Capítulo 19
POV do Agustin.....
"Tô me sentindo um caco, a primeira vez na vida. Quero que tudo seja perfeito. Tô perdendo a paciência, preciso reconquistá-la logo ou vou enlouquecer. Não consigo suportar ela não estar nos meus braços. Tenho essa chance e quero aproveitar ao máximo. Você me ajuda?" perguntei pro Jackob.
"A luta é sua, Agustin. Você precisa descobrir o que tem que fazer. Mas, se precisar de ajuda com os preparativos, ficarei feliz em ajudar. Mas te aconselho a ser paciente e reconquistá-la do jeito certo. Não a pressione e seja o Agustin que você era antes de tudo isso acontecer, o Agustin que ela amava mais que tudo nesse mundo", ele disse com a cara de paisagem.
Huff... Soltei um suspiro frustrado e disse: "Eu sei que tô fazendo tudo errado, mas se não fizer, ela nem vai me ouvir, muito menos olhar pra mim, e se ela não passar tempo comigo, como vai saber que eu mudei?"
"Você mudou, Agustin?" ele perguntou, com o rosto sério.
"Que que você quer dizer com isso?"
"Você não tá fazendo a mesma coisa de novo, chantageando ela pra ficar com você?"
Bati o punho na mesa, frustrado: "Então, o que você quer que eu faça? Dar o divórcio pra ela? Assistir ela casar com outro ou ser o padrinho do noivo? Porque nós dois sabemos que se eu deixar ela ir, ela nem vai olhar pra trás pra mim."
"É aí que você se engana. Se ela quisesse, já teria feito isso depois que fugiu, mas todo esse tempo longe de você, ela nem teve um namorado sequer. Significa que algo a impediu. Talvez ela ainda sinta algo por você. Ainda há uma chance, você só precisa seguir o caminho certo.
Depois de tudo esse tempo fazendo o que você mandou ela fazer, ela precisa saber que as coisas não serão como antes, nunca mais. Mostre pra ela que a decisão dela importa, que ela é livre pra escolher, que tem o mesmo direito de tomar decisões nesse relacionamento, em vez de você impor tudo a ela. Se for pra ser, ela vai voltar pra você. Você só precisa mostrar que vai estar sempre ao lado dela, não importa qual seja a decisão dela, que você sempre vai esperar por ela."
Joguei o cabelo pra trás, frustrado. Ele sabe do que tá falando? Como posso simplesmente deixá-la ir? E se ele acha que ela vai voltar sozinha pra mim, tá delirando. Preciso mostrar pra ela que sou o mesmo Agustin que ela amava, que farei qualquer coisa por ela, que sou o único pra ela, que foi só um momento de loucura e agora voltei a mim.
"É melhor você seguir com os preparativos e deixar o resto comigo", falei pra ele. Ele pareceu decepcionado com essas palavras.
"Ok, me diz o que eu preciso fazer."
"Quero que você reserve o melhor restaurante italiano da cidade. Ela adora italiano, né? Porque sempre fomos em restaurantes italianos quando saíamos.", disse com confiança.
"Não, Agustin, isso porque é o seu favorito e não o dela. Ela sempre priorizou o que você gosta e não gosta, e você sempre levou na brincadeira. O favorito dela é restaurante francês.", Isso me chamou a atenção, olhei pra ele desconfiado.
"Como diabos você sabe disso, sendo que eu não sei?" Estreitei os olhos pra ele.
Ele empalideceu quando perguntei: "Eu...eu...lembro dela ter mencionado isso uma vez quando estávamos brincando de verdade ou desafio.", estranho, por que eu não lembro disso? Talvez ele esteja certo, preciso ser mais observador.
"Ok, então quero que reserve o melhor restaurante francês."
"Mas acho que ela gostaria mais se você levasse ela em um restaurante pequeno e aconchegante."
"Quê? Não, ela precisa saber que vou sempre tratar ela como uma princesa... que ela sempre terá o melhor de tudo se estiver comigo."
Ele soltou um suspiro derrotado e disse: "Ok... como você quiser."
POV da Onika....
"Mamãe, mamãe.", Alex gritou de alegria ao ver seus novos brinquedos.
"Sim, meu amor, olha, a mamãe comprou tantos brinquedos novos pra você."
"Mamãe, você brinca comigo?", ele perguntou. Me senti tão mal que não posso.
"Amor, a mamãe tem que ir em algum lugar, é urgente. Vou pedir pra tia Shira brincar com você, mas prometo que volto em uma hora e aí vamos brincar juntos. O tempo que você quiser. Tudo bem, amor?"
"Tudo bem, mamãe... você vai trazer chocolates pra mim?" ele perguntou com travessura nos olhos.
"Deixa eu pensar, se você for um bom menino e tomar todo o seu leite, eu penso nisso."
"Ok, mamãe, eu vou ser bom, promessa de dedinho.", Com isso ele me deu seu sorriso caloroso que derreteu meu coração. Esse menino vai ser a minha perdição.
"Então espere aqui, vou trazer seu leite", falei e fui pra cozinha.
Agustin me perguntou se ele podia vir me buscar, mas eu neguei na hora e falei pra ele só me mandar o endereço por mensagem e eu iria. Não quero ele aqui.
Estava esquentando o leite do Alex quando ouvi algumas vozes da sala, seguido pela risada e gargalhadas do Alex. Corri pra sala e o que vi me chocou.
Alex estava no colo do Agustin com pilhas de chocolates na mão.
"Alex, vem aqui na mamãe agora", os dois me olharam assustados. Mas obedeceram na hora. Quando ele veio até mim, eu falei: "Eu te disse ou não pra não falar com estranhos?" Dei a ele meu olhar de mãe brava.
"Mas mamãe, ele me deu chocolates", ele disse com sua voz inocente.
"Shira, leva o Alex pro quarto", falei pra babá. Quando eles saíram do alcance da audição, falei.
"Como você ousa entrar aqui sem minha permissão e como diabos você entrou?" Eu estava fervendo de raiva.
"Eu tenho meus jeitos.", Ele simplesmente respondeu e mostrou a chave na mão.
"Você tem uma chave do meu apartamento... isso é um absurdo", fiquei chocada e ele disse como se não fosse nada.
"Sai daqui agora ou vou ligar pra polícia", ameacei.
"E o que vai adiantar, querida? Você vai parecer uma idiota por me expulsar do meu próprio apartamento.", Que porra é essa!
"Você comprou meu apartamento, não é?" ele só me deu uma expressão entediada. Literalmente quero matá-lo agora e ele está ali como se nada tivesse acontecido, ele é de verdade?
"Esta é minha família também. Você não pode me impedir de vir aqui. Eu estava apenas me familiarizando com o Alex, afinal, eu sou o pai dele."
Minhas mãos estavam coçando pra dar um tapa nele. "Você tá maluco? Como ousa nos chamar de sua família, você perdeu esse direito há muito tempo. Deixei claro que não quero você perto do Alex. Você não merece ser pai de ninguém, muito menos do Alex.", me arrependi do que disse quando vi sua expressão de dor, mas ele é muito perigoso e de pavio curto, não posso arriscar o Alex perto dele, e se ele ficar com raiva do Alex e bater nele como costumava fazer comigo.
Ele se recuperou rapidamente e disse: "Você pode negar o quanto quiser, mas um dia seremos uma família feliz de novo. Agora, se vista, querida, estamos atrasados pro nosso encontro", ele disse voltando a ser o de sempre. Ele ainda acha que eu vou com ele, tá doido?
"Eu não vou a lugar nenhum com você, só sai daqui", falei.
"Se você não cumprir sua parte do acordo, por que acha que eu vou cumprir a minha?" Ele me deu seu sorriso malvado característico.
Bastardo chantagista. Isso não tem jeito, ele com certeza tem algum problema mental. Respirei fundo e disse: "Você tem uma hora, e não um minuto a mais que isso."
Ele não pareceu muito feliz com isso, mas disse: "Tudo bem."
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Só usei um vestido vermelho simples, prendi meu cabelo em um coque e fiz uma maquiagem leve. O trajeto foi silencioso. Meu humor já estava estragado. Às vezes eu sentia ele me encarando, mas não olhava pra ele pra confirmar minha dúvida.
O carro parou em frente a um restaurante francês muito caro. Espera aí... restaurante francês... ele lembra... Não sei por que, mas de repente senti um calor se espalhando pelo meu corpo. Achei que ele nunca se importou. Mas teria gostado mais se fosse um restaurante pequeno e aconchegante. Estava me sentindo deslocada aqui.
Quando entramos, fiquei surpresa ao ver o restaurante inteiro vazio. "Você reservou o restaurante inteiro?", a pergunta saiu da minha boca antes que eu pudesse me controlar. Ele só me deu um sorriso envergonhado como resposta. "Ostentação e desperdício de dinheiro", murmurei baixinho.
Tão logo nos sentamos, um garçom veio fazer o pedido. Pedimos os dois e o garçom saiu. Eu estava olhando pra qualquer lugar menos pro Agustin, então ele pigarreou pra chamar minha atenção.
"Como você fugiu, Onika? Quem te ajudou?" Fiquei surpresa com a pergunta dele. Merda. Não posso deixar ele saber disso, ele vai matar o John.
"Não... ninguém, eu... consegui sozinha."
"Bobagem, nós dois sabemos que isso não é possível. Não se preocupe, não vou machucar a pessoa. Só quero saber.", não acredito nele.
"Eu te disse a verdade."
"Se você não me contar, vou descobrir sozinho. É melhor você me contar, posso pegar leve com ele."
"Mas agora há pouco você disse que não ia machucá-lo."
"Então, significa que alguém te ajudou.", Merda.
"Agustin, por favor, deixa pra lá, ou vou embora", avisei.
"Tudo bem...", ele respondeu com os dentes cerrados.
Depois disso, comemos em silêncio. Mas ele estava roubando olhares pra mim de vez em quando, parecia realmente nervoso, como se estivesse tentando dizer algo, mas não conseguia reunir coragem pra fazer isso. Quando ele finalmente estava prestes a abrir a boca, o garçom veio limpar nossa mesa e perguntou sobre a sobremesa. Mas antes que eu pudesse dizer alguma coisa, Agustin o dispensou grosseiramente e disse para não nos interromper no meio. O garçom apenas balançou a cabeça e saiu. Que rude.
Olhei pro meu relógio e disse: "Seu tempo acabou, me deixa em casa."
"Não, espera, preciso dizer algo."
"Então por que você perdeu todo o seu tempo falando besteira, olha, eu disse pro Alex que voltaria em uma hora, ele deve estar me esperando, preciso ir."
Ele olhou diretamente nos meus olhos e disse: "Lembra como você me pediu pra te dar cinco minutos pra dizer sua parte, no dia em que nos conhecemos, hoje estou implorando por cinco minutos, por favor, Onika, só cinco minutos."
Ele soou tão desesperado. Não sei por que, mas isso tocou meu coração. Pra falar a verdade, não quero ouvir nada que ele tem a dizer, mas se eu negar, ele vai achar que tenho medo, que vou ceder... Não quero que ele tenha nenhuma ideia errada e pense que estou negando porque me sinto vulnerável, então é melhor ele saber que não há nada que ele possa dizer que vai ajudá-lo a me reconquistar.
"Ok, você tem exatamente cinco minutos, nem um segundo a mais que isso", olhei pro meu relógio e disse: "Seu tempo começa agora." Não deveria me sentir culpada por falar com ele dessa maneira. Ele merece. Mas de alguma forma, não me pareceu certo.
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