Fugiu
A gente continua a acelerar no trânsito, tipo, pra seja onde for essa fazenda, o mundo todo era uma borracha enquanto a gente corria em estradas secundárias e becos. Eu ainda tava com o celular do Jackson na mão, tentando ligar pra minha mãe, mas cada vez que ia pra caixa postal, a preocupação apertava mais e mais.
Não conseguia parar os pensamentos preocupados de rodopiarem na minha cabeça, e se tivesse acontecido alguma coisa com ela e com o Reece? A última vez que a gente teve uma conversa de verdade foi uma briga, e a última vez que a gente falou foi eu super fria com ela. Sim, eu ainda tô brava que ela nunca foi sincera com o meu pai e comigo sobre o que ela fazia. Se a gente soubesse que ela fazia isso de trabalho, a gente ia estar mais preparado se alguém tipo o Mário fosse aparecer nas nossas vidas.
Mas, por mais que eu esteja brava com ela, eu ainda me importo muito com ela. Ela é minha mãe, afinal, alguém com quem eu sempre quis ter um relacionamento, não importa o que aconteceu ao longo dos anos. Não quero que ela se vá, tipo, pensando que eu a odeio, quando na real, é o contrário.
A gente logo chega numa situação tipo estrada de terra, o carro quicava pra todo lado, porque a gente ainda tava numa velocidade muito alta. A placa da Fazenda Creekwood logo aparece, o Jackson pisa no freio bem na frente dela.
"Não consigo ver eles, nem o carro deles." Eu digo, olhando ao redor, esse lugar era tão aberto que ia dar pra ver qualquer tipo de veículo na hora.
"O GPS botou a última localização deles aqui, talvez o lugar final do carro seja em algum lugar na estrada. Fica comigo." O Jackson diz, antes de virar pra me olhar com uma cara séria, eu balanço a cabeça, entendendo o perigo dessa situação toda.
Ele responde com um balançar da cabeça, antes da gente sair do carro, eu dou a volta e pego no braço dele, pra ficar grudada nele. Ele segura meu braço com uma mão, antes de enfiar a outra no cinto pra pegar a arma, nós dois olhando ao redor freneticamente, caso a gente veja minha mãe, o Reece, o Derek ou o Mário, sei lá.
O vento soprava de leve no meu cabelo, enquanto a gente andava pela trilha, minha mão segurando com força no braço do Jackson enquanto a gente ia. Andando por essa trilha, eu não sabia se era só minha mente pirando, mas eu sentia alguém nos observando enquanto a gente ia.
"Joanna! Reece!" O Jackson começa a gritar alto, tenho certeza que se eles estivessem em algum lugar perto, iam ouvir. Eu começo a olhar ao redor, me perguntando se ia dar pra ver se tinha alguém nos observando.
"Mãe!" Eu grito alto, caso eles estivessem preocupados com o Jackson, que fosse um dos homens do Mário, mas eu só tinha essa sensação de que minha mãe ia saber quem eu era quando ouvisse meus pensamentos. "E se aconteceu alguma coisa?" Eu pergunto, olhando pro Jackson, ele olha pra mim por um segundo com um suspiro.
Ele não precisou responder minha pergunta pra eu saber que ele não sabia o que dizer, eu olho de volta pro chão por um segundo, enquanto a gente continua pela estrada. Mas através do silêncio esmagador, eu começo a ouvir o que parece ser gritos. Isso me faz levantar a cabeça de supetão e olhar a área de novo, porque, como antes, eu não vi ninguém.
"Ally!" Uma voz grita muito mais claro do que antes, até o Jackson começa a olhar ao redor na esperança de encontrar o dono da voz. "Ally, Jackson!" A voz diz de novo, que eu logo reconheço como sendo da minha mãe, o Jackson e eu nos olhamos por uma fração de segundo, antes de seguir pra onde a voz dela veio.
A voz parecia vir da beira da estrada, que tava do lado da estrada, o Jackson se move pra que agora esteja segurando minha mão, enquanto a gente corre pro lado da estrada. É quando nós dois vemos o carro no fundo, virado de lado, duas pessoas sentadas na grama perto do carro, olhando pra gente.
"Vocês dois estão bem?" O Jackson pergunta, me ajudando a andar pela beira da estrada sem cair, enquanto minha mãe e o Reece se levantam. "A Alison ligou pra gente e disse que ninguém tinha notícias de vocês desde que vocês saíram pra pegar o Derek, onde ele tá?" O Jackson pergunta, quando finalmente chegamos no fundo, meus olhos olhando direto pra minha mãe, enquanto os pensamentos que eu tinha ainda rodopiavam na minha cabeça.
"Ele fugiu, a gente tava andando na estrada e, do nada, ele puxa um pedaço de madeira e me bate na cabeça com ele. Obviamente, por causa de eu estar dirigindo, fez o carro desviar e acabar na vala." O Reece explica, o que explicava o sangue que pingava do rosto dele, que pessoa louca ia decidir bater em alguém na cabeça com uma tábua de madeira, espera aí, de onde ele tirou a madeira?! "Antes que a gente pudesse impedir, ele chutou a porta e saiu correndo, ele não podia ter ido muito longe com as mãos e os pés presos em correntes." O Reece diz, começando a olhar ao redor, ele não devia estar mais preocupado com o corte sangrando no lado do rosto?!
"Vou mandar uma mensagem pra Alison explicando tudo, ela pode mandar gente pra ver vocês dois, ver os ferimentos e fazer a busca pelo Derek começar." O Jackson diz, tirando o celular do bolso, ele bota a mão no meu ombro pra ter certeza que eu tô bem antes de subir pela beira da estrada.
"Eu vou começar a dar uma olhada rápida por aí, se esse babaca estiver por perto, eu vou achar ele." O Reece diz pra minha mãe, antes de sair andando em direção diferente, eu realmente acho que ele devia dar uma checada na cabeça antes de sair por aí sozinho!
"Não adianta tentar falar com ele, uma vez que ele tem uma ideia na cabeça, ele corre com ela. Me lembra outra pessoa." Minha mãe diz, falando pela primeira vez, eu desvio o olhar do Reece e olho pra ela, enquanto ela me observava.
Antes que ela pudesse abrir a boca pra falar de novo, eu corro e a abraço. Ela fica lá em choque por um segundo, antes dos braços dela irem ao meu redor, e a gente se abraça com força.
"Me desculpa, eu não devia ter falado com você daquele jeito antes. Isso não é culpa sua, mas eu continuo descontando em você, você quer o pai de volta tanto quanto eu, e eu devia lembrar disso." Eu digo, deixando todos os pensamentos que estavam rodopiando na minha cabeça virem à tona. "Eu tava tão assustada que, se tivesse acontecido alguma coisa com você, você ia ter ido embora pensando que eu te odiava, ou me odiando." Eu choro, o que a faz se afastar pra olhar pra minha cara, os olhos dela também cheios de lágrimas.
"Não tem nada que você pudesse dizer ou fazer que me fizesse te odiar, sim, a gente já brigou e nem sempre concorda, mas eu ainda sou sua mãe, Ally, e eu te amo muito." Ela me diz, o que era tão louco de ouvir, mas também algo que eu queria ouvir a vida toda. "O que aconteceu com o seu pai foi tão chocante e estranho pra você, você vai ter esses tipos de sentimentos. Eu te garanto, eu nunca levo nenhum desses sentimentos pro lado pessoal." Ela diz com um sorriso, mas eu ainda não conseguia parar de me sentir mal por essas últimas semanas.
"Eu acho que eu tava tentando procurar alguém ao meu redor pra culpar, e, por algum motivo, essa pessoa foi você. Eu vou parar, eu prometo, eu vejo agora que a gente tá no mesmo time." Eu digo, olhando pra ela sério, ela sorri, enxugando minhas lágrimas das minhas bochechas, antes de me puxar pra outro abraço.