Capítulo 66
Fitei ele. Um olhar de pedra cravado nos olhos escuros dele. Ele agarrou o volante com força e olhou para a frente.
'Rence...' meus lábios murmuraram. Tentei acariciar o braço dele, mas só soprei um vento frio e barato.
Mordi o lábio inferior. Fechei os olhos com força para acalmar minhas batidas cardíacas.
'Onde a gente tá indo? E o Clarence?!' Finalmente falei pra quebrar o silêncio. 'E seu pai, o que ele vai dizer depois do que rolou na festa?'
'Eu não tô nem aí!' ele explodiu com raiva.
Me encostei pesadamente no banco. Queria perguntar o que tava deixando ele tão irritado. Mas escolhi ficar quieta primeiro.
'Você não vai me contar alguma coisa que eu não saiba?' ele então me perguntou suavemente.
Aí eu me virei pra ele, chocada.
Fiquei meio confusa. Não sabia do que ele tava falando.
Me assustei quando ele pisou de repente no acelerador, fazendo a gente correr.
'Que porra é essa, cara?!' falei, frustrada.
Mas ele freou de repente. Se eu não estivesse com cinto de segurança, podia ter afundado no painel do carro dele.
'Porra! Você vai me matar?!' reclamei.
'Você não vai dizer nada agora?' ele disse baixinho. A cara dele ainda estava sombria. Os músculos da mandíbula se moviam. O olhar dele parecia querer me engolir.
'S-só vai direto ao ponto, Lawrence!' Nem quero discutir com isso, mas tô muito confusa.
Ouvi ele soltar o ar com força do peito várias vezes. Mas a mandíbula dele ainda tava trabalhando duro. Ele é o homem mais arrogante e implacável que já conheci. Ele não amolece meu coração rápido, mesmo que eu fique encarando ele mais algumas vezes.
'Caralho, tô com ciúmes!' Ele bateu no volante com força antes de apertar a testa.
Meus olhos arregalaram com o que ouvi. Ciúmes? De quem?
De repente, fui percebendo tudo aos poucos.
'É sobre o Franco?' perguntei.
Ele olhou pra mim, com um olhar afiado. 'Não fala o nome daquele filho da puta na minha frente!'
Suspirei. Acariciei levemente a sensação dolorosa. Só porque o Franco me tocou, ele fica com ciúmes? Então, e eu? E a Elliesse e o pai dele? Ele acha que eu não tô com ciúmes? Eu também fiquei magoada, principalmente porque ele escondeu de mim que ele e a Elliesse ainda estavam noivos. Aí o pai dele anuncia o casamento deles, e ele agora vai dizer que tá com ciúmes do irmão? Isso foi muito injusto! Eu deveria estar com ciúmes. Eu deveria estar com raiva agora!
'Pelo amor de Deus, Lawrence, ele é seu irmão!'
'É isso. Ele é meu irmão! Ele é bonito, gostoso e com um estalar de dedos consegue todas as mulheres que ele quiser!' Ele balançou a cabeça e depois penteou o cabelo pra trás com a mão.
'E, o mais importante, eu não confio nele quando o assunto é mulher!' ele acrescentou com uma entonação afiada.
Minha raiva subiu; até meus olhos arregalaram. 'Você acha que eu sou esse tipo de mulher? Você acha que ele consegue me ter tão fácil assim?!'
'Eu nunca disse isso, Margaux.' Ouvi o ranger dos dentes dele enquanto a atenção dele estava voltada pra mim.
'Mas é isso que você tá pensando!' Meu tom de voz estava alto quando falei. Como a gente vai durar assim se ele vai ficar com ciúmes das coisas pequenas?
'Ele é seu irmão, e ele é legal, mas só isso.'
Ele não pareceu gostar do que ouviu de mim, então socou o volante com força.
'Lawrence, por favor, isso é besteira.'
'Aquele bastardo!' Ele socou o volante de novo e, sem dizer uma palavra, saiu do carro. Como eu tava com medo do que ele podia fazer, fui logo atrás dele.
'Lawrence, me diz, qual é o seu problema?!'
Meu passo normal foi interrompido quando ele se virou pra mim. Os olhos dele estavam escuros e frios. Tentei engolir, mas senti que não chegou na garganta.
'Problema? Aquele filho da puta gosta de você. Não tá claro?!'
Fechei os olhos e enchi o peito de ar antes de falar. 'Eu não tô fazendo nada de errado!'
Não consegui mais evitar a vibração da minha voz por causa da contenção das lágrimas.
Vi ele balançar a cabeça e esfregar as duas palmas no rosto. Foi ali que minhas lágrimas caíram por tanta mágoa.
Ele parou por um momento, finalmente chegou mais perto de mim e, sem dizer uma palavra, me abraçou.
'Me desculpa, eu não devia ter dito isso.' Ele beijou meu cabelo várias vezes e me abraçou mais forte.
'Me desculpa, eu não devia ter feito isso', murmurei enquanto o abraçava muito mais forte.
'Shh. Tá tudo bem. A culpa é minha. Eu fiquei com ciúmes fácil. Vou conversar com o Papai sobre o anúncio que ele fez mais cedo.' Ele pegou minhas duas bochechas e me encarou nos olhos.
'Graças à sua surpresa inesperada.' Os lábios dele se contraíram um pouco como se estivesse lutando contra um sorriso.
'Você...' Não consegui evitar de dar um beliscão nele na lateral.
Ficamos alguns minutos no meio da rua antes de pensar em voltar pro rancho.
Tinha pouquíssimos convidados quando chegamos na festa. Fui direto pro Clarence, que tava dormindo profundamente no berço. Também mandei a Doris subir pra cuidar do Clarence e decidi descer e dar uma espiada em mais algumas pessoas lá fora.
Quando vi que só o Jocko e alguns conhecidos do Carrick estavam lá, decidi sair e conversar.
Escolhi sentar no grupo da Julia. Isso é bem correto devido à quantidade de tequila consumida.
Olhei de leve pro Lawrence, que tava conversando com o Carrick não muito longe.
Meu coração disparou quando ele virou o olhar quente dele na minha direção. Os lábios dele se firmaram em um sorriso suave enquanto me olhava fixamente.
Nervosa, desviei o olhar e desviei minha atenção olhando pras pessoas na frente da mesa.
Mas notei que o Franco já tava lá com a Julia do meu lado na mesa oposta.
'Julia, você tá bêbada', Jeremy tava com um tom grave quando falou com ela, mas em vez de responder, ela se virou pro Franco, que segurava um copo de whisky na mão.
'O que você tá aprontando agora?' Julia perguntou pra ele com a voz suave e sedutora dela.
Notei que o Santino removeu o bloqueio na garganta dele antes de beber o whisky na frente dele. Jeremy balançou a cabeça. Ele definitivamente pareceu puto naquele exato momento.
'Tenho um pequeno negócio na cidade. Lawrence também me designou pra cuidar da fazenda e do rancho', ele disse casualmente.
'Ah, entendi! Você tem namorada?'
Franco levantou os olhos e mirou em mim. Um sorriso brincou nos lábios dele antes de tomar um gole do único copo.
'Não tenho.'
'Eu não acredito que você não tem uma?' Carrick respondeu quando se aproximou da mesa.
Senti a palma quente do Lawrence nos meus ombros. Segurei a mão dele suavemente antes de olhar pra cima.
Ele ainda pareceu sombrio pro Franco, que agora tava competindo com o olhar dele.
''Porque tô ocupado no trabalho?' ele disse friamente, mas a cara escura dele permaneceu inalterada como mármore.