Capítulo 53
Tchauzinho.
VIREI RAPIDINHO pra subir e trocar de roupa. Foi ali que as minhas lágrimas finalmente desceram. Não consigo, mesmo que eu tente parar. Meu coração tava batendo e torcendo de medo e empolgação ao mesmo tempo. Será que essa é a hora certa de aceitar ele de volta na minha vida?
Talvez eu só esteja cometendo erros e deixando minhas emoções me levarem. Mas quando eu vi Lawrence abraçando o filho dele, todas as minhas preocupações sumiram.
Antes de descer, já tinha uma decisão firme na minha cabeça. Dessa vez, vou decidir não só por mim, mas por causa do Clarence.
RISONHADAS altas me receberam quando voltei pra sala. Na hora, vi a Letizia carregando o Clarence, e o Pai e o Lawrence na frente delas.
"Você é tão fofo!" Ouvi a Letizia falar.
Eu sorri, e fui até eles.
"Como tá o meu bebê Clarence?" Perguntei quando entrei na sala.
"Ele é meu neto. Não tenho dúvidas," O Pai falou, e bateu no ombro direito do Lawrence.
Eu olhei pra ele. Os lábios dele se mexeram um pouquinho e ele coçou a nuca. Também vi que a bochecha dele tava um pouco vermelha com a atenção que o Pai tava dando.
Meu coração explodiu de alegria na hora. Eu não esperava que o Pai e o Lawrence fossem se dar bem, mas tava errada.
Eu ainda lembro que ele me apoiava com o Lawrence naquela época. Ele até mencionou minhas férias em San Simon e meus encontros exclusivos com ele.
De qualquer jeito, a votação dele sempre foi pro Lawrence. Neguei com a cabeça e dei um sorriso de leve.
"Você pode até ser pega no caminho. É melhor você zarpar," A Letizia me falou, sorrindo com um toque de diversão.
Eu mordi o lábio inferior.
"Tome cuidado na estrada, filho. Você tá com a sua família," O Pai falou pro Lawrence.
Eu não ouvi o Lawrence responder, mas pela cara dos dois e o jeito que ele assentiu pro Pai, tenho certeza que eles se entenderam.
Demorou uns minutinhos pro carro dele pegar, mas eu ainda não conseguia superar o que aconteceu mais cedo em casa. Ia ser muito estranho se eu perguntasse mais sobre isso pra ele. Mas, de repente, ele quebrou o silêncio e falou:
"Eu já conversei com o seu pai. Mencionei pra ele o nosso plano de casamento."
Mesmo sabendo o que ele ia dizer, ainda fiquei chocada com o que ele falou.
"E o que ele disse?"
Ele me olhou por um instante. Consegui sentir o peso e a intensidade do olhar dele em mim. Fiquei nervosa na hora. Será que eles não tiveram uma boa conversa?
"Depende de você aceitar ou não a minha proposta de casamento," Ele murmurou, com a voz grave.
Vi que a mandíbula perfeita dele se contraiu depois que ele falou isso. A expressão no rosto dele ficou mais sombria, e as sobrancelhas dele nem se mexeram.
Deu vontade de rir da reação dele. Será que ele sabe a minha resposta pra pergunta dele? Acho que não.
Decidi só esquecer a tensão na estrada enquanto o Clarence tava no meu colo. Escolhi aproveitar o passeio com esses dois garotos bonitos. Talvez eu não tenha mais nada pra pedir agora, mas vai chegar a hora em que seremos uma família completa.
Depois de mais ou menos meia hora de viagem, chegamos na vila onde o Carrick e a Cindy estavam hospedados.
Muitos carros já estavam estacionados. Eu e o Lawrence fomos direto pra dentro da casa. Ele só deu umas piscadelas e sorrisos pros convidados que encontramos, mesmo que eu tenha notado a surpresa deles com o Clarence no colo do Lawrence.
"Bestie! Finalmente você chegou!" A Cindy me recebeu feliz. Ela tava carregando o filho dela, o Kyzler.
Depois do nosso abraço, o sorriso nos lábios dela foi diminuindo aos poucos quando ela olhou pro Lawrence do meu lado.
"O que significa isso?" Ela murmurou baixinho pra mim, e me puxou pra longe do Lawrence.
"A gente só tá . . ." Não consegui terminar o que eu ia dizer.
"O Peter tá aqui, e tava te procurando mais cedo." Os olhos dela quase arregalaram.
Eu engasguei. Lá vamos nós de novo. Por quanto tempo vou ter que explicar pra eles que eu e o Peter não estamos namorando?
"A gente conversou ontem à noite, e tá tudo bem," Falei, desviando o olhar.
Ela me encarou por um instante antes de eu ouvir um suspiro fundo.
"E a Elliesse? Ela sabe disso?" Perguntou, confusa. Era como se um monte de coisas tivessem perturbando a mente dela.
"N-não sei . . ." Balancei a cabeça.
Ela soltou uma lufada de ar frustrada. Mexeu no cabelo e sacudiu a cabeça. De repente, uma baita ansiedade surgiu no meu coração depois que eu vi a reação dela.
"Ela voltou. Chegou ontem à noite de Nova York. O Carrick me contou."
Fiquei chocada. Peguei rapidinho o anel que eu tava usando desde ontem à noite. Não sei como me sentir depois de ouvir essa notícia.
"Tudo bem, só tô te avisando. Eu só não quero que o Lawrence e o Peter briguem mais. É bom que você tenha deixado tudo claro," Ela falou, aliviada.
Meus lábios se curvaram um pouco. Eu queria perguntar se o casamento fracassado da Elliesse ainda tava rolando. Tenho certeza que ela sabe a resposta por causa do Carrick. Mas tava com medo de descobrir por mim mesma.
Apertei forte o anel que eu tava usando. Fiquei meio aliviada com o que eu fiz. Essa é a única esperança que eu tenho agora, então não tem motivo pra eu ficar nervosa assim.
"É melhor entrar e se juntar a eles," Ela falou.
Porque tinha muita gente lá dentro, eu não tive a chance de conversar com o Lawrence na hora, que parecia estar curtindo a conversa com os colegas dele. Meus amigos de várias escolas e sociedades de elite também foram convidados pra festa. Conversei com alguns convidados antes de ver o Peter conversando com uma colega de classe minha da faculdade. Os olhos dele, sem brilho, olharam pra mim. Ele tava segurando na mão direita o copo de pedra só com vinho. E meu coração batia forte no peito.
***
O PETER se despediu dos colegas e veio na minha direção. Fiquei parada, congelada. Mas dei tchau rápido pros meus colegas e o cumprimentei.
"Peter . . ."
Mas ele não falou nada, a mandíbula dele se contraiu, e ele ficou mais sombrio e cruel na distância curta.
"Se você veio aqui só pra pedir desculpas, então as desculpas foram aceitas!" A voz dele soou deliciosa. Mas a expressão no rosto dele sempre foi sombria pra mim.
Suspirei fundo. A verdade é que eu realmente quero pedir desculpas, não só pelo que aconteceu ontem à noite, mas por todos os meus pecados. Sou muito grata a ele, e não posso simplesmente jogá-lo fora assim.
"Podemos conversar um pouco?" Perguntei.
Ele primeiro despejou o vinho no copo antes de colocá-lo em cima de uma das mesas.
"Vamos sair daqui." Ele pegou no meu braço e imitou a parte de trás da casa da Cindy.
Também tinha algumas pessoas no quintal, diferente de dentro, onde tinha mais convidados.
Escolhi sentar numa cadeira de madeira de frente pra piscina, enquanto ele ficou em pé do meu lado.
O silêncio caiu como água fria na piscina. Não vai ter barulho se você não pular, ou as folhas vão cair da árvore.