Capítulo 71
A parada tava tensa, meu peito apertou mais ainda. Eu não tava ligada em mim mesma enquanto encontrava com outra cliente. Minha cabeça tava pensando no Samuel Saavedra. Tentei respirar fundo, mas toda vez que eu olhava pro relógio, meu pânico e a crise de ansiedade me assustavam.
Minha reunião com o Sr. Talameda já tinha acabado, mas eu ainda tô aqui na minha cadeira giratória, encarando a parede de vidro gigante do meu escritório.
Daqui, dá pra ver o hotel chique do Saavedra. Mesmo de longe, já aumenta a altura e o tamanho por causa dos andares.
Enchi o peito de ar e depois bati no anel de diamante no meu dedo. Confio nele. Confio no Lawrence e no nosso lance, e não importa o que aconteça, vou continuar lutando pelo meu amor por ele.
Nem avisei o Lawrence da nossa reunião. Tipo, nada de mais ia acontecer se eu e o Samuel só conversássemos.
Meu coração bateu mais forte do que devia desde que meus saltos pisaram no hotel deles. Apertei a alça da minha bolsa de ombro e me forcei a relaxar.
"Você é a Srta. Margaux Collins?" Uma mulher me cumprimentou com um sorriso doce.
"Sim!" Respondi, meio seca. Talvez ela fosse a secretária do Samuel.
Ela me guiou pra uma sala privativa. "Gostaria de café ou chá, Senhora?" ela perguntou, educada.
"Não, tô de boa! Obrigada!" falei simples.
"Ah, claro! Pode esperar um pouquinho, por favor? O Sr. Saavedra já vem!" ela sorriu pra mim antes de sair.
Juntei minhas mãos no colo. Respirei fundo algumas vezes e acalmei meu coração.
Levei um susto na cadeira quando a porta enorme abriu e cuspiu a imagem do forte e aristocrático Saavedra. Levantei rápido pra cumprimentá-lo, mas ele fez sinal pra eu sentar de novo.
"Pensei que você não ia aceitar meu convite", ele disse, sentando devagar na cadeira giratória.
"Não misturo emoção com trabalho. Presumo que você tem uma proposta interessante pra me discutir agora, tô certa, Sr. Saavedra?" Falei direto. Levantei o queixo e olhei nos olhos dele.
O Samuel se encostou na cadeira, com os lábios contraídos.
"Não vou pensar mais. Quero que você deixe meu filho Lawrence", ele disse com toda autoridade.
As palavras dele cortaram meu coração. Senti o anel no meu dedo e não demonstrei dor pelo que ele disse.
"Você conhece o Lawrence; ele é jovem, selvagem e animado. Digamos que ele não leva a sério quando o assunto é relacionamento. Claro, ele tem muito mais mulheres pra conhecer do que você."
Engoli em seco. As palavras dele eram como uma faca fina que cortou meu coração. Não consigo imaginar isso tudo saindo da boca do pai do Lawrence.
"Dado que você tem um filho, posso fornecer as necessidades dele. Também posso dar a ele uma vida melhor e o privilégio de ser chamado de Saavedra", ele disse com sarcasmo.
Eu finalmente acreditei no que ele disse? Ia abrir a boca pra falar, mas já veio a continuação.
"Aquele meu filho é teimoso, por isso falei com você sobre isso. Talvez a gente se entenda, Srta. Collins?" ele disse, curvando os lábios pra cima.
Baixei meus cílios. Não sei o que sentir sobre o que ele disse. Como ele pode ter tanta certeza de que vou fazer tudo o que ele quer só porque ele quer? Eu não sou esse tipo de pessoa. Não sou fácil de manipular.
"Elliesse é com quem quero que meu filho se case. Ela é o exemplo de mulher bem-sucedida. Ela não depende do que a família tem. Ela pode se sustentar e fazer seu próprio nome do seu jeito. É isso que quero pro meu filho."
De novo, um sorriso vitorioso apareceu no rosto dele como um verão quente. "Espero que a gente se entenda, filha?"
Aí eu encarei ele. Me certifiquei de usar meus olhos brilhantes com tochas e dei um olhar de nojo.
"Sinto muito, Sr. Saavedra, mas acho que você não está na posição certa pra me dar uma ordem. Com licença, também, não estou correndo atrás do seu filho por dinheiro e também posso suprir as necessidades do meu filho. Também não quero o nome que você pode dar ao meu filho. Eu amo o Lawrence, e nada pode parar meu amor por ele, nem você." Lágrimas se juntaram no canto dos meus olhos, mas eu me controlei firme.
Ele se endireitou antes que um sorriso estranho surgisse pra mim. "Nesse caso, não temos mais nada pra conversar", ele disse com um tom frio.
"Vou repetir. Eu amo seu filho, e ninguém pode me dizer pra não amá-lo", falei com coragem.
Levantei e saí da sala sem olhar pra trás porque não quero ouvir o que ele tinha a dizer. Não perdi mais tempo, então saí correndo do hotel e entrei no meu carro.
Só então as lágrimas que eu tava segurando começaram a escorrer. Meu coração se contorceu. Tava doendo pelo Lawrence. Como o pai dele pode fazer uma coisa dessas com o filho? Por que é tão difícil pro pai dele nos dar a benção? Eu não sou boa o suficiente? Não é suficiente que eu amo tanto o filho dele que ele confia em mim e no amor que posso dar a ele? Eu tenho meus próprios sonhos, não só como Elliesse. Mas posso provar pra ele que eu não sou só filha da Collins.
Eu sou Margaux Collins!
Fui direto pro meu escritório porque sabia que o Lawrence tava esperando eu voltar. Ele sempre faz questão de me pegar todo dia, mesmo que a agenda dele no escritório seja apertada.
Como esperado, ele já tá lá dentro. Ele sempre tá gostoso e lindo, usando a roupa do escritório. O charme dele ficou mais forte quando ele tirou o casaco, e a única coisa que sobrou foi a camisa polo azul de manga comprida.
"E aí, como foi a reunião?"
Ele veio me dar um beijo de leve nos lábios.
"Foi bom!" falei cheia de energia.
Não quero que ele ache que algo tá me incomodando, e não quero que ele saiba que falei com o pai dele mais cedo.
"Tem certeza?" ele perguntou suave.
Pra minha surpresa, ele se abaixou pra olhar no meu rosto. Me olhou com as sobrancelhas arqueadas.
Desviei o olhar e olhei pela janela enorme. "Claro que sim."
Mas, inesperadamente, ele se aproximou, e o olhar dele se fixou em mim. "Tem algo que eu preciso saber? Você tá diferente hoje. Aconteceu alguma coisa ruim, hein?"
Engoli em seco e forcei o brilho de volta pros meus olhos. "Tô bem! Não se preocupa comigo. Então, vamos?"
Puxei a mão dele pra evitar, mas ele só me puxou de volta, e me prendeu nos braços grandes dele.
Não podia fazer nada além de olhar pra ele. Meu coração tava batendo forte contra o peito. Sentia a eletricidade crescendo entre a gente.
O olhar do Lawrence desceu pros meus lábios. Aí ele lambeu o lábio inferior. A testa dele também tava franzida, e os olhos dele estavam intensos.
"Não quero que você guarde segredos de mim", ele disse sério.
"E-eu só tive um problema com uma cliente. Ela desistiu do nosso projeto. Mas encontrei uma solução", falei, fixando o olhar no chão.
Ele ficou me encarando por mais alguns minutos antes de finalmente concordar.
"Vamos jantar juntos."
Não protestei mais quando ele pediu pra eu sair do meu escritório.