Capítulo 69
Terceira Pessoa
A perda do título dele no desafio pesava muito nele, tipo uma âncora puxando ele pros fundos do desespero. Ele sentia como se Marco tivesse tirado dele a identidade e o propósito dele, usurpando a posição dele, que antes era de orgulho, como herdeiro legítimo. Não era só o trono que ele perdeu; era o prestígio, a honra e o legado que vinham com isso.
Mas a parte mais insuportável de tudo isso era saber que Marco tinha marcado a sua mate logo que assumiu o trono. A reviravolta cruel do destino agora tinha manchado o laço que eles tinham, estragando pra sempre. Como ele podia ficar parado, sabendo que a única pessoa que ele amava acima de tudo agora estava ligada ao adversário dele?
A raiva e a frustração que surgiam dentro dele eram difíceis de controlar. O coração dele queria muito recuperar o que era dele por direito – resgatar a sua mate das garras do usurpador – mas ele se viu isolado, sem aliados. O palácio, que antes era um lugar de conforto e segurança, tinha se tornado um ambiente hostil onde a lealdade mudava como areia movediça.
Nos dias que se seguiram, ele tentou fazer alianças dentro do palácio, procurando apoio daqueles que podiam ter os mesmos problemas que ele. No entanto, os esforços dele foram recebidos com resistência e suspeita. Marco tinha manipulado habilmente a corte, garantindo a lealdade deles em questão de semanas. Não foi porque eles admiravam Marco; foi simplesmente porque ele não era o primogênito. Era difícil engolir, saber que mesmo aqueles que desprezavam Marco ainda estavam do lado dele por lealdade à linhagem real.
Frustrado e cada vez mais paranoico com a segurança dele, ele tomou uma decisão difícil: esperar o momento certo e sair do palácio. Ao fazer isso, ele se tornou um vadio, um lobo solitário em um mundo de alianças instáveis e política traiçoeira. Apesar da solidão, ele exalava uma aura de força que fazia até mesmo os potenciais adversários pensarem duas vezes antes de desafiá-lo.
A raiva dele servia como uma força motriz, empurrando-o a buscar alianças fora dos muros do palácio. Foi nesse período que ele teve uma descoberta importante – a colocação bem-sucedida de um espião no círculo íntimo do palácio. O papel do espião era fornecer a ele informações cruciais sobre o funcionamento interno do palácio, oferecendo-lhe uma tábua de salvação para entender a dinâmica em mudança.
O que ele não esperava era o apoio genuíno que recebeu desse espião, uma lealdade que desafiava a explicação. Era um brilho de esperança na escuridão que tinha envolvido a vida dele. Ele não pôde deixar de se sentir grato por esse aliado inesperado, alguém que tinha escolhido ficar do lado dele quando os outros o abandonaram.
Mas talvez a descoberta mais importante de todas ainda estivesse por vir. Através da informação do espião, ele se deparou com um nome que dominaria seus pensamentos e remodelaria o destino dele: Matteo. A simples menção desse nome enviou uma descarga de eletricidade pelas veias dele. Ele não sabia por que Matteo tinha se tornado uma fixação para ele, mas sentiu uma atração inegável, uma conexão inexplicável.
Ele estava determinado a executar o plano dele para alcançar Matteo e garantir que os caminhos deles se cruzassem. Ele acreditava que Matteo tinha a chave para desvendar os mistérios que cercavam a vida dele – as verdades que tinham sido escondidas dele por muito tempo.
"Obrigado por ficar do meu lado", ele disse, expressando a gratidão dele a Rapha, o aliado que estava com ele em todos os momentos.
A resposta de Rapha revelou a profundidade do compromisso dele. "A previous queen me deu essa missão. Ela passou por tanta coisa com Marco, e essa é a única forma de eu recompensá-la", ele explicou. "Só garanta que as suas ações beneficiem o palácio também. Eu vou proteger Matteo e a futura mate dele a todo custo."
O tempo passou – oito longos anos cheios de incerteza e segredos. Apesar de tudo, Rapha permaneceu firme na dedicação dele. Apesar dos riscos e do preço que cobrou da família dele, Rapha continuou a cuidar de Marco, inabalável em sua missão de proteger o palácio de ameaças internas.
Agora, com Matteo finalmente presente com a mate dele, a oportunidade de acertar as coisas chegou. Ele sabia que Matteo merecia saber a verdade, ver através da teia de enganos que Marco tinha tecido. Ele não podia permitir que Matteo aceitasse cegamente tudo o que lhe foi dito.
Dois dias depois, Calvin voltou com um relatório de que Ronaldo, seu confidente outrora leal que tinha se voltado contra ele, foi capturado e agora estava trancado em uma cela. A cela, embora não fosse uma masmorra tradicional, servia como um local seguro para prender cativos ou inimigos que estavam em seu caminho. Era um lugar onde ele podia confrontar Ronaldo e extrair as respostas que procurava.
"Como você está, Ronaldo?" ele perguntou, encarando o prisioneiro com um ar de autoridade.
Ronaldo, pego de surpresa pela reaparição repentina dele, gaguejou em choque, lutando para processar a realidade diante dele. "V-v-você!" ele finalmente conseguiu pronunciar, seu espanto evidente na voz trêmula.
"Por que você está tão chocado, Ronaldo? Você realmente acreditou que eu ficaria em silêncio para sempre, considerando o que meu pai e Marco fizeram comigo?" ele exigiu, sua voz carregando uma mistura de raiva e frustração. Ronaldo, recuperando-se gradualmente do choque inicial, respondeu com uma risada zombeteira, tentando minimizar o significado do retorno dele.
"Você está me dizendo que voltou só para recuperar o trono?" Ronaldo provocou, seu tom escorrendo sarcasmo. Ele parecia desinteressado na luta pelo poder que os tinha aprisionado a todos. O que mais o preocupava era como Ronaldo tinha usado astutamente o nome dele para semear a discórdia dentro do palácio, explorando a ausência dele para promover a agenda de Marco.
"Minha causa vai além do que você pode pensar", ele retrucou, sua determinação inabalável. "Você é apenas mais um indivíduo ganancioso que se superestima, pensando que vai ganhar mais se tornando rei, ou melhor, fazendo com que a sua filha se torne rainha."
Os olhos de Ronaldo se arregalaram em descrença ao ouvir essa revelação inesperada. Foi uma revelação que quebrou a fachada de controle que Ronaldo tinha mantido. Ele nunca imaginou que seus segredos seriam expostos tão abertamente.
"Você acha que eu não sei o que você fez e continuará a fazer?" ele insistiu, aproveitando o momento para confrontar Ronaldo. "Eu tenho os olhos em você desde o começo, monitorando suas ações e reunindo as evidências que eu precisava. Seja grato por eu estar ocupado com outro assunto quando você atacou a Matilha Howler. Caso contrário, você e sua filha teriam enfrentado as consequências há muito tempo."
Ronaldo, lutando para manter uma fachada de bravura, tentou desviar as acusações. "O que você pode fazer? Você não tem poder, nem aliados, nem nada."
"O fato de eu ter você aqui sugere que eu não sou tão impotente quanto você acredita", ele retrucou, enfatizando sua vantagem. Virando-se para Calvin, ele perguntou sobre o progresso em relação à filha de Ronaldo.
"Sim, meu Lord. Já a localizamos, e elas estão a caminho", ele relatou obedientemente.
Ronaldo, cada vez mais preocupado com o destino da filha, procurou respostas. "O que você vai fazer com a minha filha?"
Em alguns instantes, o seu guerreiro chegou com Eunice, que estava gritando e xingando para que a deixassem ir. No entanto, ele escolheu abordar um assunto mais urgente primeiro. "Eu queria te dizer que o que você e esse homem estavam planejando não vai dar certo", ele começou, desviando da pergunta de Ronaldo por enquanto. "Porque eu não vou permitir. Depois de todos esses anos, você já deveria ter percebido isso."
Ele continuou, com a voz resoluta, "Agora, para o evento principal, quero que você entenda que Ronaldo não é seu pai, e a mate dele não é sua mãe."
Essa revelação surpreendeu Ronaldo e a filha dele, Eunice. Os mundos deles desmoronaram quando o chão sob os pés deles mudou inesperadamente. Ronaldo, que tinha mantido uma fachada de controle, agora estava lutando para compreender a situação.
"Do que você está falando? Ela é minha filha com a minha mate", Ronaldo protestou veementemente, sua voz tremendo de descrença.
Ele fez uma pergunta direta, desafiando a afirmação de Ronaldo, "Se ela realmente é, por que ela não é uma bruxa?"
Ronaldo, sentindo-se encurralado, se apegou à narrativa dele. "Porque ela puxou a mim", ele afirmou, agarrando-se a qualquer explicação que ele pudesse reunir.
Mas ele não estava pronto para aceitar tais desculpas. "Isso é implausível. Você sabe que, independentemente das circunstâncias, ela deveria ter algum sangue de bruxa nela, considerando que a sua mate é uma bruxa de sangue puro."
As explicações de Ronaldo vacilaram quando ele procurou justificar o inexplicável. "Não, é porque minha mulher é fraca, e—"
"Pare de dar desculpas", ele interrompeu com firmeza. "Você sabe que a sua mate possui uma força significativa. Ela foi responsável pela morte da previous queen devido à sua ganância insaciável. Ela nem sequer é sua mate; ela apenas te fez acreditar nisso. Ela te manipulou para assassinar a previous queen, que era a minha mate, tudo para garantir que Marco, aquele que o ajudou a ascender ao trono, a aceitasse como sua rainha."
À medida que as revelações continuavam a se desenrolar, Ronaldo ficou sem palavras, seu mundo cuidadosamente construído desmoronando ao seu redor.
"Mas meu irmão mais novo sempre cobiçou a minha mate, desejando o que era meu por direito", ele continuou, sem poupar nenhum detalhe. "Ele não tinha intenção de reivindicá-la porque Marco queria a minha mate para si."
Eunice, a filha de Ronaldo, não conseguiu conter as emoções dela por mais tempo. "Não! Isso não é verdade!" ela gritou, sua voz cheia de negação e desafio.
Ele respondeu com indiferença, dispensando os protestos deles. "Acredite no que você quiser. Eu não me importo nem um pouco."
Com isso, ele deixou a cela, deixando para trás Ronaldo e Eunice, que agora estavam confrontados com uma realidade que não podiam negar. Embora ele tivesse pouco investimento emocional no destino deles, ele entendeu o perigo que eles representavam se fossem autorizados a vaguear livremente. A ameaça que eles representavam para Matteo e Freya não podia ser ignorada.
"Alô?" ele atendeu uma chamada no celular, mudando o foco para a tarefa que tinha pela frente.
"Matteo vai até você. Eu consegui impedir os ataques deles contra você e chegarei para discutir os assuntos", Rapha o informou.
"Muito obrigado", ele expressou sua gratidão, sua mente já correndo com pensamentos de como abordar Matteo.
"Faça o que for preciso para fazê-lo acreditar. Eu não tenho certeza se consigo fazer isso sozinho, por isso escolhi levá-lo até você e apresentar o seu lado. Você já sabe a verdade sobre ele, então certifique-se de lidar com isso corretamente", Rapha aconselhou antes de encerrar a ligação.
Ele sabia que precisava se preparar para a chegada de Matteo e para a conversa crucial que moldaria o futuro deles. O peso das decisões e revelações dele o pressionava, mas ele estava determinado a ir até o fim.