Capítulo 22
Quando o Owen saiu do meu quarto, eu não sabia o que sentir.
Ele acabou de me beijar pra saber se eu gostava dele? Podia ter outra maneira dele saber. Ele podia ter me perguntado.
Mas acho que eu não teria confessado ter qualquer coisa por ele. Ele me beijando só mexeu com certas emoções que eu não sabia que tinha por ele.
Mas quando ele disse o que disse, eu não consegui evitar de fazer a descolada, quando meus sentimentos estavam... bem.
Eu não queria me envergonhar mais do que já tinha feito. Eu só deixei ele me beijar na frente da escola toda.
Sentimentos de desgosto por mim mesma rodopiaram em mim e eu decidi sair pra caminhar, pra refrescar a mente e tentar colocar meus pensamentos em ordem.
Quando entrei na cozinha, encontrei a Pauline assando alguma coisa.
"Ah, você está aí." Ela me olhou com um sorriso. "Achei que você ia querer uns scones. Acabei de assar."
Os acontecimentos do dia tinham me tirado o apetite, mas eu não queria partir o coração da pobre mulher dizendo isso, então peguei um do prato e agradeci.
Depois de dar uma mordida, eu disse pra Miss James que ia sair pra pegar algo.
Saí de casa e uma rajada de vento bateu no meu rosto. Enrolei o casaco que eu tinha pegado mais perto do meu corpo e comecei a minha caminhada.
Não sei por quanto tempo eu caminhei, mas quando olhei pra cima, o sol já tinha descido. Decidi voltar antes que ficasse muito tarde.
**********
Quando amanheceu, fiz da minha missão ignorar o Owen o máximo que eu podia. Era minha forma de me livrar de qualquer sentimento que eu achava que tinha por ele.
Eu estava comendo minha tigela de cereal quando ele entrou na cozinha e a coisa mais surpreendente foi que ele sorriu pra mim. Tipo, um sorriso de verdade. Sem sinal do famoso sorriso de canto de boca dele.
Me pegou tão desprevenida que eu quase engasguei com o cereal.
"Bom dia."
O que ele tá planejando? Ele não tá facilitando em nada ignorá-lo.
Engoli o cereal antes de cumprimentá-lo com um "bom dia" meu.
Ele pegou uma tigela do armário e um pouco de cereal e leite da geladeira antes de colocar um pouco na tigela dele.
Eu tentei me ocupar comendo, mas não consegui evitar olhar pra cima quando percebi que ele sentou na minha frente.
Arqueei as sobrancelhas em forma de pergunta, mas ele só me imitou. Revirei os olhos e levantei da minha cadeira, decidindo que tinha terminado de comer.
"Já terminou de comer?" Ele me encarou.
"Bem... sim."
"Claro que sim." O famoso sorriso de canto de boca dele apareceu no rosto.
Eu só revirei os olhos em resposta antes de limpar minha tigela.
**********
Saí do carro do Owen só pra ter a maioria, se não todos os olhos, em mim.
Endireitei meus ombros e fui pra onde a Kate estava parada com um cara.
"Oi Kate."
Ela estava de costas pra mim e quando ouviu eu chamando ela, se virou pra me encarar, depois disse pro cara que eles conversariam depois.
"Oi." Ela me encarou totalmente com as mãos cruzadas no peito.
"Desculpa. Sei que você só estava tentando cuidar de mim e a forma como eu reagi não foi... certa."
Ela suspirou e depois sorriu pra mim, "e quem disse que eu estava chateada com você, senhorita Lyra?" Ela veio e me deu um abraço apertado. "Eu só quero o melhor pra você e se você acha que se apaixonar por aquele idiota vai te fazer feliz, quem sou eu pra ir contra isso?"
Me soltei do abraço e comecei a explicar pra ela que o que tinha acontecido foi tudo um mal-entendido.
"A questão é que a mãe saiu de casa pra trabalhar uns meses atrás e me deixou sob os cuidados da Pauline, a avó do Owen. O que significa que eu tive que me mudar da nossa casa pra casa do Owen. Eu moro com eles desde então. Sei que deveria ter te contado antes, mas simplesmente não sabia como fazer isso."
"Você tá brincando, né? Você e o Owen moram na mesma casa? Por que não me contou antes?"
Dei de ombros.
"Agora eu sei porque você estava na festa dele no sábado, é porque é lá que você mora. Sabe, achei meio maluco você estar numa festa."
"Eu posso ir em festas por vontade própria."
"Claro que pode." Ela revirou os olhos com um sorriso nos lábios.