Capítulo 125: É Diferente
Em resposta à mensagem da Sra. Clayton, a Trixie, convenientemente, deixou o celular de lado.
Depois de uns minutinhos, ela levantou do nada da cama e foi procurar o celular, rapidinho.
Abre e vai direto no histórico de conversa com a Sra. Clayton.
As mensagens delas ainda estavam lá, a Trixie tinha respondido um “boa” pra Sra. Clayton, e ela voltou a rolar, parando na conversa da noite passada.
Ela organizou os pensamentos com cuidado e, de repente, sentiu que tinha algo de errado.
Ontem, o Daryl atendeu o celular no balcão e foi pro lance da escada. Depois que ela foi atrás, ouviu algo sobre a Kinsley sem o Daryl saber.
Só que o Daryl explicou pra ela que tava falando do projeto com a Sra. Clayton, e ligou de volta na frente da Trixie.
A Trixie tinha certeza.
Ela não tinha ouvido errado na hora. Ela ouviu o Daryl falar Kinsley e que não ia se envolver em mais nada.
Só que o Daryl e a Sra. Clayton tinham certeza que a Trixie tava errada, e a Sra. Clayton ainda explicou pra ela de um jeito super formal.
Mesmo com a explicação dela sendo toda eloquente, a Trixie não acreditou.
Ela não sabia que tipo de projeto de parceria realmente envolvia a Kinsley.
E, de manhã, ela tinha acabado de falar que tinha um compromisso com a Sra. Clayton e não podia levar a Kinsley pra brincar com o Daryl. E não demorou muito pra uma ligação entrar no celular do Daryl.
Mais coincidência ainda, a Sra. Clayton quebrou a promessa logo depois da ligação.
Será que foi mesmo coincidência?
A Trixie não acreditava.
De qualquer jeito, ela tinha que dar um jeito de encontrar essa Sra. Clayton, senão não ia mais conseguir acreditar no que o Daryl falava.
Tinha tanta mentira que a Trixie não conseguia mais saber qual era a verdade e qual era a mentira.
Ela sempre sentia que tudo que ele falava era mentira, e a Trixie nem conseguia adivinhar qual era a mentira.
“Amor!”
Depois da batida forte do Daryl na porta, ela ficou chocada e se recuperou na hora e abriu a porta.
Mesmo ainda meio brava por causa do que ele falou, ela amoleceu o coração, saiu da cama e foi até a porta pra ele.
“Não fica brava, tá, amor? Não devia ter perdido a cabeça com você. A culpa é toda minha. Eu não controlei minhas emoções e não devia ter descontado em você.”
Tão logo abriu a porta, o Daryl já botou o braço na porta com medo da Trixie fechar a porta de novo.
“Eu realmente errei, amor…”
A roupa comprida do Daryl com aquele rostinho bom e bonito virou uma cara triste e arrependida, o coração da Trixie começou a amolecer.
“Não tô brava.”
“Boa, amor! A comida tá esfriando, come logo. Depois do almoço, você pode ir tomar um chá com a Sra. Clayton, de boa. Eu levo a Kinsley no parquinho, e aí a gente volta à noite e faz uma janta gostosa em família.”
O Daryl aproveitou a situação pra agarrar a Trixie e beijar ela de leve. “Desculpa, amor, não vou fazer isso de novo.”
O Daryl falou essa frase baixinho, então a Trixie fingiu que não ouviu e ignorou ele. Foi pra cozinha e sentou.
O Daryl pegou rapidinho uns sanduíches e leite quentinhos no micro-ondas e botou na frente da Trixie.
“Ah, ia me esquecendo, vou com você. A Sra. Clayton teve um imprevisto hoje e não pôde vir. Ela falou pra gente marcar de novo.”
A Trixie falou de repente, os olhos dela fixos no Daryl, prestando atenção na mudança de expressão do rosto dele.
Só que o Daryl foi super natural e não teve muita reação, não.
“Sério? Então na próxima a gente marca igual. A Sra. Clayton não ia perder um tempinho à toa.”
O Daryl sorriu, como se não ligasse pra nada.
Só que, quanto mais ele não ligava, mais a Trixie ficava desconfiada.
Porque ela não conseguia ler a expressão do Daryl agora, o homem que a tinha na palma da mão tava tão estranho que ela quase não reconhecia ele.
“Você não tem uma parceria com o Sr. Clayton? Senão, a gente janta junto depois que o projeto acabar e conhece o Sr. e a Sra. Clayton de quebra. Não vai ser tarde pra pedir desculpa pra eles na hora.”
A Trixie sugeriu de repente, mas o Daryl não reagiu na hora.
Ele hesitou um pouco, aí balançou a cabeça e sorriu sem vontade. “A gente vê isso depois.”
Vendo a expressão do rosto dele, a Trixie se sentiu cada vez mais culpada.
Depois do almoço, o Daryl levou a Kinsley pra baixo primeiro. A Trixie só arrumou a casa rapidinho e foi atrás deles.
Depois de dirigir por mais de duas horas, a Kinsley ficou mega feliz quando chegou no parque de diversões. O Daryl também sorriu e botou a filha no ombro pra ela enxergar melhor.
O parque de diversões tinha acabado de abrir, com um monte de gente, e os principais clientes eram adultos, então tinha um monte de brinquedo que a Kinsley não podia ir.
Só que a menininha não tava triste também. O Daryl comprou um monte de doce pra ela o tempo todo pra agradar ela. A boquinha dela não parava de comer.
Não demorou muito andando com sorvete, ela viu o carrossel na frente dela e gritou pra sentar.
A Trixie quis olhar pra eles, então só o Daryl podia levar ela pra brincar.
Vendo a carinha feliz do pai e da filha sentados lá, a Trixie sentiu que tudo aquilo era um sonho.
Ela tava com medo, com medo que o que tava na frente dela fosse só uma ilusão, e com mais medo ainda que tudo aquilo fosse estilhaçar fácil, como um sonho.
“Sra. Blayden.”
A voz grave e sensual do homem veio de trás. A Trixie se assustou e levantou do sofá rapidinho.
Ela se virou, e, pra surpresa dela, viu o Jayden.
“Dr. Roberts? O que você tá fazendo aqui?”
“Um amigo meu me deu um ingresso pra dar uma olhada.”
A fala do Jayden ainda era concisa e completa. A Trixie sorriu sem graça e não soube o que dizer.
Vendo o Jayden ali, ela ficou super surpresa.
Ela pensou que pessoas como o Jayden não iam aparecer nesses lugares, de jeito nenhum. Afinal, alguns desses ambientes barulhentos não eram dignos do jeito dele.
“Quer beber?”
Ele entregou pra Trixie um copo com bebida na mão. A Trixie ia negar com a mão, mas ele continuou. “Compre um e ganhe outro, não consigo tomar tudo.”
Antes que a Trixie pudesse falar, ele botou a bebida direto na mão dela.
Sem saída, a Trixie teve que aceitar e falou “obrigada” pra ele.
Pra não ficar constrangida, os olhos da Trixie ficaram fixos no Daryl e na Kinsley sentados no carrossel. A cabeça dela tava vazia, e só o olfato dela tava fixo na fragrância do Jayden.
Ela se sentiu um pouco nervosa e só queria falar alguma coisa pra quebrar o silêncio, mas o Jayden abriu a boca primeiro.
“Com seu marido e sua filha?”
“Sim. Não tenho muito tempo pra passar com minha filha normalmente. Vou levar ela pra brincar no fim de semana.”
“Muito bom.” O Jayden falou e a Trixie se sentiu um pouco confusa, mas na hora ela não sabia o que dizer pra responder.
De repente, o Jayden se levantou do lado dela e jogou o copo vazio no lixo.
“Com licença, vou no banheiro.”
Depois disso, ele foi andando devagar em direção ao banheiro.
A Trixie olhou pra as costas dele e franziu a testa um pouco.
Ela sempre sentiu que tinha alguma coisa diferente no Jayden naquele dia.