Capítulo 59
Diane deu um pulinho. Ela fez a assustada, abaixando a cabeça e se afastando do Lucas, que tava puto. Contou até três em silêncio e, pronto, as lágrimas começaram a rolar pela bochecha, e ela foi pra cima dele de novo.
— P-por que você não consegue me amar, Lucas? — ela perguntou, levantando a cabeça devagar pra mostrar as lágrimas de crocodilo, mas tava mó mal mesmo pelo mesmo motivo que tava questionando ele.
Lucas não conseguia amar ela. Dava pra ver nos olhos dele a pira que ele tinha por ela. O jeito que ele fechava o punho e rangia os dentes.
Ela já tinha feito de tudo pra ele amar ela. Mudou o corpo pra ser a mulher perfeita que os homens iam adorar, e dava pra ele aquele tipo de pegação na cama que a Elyana nunca ia tentar por causa da modéstia dela, mas o Lucas continuava escolhendo ela.
Lágrimas de verdade, de dor, desceram pelas bochechas dela, mas o Lucas não sentiu a menor pena dela; em vez disso, ele deu pra ela um olhar afiado que fez a Diane se arrepiar toda.
A Diane sentiu que fazer drama não ia fazer ele mudar de ideia; ela pensou em outra forma, e já foi ajoelhando na frente dele.
— P-por que, Lucas? Por que você não consegue me amar? — ela estendeu a mão pra pegar na mão dele, mas ele ainda tava com a mão fechada; só que o Lucas puxou a mão pra longe na hora, antes que ela pudesse encostar nele.
— Deixa eu te fazer a mesma pergunta. Por que você não consegue me desamar, Diane? — A voz do Lucas tava cheia de nojo. A Diane sentiu isso em cada palavra, e elas foram como adagas fincando no coração dela, que já tava doendo.
— Você já sabia antes que eu não ia conseguir te amar, mas por que você não quer parar? Eu fui claro que meu coração só pertence à Elyana, mas por que você não quer deixar a gente em paz? — O Lucas continuou no mesmo tom.
A Diane ficou sem palavras. Sim, ela sabia de tudo isso, mas o coração dela não queria ouvir. Ela só queria ele; nada ia substituir ele.
As lágrimas dela continuaram caindo. Naquele momento, ela sabia, lá no fundo, que não era mais atuação. Ela tava sofrendo de verdade.
— Amigos se apoiam, pelo que eu sei, mas você me chantageou e destruiu minha vida porque você é egoísta! Eu fui claro que não sinto nada por você, Diane. Por anos — por tantas vezes eu te falei, Diane, mas você não tava nem aí! — ele fez uma pausa.
O Lucas aproveitou o silêncio dela pra soltar tudo que ele queria falar pra ela. Coisas que ele tava morrendo de vontade de perguntar e dizer há muito tempo, que ele guardava dentro de si porque não tinha forças na época, mas a raiva dele já tava tomando conta, e ninguém conseguia parar mais.
— Eu tava feliz com a minha vida — com a minha esposa. Eu sabia que não era perfeito como marido pra ela, mas ela ainda escolheu ficar do meu lado, até você me enganar. Você me fez ser tão idiota! — O Lucas explodiu.
O peito dele tava mó pesado. Ele queria gritar e quebrar alguma coisa, mas preferiu manter a calma em vez de fazer algo que ele ia se arrepender depois.
Ele tentou se acalmar antes de continuar, e depois de uns segundos, ele falou: — Você faz ideia de como eu me arrependo do dia em que eu concordei com o seu plano? Você me manipulou e usou aquela oportunidade, e toda vez que eu lembro daquele momento, eu sinto nojo e me desprezo! — O Lucas não conseguiu segurar.
A Diane levantou a cabeça depois de ouvir as palavras do Lucas, mordendo o lábio inferior pra não tremer o queixo. Na hora, o Lucas se afastou dela. Ela viu o Lucas indo embora, mas ele parou quando viu uma foto pendurada na parede.
Era o Lucas e a Diane. A Diane tava abraçando ele, e pelo que ele se lembrava, foi tirada numa festa na piscina. Eles ainda eram bons amigos na época, e ele não tinha conhecido a Elyana.
Ele balançou a cabeça quando lembrou daqueles tempos felizes e divertidos, mas percebeu que não conhecia a pessoa que ele considerava um dos seus melhores amigos.
O Lucas ficou irritado depois de olhar pra foto por um segundo. O ódio que ele sentia pela Diane voltou, e ele pegou a moldura e jogou na parede. A Diane se assustou com o vidro quebrando, mas o que mais assustou ela foi quando ele veio pra cima dela.
O Lucas pegou ela pelo queixo. Ele levantou a cabeça dela com força pra ela olhar nos olhos dele.
— É você que trouxe o inferno pra minha vida. Eu sei que você sabe que eu vim ver a Elyana pra tentar reconquistá-la, e mesmo que ela já tenha dito não, eu ainda vou tentar e tentar até ela voltar pra mim — ele falou, firme. — Então, tenta machucar ela, e eu não vou pensar duas vezes em te dar o troco em triplo — ele avisou, antes de largar a cara dela.
A Diane congelou. Foi a primeira vez que ela viu ele tão furioso. Ela ficou de joelhos enquanto via o homem indo embora pela porta.
Quando ele sumiu de vez, um sorriso começou a se formar no canto dos lábios da Diane. Ela enxugou as lágrimas e levantou.
— A gente não acabou, Elyana — ela falou, com dor, tentando se equilibrar.
A Diane foi até a moldura da foto quebrada no chão. Ela pegou e sacudiu pra tentar tirar os pedaços de vidro. Ela olhou pro Lucas e falou: — Você acha que pode escapar de mim assim?
Um sorriso diabólico apareceu nos lábios dela. Ela colocou a moldura quebrada na mesa de centro antes de ir pro quarto. Ela pegou uma bolsa preta e tirou um vidro laranja cheio de pílulas pequenas e redondas.
A Diane tomou dois comprimidos pra engolir, mas parou no meio. Ela entrou no banheiro, ainda segurando o vidro de remédio, e jogou as duas pílulas na privada, antes de jogar o resto do remédio no mesmo lugar.
— Eu não preciso mais disso — ela murmurou, apertando um botão na lateral da privada pra dar descarga nos remédios que estavam flutuando.
A Diane ouviu o toque do celular dela enquanto tava no banheiro, mas pareceu não se importar. O telefone parou de tocar depois de um tempo, e a pessoa que tava esperando do outro lado não discou o mesmo número de novo e ligou pra outro número.
O Lucas já tava dentro do elevador, descendo pro saguão. O celular dele começou a tocar. Quando ele pegou pra ver quem tava ligando, descobriu que era o pai da Diane.
Ele atendeu na hora, e o homem começou a falar sem esperar pra dar um oi.
— Você achou ela? — ele perguntou pro Lucas.
— Sim, ela ainda tá no quarto do hotel — ele respondeu, e depois de ter essa confirmação, o pai da Diane desligou a ligação na hora.
As sobrancelhas do Lucas se juntaram. O médico parecia estar com pressa, e ele conseguia ouvir várias pessoas no fundo. Quando ele chegou na área do estacionamento e entrou no carro, ele tirou um tempinho pra pensar e acalmar a mente.
Ainda era Natal, e ele tava pensando pra onde ir. Se ia pra casa do pai dele primeiro ou pra da mãe dele, que tinha se mudado pra uma casa diferente depois de decidir pedir liberdade pro marido.
Ele tava pretendendo ir direto pra casa da mãe dele e não pra casa grande do pai dele, onde ele sabia que a única pergunta que ele ia fazer era como foi o evento ou quantos empresários que ele encontrou estavam dispostos a fazer negócio com eles.
Ia ser muito melhor na casa nova da mãe dele porque, mesmo que fossem só os dois e o espaço fosse bem menor do que na casa do pai dele, era quieto e parecia mais com um lar.
Enquanto ele tava na estrada, uma ambulância parou na entrada do hotel, onde a Diane tava. Depois de um tempo, um carro particular seguiu, e quem tava dirigindo era o pai da Diane.