Capítulo 64
POV da Elyana
Era Natal, mas eu tava triste, mesmo todo mundo parecendo estar se divertindo. Tava esperando ver o Felicity, mas ele vazou do nada. Tentei me misturar e acompanhar a vibe deles, mas não consegui porque eles tavam discutindo sobre vida de casados e como criar um filho direito.
Os assuntos que eles tavam falando me deixaram deslocada, por isso só fiquei ouvindo e sorrindo sempre que eles viravam a cabeça pra mim. Mas, pensei que talvez aprendesse umas dicas úteis pra usar no futuro, só que a tristeza dentro do meu coração por não receber nenhum abraço do meu melhor amigo foi algo que me quebrou.
Fiquei feliz que tinha crianças por perto naquela hora. O filho do Felix e do Pretzel estavam lá, assim como o caçula da Lea, os dois dentro de um berço enorme.
Quando o assunto foi pro casamento do Felix e do Pretzel, eu cheguei perto das crianças e agi, peguei o brinquedo que saiu do berço pra dar pra elas de volta.
Deixei as crianças me distraírem enquanto eles faziam uma reunião. Eles tavam falando das coisas que queriam trocar e meus pais tavam todo mundo lá ajudando, dando conselhos e oferecendo ajuda.
Sabia que não precisavam de mim ali, por isso escolhi ir embora. Puxei uma cadeira e sentei do lado do berço e tentei brincar com eles, quando de repente vi o Felix fazendo um gesto com a mão.
Fiz uma careta porque não consegui entender o que ele tava tentando me dizer. Ele tava apontando com a outra mão pra direção onde eles foram, enquanto a outra mão segurava a mão do noivo dele, mas quando pensei no irmão dele, meu coração pulou de animação.
Corri pra onde o Felix apontou e logo depois de entrar na porta, vi meu melhor amigo parado no canto, segurando um pires com lasanha e olhando pra longe.
'Que saudade dessa b*tch!' pensei. Achei que ele nunca mais ia voltar naquele dia e que ia passar o Natal trabalhando.
Cheguei mais perto. Quando ele percebeu que eu tava perto, ele de repente endireitou e notei como ele pareceu entrar em pânico.
Queria pensar que talvez ele não esperasse me ver, mas pelo jeito que ele reagiu, parecia ser outra coisa quando ele de repente desviou o olhar e colocou a comida inacabada em cima do balcão.
Engoli em seco e tentei apagar alguns pensamentos da minha cabeça. Nervosismo e o medo do Felicity virar as costas pra mim me atingiram.
"Feliz Natal!" eu o cumprimentei em voz alta; até minha voz quase falhou naquela hora.
Queria abraçá-lo, mas antes que eu pudesse fazer isso, ele se afastou e pegou o pires pra dar pra uma empregada. Fiquei alarmada que ele já estivesse indo embora. Pensei no meu presente e usei isso pra pará-lo.
"Espera, melhor amigo! Vou te dar meu presente!" falei relutante. Fui rapidinho pra sala, onde deixei, e voltei segurando um presente de tamanho médio, embrulhado com uma fita rosa fúcsia grande em cima.
"Toma! Feliz Natal!" sorri de orelha a orelha enquanto entregava pra ele. Sabia que ele ia amar o que eu tinha comprado, mas aquele sorriso nos meus lábios sumiu quando a resposta dele foi meio sem graça.
"Obrigado," ele respondeu, mas tava muito vazio. Meu nível de energia caiu de repente.
A resposta foi fria demais, e quando ele pegou a caixa e colocou em cima do balcão, foi como se estivesse dizendo que eu não devia ter me incomodado em comprar nada pra ele.
Meu peito ficou pesado quando olhei pro presente que ele colocou no balcão.
"Tem alguma coisa errada?" perguntei com uma carranca.
O Felicity olhou pra mim com a mesma cara, fazendo uma careta.
"Tem alguma coisa?" ele me respondeu com uma pergunta. Ele sorriu, mas eu sabia que era falso. Ele até virou a mão depois de colocar o garfo no prato que ele tava segurando depois de comer a última pequena porção de lasanha que sobrou nele.
Ele foi pra pia, onde duas empregadas ainda tavam lavando utensílios. O Felicity entregou pra uma das empregadas, que veio pegar dele.
'Por que ele tem tanta energia e eu não?' Não consegui parar de me perguntar enquanto observava ele.
De repente, perdi a vontade de conversar com ele. Sabia que tinha alguma coisa que ele não queria abrir, mas não conseguia me lembrar de nada que eu fiz pra ele me tratar assim.
Meu coração afundou. Era Natal e meus pais estavam lá. Todo mundo tava se divertindo e se eu começasse a discutir com o Felicity, ia estragar o dia de todo mundo.
Voltei pro jardim, andando sem rumo, e sentei na mesma cadeira perto do berço onde as duas crianças estavam brincando. Virei as costas na direção onde meus pais estavam sentados com os outros.
Sentei ali por uns minutos, respirando devagar enquanto tentava diminuir o peso que eu tava sentindo dentro do meu peito.
"Ei, o que aconteceu?" Quase pulei da cadeira quando uma voz suave falou de repente atrás de mim.
Devagar virei a cabeça, só pra descobrir que era a Pretzel. Achei que era a Lea e o que mais me surpreendeu foi que a Pretzel tava com uma cara de preocupada enquanto olhava nos meus olhos.
A voz suave dela era calma. Tipo um toque suave no meu ombro, me pedindo pra chorar, mas a Pretzel ainda não é amiga, então só deixei ela ver meu lado fraco e não era criança pra chorar por alguém que não quer mais falar comigo. Se ela descobrisse essa razão, com certeza ia rir de mim.
Fiz um sorriso falso, mas em segundos meu queixo começou a tremer. Parecia que a Pretzel sabia o que ia acontecer. "Vem, vamos ali por um momento."