Capítulo 6
POV da Onika...
Finalmente, é domingo! Eu adoro domingos. Bem, quem não adora?! Primeiro, não preciso ir pro escritório, o que significa que não tem o Teodoro, e o mais importante, é o único dia que consigo passar tempo com o Alex. Dei folga pra Shira pra poder ficar um tempo sozinha com o Alex.
Ele é um pestinha dos bons. Agora mesmo, estou correndo atrás dele com uma tigela de comida na mão.
Ele me deu um sorriso malvado e começou a correr, tropeçando nos próprios pés de vez em quando.
"Você adora dar trabalho pra mamãe, né?" perguntei, brincando.
"Deixa eu te pegar uma vez, aí você vai ter que comer tudo, não vou aceitar nenhuma birra sua hoje." Falando isso, comecei a correr atrás dele, devagar de propósito pra dar uma falsa sensação de vitória pra ele, o que trouxe um sorriso no rosto dele.
Quando eu tava quase pegando ele... tudo aconteceu tão rápido, num piscar de olhos. Ele bateu na parede com tudo, os olhos dele estavam em mim e ele não viu a parede na frente dele, e antes que eu pudesse parar ele, ou mesmo perceber o que tava acontecendo, já era tarde demais. Corri pra perto dele, sentindo meu mundo inteiro virar de cabeça pra baixo.
Peguei ele no colo, ele não abria os olhos e começou a sangrar pelo nariz.
Corri imediatamente pro hospital mais próximo, lutando contra o medo paralisante.
Os médicos internaram ele com urgência e, depois de fazer umas perguntas, mandaram eu esperar lá fora, até fazerem uns exames e testes pra darem o diagnóstico.
'Deus, por favor, não ele, não ele. Eu não posso perder ele. Por favor, qualquer coisa, menos isso.' Fiquei repetindo. Lágrimas escorrendo livremente pelas minhas bochechas.
Eu não fazia ideia do que tinha acontecido de repente, só fiquei lá, completamente sem entender nada. Era só um trauma bobo que bebês da idade dele com certeza passam todos os dias e se recuperam. Então, o que está acontecendo com ele?
Estava esperando lá fora por quase meia hora, com os dedos cruzados e o coração batendo forte. Não, nada vai acontecer com ele, é só um trauma bobo, o médico vai sair a qualquer momento e me avisar que ele está bem e que eu posso levar ele pra casa. É só isso.
Finalmente o médico saiu e eu fui correndo até ele.
"Senhorita Onika Coulin, a senhora é a mãe da criança, certo?"
"S--Sim, doutor, o que aconteceu, ele vai ficar bem?" perguntei, com a voz tremendo de medo. Estava prendendo a respiração.
"Senhorita Onika, ele teve alguma doença viral recentemente?" o médico perguntou.
"Sim, faz umas duas semanas, levei ele no pediatra, que deu uns remédios pra ele e disse que ele ia ficar bem e que não tinha nada pra se p-pr-preocupar" respondi.
"Sinto muito, senhorita Onika, mas em algumas crianças infelizes, autoanticorpos contra as plaquetas se desenvolvem logo após uma doença viral. Esses autoanticorpos atacam as plaquetas, diminuindo bastante a contagem, a condição é conhecida como PTI aguda.
Geralmente é uma condição que se resolve sozinha, mas a criança durante esse período é propensa a sangramentos. E até mesmo uma pequena lesão pode levar a sangramentos excessivos, que é o caso aqui.
"Os resultados da tomografia mostram que ele está sangrando internamente e um grande hematoma se formou no lado esquerdo do cérebro, o que está comprometendo o fornecimento de sangue para esse lado do cérebro. Precisamos fazer uma cirurgia no cérebro imediatamente, antes que o coágulo cause algum dano permanente."
"Por favor, faça qualquer coisa pra salvar ele. Não deixe nada acontecer com ele..." A essa altura, eu comecei a soluçar histericamente.
Senti como se meu mundo inteiro tivesse parado. Estava difícil respirar. Isso não pode estar acontecendo, eu só queria que fosse um dos meus pesadelos, mas sei que não é e preciso me recompor, não posso deixar isso acontecer. Não vou deixar isso acontecer. Ninguém pode tirar o Alex de mim.
O médico olhou pra mim com simpatia antes de continuar, "A operação necessária é muito cara e a senhora precisa pagar a taxa em 24 horas."
Respirei fundo e perguntei ao médico.
"Quanto vai custar?"
"Cerca de 55 mil dólares."
Fiquei encarando o médico em choque total. De onde vou arranjar esse dinheiro todo? Como se ele tivesse lido meus pensamentos, olhando pra mim com pesar, ele sugeriu,
"Eu sugiro que a senhora informe o pai da criança."
"Ele não tem." respondi, anestesiada. "Não se preocupe com o dinheiro, doutor, comece a operação, eu vou arranjar o dinheiro em 24 horas, a senhora tem minha palavra." disse com uma confiança que eu não sentia.
"Muito bem, então, termine todas as formalidades e assine o formulário de consentimento. Vou me preparar para a operação." Com isso, ele saiu.
O que eu faço agora?
Eu não tenho esse dinheiro todo. Mesmo que eu venda tudo que tenho, não consigo juntar nem 1/4 disso.
Apertei minha cabeça latejante e sentei na cadeira com um 'estrondo', como uma pedra caindo no chão.
Não entendo o que fazer. Não tenho nenhum amigo que possa me oferecer esse dinheiro.
Todos os meus sentidos ficaram dormentes, não conseguia pensar em nada.
Comecei a pensar em todas as possibilidades. Qualquer coisa. Qualquer coisa pra salvar o Alex.
Agustin?
Só de pensar no Agustin, um calafrio percorreu todo o meu corpo.
Mas ele tem o dinheiro.
Ele gasta o triplo dessa quantia em coisas insignificantes diariamente. Nem faria diferença pra ele.
Mas eu posso fazer isso? Me vender pro próprio diabo?
Pelo Alex, eu posso.
Mas os riscos são muito altos. O Agustin é mau até a alma. Se ele descobrir o que o Alex significa pra mim, ele pode até se certificar de que o Alex morra só pra me atingir por ter fugido. Eu não posso correr esse risco. Ele é muito imprevisível e agora sei que nada é baixo demais pra ele, ele pode se rebaixar a qualquer nível só pra deixar minha vida miserável.
Ele vai me destruir de novo e de novo, me matar de novo e de novo, só pra me trazer de volta à vida pra poder fazer isso mais uma vez. E isso seria como dar a ele a oportunidade perfeita numa bandeja de prata.
Outra lágrima gorda rolou pela minha bochecha quando percebi o quão difícil a situação é. Um soluço sufocado irrompeu dos meus lábios quando minha alma clamou por ajuda.
Então, de repente, tudo fez sentido. Teodoro Blake.
Ele pode me ajudar!
Peguei meu celular sem pensar duas vezes, mesmo sabendo que não ia acabar bem. Ser vulnerável na frente do Teodoro pode me colocar em situações que eu nunca quero estar.
Só posso rezar pra que ele seja mais humano do que eu dou crédito a ele, com isso, peguei meu celular e disquei o número dele.
Ele atendeu no quinto toque.
"Alô," Veio sua voz rouca, como se estivesse dormindo e irritado por ser incomodado pela ligação.
Respirei fundo e disse, "Alô, senhor, sou eu, a Onika."
Pausa maligna de alguns segundos.
"Meu Deus, não vi seu nome no telefone", sua voz soou surpresa.
"Posso saber o que me deu o prazer de ouvir sua voz adorável a essa hora da manhã?" respondeu ele alegremente, sem nenhum vestígio de irritação.
Me controlei e me preparei pro que estava por vir.
"Senhor... na verdade, preciso te encontrar, é urgente." Minha voz tinha um tom de súplica.
Eu nem estava escondendo minha vulnerabilidade, não adiantava, ele ia perceber logo, de qualquer forma. Ele não é burro, já sabe o que o Alex significa pra mim. Tudo.
"Ok..." disse ele com a voz confusa, "primeiro me diga o que é, você está bem?" ele perguntou, com a voz cheia de preocupação.
"Senhor, não posso te contar isso por telefone, preciso te encontrar, por favor, não vou tomar muito do seu tempo."
Ele demorou um pouco pra responder, como se estivesse tentando entender o que estava acontecendo, "Ok, venha para o meu apartamento, não é muito longe do seu. Quer que eu mande meu motorista te buscar?" ele ofereceu.
"Não, senhor, não precisa, me manda seu endereço por mensagem."
"Ok," com isso, ele desligou a ligação.
Depois de um minuto, meu telefone tocou mostrando seu endereço. Não levaria mais de meia hora pra chegar lá. Peguei um táxi imediatamente e me preparei pro que estava por vir. Sei que se quiser ver o Alex vivo, preciso me manter forte, e é só isso que importa, e estou pronta pra pagar o preço por isso.
Tão logo cheguei lá, reunindo toda minha coragem, bati na porta dele sem perder mais tempo.
Continua...
~~~~~~~~~~~~~~~