Algo Especial
O Jackson e **Eu** conversamos por horas, passando por cima do meu plano. A primeira coisa que precisávamos era conseguir todos os arquivos que a minha **mãe** e a equipe dela têm sobre esse cara, **Mário**. Daí a gente ia ter a mesma informação que eles, o que ia deixar o jogo mais justo, saca?
Contei pra ele meu plano, que, de cara, ele não curtiu, falando que tinha muita coisa que podia dar errado. Então eu perguntei pra ele qual era a ideia dele, mas ele não tinha nenhuma. No fim, a gente foi com o meu plano mesmo. Já consigo ouvir vocês me perguntando, que raio de plano é esse?!
Bom, toda manhã, o **Jackson** tem que ir no escritório assinar umas coisas pra dizer que vai ficar comigo o dia todo. Não faço ideia do porquê disso, aparentemente, ele também não faz! Mas, de qualquer forma, enquanto ele estiver lá, ele vai dar um jeito de entrar no prédio e ir direto no arquivo que o **Reece** ficava encostado. Agora que eu tô pensando, será que por isso ele fazia questão de ficar grudado nele?
O **Jackson** vai tirar foto de todos os arquivos antes de sair. Quando ele chegar aqui, a gente vai imprimir tudo pra ter as cópias físicas de tudo o que a gente precisa saber sobre o **Mário**.
Enquanto o **Jackson** estiver na missão impossível, eu vou ficar em casa tentando enrolar a minha **mãe**, não importa o que aconteça. O **Jackson** disse que ela não ia sair sem ele por perto, mas que ela podia começar a fazer ligações onde as pessoas iam procurar por ele e o encontrar fazendo o que não devia. Então, eu tinha a tarefa de impedir ela de fazer isso, que ia ser tão difícil quanto o que o **Jackson** ia fazer!
Acordei super cedo na manhã seguinte. Assim que o **Jackson** saiu ontem à noite, eu fui direto pra cama. Eu sabia que a minha **mãe** ia querer conversar sobre o que aconteceu ontem, o que era algo que eu não queria, mas, ao mesmo tempo, se a gente conversasse sobre isso de manhã, ia ocupar a maior parte do tempo. Me arrumo pro dia e desço as escadas devagar. Estava nervosa que ela fosse perceber que eu estava escondendo algo e me perguntar o que estava acontecendo. Tive que levantar uma espécie de barreira pra ela não perceber, mas com o tipo de trabalho que a minha **mãe** faz, eu sabia que essa próxima tarefa ia ser difícil.
Enquanto desço as escadas, ouço ela mexendo nas coisas na cozinha. Respiro fundo antes de entrar na cozinha, onde ela me olha chocada.
"**Eu**, você acordou cedo." Ela me diz antes de voltar a cozinhar. Balanço a cabeça, indo sentar no balcão, tentando me preparar pra enrolar o máximo que pudesse.
"Não tem muita coisa pra eu fazer no momento", digo com um suspiro pra dar um efeito. Isso faz com que ela suspire também e se vire pra me olhar por um segundo.
"Eu sei que você não está muito feliz que eu esteja te forçando a ficar em casa, mas é perigoso demais pra alguém como você sair por aí", ela diz com um sorriso. Mas o comentário dela só me deixa irritada.
"Alguém como eu?" Pergunto, sem entender muito bem o que ela estava tentando me dizer. Não sei se isso foi uma indireta ou não.
"Bem, você não tem o treinamento que eu ou o **Reece** temos. Eu não quero que você se envolva em algo onde você pode se machucar ou machucar alguém", ela explica, adicionando tempero ao que quer que estivesse fazendo, o que só me lembra do que o meu **pai** estava fazendo da última vez que o vi.
"Como você escondeu o que realmente faz do meu **pai**? Quer dizer, vocês estão juntos desde que estavam na escola?" Pergunto, olhando pra ela de novo. Agora eu estava pensando no meu **pai**, só conseguia pensar em falar sobre isso.
"Eu não sabia que queria fazer isso quando estava na escola. Na verdade, não sabia o que queria fazer da vida. Isso foi até eu entrar na faculdade. Como você sabe, seu **pai** estava destinado a fazer grandes coisas, então ele foi pra uma faculdade de ponta, enquanto eu fui pra uma faculdade simples, que era perto da dele." Ela começa a explicar enquanto tira dois pratos do armário. Essa foi a primeira vez que ouvi o que a minha **mãe** fez depois da escola. "Um mês depois do curso aleatório que decidi fazer, seu **pai** teve que ficar na faculdade até tarde, então eu tive que esperar ele me buscar. Na época, tinha um palestrante que veio na minha faculdade pra dar uma palestra, se os alunos quisessem ouvir. Eu não tinha nada pra fazer, então fui. O homem que falava falou sobre o trabalho dele e eu me apaixonei. Fui até o homem e me apresentei, e foi isso, comecei a treinar", ela diz, virando-se com dois pratos cheios de comida, colocando o meu na minha frente enquanto me entrega pimenta e sal.
"O que você disse pro meu **pai**? Imagino que não pode dizer que estava treinando?" Pergunto, jogando um pouco de pimenta sobre os meus ovos. Não que tenha caído alguma pimenta neles, pois estava muito intrigada com a história que a minha **mãe** estava me contando.
"Eu não precisava dizer nada. Ele me deixava na faculdade normalmente, mas eu era pega pelo homem da palestra, que me levava pro treinamento e depois me deixava de volta na faculdade pra seu **pai** me pegar", ela explica, dando uma mordida na comida. Minha mente explodiu que ela conseguiu fazer tudo isso sem que o meu **pai** suspeitasse de nada!
"Mas por que o homem que te deu a palestra passaria por tudo isso? Sim, eu sei que você é ótima no seu trabalho agora, mas naquela época, você era só uma garota normal que tinha acabado de sair da escola tentando descobrir a vida?" Digo, sem nem olhar pra minha comida por um segundo sequer. Por que a vida da minha **mãe** parece tão interessante?
"Ele me disse no dia em que conversei com ele depois da palestra que viu algo diferente em mim e sabia que eu fui feita pra fazer o trabalho que ele fazia. Ele me disse que ia levar anos de treinamento, mas que depois eu seria uma das melhores espiãs que esse lugar já viu, e ele estava certo", ela sorri, sentindo-se muito confiante. Quer dizer, eu ainda não vi ela trabalhar, então não posso realmente dar minha opinião sobre isso.
"Mas o que aconteceu quando você engravidou de mim e como você contou pro meu **pai** sobre o trabalho que você faz?" Pergunto, quando ela leva meu garfo à minha boca pra que eu dê a primeira mordida. Eu esqueci que meu café da manhã estava na minha frente por um segundo!
"Eu disse pro seu **pai** que me ofereceram um emprego como advogada por causa das minhas notas altas na faculdade e, sobre eu estar grávida, o **Carl**, que era o palestrante e meu chefe, disse que era ótimo. Quando eu estivesse mais envolvida na empresa, não haveria tempo pra começar uma família, então ter você quando eu ainda estava treinando foi uma ótima coisa", ela sorri enquanto eu dou uma olhada na minha comida. Ter-me e depois nos abandonar foi uma ótima jogada!
Antes que pudéssemos conversar mais, a porta da frente se abre e sons de sapatos se aproximando enchem a casa. Em pouco tempo, o **Jackson** estava parado na porta, sorrindo pra nós duas. Eu esqueci que tinha que enrolar a minha **mãe** o máximo que pudesse, estava muito envolvida em ela me contar a história da vida dela.
"Bom dia, damas, desculpem o atraso, o trânsito estava horrível", ele sorri, entrando na cozinha e juntando-se a nós na mesa. A minha **mãe** olha para o relógio antes de arregalar os olhos.
"Tudo bem, **Jackson**, mas, olhando a hora, tenho que ir. Vejo vocês duas depois do trabalho, fiquem longe de problemas", ela nos diz antes de se levantar da cadeira e pegar suas coisas. Em segundos, ela estava na porta pra ir trabalhar.
"Você... fez isso?" Pergunto assim que a porta da frente se fechou. **Jackson** sorri, pegando uma faca e um garfo novos da gaveta antes de começar a devorar as sobras da minha **mãe**.
"Ah, sim", foi tudo o que ele disse enquanto enchia a boca.