Capítulo 14
"Quem diabos é você?"
"Não liga pra ela, ela não é ninguém." Falou Owen com uma cara de tédio, como se só de me mencionar ou lembrar de mim o entediasse. Eu sabia que não era nada pra ele, mas não ia me referir a mim mesma como ninguém. Tipo, eu tinha um corpo, então isso já me fazia ser alguém.
"Você é muda?" Ela zombou de mim e, quando eu não respondi, ela se virou e murmurou um 'sei lá'.
Eu não sabia se era fácil me ignorarem ou se os dois não tinham problema em ter uma plateia, porque as coisas estavam ficando meio 'mãozinhas' nos bancos da frente.
Eu tentei ignorá-los, mas não tinha muito que eu pudesse fazer pra ignorar os dois. Eles definitivamente foram feitos um para o outro. Um casal perfeito. Mais pra inferno.
Owen finalmente encostou no estacionamento depois do que pareceram horas, e eu saí do carro assim que os dois se inclinaram pra fazer sei lá o quê. Ajeitei a alça da minha mochila e tentei não andar feito um robô por causa de todos os olhares que eu estava recebendo, provavelmente porque eu tinha acabado de sair do carro do Owen. Andei mais rápido e tentei correr pra fugir dos olhos curiosos.
Na minha pressa, acabei esbarrando no peito de alguém e o impacto me tirou o fôlego. Tropecei pra trás, quase caindo, quando fui pega.
"Você está bem?" Olhei pra cima e encontrei os olhos verdes esmeralda do Dustin. O rosto dele cheio de preocupação.
"Uh, sim." Saí da mão dele, "Obrigada." Sorri pra ele.
"De nada." Ele disse e me deu um sorriso também. "Pra onde você estava correndo tão cedo?"
"Aula."
"Mas as aulas começam em," ele olhou para o relógio, "trinta minutos."
"Uh, sim. Só tenho uma tarefa pra fazer. Te vejo mais tarde." Desviei dele e fui para o meu armário pra poder guardar alguns dos meus livros.
Decidi ir pra aula mais cedo e tentar estudar um pouco. A sala estava vazia, como eu esperava. Sentei na minha mesa e peguei meu livro de matemática, mas senti meu celular vibrar no bolso da frente da minha calça jeans. Peguei e fui recebida com uma foto da mãe e eu. Sorri e deslizei na tela, colocando o telefone na minha orelha.
"Oi, mãe."
"Oi, filhinha. Tudo bem?"
"Tudo, e você?"
"Tudo bem. Você está na escola?"
Lutei contra a vontade de revirar os olhos e suspirei: "Sim, mãe. Estou na escola."
"Bom." Ela disse, "Como você está indo até agora? Está tendo problemas com aquele rapaz?"
"A Sra. James é muito gentil e o neto dela, bem, ele é ele mesmo, mas não estamos tendo problemas."
"Ok. Uh, querida, vou ter que te ligar mais tarde. Tenha um bom dia."
"Você também."
"Eu te amo."
"Te amo também." Respondi, e a ligação acabou, e a aula começou a encher.
"Então, o que é isso que estou ouvindo?" Eu estava ocupada procurando um lápis na minha bolsa quando Kate jogou na cadeira.
"O que você continua ouvindo?" Perguntei com as sobrancelhas franzidas.
"Sobre você e o Owen?" Ela disse com um sorriso bobo, enquanto balançava as sobrancelhas sugestivamente. Desviei o olhar dela, escolhendo voltar a procurar meu lápis e evitar totalmente a pergunta dela. Isso só fez com que ela se virasse na cadeira e ficasse totalmente de frente pra mim. "Então é verdade."
Percebi que evitar totalmente a pergunta dela faria com que ela entendesse tudo errado. "O que exatamente você ouviu?"
"Que você veio no carro do Owen e que vocês dois deram um beijo."
"E você acreditou?"
"Não vejo você negando nada disso."
"Touché. Mas, pra falar a verdade, só vim com ele. Não houve nenhum beijo envolvido."
"Que droga. Tenho certeza que vai acontecer em breve." Eu só revirei os olhos para a resposta dela. "Como foi seu fim de semana?"
"Uh. Foi..." Tentei procurar a palavra certa, "ok. E o seu?"
"Ugh," ela gemeu e jogou a cabeça pra trás. Achei que não foi um bom fim de semana, se a reação dela valesse alguma coisa. "Foi horrível, e isso é pouco, esbarrei em alguém que estragou tudo pra mim."
Eu não sabia se perguntava pra ela quem era essa pessoa ou não, mas quando o Sr. Parker entrou na sala, achei melhor não.
Era hora do almoço e eu estava sentada no meu lugar de costume e a mesa estava quase totalmente ocupada, exceto por um.
"Por favor, me diga que não estou vendo o que estou vendo." Todo mundo na mesa se virou para ver o que ou quem exatamente Kate estava se referindo. Eu estava ocupada demais tirando a cebola do meu hambúrguer pra notar exatamente o que estava acontecendo até sentir alguém em pé bem atrás de mim.
"Você está no meu lugar." Olhei pra cima e vi a mesma garota que Owen pegou mais cedo, me encarando com um sorriso doentio e suado.
"Não me lembro de ver seu nome nele." Kate retrucou.
"Não estava falando com você, querida," a garota respondeu com o sorriso ainda no rosto.
"Não me chame de 'querida', Marlene," Kate sibilou entre os dentes.
"Sei lá." Marlene disse com uma revirada de olhos e sentou no colo do Owen.
O almoço continuou com Marlene me lançando olhares de canto de vez em quando. O que eu achei estranho, considerando o fato de que ela estava sentada no colo do Owen. Não que eu quisesse estar no lugar dela ou algo assim.
Kate e eu estávamos saindo do refeitório prontas pra ir pras nossas aulas quando vimos um panfleto pendurado que dizia que os testes de natação foram cancelados.
"Bom, que droga." Kate suspirou, "Tenho certeza que é tudo por causa da Marlene aparecendo. Juro que essa garota me irrita cada nervo do meu corpo." Ela olhou pra mim com um olhar de remorso, "Desculpa."
"De boa. Eu nem estava pronta pra isso." O sinal tocou, sinalizando que o almoço havia terminado.
"Até mais." Ela disse antes de sair.
Corri para minha última aula, que por acaso era Química. Eu realmente não gostava da matéria e o fato de não ser boa nisso não ajudava.
O laboratório de química já estava cheio de alguns alunos quando entrei. Sentei em uma mesa perto de uma janela e deixei minha mochila na banqueta que estava ao meu lado e comecei a rabiscar na parte de trás do meu caderno.
"Desenho legal." Olhei pra cima e vi Dustin me olhando com diversão. Olhei para baixo para minha representação do Bob Esponja, que era basicamente um quadrado mal desenhado com um rostinho sorridente.
"E eu que pensei que eu era a única que conseguia me ver como a artista que realmente sou." Eu disse, tentando lutar contra o sorriso que ameaçava aparecer.
"Que modesta," ele riu. "Essa cadeira está ocupada?"
"Acho que não estaria lá se estivesse." Eu retruquei com um sorriso e desta vez ele não segurou sua risada. Sorri pra mim mesma e tirei minha mochila da banqueta e coloquei em outro lugar.
Quando Dustin sentou, vi Owen e Marlene entrarem e ela estava agarrada a ele como se fosse uma tábua de salvação. Quando ela me pegou olhando, ela me encarou e eu tive que lutar contra a vontade de revirar os olhos. A garota precisava de ajuda.