alegria. "Obrigada por confiar em mim."
"Eu sempre confiei em você. Eu só não tinha decidido em que caminho te colocar", Henrique respondeu, parecendo perfeitamente sério.
Annie fez um biquinho, pensando: Você realmente quer dizer isso? Mas, claro, eu te entendo.
Com o impulso dos talentos do Cartão de Prata, a precisão e o poder das flechas de Annie melhoraram várias vezes. Sua taxa de acerto em alvos estacionários era de até 95%, e em alvos em movimento, era de 77%. Infelizmente, os cadáveres de sangue próximos já tinham sido limpos; caso contrário, Henrique gostaria de ver como ela se apresentava em combate real.
Sem que eles soubessem, o crepúsculo tinha caído, mas dentro do trailer, estava claro como o dia.
Para comemorar a grande colheita do dia, Henrique abriu um Cartão de Prata para comida: [Conjunto de Panela Quente Sichuan-Chongqing] — uma mesa cheia de carne bovina e carneiro premium, junto com vários vegetais, totalizando mais de trinta pratos.
"Uau! Isso é *tão* chique. Vou engordar se eu comer tudo isso?" Annie babou em antecipação.
"Quanto mais talentos você dominar, maior será seu consumo de energia. Não se preocupe, apenas coma", disse Henrique, balançando a cabeça. Isso é algo com que as pessoas normalmente se preocupam? Enquanto outros lutavam para encontrar o suficiente para comer, ela estava preocupada em ganhar peso.
"Bang, bang bang!"
Enquanto os dois estavam se entregando ao banquete, houve uma batida repentina na porta do trailer.
Henrique olhou para o painel, esperando ver cadáveres de sangue, mas, em vez disso, um casal de meia-idade estava na porta, a mulher segurando um menino de três ou quatro anos nos braços.
"Por favor, nos ajude. Não temos água há dois dias. Você poderia nos dar um pouco de água e comida?" O homem implorou, com o rosto cheio de ansiedade.
"Por favor, estou implorando", a mulher gritou, com a voz embargada.
Henrique hesitou por um momento antes de abrir a porta.
Ele avaliou a família de três. O casal parecia extremamente abatido, com os lábios secos e rachados. Comparado a eles, o menino parecia estar em relativamente boas condições; além de parecer um pouco desnutrido, ele não mostrava sinais de desidratação. Era claro que o casal tinha usado todos os recursos hídricos que tinham na criança.
"Annie, traga alguns cartões de água e cartões de comida", instruiu Henrique. Annie rapidamente pegou uma pequena pilha de cartões brancos de água e cartões de comida do armário e entregou ao casal de meia-idade.
O casal caiu de joelhos em gratidão. "Obrigado, obrigado!!"
"Mm." Henrique assentiu. "Não é seguro à noite. Vocês devem voltar." Com isso, ele se preparou para fechar a porta.
"Espere, por favor espere", disse o homem de meia-idade.
Henrique, não dando a ele a chance de argumentar, respondeu: "Se você está pensando em entrar no trailer, posso te dizer agora mesmo que isso não vai acontecer."
O homem congelou, parecendo um pouco envergonhado. "Você já nos deu água e comida, e somos muito gratos. Nós não ousaríamos pedir isso."
"Ah, então, o que é?" Henrique perguntou.
"Meu filho... ele tem três anos. É tão perigoso aqui fora. Você poderia, possivelmente..."