Sentimentos
Eu fico ali de boca aberta sem saber o que fazer, tipo, eu sabia que ia ter alguém ali, mas não a agente que estava sumida! Jackson ficou ali plantado, congelado, e eu também sabia que era por causa do choque de ver a irmã dele, aquela de quem a gente tinha acabado de falar, na frente dele depois de tanto tempo.
'Jackson, meu Deus, você me achou.' Alison chora assim que o choque passa um pouco, Jackson me olha pra ver se eu estava bem antes de correr pra ajudar a irmã a sair das correntes. 'Eu estou aqui há anos, nunca pensei que ia te ver de novo.' Ela chora enquanto ele finalmente consegue afrouxar as correntes e ela sai.
A primeira coisa que ela faz é abraçar o irmão, e logo ele a aperta forte enquanto eles choram um no ombro do outro. Eu sorrio, mas me senti um peixe fora d'água, tipo, sobrando total, talvez eu devesse sentar pra não ficar tão exposta assim.
'Vocês têm que tomar cuidado com o Derek, ele não é o que parece e, na verdade, trabalha com o Mário.' Ela chora, se afastando pra olhar para Jackson, que assente com um sorriso.
'Sim, a gente sabe, ele foi preso, foi o que nos trouxe a esse lugar no começo!' Jackson diz, o que é verdade, a gente fez muito mais do que minha mãe e a equipe dela até agora.
Alison desvia o olhar do irmão e olha pra mim, eu ainda estava parada no mesmo lugar, na porta. Eu continuava olhando pra fora, vai que o Mário aparece do nada, sei lá, ele foi rápido quando sequestrou meu pai naquela vez!
'Essa é sua parceira?' Ela pergunta, quase me fazendo rir, aposto que minha mãe ia ficar tão feliz de me ouvir ser chamada assim.
'Tecnicamente não, ela não trabalha na agência, mas sim, ela virou minha parceira, essa é a Eu.' Jackson diz, o que pra mim faz sentido, já que eu sei o que a gente tem feito, mas pra muita gente ele ia estar se contradizendo.
'Espera, Eu, Eu Carter, tipo, a filha da Joanna?' Alison pergunta, e eu assinto com a cabeça, eu adoro como quando as pessoas pensam em mim, sempre pensam na minha mãe, acho que ela é mais interessante. 'Então, você não é agente, mas está aqui?' Ela pergunta, e eu sabia que isso significava que ela não estava entendendo nada do que aconteceu, tanta coisa rolou que tá difícil de acompanhar.
'Não por opção, o Mário tem meu pai e eu entrei em proteção de testemunhas. Jackson é tipo meu babá enquanto eles procuram por ele, a gente não devia estar fazendo isso, mas estamos aqui.' Eu digo, tentando manter a minha mente longe do meu pai, sempre que eu penso nele, eu fico chateada e isso ia estragar o momento deles. 'De qualquer jeito, finjam que eu não estou aqui.' Eu digo, colocando as mãos atrás das costas com um sorriso, Jackson me manda um sorriso antes de tirar o celular.
'Eu vou ligar pra avisar pra te darem ajuda.' Ele diz, mas meus olhos logo se arregalam, ele não estava ouvindo o que eu falei?!
'Jackson, a gente não pode estar aqui quando eles chegarem, você nem pode passar a informação, senão eles vão saber que a gente estava investigando.' Eu digo, correndo e colocando a mão no celular dele, ele me olha, depois olha pra irmã, sem saber o que fazer.
'Você está certa, mas não podemos simplesmente deixar minha irmã aqui pra saber onde ela está.' Ela diz, mostrando mais emoção do que nunca teve por mim antes, eu sorrio, pegando a mão dele pra ajudar ele a se sentir melhor.
'A gente não vai deixar ela aqui, a gente vai mandar outra dica como fizemos no escritório, e você sabe que minha mãe e o Reece vão vir direto pra cá, a gente vai fazer Missão Impossível de novo.' Eu digo com um sorriso pra ele se sentir melhor, isso faz um sorriso pequeno aparecer nos lábios dele antes de ele assentir. 'Eu sei que você provavelmente não quer ficar aqui mais do que já ficou, mas se eles descobrirem que a gente está fazendo nossas mini investigações pelas costas deles, eles vão ficar muito putos, eu prometo que vamos mandar gente pra cá.' Eu digo, tendo que persuadir Alison a concordar com a gente, tipo, ela tem todo o direito de dizer não se quiser.
'Vocês dois vão, eu estou aqui há um ano, o que uns minutos a mais vão fazer? Vocês nunca estiveram aqui, eu prometo.' Ela sorri, empurrando eu e Jackson pra porta, onde o som da chuva lá fora só fica mais alto.
'Obrigado, assim que eu voltar pro carro, a gente liga.' Jackson diz pra irmã dele, que só estava assentindo com um sorriso, Jackson olha pra mim antes de pegar na minha mão e correr com a gente de volta pra aquela noite tempestuosa.
Quase caímos várias vezes na lama do campo enquanto corríamos, mas em pouco tempo, a gente chegou de volta ao carro, se protegendo da chuva. Jackson tira o celular de novo, e eu tenho que impedir ele.
'Você não pode usar seu próprio número, Jackson; vou levar isso como se você ainda estivesse em choque por ter visto sua irmã e não porque você está esquecendo todo o treinamento.' Eu sorrio, e ele logo assente, essa é a vez que eu vi Jackson mais ansioso.
'A gente precisa ir pra alguma cabine telefônica e manter simples, não precisamos que eles reconheçam nossas vozes.' Eu digo, enquanto Jackson sai e vai em direção à pequena vila na estrada, quanto mais a gente espera, maior a chance do Mário descobrir onde Alison está e ir pra lá pra tirá-la.
'Eu vou usar o telefone público; posso usar um aplicativo no meu celular pra mudar minha voz. Espere aqui.' Ele diz quando paramos numa cabine telefônica bem velha, eu assinto quando ele sai do carro e corre pro telefone.
Agora que eu estava sozinha, respiro fundo; acho que não estou realmente processando o que está acontecendo por causa da rapidez com que tudo está acontecendo. Em minutos, Jackson voltou pro carro e dirigiu pela estrada bem rápido.
'Temos que sair daqui antes que rastreiem o telefone e venham verificar, mas eles também vão na minha casa pra me dizer que encontraram Alison, e temos que estar lá.' Ele diz, colocando o cinto de segurança enquanto fala, mas ele olha pra mim com um sorriso. 'Obrigado, Eu, os azarões fizeram de novo.' Ele sorri, o que faz outro sorriso preencher meus lábios.
'Eu te falei que eu te apoio.' Eu respondo, e ele se estica e pega minha mão na dele.
Ai, meu Deus, tô sentindo coisas!