Capítulo 52
Coração Derretido
EU AVANCEI pra chegar perto, e na hora fiquei chocada com o que eu vi. Era uma foto de família—uma versão adolescente de Lawrence com a mãe e o pai dele.
Agora eu tô mais observadora de como ele é gato mesmo novinho. Também dou uma olhada rápida pro pai dele, que é quase uma cópia carbono dele. E a mãe dele, ela tá maravilhosa num vestido branco. Não dá pra negar a beleza e a brancura dela, sorrindo do lado do Lawrence.
Levei um susto quando ouvi a porta abrir do meu lado. Soltei a moldura que tava segurando na hora e virei pra ele. Fiquei olhando pros olhos escuros dele, que tavam vidrados na foto que eu tava segurando antes.
'V-você tem uma família linda,' comentei.
Ele só assentiu e chegou mais perto de mim. Ele não perdeu aquele olhar escuro dele desde antes. Então eu dei um passo pra trás, meio sem jeito. Senti que tinha alguma coisa errada no que eu fiz.
'Eu quero te mostrar uma coisa,' ele disse, passando por mim.
Na hora meus pés foram pra seguir ele. Em poucos segundos, eu tava vendo a grandiosidade dessa cozinha.
Meus lábios ficaram impressionados enquanto eu dava uma volta na cozinha dele, que tem um design profissional. Sério, fiquei chocada com os móveis caros e os mínimos detalhes. Principalmente, eu tava passando os dedos nas bancadas de granito limpinhas dele, uns equipamentos de aço que não valem uma piada.
'Sua cozinha é massa,' falei devagar.
'Esse é meu lugar favorito, depois do quarto.'
Eu me inclinei e dei uma olhada pra ele, agora usando um avental. Ele ficou mais gostoso ainda, com uma camiseta branca e shorts cáqui, do jeito dele, super másculo e arrumado. As borboletas no meu estômago também ficaram atrevidas por causa da atenção que eu tava dando pra ele.
'Espero que não se importe que eu esteja usando isso. Eu fico mais confortável quando tô na cozinha,' ele disse, com meio sorriso. Ele parecia estar pedindo desculpas, mas eu nem liguei. Ele continua gato de avental.
'De jeito nenhum, você tá muito gato.'
Desviei o olhar na hora depois de falar isso. Ele deu uma risadinha leve e veio na minha direção.
Eu olhei pra cima pra ele, super surpresa. Os olhos dele tavam quentes, intensos. Ele ficou mais uns minutos na minha frente, como se eu não estivesse cansada de ficar olhando. Ele lambeu o lábio inferior e soltou o ar com força.
'Beleza, vou fazer o almoço pra gente. Fica aí, relaxa.'
Ele virou as costas pra mim rapidinho. Por outro lado, eu tava respirando fundo quando ele começou a abrir a geladeira de duas portas, e um por um, os ingredientes saíram pra ele cozinhar.
'Você faz isso direto?' perguntei na hora.
'Sim. Geralmente, quando eu saio do escritório, fico aqui às vezes. Eu cozinho minha própria comida todo dia.'
Eu balancei a cabeça e escolhi sentar na cadeira alta enquanto ficava olhando ele cozinhar, mas não consegui ficar quieta. Toda vez que ele virava pra encarar a bancada de granito, meu coração quase pulava de emoção. Os músculos dele saltavam, e aquelas veias azuis não davam trégua.
Enquanto ele cortava os legumes na minha frente, meu peito apertava mais ainda. Os lábios dele se mexiam de um jeito sexy. Mesmo que a testa dele estivesse meio enrugada, ainda me atingia de um jeito diferente.
Consegui me sentar na hora que eu olhei pra ele. Limpei a garganta e desviei o olhar. Nossa! Eu senti que tava suando horrores quando me sentei.
'Ah, talvez você já tenha provado um monte de comida. E sua mãe?' eu falei, tentando puxar assunto.
Ele parou por um momento, no meio do que tava fazendo, e olhou nos meus olhos. Engoli em seco. De novo, sinto que falei alguma coisa errada.
'Ela morreu quando eu tinha quinze anos, num acidente de carro,' ele disse, baixo.
Eu mordi o lábio com força por causa da minha pergunta direta. 'Me desculpa, não queria te ofender.'
Ele só balançou a cabeça, e aí um sorriso econômico apareceu nos lábios dele. Ele virou as costas pra mim de novo e continuou cozinhando.
Eu me senti sem jeito sentada na minha cadeira. Acho que fui muito folgada e fiquei pensando nisso. Fiquei muito insensível também. Me doeu nem saber nada da vida pessoal dele. Se ele tem irmãos ou não, ou se os pais dele ainda tão vivos.
Eu olhei pro anel que eu tava usando. Mordi o lábio com força. Passei a mão nele, suavemente. Será que eu tô certa em aceitar o anel que eu tô usando? Ou devia pensar mais?
'A comida tá pronta.'
Ele virou rapidinho e arrumou a mesa. Eu ajudei ele também. Abri umas gavetas e peguei garfo e faca, e também copos.
Aí ele colocou dois pratos de ravioli cheios de parmesão e queijo de cogumelo, camarão frito e bêbado num molho doce e cremoso.
O cheiro rico e gostoso do prato chegou em mim. De repente, eu fiquei morrendo de fome. Minha boca encheu d'água no momento em que eu vi o deleite de chocolate triplo.
'Espero que você não esteja de dieta.' Ele sorriu pra mim, aberto.
'Não. Quer dizer, não muito!' Minha boca tava espumando de vontade.
'Bom, então vamos comer,' ele disse, com um sorriso bobo no rosto.
Eu ajustei minha cadeira e comecei a pegar a faca e o garfo. Aí ele colocou vinho pra mim num copo longo e me deu.
'Valeu.'
Ele se encostou na mesa e ficou me olhando o tempo todo. Percebi que ele não tava comendo, então olhei pra ele.
'E aí, a comida tá boa?'
'A comida tava tão deliciosa quanto você prometeu.' Eu sorri.
A massa tava incrivelmente gostosa. Derretia na minha língua. Eu queria dar os parabéns pra ele pelo que ele cozinhou pra mim.
'Fico feliz que você gostou.' Ele sorriu pra mim antes de pegar a faca e o garfo dele.
'Carrick me ligou hoje cedo. É o aniversário dele hoje. Você quer dar uma passada comigo?'
Como eu não tinha nenhuma reunião marcada pra hoje, aceitei a pergunta dele. Cindy realmente me convidou, então não tenho problema.
'Beleza,' respondi.
***
DEPOIS QUE NÓS COMIAMOS, fomos direto pra casa, onde íamos levar Clarence pra ir na festa.
Notei o carro do Pai na garagem. Com certeza eles não tinham trabalho pra fazer hoje. Meu coração tava batendo forte no meu peito. Não sei o que pode acontecer quando eles conversarem de novo.
Dei uma olhada rápida pro Lawrence. A cara dele continua a mesma—fria e fechada. Parece que ele tá pensando muito desde muito tempo, e eu não consigo adivinhar o que é.
'Boa tarde, Senhora,' Doris nos cumprimentou, gentilmente. 'Ah, boa tarde também, senhor!' Doris falou pro Lawrence, tímida.
Lawrence assentiu e pegou o Clarence dela, e ele sorriu pra o pai na hora.
'Bom garoto!' Lawrence falou, feliz.
Meu coração derreteu, lágrimas querendo sair dos meus olhos. Eles são adoráveis de ver como pai e filho.
Um sorrisinho se formou nos meus lábios quando Lawrence virou o olhar pra mim.
'Diz oi pra mamãe!'
Ali eu simplesmente sequei as lágrimas que queriam chegar nas minhas bochechas e evitei olhar pra ele.
'Ah, entra primeiro. Só vou trocar de roupa,' eu disse, baixo.