Capítulo 42
Terceira Pessoa POV
Felicity voltou pro quarto dele e procurou logo o celular na bolsa. Quando achou, discou um número na hora, e depois de uns toques, alguém que parecia ter acabado de acordar atendeu.
"Cê tá ocupado hoje?" Felicity perguntou, não queria perder tempo e já queria ir direto pro motivo de ter ligado.
"N-não, hoje não. Tô planejando visitar meus sobrinhos — mas isso pode esperar até a tarde", Quintin respondeu, dando uma esticada antes de sentar na beira da cama e ver as horas no relógio.
"Ah, beleza." Felicity suspirou. "A Elyana vai pro shopping hoje. Agora que a gente finalmente confirmou que o Lucas tá perseguindo ela, não dá pra garantir a segurança dela", continuou o cupido moderno.
"Relaxa, eu conheço uns caras que podem ajudar a gente a deixar ela segura", Quintin garantiu.
"Vou deixar por tua conta então. Me mantém atualizado. Vou estar no meu escritório", Felicity respondeu, e desligou a ligação assim que ouviu a última resposta do Quintin.
Quintin esfregou o rosto com as duas mãos. Ele tava frustrado, mas não porque o Felicity tinha pedido um favor. O ex-marido da Elyana e o tal rival dele desde então tava dando nos nervos dele.
Uns planos vieram na cabeça dele sobre o que seria bom fazer, e a primeira coisa era pegar o cachorro dele e fazer ele confessar as intenções deles de porque tavam seguindo a Elyana.
Ele foi direto pro banheiro e tirou a cueca box antes de entrar no chuveiro. A mente dele tava cheia de ideias e pesando qual era a melhor ação entre elas, porque a raiva dele do Lucas tava comendo toda a paciência dele, dando a ele a ideia de um soco na cara pra ele parar de encher o saco da Elyana.
Enquanto a água caía no corpo dele, ele tomou um choque porque esqueceu de ligar o aquecedor. A água fria que caiu chocou todos os nervos dele. Ele admitiu que foi uma baita ajuda. O espírito dele todo foi sacudido e ele conseguiu pensar direito.
Depois daquele banho rápido, ele vestiu umas roupas confortáveis. Não as típicas roupas de escritório de paletó e gravata. Ele tinha certeza que aquele dia ia ser cansativo pra ele e não queria manchar nenhum dos paletós caros dele se acontecesse alguma coisa.
Ele tava pronto e preparado pra sair. Ele saiu do quarto só com o celular, as chaves do carro e a carteira. O cabelo dele ainda tava molhado, mas ele deixou pra lá porque ia secar fácil. Afinal, o novo penteado dele era ralo e quase careca, mas não muito diferente do corte de cabelo antigo dele.
"Bom dia, Pai!" Quintin esbarrou sem querer no pai dele quando saiu do quarto.
O senhor não conseguiu evitar a surpresa de ver o filho acordado e vestido naquela hora.
"Bom dia", o pai dele respondeu, franzindo a testa pra ele.
Os olhos do pai dele foram da cabeça aos pés dele, observando tudo e concluindo que o Quintin tinha algo muito importante pra aparecer na frente dele naquela manhã.
Ele tinha certeza que ele não ia correr ou pra academia porque ele tava de calça jeans e uma camiseta simples vinho.
"Aonde cê tá indo tão cedo, rapaz?" o senhor perguntou. Com medo de que o Quintin já fosse embora e ele não conseguisse perguntar pra onde ele tava indo.
"Vou encontrar alguém." Quintin respondeu formalmente, que tava colocando a carteira no bolso de trás quando o pai dele falou e ele foi interrompido.
O velho curiosamente se aproximou. A palavra alguém fez ele sorrir secretamente enquanto concluía que tinha uma grande chance de ser uma mulher.
"Tão cedo?" O velho Generoso tentou esconder a animação ao máximo.
"Sim", Quintin respondeu, acompanhado de um aceno de cabeça, mas quando ele testemunhou o quanto a expressão no rosto do pai dele mudou de séria pra extasiada, a testa dele enrugou.
"Cê tá namorando mesmo agora, filho? Cê vai me dar muitos netos logo?" ele perguntou em rápida sucessão. A alegria era evidente no tom de voz dele, fazendo o Quintin quase rir da aparição entusiasmada do pai dele.
Ele não conseguiu evitar, mas sentiu pena dele porque o que ele ia dizer ia com certeza matar o bom humor.
"Desculpa decepcionar, Pa, mas ela é só minha amiga." Como esperado, os ombros do senhor caíram rápido com o que o Quintin disse. Ele não disse uma palavra e passou por ele como um zumbi sem se importar de olhar pra trás de novo, falando que o filho dele era um idiota.
Quintin só coçou a cabeça enquanto ele corria pra se livrar até do menor vestígio de tristeza e frustração que ele tava sentindo, colocando o braço dele no ombro do pai e colocando o lábio dele perto o suficiente do ouvido do pai dele.
"Não se preocupa, Pa, eu já encontrei a certa. Não essa que eu vou encontrar, mas depois — eu vou te apresentar pra ela", ele sussurrou, no entanto, o senhor não acreditou nele.
"Só vou acreditar quando ela estiver mesmo na minha frente, Quintin", o velho disse, tirando o braço do filho do ombro dele e continuando no ritmo dele.
"Ah não, o velho tá emburrado!" Quintin gritou, zoando. Ele não tava esperando que o pai dele levasse aquilo a sério.
O pai dele ouviu o que ele gritou, ele virou pra encarar ele, parecendo mais sério naquele momento. A decepção ainda era evidente nos olhos dele. Ele queria desistir de dar sermão no filho por um bom tempo, mas ele tinha medo de ficar velho sozinho sem experimentar o tipo de amor que ele tinha compartilhado com a falecida esposa dele.
"Mesmo que eu seja velho, pelo menos eu fui leal pra tua mãe, e diferente de você, que tá quase virando idoso em alguns anos, e ainda, você não levou nenhuma mulher a sério em toda essa sua vida triste!" Quintin achou as palavras do pai dele ofensivas e com isso — ele não tinha terminado ainda.
"Eu senti amor de verdade de uma mulher de verdade. Eu não brinquei com o coração de ninguém. Tua mãe era única em um milhão, Quintin, e o que eu só quero é que você encontre alguém que te ame do mesmo jeito—" O velho de repente ficou emocionado nessa parte, e por isso ele decidiu cortar o discurso dele, deixando o Quintin em profundo silêncio.
Quintin se sentiu derrotado. As palavras do pai dele — embora não fossem pra ofender — sempre cortavam ele e o deixavam sem palavras.
Ele soltou um longo suspiro enquanto assistia o velho sumir da vista dele. Ele foi embora antes de ficar preso no trânsito. O shopping onde a Elyana ia ia era um pouco longe da casa deles.
Enquanto tava na estrada, Quintin lembrou o que ele pretendia fazer naquele dia. Ele perdeu a cabeça por causa do pai dele. Ele ligou pra um número usando o comando de voz no carro de alta tecnologia dele e um amigo de confiança atendeu.
"Preciso de uns caras teus, cara." Ele não hesitou mais e falou direto pro amigo o que ele queria.
"Faz tempo! Quantos cê precisa?"
"Só preciso de dois", Quintin respondeu rápido.
"Dia de caça hoje? Quem é esse cara te irritando?"
"Só um velho amigo. Vou te contar em detalhes quando eu visitar", Quintin respondeu.
"Parece emocionante! Posso ir também? Tá chato ultimamente; ninguém faz meu sangue ferver—"
"O que cê disse? Cê quer que eu te cozinhe vivo?" Quintin ouviu a voz irritada de uma mulher no fundo, fazendo a pessoa com quem o Quintin tava falando se retratar rápido com o que ele tinha dito e os dois só riram.
"Valeu, cara. Talvez da próxima vez cê possa ir com a gente", Quintin disse pra ele depois de rir com ele.
"Qualquer hora! E vou ficar na expectativa", a pessoa na outra linha respondeu.
Quando Quintin desligou a ligação, os pensamentos do Quintin voltaram pra Elyana. Ele conseguia entender o quão preocupado o Felicity tava depois de saber que a melhor amiga dele tava sendo perseguida pelo ex-marido dela. Isso frustrava os dois porque a Elyana tava indo bem ultimamente.
Ele não deveria mais se importar com o que a Elyana fazia diariamente, ou quem eram os acompanhantes dela e pra onde ela tava indo. Pra ele testemunhar o que a Elyana tinha passado — ele não aguentava ver aquele cara machucá-la de novo, especialmente se tivesse algo que pudesse ser feito pra impedir qualquer que fosse o propósito verdadeiro disso.
"No nosso cadáver, Wilhelm", ele murmurou enquanto apertava o volante e pisava no acelerador.