Capítulo 17
O sorriso no rosto dele dizia tudo. Ele sabia que eu tava desconfortável e isso só fez com que ele chegasse mais perto, até o cheiro dele invadir meu espaço. Dava pra sentir um cheiro de cloro da piscina e o cheiro dele normal, que era uma mistura do perfume e do cheiro natural dele.
Ele se inclinou mais ainda até eu sentir a respiração dele fazendo cócegas na minha orelha. "Eu sei que você me quer", ele se afastou com o sorriso ainda no rosto e pegou a toalha que tava pendurada numa das cadeiras e foi embora.
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"Bom dia", eu cumprimentei a Pauline quando entrei na cozinha, pronta pra ajudar ela a preparar o café da manhã.
"Bom dia, querida." Ela respondeu.
"Posso ajudar com o café?" Eu fui até onde ela tava lavando uns morangos.
Ela me olhou e sorriu, "Sim, querida." Ela olhou pro relógio de pulso, "Na verdade, eu vou tomar um chá com umas amigas, então vou sair daqui a pouco. Você pode me ajudar com os waffles? Eu já fiz a massa", ela apontou pra uma tigela na bancada com a massa, "só falta colocar no-"
Ela foi interrompida pelo toque estridente de um telefone que eu suspeitava ser o dela. "Onde eu coloquei essa coisa agora?" Ela perguntou. Mas parecia que ela tava perguntando pra ela mesma, e não pra mim.
Eu procurei o telefone com os olhos e achei em cima da máquina de waffles, quase caindo. Corri e peguei o telefone antes que ele caísse no chão de madeira e dei pra ela antes que parasse de tocar.
Ela enxugou as mãos na toalha que tava perto da pia e pegou o telefone depois de dizer um obrigada antes de segurar o telefone na mão direita, deslizando pela tela com o dedo indicador esquerdo. "Alô?" Ela respondeu assim que colocou o telefone na orelha. "Ah, sim, já estou a caminho. Deixa eu pegar minha bolsa." Ela tirou o telefone da orelha e colocou na bancada. "Era a Lucia", ela disse, "e ela tá lá fora, então vou sair."
"Okay", eu sorri pra ela.
"Espero que não seja nenhum problema", ela disse, com preocupação no rosto.
"Ah, não. De jeito nenhum." Eu balancei a cabeça. "Eu adoro cozinhar, então não me importo nem um pouco", eu garanti pra ela com um sorriso.
"Obrigada, querida." Ela pegou a bolsa da poltrona. "É só me ligar se precisar de alguma coisa", ela acrescentou.
"Vou ligar."
Ela tava quase saindo pela porta quando o reflexo da luz do teto bateu no telefone dela e veio na minha visão periférica.
Ela quase tinha esquecido a única coisa que eu precisava pra ligar pra ela.
Eu peguei o telefone e corri pro hall, onde ela tava agora. "Você esqueceu o telefone."
"Meu Deus. Eu podia jurar que coloquei na bolsa", ela disse e espiou na bolsa. "Obrigada."
"Não foi nada."
Eu fechei a porta depois que a Pauline e a amiga dela foram embora e decidi fazer o café da manhã rapidinho pra poder me preparar pro casamento.
Coloquei as panquecas fresquinhas num prato e joguei calda e coloquei uns morangos picados em cima. Peguei meu prato com um garfo e um copo de suco na mão e sentei na bancada.
Depois de comer quatro garfadas de waffles, ouvi um barulho vindo de trás de mim. Olhei pra trás e vi o Owen vestido com moletom e uma camisa de manga comprida e o que rolou ontem veio correndo na minha frente e eu fiquei morrendo de vergonha de novo, mas tentei o máximo pra não mostrar no meu rosto.
"Bom dia." Eu cumprimentei ele, mas ele só gemeu em resposta. Eu tava quase comentando sobre a falta de educação dele, mas a visão dele me parou. "Você tá bem?" Eu perguntei um pouco preocupada.
"Cadê a Avó?" Ele perguntou com a voz nasal, diferente da voz grossa dele normal.
"Ela disse que ia tomar chá com as amigas." Eu respondi, observando ele. Ele gemeu e voltou pro quarto dele, um pouco mais lento do que o normal.
Eu fui até o quarto do Owen, sem saber se ele ia querer me ver naquela condição. Bati de leve na porta dele e esperei uma resposta. Quando entrei, percebendo que ele provavelmente não ia querer conversar, notei que o quarto tava escuro. Olhei pro Owen que tinha conseguido dormir minutos depois de entrar no quarto dele.
Eu cheguei mais perto da forma dele dormindo e notei as gotas de suor que tinham se formado na testa dele. Coloquei o dorso da mão na testa dele, tomando cuidado pra não acordá-lo. Ele tava fervendo de febre e tinha se coberto com um edredom.
Fui até a janela pra abrir as cortinas e deixar entrar um pouco de ar fresco. Depois de me certificar que as janelas estavam totalmente abertas, fui pra cozinha e fiz uma tigela de sopa pra ele. Depois de pronto, coloquei a tigela, água e um remédio pra gripe numa bandeja e levei pro quarto do Owen.
Quando entrei no quarto dele, coloquei a bandeja na mesa de cabeceira e acordei ele gentilmente. Ele pareceu surpreso por um instante, mas assim que me viu, emitiu um som que parecia um gemido.
"Eu fiz sopa pra você. É só comer umas colheradas e tomar um remédio pra gripe que você vai se sentir bem melhor." Eu raciocinei com ele enquanto ele tentava sentar, encostando as costas na cabeceira.
"Posso pegar uma colher?" Ele perguntou, olhando pra bandeja e foi só então que percebi que eu não tinha colocado uma colher na bandeja. Dei pra ele um olhar envergonhado antes de pegar uma colher na cozinha e entregar pra ele. Ele só conseguiu comer cinco colheradas antes de dizer que não queria mais. Entreguei o remédio e o copo de água pra ele. Ele tomou dois e engoliu com a água antes de colocar de volta na bandeja.
"Hum... você... você precisa tirar um pouco da roupa pra se refrescar em vez de ficar se aquecendo. Só piora a febre." Eu informei ele e tentei levantar, mas a voz dele me parou.
"Você pode me ajudar?"