Capítulo 61
Terceira Pessoa
James ficou na frente de um dos Vadios capturados, com o coração pesado de ansiedade e raiva. A sala estava tensa, e seus olhos estavam ardendo com uma mistura de emoções, principalmente frustração e preocupação. Ele não conseguia suportar pensar nos horrores que Camila poderia ter suportado nas mãos desses Vadios. A imagem dela em perigo assombrava seus pensamentos, e ele sabia que agora, mais do que nunca, precisava de respostas.
"Quem estava por trás do sequestro?" James exigiu, sua voz cortando o silêncio como uma lâmina afiada. Cada fibra do seu ser ansiava por liberar sua fúria sobre esses Vadios, pois eles não apenas prejudicaram sua Matilha, mas, mais criticamente, colocaram Camila em perigo.
No entanto, o Vadio permaneceu desafiador, um sorriso cruel curvando os cantos dos lábios. Isso enfureceu James ainda mais. Ele se virou para a guarda, sua irritação evidente em sua voz.
"Traga os outros dois Vadios aqui," ele ordenou, sua paciência se esgotando. Ele não conseguia mais tolerar sua insolência e arrogância.
Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade, o Vadio quebrou seu silêncio, sua voz gotejando desdém. "Você não vai conseguir nada de nós," ele zombou.
Antes que James pudesse liberar sua frustração crescente, Rapha entrou na sala, trazendo consigo uma aura de autoridade e determinação. Ele estava supervisionando o interrogatório, e sua expressão refletia a frustração de James.
"Você ainda não conseguiu nenhuma informação?" Rapha perguntou, sua preocupação gravada em seu rosto.
"Sim, por que estamos sequer nos dando ao trabalho de interrogá-los? Não podemos simplesmente nos livrar deles e lançar um ataque na cabana?" James retrucou, sua raiva inabalável. Seus instintos protetores estavam em alerta máximo, e ele não conseguia entender a necessidade de leniência com esses Vadios que haviam causado tantos problemas para o palácio e para todo o reino.
A resposta de Rapha foi ponderada, guiada pelos valores de compaixão e misericórdia da Matilha. "Você sabe que o Rei e o Matteo têm uma abordagem diferente," ele lembrou James. "Eles querem dar a todos a chance de viver," ele explicou. "E a Freya está preocupada com a gente se aventurando no desconhecido."
James lutou para compreender a misericórdia sendo mostrada a esses Vadios que não trouxeram nada além de caos e perigo para suas vidas.
"Eu não entendo por que temos que ser misericordiosos com esses canalhas, especialmente quando eles não causaram nada além de problemas para o palácio e o reino," James protestou, lançando um olhar desprezível para o Vadio que ele estava interrogando. Ele acreditava firmemente que, se seu líder destemido, Calvin, estivesse presente, esses Vadios já teriam encontrado sua morte. Calvin nunca toleraria invasores em seu território.
Rapha, sempre a voz da razão, ofereceu uma alternativa. "Deixe-me lidar com eles," ele sugeriu, avançando com uma postura calma que contrastava com a disposição ardente de James.
James, no entanto, permaneceu cético. "Você tem certeza disso? Lembre-se, o Matteo queria interrogá-los, não enterrá-los vivos."
Rapha respondeu com um leve sorriso, tentando tranquilizar James. "Eu vivi por muitos anos. Paciência é uma das minhas forças."
A risada escapou de James, embora ainda tivesse reservas. Ele se afastou, cedendo à decisão de Rapha.
"Você já questionou este?" Rapha perguntou, gesticulando para o Vadio que havia permanecido em silêncio.
"Sim, e eu não consegui nada dele. Ele é tão calado quanto pode ser," James respondeu, sua frustração evidente em sua voz.
"Muito bem," disse Rapha antes de acabar rapidamente com a vida do Vadio. Essa ação inesperada chocou os outros dois cativos. Eles não haviam antecipado a prontidão de Rapha em recorrer a medidas tão drásticas. "Que tal os outros dois?" Rapha perguntou, mudando sua atenção para James.
James não conseguiu deixar de sentir uma sensação de triunfo ao ver os Vadios restantes tremerem de medo. "Eu não comecei a questioná-los ainda. Eu só os chamei."
Rapha, no entanto, abordou o interrogatório com uma estratégia diferente. Ele conversou com os Vadios calma e metodicamente, enfatizando a importância da cooperação e da comunicação.
"Se você deseja aprender algo, é melhor perguntar educadamente," Rapha aconselhou, sorrindo fracamente enquanto mantinha contato visual com os Vadios. "Você pode confirmar se Camila ainda está dentro da cabana?" ele perguntou, sua voz medida.
Os dois Vadios assentiram vigorosamente em resposta. "O que você planeja fazer com ela?" Rapha continuou com seu questionamento.
"Nós não sabemos," respondeu um dos Vadios, gesticulando para o Vadio agora falecido. "Ele nos ordenou que a guardássemos aqui."
Rapha investigou mais a fundo, procurando respostas. "Por que você seguiu as ordens dele? Ele é seu líder?"
O Vadio explicou, o medo se infiltrando em sua voz, "Ele ameaçou minha parceira humana. Ele disse que a machucaria se eu não obedecesse todas as suas ordens. Mas ele também falou com outra pessoa, que eu suspeito ser seu chefe."
Rapha se aproximou, sua curiosidade despertada por essa revelação. "Por que você acredita nisso?"
"Ele frequentemente aludia a isso," o outro Vadio acrescentou. "Ele alegou que, se executássemos suas ordens com sucesso, seu chefe nos recompensaria muito."
Rapha não conseguiu evitar se sentir perturbado com a implicação de que um mentor estava orquestrando esses eventos por trás das cenas.
"Onde você acha que esse chefe está localizado?" Rapha perguntou, sua curiosidade inabalável. Ele não podia descartar a possibilidade de que esse chefe detivesse informações cruciais.
O outro Vadio respondeu: "Possivelmente no palácio."
James, sua frustração ainda fervilhando, questionou: "Por que esse chefe estaria no palácio?"
"Porque ele é um Lycan," ambos os Vadios responderam em uníssono.
Os Vadios ficaram surpresos com a aparente falta de conhecimento de James e Rapha. Eles trocaram olhares incrédulos.
A revelação fez com que James e Rapha trocassem olhares significativos. Parecia que eles precisavam ter uma conversa com Freya e Matteo sobre uma ameaça potencial que não haviam antecipado.
"Você já o viu?" Rapha perguntou, seus pensamentos correndo.
"Não, mas ele frequentemente nos garantiu que, assim que tivéssemos sucesso, residiríamos no palácio. Ele alegou que seu chefe estava bem informado sobre as ações do Rei," explicou um dos Vadios. "O Lycan recrutou inúmeros Vadios, prometendo-lhes tudo, incluindo posições de alto escalão após sua ascensão à realeza."
Rapha chamou por um guarda, emitindo ordens para garantir a segurança e o sigilo do confinamento dos Vadios.
"Leve-os para a cela secreta e certifique-se de que ninguém no palácio tome conhecimento de sua presença," Rapha ordenou.
"Sim, meu Senhor," respondeu a guarda diligentemente, preparada para cumprir as ordens.
Rapha concluiu: "Descarte este corpo discretamente, garantindo que ninguém saiba disso." Com isso, ele saiu da sala de interrogatório, com James seguindo de perto.
Rapha não conseguia se livrar da sensação de que as referências dos Vadios se assemelhavam muito ao encontro que Freya e Matteo tiveram com o enigmático Lycan. Armado com essas informações vitais, Rapha ficou cada vez mais convencido de que os Vadios estavam realmente dizendo a verdade.
James, no entanto, não conseguiu deixar de se perguntar se o Lycan mencionado era o mesmo que o Alfa e a Luna da Matilha Howler haviam encontrado antes.
"Estou começando a acreditar que o Lycan que eles mencionaram é o mesmo que o Alfa e a Luna da Matilha Howler encontraram," James especulou quando eles saíram da sala.
Rapha assentiu em concordância. "Parece provável. Precisamos falar com Freya e Matteo imediatamente."
James compartilhou a urgência de Rapha. "Sim, e precisamos agir rapidamente. Enquanto planejamos o resgate de Camila, não consigo evitar o medo por sua segurança. Já capturamos três dos Vadios que deveriam estar protegendo-a, e estou preocupado que seu chefe perceba que a localizamos. Ele pode removê-la para outro esconderijo ou, pior, infligir danos a ela."
Enquanto James e Rapha contemplavam seus próximos passos, a urgência da situação pesava muito em suas mentes.
Enquanto isso, dentro da cabana onde Camila permaneceu cativa, ela estava parada e ansiosa, seus pensamentos correndo. As horas de cativeiro haviam cobrado seu preço, e ela estava ciente do perigo que enfrentava. As palavras de Freya ecoavam em sua mente: "Sobreviva."
Incapaz de usar suas habilidades para montar uma defesa física, Camila recorreu a uma estratégia diferente. Durante seus breves momentos de consciência, ela havia intencionalmente infligido pequenas feridas em si mesma, deixando para trás vestígios de seu sangue. Foi uma tentativa desesperada de deixar uma trilha, uma migalha de esperança, para quem pudesse estar procurando por ela. Ao ouvir passos se aproximando da cabana, ela fingiu inconsciência, seus sentidos aguçados para obter qualquer informação que pudesse.
Os pensamentos de Camila, no entanto, não estavam apenas ocupados com sua própria situação. Ela não conseguiu evitar a preocupação com Alec, sabendo que ele deve estar sobrecarregado de preocupação e raiva. No entanto, Camila entendeu as graves consequências de provocar os Vadios, que se deleitavam com a violência e a superavam em número. Sua melhor chance de sobrevivência era permanecer calma, ficar alerta e aguentar.
Nos recessos de sua mente, ela alcançou Alec, um apelo silencioso reverberando em seus pensamentos. "Até quando ela vai dormir?" um dos Vadios murmurou, sua conversa chamando a atenção de Camila.
"O bastardo do Milano deu a ela poderosos comprimidos para dormir," respondeu outro Vadio. "O que você acha que o chefe pretende fazer com ela? Ela é considerada inútil, pois não possui uma besta."
"Não estamos em posição de questioná-lo ou desafiá-lo," retrucou o primeiro Vadio. "Se você quiser permanecer vivo e colher as recompensas que ele prometeu, você fará o que ele ordenar."
Camila ouviu atentamente, juntando fragmentos de sua conversa. Ela não conseguiu evitar a pergunta de por que ela, que não possuía habilidades sobrenaturais, foi alvejada. Ela acreditava que não tinha valor para auxiliar a busca de alguém pela realeza.
Então, isso a atingiu. Ela percebeu que seu tio Rapha, o conselheiro real de ataque e defesa, era a chave. Os Vadios pretendiam explorá-la para garantir o apoio de Rapha à sua causa.
Camila sentiu uma onda de preocupação por sua família e amigos. Seu adversário espreitava dentro do palácio, a par de seus planos e intenções. Ela sabia que tinha que escapar e alertá-los antes que fosse tarde demais. Sua mente corria com planos e cenários enquanto ela pacientemente aguardava o momento oportuno para agir.
"Por favor, Alec, ouça-me," ela sussurrou em seus pensamentos, seu apelo ecoando na escuridão opressiva de seu cativeiro.