Capítulo 22
Sexta chegou, e Felix me levou de volta pro meu hotel. Ele falou que eu não precisava ir pro trampo nos próximos dois dias. Ou, pra dizer de outro jeito, eu não preciso ser boazinha perto do Pretzel por dois dias, porra. Felix anunciou que ia voltar pra casa no fim de semana, e por causa disso, Felicity não podia ir embora ainda, porque ninguém ia cuidar daquela grávida chata enquanto ele estivesse fora.
Trabalhar tava sendo exaustivo, mas valia a pena pra passar tempo com minha melhor amiga. Ele me fazia rir com as palavras e expressões dele, mas eu ficava irritada na hora que via Pretzel olhando pra gente – toda vez que ela ria com a gente.
Ela fazia minha criança interior levantar a sobrancelha. Ela era legal comigo, mas a presença dela me irritava tanto, e eu odiava como os gêmeos se preocupavam com ela sempre que ela tava com vontade de comer alguma coisa.
Eu queria puxar o cabelo dela e empurrar ela, mas não podia. Uff!
Chegamos no hotel umas 20h. Eu tava quase indo embora quando ouvi a música alta por perto. Lembrei que ia ter festa na área da piscina porque era sexta, e sorri quando uma ideia veio na minha cabeça.
"E aí, Felix! Já que não tem trabalho amanhã, por que a gente não toma uns drinks? Só uns shots?" Eu sugeri. Ele virou a cabeça rápido pra me encarar, e, sinceramente, eu não curti o jeito que ele tava me olhando.
O sorriso nos meus lábios sumiu na hora, na hora. "Tudo bem se você não curtir essa ideia; acho que você ainda não confia em mim e não me vê como amiga. Obrigado por me trazer de volta aqui," eu falei cabisbaixa.
Não era mais atuação. Eu tava mal porque parecia que minha imagem na cabeça dele era muito negativa. Saí do Jeep e não olhei pra trás. Ele me deixou brava de novo, e Pretzel era a culpada. Os olhos e a mente dele sempre estavam nela, mas ele nem conseguia dizer se amava ela.
"Eii!" alguém gritou, mas eu não tava no clima pra falar com ninguém naquela hora. Eu fui direto, com a cabeça um pouco baixa, porque não queria que ninguém visse aquela tristeza na minha cara, e quando eu tava a poucos passos da entrada do hotel, alguém bloqueou meu caminho.
A roupa era familiar, e quando levantei a cabeça pra ver quem era, fiquei surpresa ao ver Felix na minha frente.
"Vem, vamos tomar uns drinks," ele disse. "Sem bebida forte, só cerveja," ele falou, passando por mim.
"Eu achei—" Eu pausei. O que eu ia falar naquela hora não importava mais. Ele já tinha concordado, e com isso, meu rosto se iluminou.
Levei ele pro bar na área da piscina, e igual na sexta passada, tinha um monte de gente. Uma mistura de locais e gringos.
"Duas garrafas de cerveja gelada, por favor," eu pedi pro bartender quando chegamos perto do balcão da ilha.
O bartender que veio nos atender ficou surpreso quando ouviu o que eu pedi. Não era o que eu costumava pedir quando ia beber lá. Quase toda noite, quando eu não conseguia dormir, eu pedia pro mesmo bartender que eu sempre encontrava fazer alguma coisa pra mim beber.
Principalmente drinks e vinho, mas quando eu queria alguma coisa forte pra dormir, eu pedia rum.
Eu nunca fui de beber, mas quando me casei com Lucas, que curte várias bebidas alcoólicas, ele me deixou experimentar cada garrafa de vinho e licor que ele colocava no copo dele. Às vezes, só a gente, bebendo até cair e dormindo abraçados.
Que boas lembranças, né? Eu não fazia ideia que a prova de vez em quando de bebida tinha aumentado minha tolerância ao álcool.
Lucas — Lucas, que eu percebi depois que me ensinou um monte de coisas negativas. Talvez fosse assim mesmo; a gente só percebe as coisas tarde e processa aos poucos, quando começa a abrir os olhos pra verdade que por muito tempo as mentiras cobriram.
Engraçado, mas é verdade.
Voltei a mim quando nos deram um copo pra cada. O bartender começou a colocar a cerveja gelada na nossa frente. Eu vi a garrafa; tinha um cavalo.
"Essa não vai dar um chute na gente, né?" Eu perguntei brincando pra ele, enquanto assistia ele servindo a gente.
"Não, senhora, eu garanto," o bartender respondeu.
"Só perguntando, pra você saber quando vai ter que nos buscar," eu respondi, e isso fez ele rir.
Eu fiquei olhando Felix beber do copo pra ver qual ia ser a reação dele. Nada mudou na expressão facial dele. Era como se ele estivesse só bebendo água. Por isso, eu dei um gole pra descobrir o gosto, porque eu nunca tinha provado aquela marca de cerveja ainda.
Depois de um gole, eu fiquei impressionada. Não era tão amarga quanto eu pensei. Era doce, e eu nunca imaginei que uma cerveja local fosse algo que eu fosse gostar. O efeito era fraco; não me pegou nem um pouco.
Aos poucos, Felix respondeu aos assuntos aleatórios que eu comecei, principalmente sobre como eu era burra e o irmão gêmeo dele quando a gente era criança. Eu era do tipo encrenqueira antes. A gente amava pregar peças nas pessoas naquela época.
Eu tentei curtir aquele momento porque Felix tava legal comigo. Descobri que Felix cobria Felicity várias vezes pra o pai deles não ficar bravo com ele. Que fofo da parte dele.
"Eu não acredito que você fez essas coisas só pela sua gêmea," eu falei quando ele mencionou que a primeira vez foi quando Felicity deixou batom no banco do carro, uma vez que o pai deles deixou eles na escola.
"Eu não acreditei em mim mesmo; eu fiz isso não só uma vez! Eu não sei porque ele era tão descuidado. Ele tava tentando esconder as coisas, mas quanto mais ele tentava, mais ele deixava rastros," ele falou, rindo.
Eu tava conquistando o coração dela aos poucos. Eu não queria forçar e possivelmente ficar brava com ele de novo. Eu sempre me divertia quando Felix sorria, e toda vez que eu ouvia ele rir, era como uma experiência nova pros meus olhos e ouvidos, e eu não conseguia parar.
Eu tava tão ansiosa pra fazer pra ele as mesmas perguntas que eu tinha feito antes. Curiosamente, tava me matando por dentro saber o que ele pensa do Pretzel.
Depois de alguns minutos, eu encontrei o momento perfeito. Aproveitei a chance. "Eu tô impressionada com as conquistas do Pretzel com tão pouca idade." Eu elogiei ela primeiro, porque ela era nosso assunto.
"Sim, ela é incrível do jeito dela. Ela tava pronta pra ser uma velha quando eu conheci ela, mas eu mudei isso," ele falou, e eu notei um sorriso estranho nos lábios dele, e foi isso—
"Você gosta dela?" Tava quase inaudível, mas eu sabia que era o suficiente pra ele ouvir, mesmo com o barulho em volta da gente.
"Sim, eu gosto dela como pessoa, por ser legal com todo mundo ao redor dela; quem não gostaria?" Eu fiquei surpresa com a resposta rápida dele.
"E o que vai além?" Eu continuei.
"Até onde além?""Além, tipo, maior que isso—se você a ama ou se você só se importa com o bebê?" eu esclareci.
Ele suspirou e virou pra me encarar depois de um breve momento de silêncio. "Você não me perguntou isso antes?"
"S-Sim, mas você não respondeu," eu respondi, gaguejando. Eu tava com tanto medo dele ficar bravo de novo que desviei o olhar e só fixei meus olhos em um dos bartenders, que tava se exibindo jogando garrafas no ar na frente de uma linda moça.
"Eu sei que não, mas eu tenho uma resposta agora," ele disse, e eu rapidamente voltei o olhar pra ele.
Ele se curvou um pouco pra olhar pro copo na frente dele. Pegou e bebeu até a última gota, e enquanto ele tava colocando o copo vazio, eu recebi a resposta pra minha pergunta.
Eu tava certa — ele ama ela demais.
Ele se despediu, deixando uma nota de papel debaixo do copo pra pagar nossa bebida. Eu só balancei a cabeça e não levei ele pra fora, porque eu não tava mais no clima de andar com ele. Ele nem me perguntou se eu tava bem ou o que eu tinha pra dizer.
Eu bebi a metade da cerveja que sobrou no copo. Tava difícil respirar, como se alguma coisa estivesse bloqueando minha garganta e me sufocando. Pedi outra bebida, mas dessa vez, forte. Uma bebida foi seguida por outra, e assim por diante.
Eu não contei mais quantas foram; ficou por conta do bartender controlar quantas e cobrar no meu nome.
Acordei no meu quarto na manhã seguinte. Eu não fazia ideia de como cheguei lá no meu quarto. Minha cabeça tava pesada, e tudo em volta tava girando de tontura. Tentei levantar, mas caí de volta na cama.
Eu não conseguia me mexer. Fechei os olhos e voltei a dormir, esperando que a tontura passasse. Quando abri os olhos, já era meio-dia, e aquelas últimas palavras que ouvi de Felix antes dele ir embora estavam passando na minha cabeça.
Naquela noite, eu fiquei magoada, mas na manhã seguinte, foi substituído por raiva. "Que vaca!" Eu gritei, segurando minha cabeça com as duas mãos pra dar um pouco de equilíbrio.
Tentei sentar. Peguei os travesseiros do meu lado e joguei no chão. Eu não sabia onde colocar toda a raiva que eu tinha dentro do meu peito, e a dor de cabeça piorou tudo.
"Eu não vou mais ser legal com você!" Eu gritei tão alto enquanto pensava no Pretzel.