Capítulo 16
POV do Agustin...
"Levanta," ela mandou, de repente, com um tom cheio de veneno.
"Amor, por fav…" ela nem me deixou terminar.
"Eu disse, LEVANTA a porra da bunda," ela quase gritou.
Eu não curti nem um pouco o tom dela, mas sei que a raiva dela é justificada, então me controlei e levantei. Não quero foder com minha única chance de voltar, por causa da minha impulsividade.
"Você vai fazer tudo o que eu mandar, certo?" Uma faísca de esperança acendeu no meu coração.
"Sim, amor, tudo que você quiser, só precisa pedir," falei desesperado, pegando nas bochechas dela. Só um toque já me deixa louco, como sinto falta do toque dela. Eu faria qualquer coisa por ela, absolutamente qualquer coisa.
"Eu quero que você saia da minha vida, pra sempre, não quero mais ver essa sua cara nojenta," a voz dela não tremeu nem um pouco antes de falar aquilo.
Meu coração afundou ao ouvir. "Por favor, Onika, não faz isso comigo. Qualquer coisa, menos isso. Não tô pedindo pra você me perdoar na hora, mas pelo menos me dá uma chance de provar que mudei."
Ela rosnou, com nojo. "Eu mereço coisa melhor que você. Se eu amar de novo, te garanto que não vai ser você," falou com convicção na voz.
Chega, isso já tá me dando nos nervos. Ela tá testando minha paciência. Como ela ousa sequer pensar em outra pessoa? Ela pode levar o tempo que quiser pra me perdoar, mas pensar em outro, como ousa?
"Talvez você mereça, mas enfia isso na tua cabeça: eu não só vou matar o filha da puta que ousar te olhar, como também vou acabar com a família inteira dele, e não se esqueça que você ainda é minha esposa."
Ela levantou uma sobrancelha pra mim e falou: "Isso vai mudar em breve. Eu quero o divórcio, e não vou descansar até conseguir."
Eu comecei a rir muito daquilo. "Graças a Deus! Achei que tinha perdido minha Onika antiga, mas aí está, seu senso de humor ainda bombando. Meu Deus, essa tem que ser uma das melhores piadas que ouvi em anos."
Ela me fuzilou com o olhar, como se eu tivesse duas cabeças. "Espera aí, você tá falando sério, não tá?" falei com a voz perigosa.
Os lábios dela se curvaram num sorriso frio e cruel, e ela disse, com confiança: "Eu não preciso da sua permissão pra isso. Não depende mais de você, eu consigo o divórcio fácil, pelo que você fez comigo."
A ingenuidade dela às vezes irrita de verdade. "Ah, minha princesinha, não sei se te chamo de inocente ou burra. Claro que depende de mim, não é?"
Mostrei meu sorriso sinistro de sempre. "Queria ver você tentar, ia ser divertido. Deixa eu ver quem tem a audácia de te representar, indo contra mim no tribunal, e te garanto, querida esposa, você não vai achar ninguém, porque quem tentar entrar no nosso caminho vai pro buraco antes de chegar no tribunal."
Isso a deixou furiosa. "Seu verme, seu porco, é assim que você se arrepende? Há pouco tempo estava de joelhos, pedindo desculpas. Agora tá de volta às velhas manias. Obrigado por provar que não mudou nada. Você percebe a gravidade do que fez? Você pode fazer todo tipo de violência comigo, mas eu nem posso me divorciar."
Vi uma lágrima solitária escorrer pelos olhos dela, e os lábios dela tremiam de raiva.
Merda, não tá indo como eu imaginei. "Não precisa ser assim, amor," sussurrei, quase derrotado.
"Me desculpa por ser duro com você, quando tudo que eu devia fazer é implorar seu perdão. Acredita em mim, querida, eu faço qualquer coisa, menos te deixar ir. Podemos viver de novo como o casal feliz que éramos, por favor, não dificulta pra nós dois. Eu não consigo viver sem você. Não consigo te ver com outra pessoa. Só de pensar nisso, meu sangue ferve, as veias queimam. Eu te amo tanto, só me dá uma chance, eu faço qualquer coisa por ela."
Ela bufou. "Ah, não, não, não, quem você pensa que tá enganando? Você vai fazer qualquer coisa que te convém, não qualquer coisa que eu diga, essa é a diferença."
Então ela fez o impensável. Segurou na minha gola. "Agustin De Luca, enfia isso nessa sua cabeça dura: eu nunca mais vou ser sua."
Normalmente eu ficaria puto com qualquer um que ousasse se comportar assim comigo, mas ver a Onika desse jeito tá partindo meu coração. Ela nunca levantou um dedo pra ninguém. Mas sei que agora não é hora de deixar minhas emoções atrapalharem o que eu planejei. Finalmente aceitei que ela não vai ceder, e nenhuma súplica vai mudar a ideia dela, agora vou ter que fazer o que guardei pro pior. Peguei ela pela cintura, porque sei que, pelo que vem por aí, ela vai precisar.
"Você vai fazer o que eu digo, entendeu? De jeito nenhum eu vou te deixar ir, quer você goste ou não."
Ela arregalou os olhos ao ouvir aquilo, se debateu nos meus braços e falou: "Não me toca com suas mãos imundas, monstro, me solta."
Isso me fez apertar os braços em volta dela ainda mais.
Ela continuou se debatendo, arranhando meus braços. Tentei acalmá-la.
"Shiii, amor," falei no ouvido dela, mas ela não tava aceitando. Tentei ser paciente: "Por favor, amor, se acalma," ela não me escutava, continuava a me atacar.
Agora só tinha um jeito de acalmá-la, de fazer ela entender que não tinha mais saída. Respirei fundo e endureci meu coração, pelo que ia acontecer: "Quem é Alex?" Assim que o nome dele saiu da minha boca, as mãos dela ficaram moles. O rosto dela empalideceu.
"Q..quem..Al..Alex...Eu n..não sei..do que você tá falando." Eu estava tão perto dela que sentia o coração dela acelerado.
"Quem é o pai da criança?" Só queria ver a reação dela.
Havia um brilho nos olhos dela, ela me deu um meio sorriso que não chegava nos olhos. E o que ela disse em seguida me deu vontade de matar alguém ali mesmo. "Como eu ia saber? Afinal, sou uma vadia sem caráter…"
"Não ouse terminar essa frase," rosnei pra ela, segurando-a com força pelos braços.
"Não ouse se chamar assim. Se fosse outra pessoa, eu ia arrancar a língua dele," rosnei, num tom perigoso.
Consegui ver medo nos olhos dela, mas ela tentou esconder, e falou: "Você não tá em posição de exigir respostas de mim. Eu não sou uma das suas funcionárias, pra você mandar."
"Ah, mas você é, não se esqueça que agora você trabalha pra mim."
"Vamos ver por quanto tempo."
É aqui que eu revelo pra ela que ela tá encrencada. "Enquanto eu quiser, querida," ela me olhou, como se estivesse gritando 'você perdeu a cabeça?'
"Amanhã, a primeira coisa da manhã, você vai encontrar minha carta de demissão na sua mesa."
"Beleza, é só trazer cinquenta e cinco mil dólares com essa carta, e você tá livre pra ir, ou então vai pra trás das grades." Ela fez uma cara como se eu tivesse dado um tapa nela, quando percebeu o que eu estava dizendo.
"E..eu vou te pagar, só não trabalhando aqui, mas te dou minha palavra, vou pagar no tempo que você me der."
Ela acha que eu tô fazendo isso por dinheiro? Ela não consegue ver que é por nós, pra gente ficar junto? Ela tava me olhando com olhos cheios de esperança.
Fingi que ela não tinha falado nada, e tentei esconder o máximo o quanto a vulnerabilidade dela tava me afetando. "Quero que você escolha com sabedoria. Alex é muito pequeno pra viver sem uma mãe nesse mundo cheio de monstros."
Quando ela entendeu a minha ameaça silenciosa, lágrimas rolaram pelos olhos dela. "Por..por favor... Agustin..não o Alex..não arrasta ele pra isso, ele é só uma criança...Eu te imploro, me deixa ir, não faz isso comigo."
Tá me matando ver ela assim, mas sei que tem que ser feito, quanto antes, melhor. "Eu não tô fazendo isso, Onika, você tá me obrigando. Não precisa ser assim, podemos ser felizes de novo, você só precisa dizer sim e deixa o resto comigo."
"Eu nunca vou ser feliz com você, não consegue ver isso?" A voz dela falhou.
"Ok, se é isso que você quer, então te dou 24 horas pra decidir."
Ela soluçava muito. Deslizou no chão, levou os joelhos perto do peito e chorou. Não a impedi, sei que ela precisa entender que agora não tem saída. Meu coração tava ficando pesado aos poucos, eu não queria que fosse assim. Fui burro em pensar que seria fácil. Embora eu não a culpe, sei que fiz merda, mas sou egoísta demais pra deixar ela ir. Não consigo viver sem ela.
Só sabia que tinha que sair daqui o mais rápido possível, vê-la desse jeito no chão, chorando histericamente, tá me matando. Não quero que ela saiba o quão vulnerável eu tô agora. Então endureci meu coração e disse minhas últimas palavras.
"Quero que enfie isso na sua cabeça, de uma vez por todas, 'Eu vou te fazer minha... de novo', nada nesse mundo vai mudar isso. Se você quer que seja difícil, então é com você." Com isso, saí de lá o mais rápido que pude, sem olhar pra ela uma segunda vez.