Capítulo 87 Palavras das crianças
As palavras da Nathalie deixaram a Trixie sem chão por um tempão.
No elevador, o nome não saía da cabeça dela.
Mike.
Ele era colega de escola do Daryl, o chefe do clube "Amor Proibido", e agora tinha virado o marido da Nathalie.
Essa sequência de identidades fez a Trixie prestar atenção nesse cara.
Talvez ela devesse entrar em contato com ele.
O resto não importava. Pelo menos, ela precisava saber se o nome do Daryl estava na lista do clube ou não.
Se não estivesse lá, beleza. Mas se estivesse, como ele entrou?
Ele era casado antes de começar a correr atrás da Trixie?
Afinal, só casais podiam entrar naquele clube.
Ela voltou para casa, meio no mundo da lua. Quando a porta do elevador abriu, ela viu o Daryl parado na porta, com uma cara de confuso e os olhos cheios de preocupação.
"A Nathalie já foi?"
"Já."
A Trixie suspirou fundo, foi devagar até o sofá, sentou, pegou a xícara e tomou um gole d'água.
Daryl parecia super desconfortável, sentado do lado da Trixie, todo sem jeito e franzindo a testa.
"O que você quer perguntar?"
"A Nathalie, ela..."
"Ela já é adulta e sabe se cuidar. Além disso, a gente ajudou ela a resolver o problema e pagou a mensalidade dela por um ano. A Kinsley nunca gastou tanta grana desde criança. Daryl, se você tá com saudade dela, será que eu preciso achar que você tá afim dela de verdade?"
A Trixie soltou uma bomba, que fez o Daryl levantar do sofá na hora e balançar a cabeça sem parar.
"Não, amor, não foi isso que eu quis dizer, não me entenda mal!"
Vendo a Trixie ainda tomando água, com a xícara na mão, o Daryl mordeu os lábios e falou sério: "Desculpa, amor, eu menti pra você sobre os olhos da Nathalie. A culpa é minha. Eu não lidei com isso direito. Eu prometo, não vai acontecer de novo."
A Trixie olhou nos olhos do Daryl. Aqueles olhos lindos estavam cheios de aflição.
Por um instante, o coração dela amoleceu de novo.
Ela nunca conseguia ver o Daryl demonstrando fraqueza. Aqueles olhos eram tipo mágica, que afetavam o coração dela o tempo todo.
Além disso, não foi tão ruim quanto ela imaginou.
O Daryl só estava tentando ajudar a Nathalie e não tinha nenhum outro lance com ela.
Essa também foi a razão pela qual a Trixie se acalmou.
"Tá, já passou. Esse assunto já era. A Kinsley ainda tá aí. Não deixa ela ouvir isso."
Tão logo a Trixie terminou de falar, ela viu uma cabecinha aparecendo na porta do quarto da Kinsley.
Ela deu uma espiada, depois correu com um sorriso.
"A Kinsley já terminou de praticar piano?"
A Kinsley saiu do quarto, tímida, e se jogou nos braços da Trixie.
Um par de olhos grandes olhou para a Trixie, depois para o Daryl, e então perguntou: "Mãe, o senhor e o papai vão se divorciar?"
Depois de ouvir a pergunta dela, o rosto da Trixie mudou na hora e virou para o Daryl.
O rosto do Daryl também ficou muito surpreso. Ele chegou perto e se abaixou do lado da Kinsley e perguntou baixinho: "Kinsley, quem te falou isso?"
"Foi o Aiden."
A Trixie pensou um pouco, só para descobrir quem era o Aiden.
É o filho da Sra. Smith.
"O Aiden falou que o pai dele se divorciou depois de brigar com a mãe dele, e aí ele foi morar com a mãe. Todos os alunos da sala falaram que ele era um pirralho, e a Kinsley não quer ser um pirralha..."
A Kinsley começou a chorar quando se sentiu mal. A Trixie e o Daryl não sabiam o que fazer.
"Kinsley, não chora, a mamãe e o papai não brigaram, então a mamãe e o papai não vão se divorciar. A Kinsley é tão boazinha, como a mamãe e o papai vão se divorciar? Tudo bem, tudo bem, não chora, tá tudo bem."
A Trixie continuou explicando para a Kinsley que eles não vão se separar, ela continuou enxugando as lágrimas da Kinsley, e inesperadamente fez efeito.
A Kinsley só soluçava e parou de chorar.
O coração da Trixie derreteu com aqueles olhos cheios de lágrimas.
"A mamãe não mentiu pra mim?"
O Daryl emendou na hora: "Como a mamãe mentiria para a Kinsley? A mamãe e o papai vão levar a Kinsley para brincar nos finais de semana!"
Crianças são crianças, no fim das contas.
Tão logo a estratégia do mel do Daryl veio à tona, a Kinsley logo colocou a questão do divórcio para trás e conversou com a Trixie e o Daryl animadamente sobre onde brincar nos finais de semana.
Depois de botar a Kinsley para dormir, o Daryl foi tomar banho.
A Trixie estava na cama, mexendo no celular, sem ter o que fazer, até que ela chegou na conversa com o Frank e viu as informações de contato do Mike enviadas por ele. A ação de rolar a página parou.
Olhando para o Daryl, que ainda estava tomando banho no banheiro, ela adicionou o WeChat do Mike, e então largou o celular na cama, esperando o outro aceitar.
Com o passar do tempo, ela não ouviu o barulhinho de notificação do WeChat.
Naquele momento, o Daryl saiu do banheiro e sentou do lado da Trixie.
"A propósito, amor, eu vou para Nova York amanhã, e talvez eu só volte à noite."
A Trixie olhou para ele e perguntou calmamente: "Por que você vai fazer outra viagem a trabalho?"
"Não é uma viagem a trabalho." Reconhecendo o tom infeliz dela, o Daryl sorriu, abraçou ela e deu um beijo. "Para resolver algumas coisas, precisamos acertar as contas. Afinal, agora que as filiais foram listadas, não pode ter erros nas contas."
Ele ia para Nova York para fazer negócios. Se a Trixie não deixasse ele ir, ele acharia que ela não era compreensiva.
Em uma palavra, não importava se ele ia ou não.
Ela achou que Nova York era tão longe que a Trixie dirigiu por meia hora.
A Trixie estava absorvida na ideia quando o Daryl de repente a empurrou na cama.
Ela queria dizer alguma coisa, mas a boca dela foi selada pelo beijo do Daryl.
Depois de um tempo, ela se rendeu à habilidade do Daryl.
Ela tinha que dizer que o Daryl ainda a respeitava, parando depois que ele sentiu que ela realmente queria parar.
A Trixie acordou, já era a manhã seguinte.
Daryl já tinha levado a Kinsley para a escola e deixou um café da manhã na mesa para a Trixie.
A Trixie foi trabalhar depois do café da manhã como sempre. Então, depois de trabalhar a manhã toda, a mente dela estava meio desligada.
Às duas da tarde, a professora da escola ligou para a Trixie.
A Kinsley apanhou e machucou o braço.
Ao ouvir a notícia, a Trixie surtou de novo e correu para baixo. Ela nem teve tempo de pedir para sair pro Frank.
Quando ela chegou lá embaixo, ela estava ansiosa para pegar um táxi, mas não conseguiu depois de 10 ou 20 minutos.
Naquele momento, um Mercedes de negócios parou na frente dela e abaixou o vidro. O Frank estava lá dentro.
"Trixie? Por que você está aqui?"
"A Kinsley se machucou na escola, eu não consegui um carro..."
A Trixie estava quase chorando. Ela estava extremamente preocupada com o machucado da Kinsley. Ela ficou com tanto medo a vida toda?
Pela primeira vez, ela sentiu o coração parar.
"Entra no carro que eu te levo lá."
"Mas..."
"A Kinsley é importante, entra."
A Trixie também esqueceu que, no momento, não tinha nenhum carro.
Ela abriu a porta e sentou no banco do passageiro. O Frank dirigiu rápido e logo chegou na escola.
A Trixie e o Frank entraram correndo no escritório da professora juntos.
Tão logo ela entrou na porta, ela viu a Kinsley em lágrimas e o Aiden que abaixou a cabeça e não disse nada.
E a Sra. Smith, que estava sentada no sofá e não se importava.