Capítulo 13
Eu fiquei na entrada tentando pensar numa resposta quando a Pauline falou.
"Vocês duas estão fora. Ótimo, o jantar vai estar pronto em pouco tempo." Eu nem a vi ir até onde a gente tava parada até ela falar.
Eu olhei pro Owen e tentei dizer alguma coisa, mas ele só voltou pro quarto, fazendo questão de bater a porta. Eu ainda não sabia qual era o problema dele comigo. Fui pra cozinha tentar ajudar a Pauline com o que restava.
"Posso ajudar com alguma coisa?" Eu perguntei quando a vi pegando algo na geladeira.
Ela me olhou surpresa e então sorriu. "Ah, claro. Você pode ajudar a pôr a mesa." Eu não sabia muito bem onde as coisas ficavam, então abri os armários aleatoriamente. "Os pratos estão ali e os copos estão aqui. Talheres estão ali." Ela ajudou. Apontando pra onde eu podia encontrar tudo.
Eu levei os pratos pra mesa de jantar e coloquei-os sobre os jogos americanos e coloquei os copos e talheres em ordem. Depois que eu terminei com isso, eu ajudei ela a trazer um pouco da comida pra mesa.
"Você pode, por favor, chamar o Owen e dizer a ele que o jantar está pronto?"
"Ah, claro."
Eu fui pro quarto do Owen e bati na porta algumas vezes antes da porta abrir.
"O que você quer?"
"O jantar está pronto," eu tentei não gaguejar e fui direto pra sala de jantar.
**********
O jantar foi tão estranho quanto eu esperava que não fosse. A Pauline tentou puxar assunto, mas não deu muito certo com o Owen sempre encontrando algo pra murmurar baixinho pra que só eu pudesse ouvir. Eu tentei ignorá-lo, mas entre a minha mãe ter ido embora e eu estar ficando com quase completos estranhos, eu perdi a paciência e disse pra Pauline que eu não estava me sentindo bem e fui pro meu quarto. Eu me senti culpada por agir dessa forma, porque ela não tinha sido nada além de gentil e adorável comigo e ela não merecia nada daquilo.
Eu estava na cama deitada de costas e olhando pro teto tentando ignorar tudo de ruim e tentar prever o bom, mas ia levar um tempo pra isso acontecer.
Eu decidi que ia dormir e entrei embaixo das cobertas.
Era segunda de manhã e eu não sabia como ia chegar na escola. Eu consegui acordar a tempo, mas eu não sabia se ir andando pra escola seria ideal.
Eu saí da cama e fiz minha rotina matinal e me vesti com uma camiseta branca lisa e algumas calças jeans azul claro e combinei com uns tênis brancos. Peguei minha mochila e saí do quarto.
"Bom dia, Pauline." Eu cumprimentei quando a vi ocupada fazendo algumas panquecas.
"Ah, bom dia, querida. Você está se sentindo melhor agora?"
"Sim, obrigada."
"Aqui está," ela disse enquanto me passava um prato de panquecas recém-feitas. Eu disse obrigado e me sentei no balcão da cozinha antes de colocar um pouco de calda nas panquecas e comecei a comer.
Poucos minutos depois que eu comecei a comer, o Owen entrou com uma camiseta cinza clara e calças jeans pretas com vans pretos.
Ele era bonito, isso era algo que eu tinha que admitir. De sua cabeleira preta como azeviche, a seus olhos azuis como o mar que pareciam que uma tempestade estava sempre se formando. Ele não era musculoso, mas também não era magro. Eu olhei pra cima pra encontrá-lo me encarando e eu desviei o olhar envergonhada por ele ter me pego olhando.
Ele veio pro balcão e sentou na frente de onde eu estava sentada e comeu seu prato de panquecas mais rápido do que eu podia imaginar.
Ele deu um beijo na bochecha da Pauline e estava prestes a sair antes que ela o lembrasse que ele tinha que me dar uma carona pra escola. Ele me olhou com rancor e disse pra eu me apressar antes de sair pela porta. Eu rapidamente me levantei do meu assento e lavei as panquecas com um pouco de suco e me despedi da Pauline.
Eu corri pro carro do Owen e tentei abrir a porta do passageiro, mas o Owen me disse pra sentar atrás. Eu imaginei que ele ia pegar alguém, talvez um dos amigos dele, então eu abri a porta de trás e me sentei. Os bancos do carro eram cobertos de couro e o cheiro no compartimento era uma mistura de couro e um pouco do que eu percebi ser o cheiro do Owen.
Ele ligou o carro e saiu sem dizer nada. O trajeto foi estranho, bom, pelo menos pra mim foi. Eu tentei iniciar uma conversa, mas desisti. Eu não precisava ouvir mais da grosseria dele.
Eu não tinha percebido onde a gente estava até o Owen estacionar perto de uma casa e saiu uma garota que eu nunca tinha visto antes. Ela tinha um cabelo castanho muito bonito e usava roupas que acentuavam sua estrutura curvilínea. Tudo nela era intimidador e eu tentei o meu melhor pra não pensar em como eu não tinha muita curva.
Ela abriu a porta e se jogou no Owen. Eu não sabia se ela tinha percebido que eu estava sentada atrás ou se ela simplesmente não se importava.
Eles se beijaram por o que pareceu horas e dizer que eu estava desconfortável seria um eufemismo. Eu tentei me ocupar com o meu celular e joguei candy crush, mas o som deles se beijando apaixonadamente me fez perder o foco no jogo. Eu finalmente pigarreei pra lembrá-los que eu ainda estava no carro antes que as coisas ficassem mais quentes do que já estavam.
Eles se separaram e a garota estava respirando pesadamente, tentando absorver o máximo de ar que podia depois da troca de saliva, mas o Owen, por outro lado, parecia calmo como sempre. A garota se virou pra mim com seus olhos cor de turquesa.
"Quem diabos é você?" ela perguntou com uma sobrancelha arqueada.