Capítulo 25
Verdade
FIQUEI DE CARA quando alguém parou do meu lado. Meus olhos foram na hora pra lá, e eu gelei.
“Já acabou de comer?”, ele perguntou, numa boa.
“Perdi a fome”, eu murmurei, olhando de volta pro mar.
Meu coração bateu forte quando ele se encostou na grade, onde eu tava segurando. Ele chegou mais perto de mim e me olhou nos olhos, tipo fixamente.
Eu fiquei chocada, parada. Achei que ia conseguir encarar, mas meus olhos ficaram nas ondas fortes.
Ele soltou um suspiro pesado, que me deu um arrepio. Apertei a mão na grade porque, sei lá, a qualquer hora eu ia cair da calçada.
“Acho que a Elliesse tá te procurando”, eu falei pro Lawrence depois de um tempão de silêncio.
“Ela tá descansando na cabana dela.”
Eu dei um sorrisinho amargo. “Por isso você tá aqui”, eu falei, com um tom irônico.
Ele não respondeu, mas ouvi outro suspiro violento perto de mim.
“Margaux”, ele começou, com a voz mais suave.
Mas eu fiz que nem liguei e continuei olhando pro marzão azul.
“Por favor, olha pra mim”, ele mandou.
Não custava nada, né, tocar de leve na minha bochecha pra desviar o olhar, mas eu preferi fixar o olhar nos meus pés.
“Por favor, Margaux, olha pra mim”, ele pediu, numa boa.
“Não, não vou”, eu falei firme.
Queria que tudo acabasse logo. Minha respiração não tava normal. Eu tava tão fraca, vulnerável. Só tinha um fio, e iam me dar pra sempre.
Então, enchi o peito de ar e pisei firme nos meus pés pra sair, mas ele pegou no meu braço na hora pra me parar.
“Só fica mais um minutinho, por favor”, ele murmurou. Eu sentia o bafo quente dele na minha pele, e o calor do toque dele intensificava meus sentimentos.
Mas, sei lá, decidi manter a postura. Virei a cabeça pra encarar ele, com toda a coragem.
“O que você quer?”, eu falei, sem emoção. Queria aumentar o tom da voz, mas não consegui. Agora eu tava derretendo na forma como ele me olhava.
Nossos olhos se trancaram, sem piscar. Meu coração tava batendo rápido, e eu não conseguia respirar direito.
Ele botou os dedos na minha bochecha e ficou me encarando, tipo, procurando alguma coisa na minha cara, com tanta intensidade.
“Senti sua falta”, ele falou, com toda a sinceridade.
Eu não tava mais me rebelando contra o toque suave dele, e não tava mais lutando. Só tremia, tipo, fraquinha, de joelhos.
Ele abriu a boca pra falar, mas uma voz atrás de mim interrompeu a gente.
“Lawrence, sua noiva tá te procurando.”
Eu olhei pra trás na hora, tipo, violenta, pra ver quem era a voz do Peter.
Congelei na hora. O Lawrence não me soltou. Eu não ia conseguir falar.
“Noiva?”, eu perguntei pra ele, furiosa.
Ele balançou a cabeça. “Tem coisas mais importantes que você precisa saber.”
Eu dei uma risadinha. “Ah, parabéns pros dois. Não é isso que você queria?”, eu falei, com um sorriso amargo, e dei um passo pra trás.
“Não, por favor, não…” Ele fez carinho no meu pulso, mas eu dei mais passos pra trás.
“Lawrence, acho que não é certo ficar com outra mulher quando a Elliesse vai casar com você”, o Peter falou, com clareza.
“Por que você não cuida da sua vida?”, o Lawrence jogou um olhar demoníaco pra ele.
“Sério? Deixa eu te falar uma coisa. Eu nunca mais vou deixar você machucar ela”, o Peter falou, e apontou pro Lawrence.
“Acha que consegue fazer ela feliz?”, o Lawrence falou, com um tom irônico.
“Claro que consigo!”, o Peter falou, com confiança.
“Tô de sacanagem, Peter.” Os lábios dele se juntaram num sorriso de deboche.
O Peter travou a mandíbula. Deu pra sentir a raiva dele pelo que o Lawrence falou, então decidi me meter.
“Vocês podem parar, por favor?”, eu briguei.
“Burrice é saber a verdade, ver a verdade, e ainda acreditar nas mentiras; e é isso que você é”, o Lawrence falou, e puxou o gatilho na cabeça do Peter, tipo, pra explodir.
“Vai se fuder!”, o Peter empurrou o Lawrence com tudo.
“Eu falei pra parar!”, eu suspirei pros dois e, finalmente, virei pro Lawrence.
“Sai de perto de mim!”, eu empurrei ele com força, e depois virei pro Peter.
“Vamos, Peter.” Puxei a mão dele pra ir embora, mas me choquei quando o Lawrence parou meu outro braço.
Mas, sei lá, dessa vez eu escolhi acompanhar o Peter, então soltei a mão dele pra ele ficar livre.
“Já sabe a resposta?”, o Peter falou pro Lawrence, com sarcasmo, e deu um sorriso de deboche.
Eu fiquei chocada quando ele deu um soco nele, e o Peter caiu no chão. Gritei com a velocidade dos acontecimentos. Queria parar eles, mas o Peter levantou na hora e revidou com um soco. O Lawrence machucou a mandíbula.
Ele também revidou na hora, e eu não pude fazer nada além de gritar. Comecei a chorar, e meus olhos ficaram borrados pela intensidade das minhas emoções.
Gritei tão alto e entrei em pânico. Meus olhos ficaram borrados. Não conseguia mais respirar direito, principalmente quando vi os dois sangrando, tipo, como se ninguém quisesse perder.
Até que meus gritos viraram borrões no meu ouvido, ouvi vozes chegando, mas já era tarde demais porque minha visão escureceu.
***
QUANDO ACORDEI, tava num quarto, e a Cindy chegou na hora.
“Margaux! Graças a Deus você tá bem.” A voz dela tava aliviada e relaxada.
“Você tá bem?”, a Julia perguntou. A preocupação ainda tava no tom dela.
“Tô bem, Julia, obrigada.” Tentei botar um sorriso no rosto.
“Que bom”, ela falou.
Me levantei, mas elas me ajudaram.
“Tem certeza que tá tudo bem?”, a Samantha parecia mais preocupada comigo.
“O que aconteceu?”, ela perguntou, sentando na cadeira do meu lado.
Ela esperou a minha resposta, mas eu preferi mudar de assunto.
“Ah, quando o iate atraca?”
“Talvez daqui a uns minutos. Chamamos o médico pra te examinar na hora que chegar”, a Cindy me falou.
“Desculpa, até incomodei vocês.” Abaixei a cabeça, constrangida pelo que rolou.
“Ah, de boa. O importante é que você tá bem”, a Julia me garantiu.
Me senti mal pelo que rolou. Mesmo querendo pedir desculpas pro Peter, a vergonha me dominou, então decidi não fazer isso.
“É melhor a gente deixar a Margaux descansar um pouco”, a Cindy falou pra Julia, e depois fez que sim com a cabeça pra mim.
“Descansa. A gente volta quando o iate atracar”, ela falou e fez carinho no meu cabelo.
“Obrigada.” Sorri pra ela, mas o sorriso não chegava nos meus olhos.
Ela suspirou. “A gente conversa sobre o que rolou quando voltar pro resort. Descansa um pouco, tá?”
Mas eu não dormi desde que a Cindy saiu do quarto. TÔ preocupada com o que rolou. Também tô preocupada com o Peter, que se machucou no meio da treta.
Me ajeitei na cama depois de ouvir uma batidinha fraca.
“Pode entrar”, eu falei, fraquinha.
Quando a porta abriu, a Elliesse entrou direto pra mim.
“Como você tá?!”, ela perguntou, sem rodeios, com as sobrancelhas levantadas um pouco.
“Tô bem”, eu respondi.
Os olhos dela passearam, e por fim foram pro meu rosto. “Você é uma atriz boa mesmo, hein?!”, ela falou, com raiva, e os olhos apertados.