Capítulo 11
GINA
Aquela noite foi perfeita. Os colegas deles já descobriram sobre o casamento que ia rolar. Os parceiros de trabalho ofereceram apertos de mão, abraços e votos de boa sorte ensurdecedores, mesmo que estivessem surpresos no começo, porque sabiam que ela e Ás eram tipo cão e gato, sempre implicando e brigando. Juiz Soler também topou oficializar o casamento deles. Brando Nicolas cancelou a reserva dele hoje à noite. O restaurante ia fechar quando Maryam chegou.
"Desculpa mesmo se cheguei agora. Fiquei presa na loja ontem e agora, com tanto trabalho, não consegui ir pra casa", Maryam explicou pra ela.
"Então você dormiu na loja?" ela perguntou pra Maryam na hora.
"Sim, querida, nunca consegui abrir mão do controle do meu negócio. Não importa quantas pessoas eu contrate pra tomar conta, eu ainda acompanho as coisas", Maryam disse, dando de ombros. "Tenho um monte de pedidos essa semana, e acho que vai ser o nosso melhor ano de todos. Mas tenho certeza que você tá mais interessada no que aconteceu com o Brando. Tô super preocupada com você, Gina, então tô aqui pra te dar um oi. Ele me disse que não esperava que você voltasse naquele dia. Na verdade, ele até pareceu que tava esperando por mim, em vez de você."
"Qual foi a reação dele quando eu não voltei? Ele ficou bravo?"
"Ele tava tenso, mas não foi grosso. Passamos uma hora juntos, depois cada um foi pro seu lado e ele não falou nada sobre você."
"Muito obrigada, Maryam."
Ela virou na direção do Ás, enquanto ele ainda tava conversando com o Juiz Soler. Ás agora virou pra elas, chegou perto delas e colocou o braço em volta dela. "Já contou pra Maryam?", Ás perguntou pra ela.
"Ainda não."
"Não me diga que vocês dois vão se casar", Maryam exclamou, olhando de um pro outro.
"Sim, Maryam. Vai ser um casamento pequeno, mas é claro que você tá convidada", ela disse e Maryam a abraçou.
Maryam também beijou Ás na bochecha. "Vou ficar mais feliz se o casamento de vocês for na minha casa", Maryam ofereceu. "Tenho um jardim grande em casa e também tenho uma sala de festas. Cabe cinquenta pessoas confortavelmente. É o suficiente?"
"Mas Mar--", Maryam interrompeu o que ela ia dizer.
"A menos que você vá fazer um casamento na igreja, aí, claro, vou esperar mais de cinquenta convidados."
Ela mal pensava que o casamento de conveniência deles não valia a pena em um lugar desses.
"Vou arranjar tudo pra vocês. Tudo o que vocês precisam fazer é aparecer. Me liga amanhã e a gente se encontra. Ah! Tô tão feliz pelos dois. Duas das minhas pessoas favoritas no mundo. Não vou aceitar um não como resposta."
Ela sentiu o Ás apertar a mão dela quando ela ia protestar mais. "Tudo bem... tudo bem", e ela só riu. "É por isso que você faz sucesso nos seus negócios, Maryam. Ahm... Maryam, você conhece o Juiz Soler? Ele vai oficializar o nosso casamento."
"Nós nos conhecemos bem", o Juiz disse pra elas. "Como vai, Maryam?"
"Muito bem, Johnny. E você?"
"Bem."
Ela observou a tensão surgindo entre os dois. A voz do Juiz era baixa, suave e relaxada. Mas os olhos dele tinham tanta intensidade enquanto ele encarava a Maryam. Ele notou que Maryam tava corando com os olhares do Juiz pra ela.
"Me liga, Gina. Preciso ir. Boa noite, Johnny."
"Se cuida, Maryam", respondeu o Juiz e Maryam saiu do restaurante.
Ele gosta dela, foi o que ela percebeu naquele momento, também com base na expressão do rosto do Juiz.
"Juiz Soler, obrigada de novo por concordar em casar a gente."
"É uma honra e um privilégio, minha querida", o Juiz respondeu pra ela, beijou-a na bochecha e apertou a mão do Ás. "Obrigado por me perguntarem." E o Juiz se despediu deles.
"Eu sei que o Juiz Soler gosta da Maryam", ela disse pro Ás assim que o Juiz saiu. "Sabe, Ás, isso é o que eu percebi sobre o Juiz Soler, que ele gosta da Maryam. Porque toda vez que eles comem juntos no restaurante, os olhos do Juiz estão sempre na Maryam."
"Não se mete com eles, Gina."
"Você também percebeu, Ás? Hmp... se eu sei que você também percebeu, você só não quer admitir."
"Tsc, não é da nossa conta, Gina."
Eles agora estavam indo pro vestiário deles pra se trocar.
"Gina, a partir de agora eu gostaria... ahm... vamos pra casa juntos e ir trabalhar juntos, se não for problema pra você?"
"Você é muito bom em mudar de assunto, Ás", ele só riu dela. "Mas claro, acho que seria ótimo... por que você tá hesitante em me perguntar, acha que eu não vou concordar? Sabe, mesmo que você não pergunte, cem e um por cento eu concordo."
"Eu sei que você vai concordar... tudo bem, a gente só se encontra no estacionamento", ele disse, e então eles entraram em um vestiário separado.
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ÁS
"Essa é mesmo a sua lista de convidados? Por que é tão pequena?", Gina reclamou com ele quando olhou o que tava escrito na lista de convidados dele.
Eles se sentaram a alguns passos de distância no sofá, enquanto bebiam vinho. "Se você só quiser poder adicionar isso, então tudo bem pra mim. Eu realmente não tenho nenhum convidado."
"Eu também. É só minha família e alguns parentes próximos, e depois meus amigos mais próximos da escola."
"E seus ex-namorados? Você não vai convidar nenhum deles?"
"Eu te falei antes, que eu não tive um relacionamento sério."
"Aqueles que te desvirginaram, você também não foi séria?"
Ele viu a Gina corar com a pergunta dele. "Achei que você não queria que a gente falasse sobre uma coisa dessas."
"Eu só tava pensando. Mas se você quiser que a gente fale sobre uma coisa dessas, então eu tô disposta a ouvir."
A Gina não falou mais nada. Ela ficou quieta por um momento.
"Esquece", e ele colocou a taça de vinho na mesa. "O que mais a gente precisa, Gina?"
"Ainda não decidimos a hora do casamento, mas já terminamos com as flores que vamos usar, uhm... e claro, o cardápio da comida", ela respondeu.
"Você não respondeu a minha primeira pergunta, Gina. Vou admitir, você realmente despertou minha curiosidade."
"O que você quer saber? Quantas vezes? Quão grande a--"
"Para!"
"--quer dizer, quão grandes são os pés deles."
"Engraçado."
"Bem, Ás, não sei que tipo de informação você tá procurando. Com base nos livros que li sobre sexo, foi de tirar o fôlego."
"Por que, você ainda não teve um clímax?"
"Claro que sim, eu também passei por isso", ela disse, e tomou um gole de vinho. "Também parece que sim."
Ele viu que o olhar da Gina já estava nele. "Sabe, Ás, não temos nada pra conversar, então sugiro que você abandone o assunto."
Ele queria nunca ter tocado no assunto com ela porque já estava chateado. Além disso, o corpo dele tava muito quente por causa da roupa da Gina. Ela agora tava usando uma camiseta fina e ele percebeu que ela não tava usando sutiã. Além disso, ele quase reconheceu esse momento como a última chance dele de desistir, o que certamente agradaria ao chefe dele. O chefe dele disse que era possível que ele fosse retirado da missão se ainda não houvesse progresso nas negociações com o Brando. Felizmente, ele finalmente concordou com o último, porque se não, ele estaria dizendo adeus à Gina.
Ele se levantou do sofá em que estava sentado e colocou a jaqueta de couro dele.
"Você vai embora? Achei que íamos conversar mais sobre o casamento", Gina disse.
Ele então se lembrou que recebeu sua última chance. Então ele pegou uma caixinha do bolso e entregou pra Gina.
"O que é isso?"
"Acho que você precisa usar um anel de noivado", ele disse e pegou uma das mãos da Gina. "Minha avó me deu isso. Eu disse que ia deixar minha noiva usar."
A Gina ficou chocada quando ele colocou um anel de diamante lapidado brilhante no dedo dela, cercado por safiras azuis profundas em forma de pétalas de margarida. "Ah, Ás."
Por um momento, os olhares deles se encontraram. "Ás, eu não posso... quero dizer, eu não posso aceitar isso", ela tirou o anel e devolveu pra ele.
"Por que não? É pra você."
"Mas--" ele interrompeu, porque sabia que a Gina ia rejeitar isso.
"Use isso, por favor."
Ele viu a Gina fechar os olhos e soltar uma respiração profunda. "Eu ficaria honrada se você ainda me deixasse usar isso, mesmo se--"
"Shh..." ele alcançou a mão esquerda dela, e então colocou o anel de novo no dedo dela, encontrando um encaixe perfeito.
A Gina só olhou pro anel que estava usando e o que ele viu nos olhos da garota parecia deixá-la muito feliz.
"Por que essa safira está presa à banda? Em vez de um diamante?", Gina perguntou curiosa.
"Ele me ama", ele respondeu.
"O que você disse?"
"Talvez você saiba disso, Gina, voltando aos seus dias de ensino fundamental, eu sei que você já sabe disso."
"Qual?"
"Lembra das pétalas das flores? Quando você tá a fim de alguém, você até fala, 'Ele me ama, ele não me ama'. Tem sete pétalas no total, então sempre vai acabar em 'Ele me ama.'"
"Uau! Que fofo. Seu avô é muito romântico. Mas acho que eu não sou a que merece usar isso."
"Você é uma mulher linda, Gina, e pra mim você merece usar isso."
Ele ficou lá na casa da Gina por até uma hora porque ainda estavam discutindo os detalhes do casamento deles. Ele também notou que a Gina sempre olhava pro anel que estava usando, então pensou em dar pra ela. Ele não tinha intenção de dar o anel pra ela porque sabia que o anel tem valor sentimental. Mas o pai dele insistiu que ele apenas desse pra Gina em vez de comprar um novo. Afinal, ele vai se casar com a Gina. A mulher por quem ele se sentia atraído além do físico. É só que ele não pode entrar em um relacionamento de verdade porque é um fardo pro trabalho dele. Não é difícil se apaixonar pela Gina, então ele tem medo de se aproximar da garota. Ele nunca pensou em ter uma família própria. Essa é uma das razões pelas quais ele foi designado pra esse trabalho, porque, além de ser um dos melhores agentes da agência, ele também não tinha apegos. Mas agora, ele tinha essa tal 'calcanhar de Aquiles' e o Brando Nicolas sabia disso.
Ele sabia que realmente havia dúvida nos olhos do Brando quando ele disse que ele e a Gina iam se casar. Embora, ele não tenha mais medo de que o Brando use a Gina pra a felicidade pessoal dele porque tudo o que ele sabe é que o Brando não tá saindo com uma mulher casada. Mesmo assim, ele ainda estava preocupado com o que poderia acontecer, porque sabia que o Brando ainda ia usá-la contra ele. É por isso que a Gina tinha que ser protegida, porque no momento em que o Brando descobrisse a identidade dele, ela seria a primeira que o Brando ia procurar. E ele nunca vai deixar isso acontecer.
Ele viu que a Gina tava bocejando, então pensou em deixá-la descansar. "Gina, acho que preciso ir agora."
Antes de ir, ele primeiro ajudou a Gina a guardar a comida que tinham comido. Enquanto a Gina ensaboava os pratos e copos, ele era quem enxaguava a louça.
"Você tá cansada?" Ele sussurrou perto do ouvido da garota.
"Uhm... sim, mas não consigo dormir logo depois do trabalho."
"Então o que mais você tá fazendo a essa hora?"
A Gina soltou uma respiração profunda, ele por sua vez se aproximou da garota e encontrou o olhar dela.
"Depende", Gina respondeu. "Às vezes eu costuro, ou talvez eu faça uma tarefa, às vezes eu também escrevo. Ás, eu já te contei sobre o artigo de revista que tô escrevendo?"
Ele não conseguia mais ouvir a última coisa que a Gina disse pra ele porque a atenção dele agora estava distraída pela visão na frente dele. "Você tá me deixando louco", ele disse sem pensar.
A Gina se aproximou dele e pressionou o corpo dela contra ele. "O que eu fiz?"
"Você tá me distraindo, porque você não tá usando sutiã. Sabe que é só pra isso que eu tô olhando a noite toda."
A Gina tocou nas duas bochechas dele e acariciou-as. "Então me beija."
Ele só balançou a cabeça.
"Vamos só praticar, Ás."
"Eu não preciso mais praticar, Gina, já tive bastante disso."
GINA
Ela odiava todas as mulheres que ele já tinha tocado. Beijado e agradado. Ela não aguenta isso. "Quero dizer, precisamos disso. E se o juiz disser 'agora você pode beijar a noiva', a gente não precisa mesmo se beijar? Talvez eu não saiba como corresponder aquele seu beijo."
"Não se preocupe, querida, eu sei o que vou fazer."
"Sabe, você é o homem mais forte que já conheci."
"Eu sou só um homem. Como qualquer outro homem."
"Então me mostre, só me toque por um minuto", ela disse sem hesitar. "Em algum lugar. Em qualquer lugar. Só por um minuto, por favor."
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