Capítulo 25
GINA
Ela tava super ansiosa pra ir pra casa. Ela acelerou o trampo dela pra caramba, pra poder ir pra casa logo. O marido dela tá de folga hoje, então, tipo, ele deve tá esperando por ela em casa.
Ah, o marido dela. Finalmente ela podia falar as palavras numa boa. Ela estacionou o carro na frente da casa dela e, assim que saiu do carro, já olhou pra dentro, pra ver se o marido dela já tava lá, porque tava mó estranho a casa tão silenciosa. Ela só sorriu com a ideia do que mais podia rolar entre eles hoje à noite. Mas ela acha que talvez seja melhor se ela chegar primeiro, pra poder se preparar pra essa noite. Finalmente, ela pode usar a camisola vermelha transparente que a Maryam deu pra ela de aniversário.
Muitas paradas passando pela cabeça dela agora. Que ela vai preparar um jantar à luz de velas pra deixar a noite mais romântica e também vai preparar vinho pra eles beberem.
Essa é a noite que ela tava esperando de verdade. A noite que ela finalmente pode chamar de ‘Noite de Núpcias’. E hoje à noite ela também vai falar pro Ás que ela ama ele.
ÁS
Ele tá sentado largado no sofá, pensando enquanto espera a Gina. Ele lembrou do que rolou entre eles hoje de manhã, então agora ele soltou um baita suspiro atrás do outro. Mas quando ele ouviu o sistema de alarme tocar por uns segundos, ele já sentou reto. Era sinal que a Gina tinha chegado.
"E aí! Como foi o trampo? Cansativo?" Ele falou na hora que a Gina entrou em casa.
"Me surpreendeu, Ás, você já tá aqui. Mas não, não tô cansada." Ela falou sorrindo. "Na real, quero tomar um banho. Cê quer vir comigo?"
Em vez de responder a Gina, ele virou as costas pra ela e saiu andando. Ele nem esperava que a Gina fosse seguir ele. Só o olhar cheio de esperança nos olhos dela, já tava botando fogo na culpa que já tava queimando o estômago dele, por isso ele não consegue encarar ela por muito tempo.
"Ás?" Ela chamou por ele.
Enfrenta ele, Ás, não seja cuzão. Aí ele virou pra encarar a Gina. "Que foi?"
"Que que tá pegando?"
Ele só ficou encarando a Gina e não sabia o que dizer. "Vamo sentar primeiro."
GINA
Ela tá confusa agora com o jeito do Ás, porque ela não esperava que o humor dele mudasse. "Tem alguma coisa de errado com o que eu falei?"
"Por que você veio pra casa mais cedo?" O Ás perguntou de novo.
"Não te falei que minha última matéria foi suspensa? Também vim pra casa com uma das minhas colegas. Te liguei, mas você não atendeu, então só te mandei uma mensagem pra você não ter o trabalho de me buscar."
"Eu tava pensando muito hoje de manhã. Então, esqueci de olhar meu celular."
"Eu sabia que você ia vir pra casa tomar banho depois de correr, então saquei que você recebeu minha mensagem. Também queria te falar uma parada..."
"Que foi?"
"Eu percebi um cara na escola hoje."
"Ele fez alguma coisa com você?"
A fúria na voz dele assustou ela. Então ela tentou acalmar ele. "Não. Só percebi ultimamente que tem um cara na escola que sempre me segue. Pra todo lugar que eu vou, ele tá lá e sempre me olhando. Por isso precisei sair do campus antes que ele pudesse me seguir até em casa."
O Ás passou a mão no rosto. Enquanto ela não conseguia decifrar a expressão dele.
"Não precisa me buscar na escola. Eu sei me defender. Já fiz aulas de defesa pessoal antes, então manjo um pouquinho de defesa."
"Okay. Você que sabe."
Ela se surpreendeu com a resposta rápida do Ás. Ela não esperava essa reação dele.
"Por que você demorou tanto pra colocar o código de segurança hoje de manhã?" O Ás perguntou de repente.
"Desde que a gente casou, eu quase não ligo o sistema de alarme. Fiquei totalmente em branco hoje de manhã, então esqueci o código. Era pra eu ter ido pela porta do banheiro, mas esqueci a chave aqui em casa. Então, só fui chutando seu código até acertar. O que eu não me liguei quando a porta abriu, foi que ia ter uma arma apontada pra minha cabeça. Você tem licença pra isso?"
"Uma permissão. Claro que tem."
O Ás ficou encarando ela, direto nos olhos. "Se aconteceu alguma coisa hoje, foi um erro."
Ela só se abraçou e contradisse o que ele falou. "Foi maravilhoso."
"Mas isso ainda é um erro."
"Talvez, pra você. Mas pra mim, não."
Ela viu que ele coçou a cabeça. "Não vou me desculpar. Eu fui o responsável. A culpa é toda minha."
"Bem, você sabe, Ás," ela falou e ficou encarando ele. "Eu não fiz nada naquela hora pra te atrair, e não te forcei."
"Gina, eu não queria--"
"Que merda, Ás. Pela primeira vez -- talvez, talvez eu acredite que você não queria mesmo. E vou te perdoar porque a gente só se deixou levar pelo calor do momento da primeira vez. Mas você fez amor comigo pela segunda vez. Isso foi calculado. Porque você teve tempo de pensar."
"Você tá certa."
Ela chegou mais perto do Ás enquanto a boca dela tremia. "E agora?"
"Agora, vamo voltar de onde a gente começou." Ele respondeu.
Ela não falou nada e, em vez disso, só soltou uma gargalhada.
"Gina, eu sei que é muita coisa pra pedir, porque sei que você não me entende."
"Você tá certo, e manda ver e me explica o que rolou. Só garante que a última coisa que eu quero ouvir são suas desculpas furadas. Então, isso ia ser uma experiência f*da?" Ela falou com a sobrancelha levantada. 'Colocar a culpa não vai ajudar. Eu também tenho que aceitar um pouco da culpa porque eu tinha expectativas que não combinavam com as suas. Não é só sua culpa. Agora, tem uma ponte entre nós dois. Mas, às vezes, a gente vai ter que atravessá-la ou queimá-la."
Foi como se ela estivesse com dor de garganta quando falou isso. Droga dele. Droga dele. Mas ela amava ele. Ela amava demais esse cara insensível. Ela ama ele mesmo que não consiga entender ele. E ainda amava ele mesmo que ele se arrependesse do que rolou entre eles. Porque ele acreditava nas regras pra evitar o caos, por isso se convenceu que tava fazendo a coisa certa.
O que ela sentia agora era a dor da rejeição. Porque ela percebeu que a pessoa que ela mais ama é a pessoa mais difícil de amar.
"Então," ela falou com uma animação falsa. "Amanhã a gente começa de novo."
"Isso é um baita favor pra mim, Gina."
"É! Sou uma mulher f*da, amorzinho."
Ela tava quase virando as costas pro Ás quando de repente lembrou de uma coisa. "Por que você tava com uma arma mais cedo? Quem você esperava que viesse?"
"Na real, não esperava que você chegasse. Achei que era um ladrão."
Ela ficou magoada com o que o Ás falou pra ela, mas no fundo dos olhos dele ela viu pedido de desculpa e dor também. O vislumbre da alma dele confortou ela, e deu esperança.
Você não faz ideia, Ás Roderick Durant III. Que eu sou a melhor coisa que aconteceu pra você. E eu nunca vou desistir de você.
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