Capítulo 50: Extremamente desapontado
O cérebro da Trixie estava em branco.
Olhando para a caixa da Okamoto na mão, ela não reagiu por um tempão.
Daryl viu que ela estava de cabeça baixa, então ele perguntou de boas: "Esposa, o que você está procurando?"
"Nada, o celular caiu."
Calmamente, a Trixie colocou a embalagem de volta, tocou nela de novo e depois tocou no celular no canto.
Ela fingiu estar calma e sentou no lugar dela, tentando controlar as emoções.
Daryl e ela nunca fizeram isso no carro, isso, ela tinha certeza.
Se a parada do relógio pode ser um mal-entendido mesmo, a caixa da Okamoto não dá pra negar. Imagina o Daryl fazendo esse tipo de coisa com uma gata no carro. A Trixie não conseguia aceitar de jeito nenhum.
Na minha mente, ela sentiu uma náusea do nada.
Mas, pra não ter nenhum mal-entendido, ela ainda fingiu perguntar pro Daryl de boa.
"Marido, você emprestou o carro pra alguém de novo?"
"Emprestei pro Rick. O carro dele foi pra revisão. Ele usou o meu primeiro quando foi pegar um cliente mais cedo."
O tom do Daryl tava calmo. Pelo retrovisor, a Trixie não viu nenhuma expressão estranha no rosto dele.
Será que foi mesmo o Rick que deixou isso lá?
Aquele líquido estranho, a embalagem da Okamoto...
Pensando que os dois estavam juntos, a Trixie ficou com raiva de repente. Ela sabia das paradas do Rick, mas, não importa como ele aprontasse, ele também devia saber o que é discrição, né? Com esse pensamento, a Trixie de repente olhou pro Daryl que tava dirigindo, com uma pontinha de dúvida no coração.
Em casa, o Daryl foi cozinhar como sempre e correu pra cozinha, tipo tentando fugir de alguma coisa.
Na visão da Trixie, ele tava meio culpado.
Aproveitando a brecha do Daryl cozinhando, a Trixie correu pro banheiro e ligou pro Rick pra perguntar sobre ter pego o carro emprestado.
"Alô? Que carro você pegou emprestado?"
O Rick obviamente fez uma cara de paisagem, o que fez o humor da Trixie despencar na hora.
"O Daryl falou que seu carro foi pra revisão e que usaram o dele pra levar uns clientes. É verdade?"
Mesmo que ela já tivesse mais ou menos sacado, a Trixie ainda teve a cara de pau de perguntar.
"Ah, é, é! Peguei o carro dele emprestado. Sabe como é, parada de trabalho. É melhor pra pegar os clientes. Cunhada, não se importa?"
"Não me importo se foi pra pegar clientes mesmo, mas é bom prestar atenção se fizer outra coisa."
As palavras da Trixie foram suaves. O Rick deu duas risadinhas e sacou na hora o que significava. Ele se desculpou com a Trixie rapidinho.
Ela desligou o telefone e ficou sentada no vaso por um tempinho, aí lembrou de uma parada e ligou pra Jessa.
Quando o telefone conectou, teve um barulho forte de água e uma voz de homem.
A Trixie corou na hora e percebeu que tava ligando numa hora errada.
Ela queria desligar, mas a Jessa de repente falou do outro lado.
"Por que você lembrou de me ligar agora, irmã?"
"Seu marido e o meu têm alguma parada? O Daryl falou que pegou o carro emprestado pra pegar uns clientes."
A Jessa de repente soltou uma risada, com uma zombaria na cara, "Clientes? Ele vai morrer por causa de uma mulher. Onde ele vai pegar um cliente?"
Depois de ouvir as palavras da Jessa, a Trixie ficou em silêncio.
Ela não acreditou na história do Rick, então ligou pra Jessa de novo pra confirmar.
Nessa situação, ela tava completamente fudida.
"Irmã, tem umas paradas que você não precisa levar pro coração. Pra homem, é raro eles não traírem, então você só precisa fazer vista grossa pro passado. Não é bom ser muito séria. E as suas paradas, no caso de vocês dois se divorciarem? E as crianças? Você não pode só focar no agora."
A Trixie apertou a mão, e a palma dela quase sangrou.
É fácil falar, qual mulher ia aguentar uma parada dessas?
Ela sabia que o Daryl tinha que socializar direto, sempre acompanhava esses clientes pra beber e ia pra várias paradas pra se divertir. Mas ela também sabia que o Daryl tinha noção. Ele é uma pessoa com limites, por isso ela acreditava nele toda hora. Ela não ligava pra as mulheres nos bares e pras garotas nas baladas, então ela não ligava pra as paradas.
No entanto, agora tinha uma mulher que tava tomando o lugar dela no coração do Daryl, pouco a pouco, expulsando ela aos poucos, e depois ocupando tudo no lugar dela, devagar.
Claro que ela não ia aguentar!
"Eu vou perguntar pra ele."
A Jessa suspirou, "Irmã, escuta sua irmã mais velha. Você não consegue achar nenhuma prova agora, e não adianta achar. Aguenta a bronca primeiro, pega ele transando com outra mulher e você mata dois coelhos com uma cajadada só. Quando você pegar ele, a vantagem vai ser sua. Que condições você não pode mencionar?"
A mão da Trixie na maçaneta escorregou e ela hesitou. Não tinha nada de errado com as palavras da Jessa.
Ela não conseguia pegar nenhuma prova concreta da infidelidade do Daryl agora. Se ela não pegar ele traindo com outras mulheres no flagra, não significa nada se ela só tiver provas. Ela vai brigar com ele como antes, o que não tem sentido.
"Entendi, obrigada, Jessa."
Desligando o telefone, a Trixie só sentiu um vazio no coração.
Ela não conseguia entender, se o Daryl realmente quisesse trair, ele podia só falar pra ela na lata. Eles podiam se divorciar depois de nove anos de sentimento. A Trixie não é uma pessoa sem noção, e não adianta ficar junto pra se separar depois de qualquer jeito.
Mas ele não queria se divorciar da Trixie e a traía toda hora.
Isso deixou a Trixie muito confusa.
"Esposa, você não tá se sentindo bem?"
Daryl de repente bateu na porta, o que assustou um pouco a Trixie.
Olhando pro celular, ela percebeu que tava no banheiro há meia hora.
Pra não deixar o Daryl sacar nada, ela respirou fundo, levantou e abriu a porta.
"Só uma diarreiazinha."
Ela inventou uma desculpa de leve pra despistar e depois saiu correndo do banheiro.
Até depois do jantar, o coração da Trixie ainda tava amargo.
Ela queria deixar claro pro Daryl na lata que ela tava muito cansada desse tipo de dia de adivinhação.
Depois de comer, a Trixie tava deitada sozinha na cama depois de fazer a Kinsley dormir, segurando a nota fiscal do relógio várias e várias vezes.
Daryl saiu do banheiro depois de tomar banho, enxugou a cabeça com uma toalha, sentou na beira da cama e olhou pras roupas da Trixie.
"Esposa, deixa eu te falar uma parada."
"O que foi?"
"A empresa teve uma parada temporária. Preciso ir numa viagem a trabalho."
A Trixie olhou direto nos olhos do Daryl, encarando ele um pouco culpada.
"Por que você tem que ir numa viagem a trabalho de novo?"
"Precisamos ir pros states, esse é um projeto com o Sr. Moore."
Daryl soltou um sorriso e tentou parecer natural, mas ele nunca ousou olhar a Trixie nos olhos.
A Trixie ficou em silêncio por um tempão e não respondeu. O Daryl achou que ela não tava feliz. Ele só queria agradar ela e viu ela balançar a cabeça.
"Já que você acha que é urgente, vai. Você vai ficar por lá uns dias? Posso tirar uma folga pra cuidar da Kinsley em casa."
Daryl fez uma pausa e percebeu que a Trixie não tava com dúvida nenhuma. Ele ficou muito feliz em abraçar ela.
"É só uns dois ou três dias. Vou dar o meu melhor pela minha esposa e voltar assim que possível, depois te levo pra fazer compras."
Daryl costumava dizer essas palavras pra fazer a Trixie feliz, mas naquele momento, a Trixie não ouviu nenhuma palavra.
Olhando pra a nota fiscal na mão, uma ideia veio na cabeça dela de repente.