Capítulo 124: Suas Mudanças
Depois de voltar, a Trixie pediu o sinal da Sra. Clayton pro Daryl.
À noite, ela deitou na cama e aproveitou que o Daryl tava no banho pra mandar uma mensagem pra Sra. Clayton.
"Oi, Sra. Clayton, sou a Sra. Blayden. Fiquei meio sem graça com o que rolou da última vez. Queria te convidar pra jantar amanhã, pode ser?"
Não demorou muito pra mensagem ser enviada e a Sra. Clayton respondeu na hora.
"Claro, sem problemas. Só quero te conhecer, Sra. Blayden, pra gente ser amiga."
"Então você decide a hora e o lugar amanhã, Sra. Clayton. Não conheço muito seu gosto. Tenho medo de você não gostar do meu."
"Tanto faz. Me contata amanhã."
Será que ela não tava afim de conversar mais?
Olhando a última frase da Sra. Clayton, a Trixie apagou todas as palavras na caixa de bate-papo que não foram editadas.
Pensando nela, a Trixie sempre sentia que essa Sra. Clayton não era tão fácil assim de lidar.
O Daryl não saiu no domingo, e a Trixie ficou meio chocada quando acordou.
Ele costumava levar a Kinsley com o Rick pra pescar aos domingos, mas não foi essa semana?
"Acorda, amor!"
A Trixie olhou com sono pro Daryl, que tava ocupado dentro e fora da cozinha, e não reagiu na hora.
"Por que você não foi pescar com o Rick hoje?"
"Ele me falou que tinha umas coisas pra fazer e vai marcar pra semana que vem."
O Daryl explicou pra Trixie enquanto servia o mingau, "Só tô livre hoje, por que a gente não leva a Kinsley pro parque de diversões? Faz tempo que não vamos lá."
Depois de ouvir parque de diversões, a Kinsley, que tava meio aérea, acordou na hora, agarrando o Daryl animada, e a Trixie, que cumprimentou a filha, ficou com um pouco de inveja.
A família não tinha muito tempo junto. A Trixie queria dar um tempo, mas de repente lembrou da reunião com a Sra. Clayton ontem e engoliu as palavras na boca.
"Por que não leva a Kinsley? Tenho um encontro com a Sra. Clayton pro chá hoje. A última vez foi muito chato. Não faz sentido não pedir desculpas pessoalmente."
Ao ouvir as palavras da Trixie, o sorriso do Daryl travou, claramente um pouco infeliz.
Mas a Trixie não sabia se ele tava infeliz porque ela não podia ir ao parque de diversões ou porque ela tinha um encontro com a Sra. Clayton.
"Tudo bem. Levo a Kinsley pra brincar então você vai ver a Sra. Clayton. Quando você voltar à noite, a gente vai comer num restaurante novo perto daqui. Não é ruim."
"Beleza."
A Trixie balançou a cabeça e sorriu.
No entanto, não muito depois do Daryl terminar o mingau, o telefone dele tocou.
A Trixie achou que era o dela e quis pegar, mas o Daryl pegou o telefone rapidinho.
O comportamento estranho dele deixou a Trixie meio intrigada.
Percebendo que a Trixie olhou torto, ele sorriu sem graça e levantou o celular. "Deve ser coisa da empresa. Vou atender."
Antes que a Trixie respondesse, ele se levantou direto e entrou no escritório.
Ouvindo o som da porta sendo trancada, a Trixie ficou cada vez mais desconfiada.
De quem era aquela ligação?
Se fosse Eddison ou Erin ou alguém da empresa, o Daryl sentaria ali e responderia a pergunta com elegância.
Ela não entendia que segredos importantes ela, como esposa, não podia ouvir.
Ou será que quem ligou não era da empresa?
Pensando nessa possibilidade, a Trixie se levantou direto e foi até a porta do escritório e bateu na porta.
Não aconteceu nada lá dentro.
A Trixie franziu a testa levemente e bateu forte de novo, só pra ouvir o som dos passos do Daryl, andando lá dentro.
Depois de alguns segundos, a porta foi aberta e o Daryl ainda tava atendendo o telefone.
Olhando pra sua aparência um pouco impaciente, a Trixie mordiscou os lábios levemente e abaixou a voz e disse: "O mingau esfriou, bebe agora, senão você vai ter dor de barriga quando beber mais tarde."
Daryl não respondeu, só balançou a cabeça e continuou a se comunicar com as pessoas do outro lado do telefone.
A Trixie ouviu vagamente que a voz do outro lado do telefone era de uma mulher, mas o que eles disseram era realmente assunto de trabalho.
Será que ela tava mesmo paranoica?
Enquanto ela ainda se perguntava se tinha entendido o Daryl errado, ele desligou o telefone.
Olhando pra Trixie, ele disse sem jeito: "Amor, você pode não me interromper quando eu atender o telefone no futuro? Se eu perder o projeto por causa de umas coisinhas, não vou aguentar a responsabilidade."
As palavras dele deixaram a Trixie mal.
Depois de nove anos de casamento, aquela foi a primeira vez que o Daryl falou alto com ela por motivos de trabalho, com tom de reclamação.
Isso realmente deixou a Trixie insuportável.
O cara realmente tinha mudado. Ela ainda não acreditava no que a Jessa tinha dito antes.
Mas agora, ela realmente acreditava.
Mesmo que você se ame de novo, um homem vai acabar se cansando de uma mulher.
"Ok, eu entendo."
A Trixie terminou de tomar o mingau correndo, colocou a tigela na lava-louças e foi direto pro quarto. O Daryl queria continuar conversando com ela, mas ela ignorou.
Percebendo que o humor da Trixie não tava bom, o Daryl nem teve tempo de terminar a refeição, então se levantou rápido e seguiu a Trixie até o quarto.
Ele foi atrás dela e tentou entrar no quarto mas a Trixie fechou a porta na hora e quase bateu no nariz do Daryl.
"Amor! Desculpa amor! Eu tava realmente sem paciência e falei umas coisas erradas pra você. Não leve pro lado pessoal! Amor, abre a porta!"
Ouvindo ele gritar forte do lado de fora da porta, a Trixie não queria conversar com ele de jeito nenhum.
Ela se enroscou e se embrulhou no edredom, fechou os olhos e cobriu os ouvidos, e não queria ouvir a voz dele.
De repente, o celular dela vibrou.
A Trixie hesitou por um momento, depois deu uma olhada no celular. Era uma mensagem da Sra. Clayton.
"Tenho umas coisas pra fazer hoje. Marco outro dia."
Umas poucas palavras davam a impressão de que ela tava muito ocupada.
No entanto, o marido dela também pediu pra ela ajudar a falar sobre os projetos dele. Ela deveria ser uma mulher forte.
A diferença das donas de casa em tempo integral como a Jessa e a Clayton, elas deveriam geralmente ajudar nos negócios dos maridos e cuidar dos filhos.
A Trixie se sentiu cansada quando pensou nisso, e sentiu um pouco de descrença.
Naquela época, ela tinha acabado de dar à luz a Kinsley e tinha descansado em casa por dois ou três anos antes de sair pra procurar um emprego. Felizmente, o Daryl era capaz e ganhou dinheiro suficiente pra fazer dela uma dona de casa em tempo integral.
No entanto, a Trixie ficou ocupada quando a Kinsley já tinha idade pra ir pra escola, ela encontrou um emprego sem dizer nada. Ela queria ajudar o Daryl a dividir a pressão e não queria que o peso dele fosse muito grande.
Embora a maior parte do peso da família ainda estivesse sobre o Daryl, ela também ganhava um pouco. Era mais fácil pra duas pessoas sustentarem a família do que uma.
Pensando em seus pensamentos ingênuos, a Trixie quis rir.
Se ela tivesse sido uma dona de casa em tempo integral como a Jessa, cuidando dos filhos em casa todos os dias e tomando chá da tarde com outras esposas, isso não teria acontecido agora?
Não.
Ela negou resolutamente sua ideia, e até achou ridículo.
Porque ela sabia muito bem que se um homem realmente quisesse trapacear, o cansaço do trabalho sozinho não poderia impedi-la.
Afinal, gestão do tempo também era uma ciência.