Tudo o que Precisa
Jackson e Eu logo chegamos em casa, o lance com o Peter ainda fresco na minha mente enquanto a gente entrava. Eu sei que a minha mãe falou que um amigo meu tava investigando o meu sumiço, será que esse amigo é o Peter? Agora eu tô pensando, acho que nenhum dos meus outros amigos ia se dar ao trabalho.
O Peter tava só de bobeira no restaurante e por acaso esbarrou em mim, ou ele tava lá na esperança de descobrir mais coisas sobre mim? Tem tantas perguntas sem resposta, que eu provavelmente só vou ter as respostas quando tudo isso acabar.
'Depois daquela comida, acho que preciso deitar por um ano.' O Jackson fala, fechando a porta atrás da gente, depois de tudo aquilo com o Peter, eu tô chocada que ele consegue voltar pra vida normal.
Eu sorrio pra ele, enquanto ele joga as chaves na bancada perto da porta, ligando as luzes. Mas assim que elas acendem, nós dois pulamos de susto e surpresa ao ver minha mãe e o Reece sentados no sofá, olhando pra gente.
'Por que diabos vocês tão na minha casa sentados no escuro?!' O Jackson pergunta, botando a mão no peito, por causa do susto, eu instintivamente fui pra trás dele um pouco, antes mesmo de saber quem tava sentado no sofá.
'A gente veio umas horas atrás pra conversar umas coisas com a Ally, mas descobrimos que você não tava em casa, então achamos a sua chave reserva e entramos na casa pra esperar por vocês.' O Reece começou a explicar, e parecia ridículo, por que você ia invadir a casa de alguém, quando, na real, eles podiam ter ligado pro Jackson e a gente ia voltar rapidinho?
'Então, vocês acharam que sentar e esperar na minha casa no escuro total ia resolver o problema?' O Jackson pergunta, ainda puto, enquanto fecha a porta atrás da gente, com a mão no meu lado, disfarçando, como se soubesse que eu tava prestes a começar a me sentir desconfortável, sabendo que eles provavelmente iam me perguntar coisas sobre o Derek. 'E você não lembra da conversa que a gente teve hoje de manhã? A Ally tá de folga de falar sobre o Derek e o Mário.' O Jackson fala, enquanto nós dois começamos a ir pra sala, enquanto minha mãe e o Reece continuam nos sofás.
'A gente não tá aqui pra falar sobre o Mário, mas eu achei um vídeo do seu pai, Ally, eu não faço ideia do que significa, mas ele disse que você sabe.' Minha mãe fala, se levantando enquanto fala, meus olhos arregalaram ao ouvir que meu pai tinha deixado um vídeo, de alguma forma.
'Isso não faz sentido, o Mário não ia deixar ele te mandar um vídeo.' O Jackson pergunta, parecendo desconfiado, o que começou a me fazer pensar que isso era falso, o Mário não ia simplesmente deixar meu pai começar a filmar vídeos e mandar pra mim.
'Esse vídeo foi mandado na manhã seguinte que ele foi pego; a gente tá achando que ele fez o vídeo quando eles viraram as costas e mandou antes que o celular dele fosse pego.' Minha mãe fala, tentando nos fazer acreditar que esse vídeo é real, mas tinha tantos obstáculos que tava me dizendo que podia ser velho ou uma armadilha do Mário.
'Antes de você continuar tentando desmascarar o vídeo, por que você não assiste primeiro?' O Reece fala, se levantando, puto com a gente, ele tá falando sério comigo desse jeito, quando a gente só tá tentando garantir que não vamos cair numa armadilha.
'Se isso vai tirar vocês do meu pé pra eu poder descansar, beleza, me mostra.' Eu falo, com a mesma atitude que ele me deu, eu não vou ficar parada e deixar as pessoas falarem comigo desse jeito, talvez quando ele tava liderando a busca pelo meu pai eu tive que pisar em ovos, mas agora o Jackson e eu estamos no comando e fazendo a maior parte do trabalho, eu não vou aceitar isso.
Minha mãe sorri, botando a mão na bolsa e tirando um laptop, o Jackson faz um sinal pra eu sentar no outro sofá, enquanto ela bota o laptop na mesinha de centro. Eu suspiro, indo sentar, onde o Jackson tava sentado, bem do meu lado.
'Desde que você era bebê, o seu pai não queria que eu sentisse que eu tava perdendo de ver você crescer.' Minha mãe começa a explicar, digitando no laptop, eu quero dizer, se ela perdeu ou não muita coisa da minha vida por causa do trabalho dela. 'Ele criou essa unidade onde ele podia botar fotos e vídeos seus e, sempre que eu quisesse, eu podia logar e ver você crescer.' Ela sorri, lembrando o que o meu pai fez por ela, pera, então foi assim que ela conseguiu todas as fotos que eu tenho visto!
'Eu tava no meu escritório umas horas atrás e tava vendo as fotos, quando essa nova me chamou a atenção.' Ela me conta, virando o laptop pra gente ver, meu pai sentado perto do que parecia uma parede de tijolos, olhando pra gente.
Enquanto eu olhava, eu vi que ele tava com a mesma roupa da noite que ele sumiu. Mas ele tava com uns cortes e machucados no rosto, me dizendo que ele não foi sem lutar. Eu engulo seco um pouco com o que eu posso ter que ver, mas eu sabia que tinha que ser forte pra poder ajudar. Minha mãe alcança e bota o vídeo.
'Joanna, eu não faço ideia de quando você vai ver isso, pode ser tarde demais ou na hora certa, mas você precisa mostrar isso pra Ally, ela vai saber do que eu tô falando.' Meu pai começa a falar, mas ele olha freneticamente, em volta de onde ele tá, o medo do que ele tá vendo claro na cara dele. 'Ally, querida, você precisa ouvir com atenção, ok? Lembra o que eu sempre te falava quando você era mais nova, se alguma vez eu não estiver por perto e ninguém souber o porquê, vai pro lugar que eu te falei. Tudo o que você precisa saber vai estar lá. Eu tô muito orgulhoso de você, amor, por favor, se cuida.' Ele me diz, olhando bem pra câmera, mas quando um barulho alto de algum lugar perto dele acontece, ele pega a câmera e corta.
O quarto ficou em silêncio enquanto eu olho pra tela do laptop, não só eu tava tentando quebrar a cabeça pra tentar lembrar o que ele tinha me falado, mas também, a mesma expressão de medo que tava no rosto dele me assustou. Que tipo de horrores ele podia tá vendo? Meu pai sempre é calmo e controlado, então essa emoção é nova.
'Você faz ideia do lugar que o seu pai tá falando?' Minha mãe pergunta, finalmente quebrando o silêncio, mas eu desvio o olhar do laptop e ainda tento quebrar a cabeça com todas as coisas que meu pai e eu falamos quando eu tava crescendo.
Eu me levanto do sofá e começo a andar pra cima e pra baixo no quarto, mas aí a resposta logo me bate. Quando eu ainda tava na escola, meu pai chegou em casa um dia e tava muito nervoso e abalado. Eu tentei perguntar o que tava acontecendo, mas ele sorriu e me falou que não era nada com que eu precisasse me preocupar, mas ele me falou pra arrumar uns trabalhos de casa pra eu fazer, porque a gente precisava sair por umas horas. Eu fiz o que ele falou e fomos de carro, dirigimos por horas até chegar num prédio enorme que parecia um banco. Falaram pra eu esperar no carro antes dele sair e entrar no prédio, ele ficou tanto tempo que eu tinha conseguido terminar o trabalho da escola.
Depois de 3 horas, eu fiquei preocupada e decidi que precisava ir ver se ele tava bem. Então, eu saí do carro e fui entrar, foi aí que eu vi meu pai conversando com um homem de terno muito chique, o homem olha pra mim e sorri, perguntando se eu era filha do meu pai. Meu pai se vira e também sorri pra mim, falando pro homem que eu era filha dele, chamada Ally, o homem foi legal e me falou que tava ali se meu pai ou eu precisássemos de alguma coisa e pra não me preocupar. Eu não sabia o que ele queria dizer, e ainda não sei, mas eu tenho que supor que esse é o lugar que meu pai queria dizer.
'Eu não sei o nome do lugar, mas eu sei onde é, o homem lá me falou que se o meu pai ou eu precisássemos de alguma coisa, a gente vai lá.' Eu falo, me virando pra olhar pra todos eles, a cara da minha mãe cheia de confusão com a minha fala.
'Bem, isso quer dizer que a gente não pode fazer nada até amanhã, esse lugar que a Ally lembra não vai estar aberto até a manhã. Vamos todo mundo descansar e se encontrar aqui amanhã pra ir.' O Jackson falou, saindo da cadeira e indo pra perto de mim, mas a minha mãe balança a cabeça, também se levantando.
'Me fala o nome e eu e o Reece vamos pra lá agora.' Ela fala, e foi a minha vez de olhar pra ela confusa, ela não tá nem me ouvindo?
'Você não ouviu quando eu falei que eu não sei o nome, a gente vai lá amanhã, e eu falo com esse homem.' Eu falo, também entendendo que esse lugar vai estar fechado agora, mas quando ela balança a cabeça, irritada comigo, foi a minha vez de ficar irritada. 'Eu sou o seu único bilhete pra ir nesse lugar e eu tô dizendo que vamos esperar até amanhã, agora eu não sei o que o meu pai tá escondendo lá que deixou ele com tanto medo, mas eu aposto que tem alguma coisa a ver com o seu trabalho, então você é a última pessoa que deveria estar ali tentando se fazer de heroína!' Eu grito, finalmente tendo o suficiente dela, sim, ela pode estar preocupada, mas falar comigo assim quando eu falei claramente que eu não sei o nome desse lugar me irritou.
'Já chega, eu falei pra Ally não passar por nenhum estresse hoje, a gente vai pro prédio amanhã, até lá, eu tô pedindo gentilmente que você saia da minha casa.' O Jackson fala, entrando antes que a discussão comece, o Reece pega o laptop da minha mãe e logo sai da casa, com a minha mãe atrás.
'Talvez você esteja certo, nunca tem um momento de tédio comigo.' Eu falo com um pequeno sorriso, o Jackson desvia o olhar da porta e olha pra mim com um sorriso sonolento, concordando.