Capítulo-12: O Café da Manhã
POV da Sya:
O sol nasceu no dia seguinte e eu tava pronta pra ir embora, tipo, já tinha decidido. Mesmo que eu não tivesse nenhum lugar em mente pra ir, mas eu não podia me dar ao luxo de ser um fardo pra alguém, especialmente pro Kane. Depois que eu desci, com o pijama que a Cara tinha me dado pra usar, pra falar pro Kane que eu tava pronta pra ir, ele não quis nem saber.
Ele mandou eu calar a boca, falando: "Você não tem onde morar agora e a gente não tem problema nenhum com você aqui. Você pode ficar aqui o tempo que quiser." Ele quase berrou comigo e a última coisa que eu queria era que ele ficasse bravo comigo. Decidi aceitar a oferta dele e prometi pra mim mesma que, assim que pegasse o primeiro salário no café, ia procurar um lugar pra alugar, mesmo não tendo certeza de quanto o Jason ia me dar, já que eu faltei no dia depois da merda que o Kane fez.
A semana passou, bem de boas. O Kane e o Bryson pegaram minhas coisas na casa da minha tia. Eles nunca me contaram como conseguiram, mas ok. O Jason prometeu não cortar dinheiro do meu salário esse mês e, eu tava amando aqui! Descobri que o Kane e o Bryson eram primos e moravam aqui sozinhos. As famílias deles moravam sei lá onde, na Inglaterra, e os dois tavam aqui pra faculdade. Às vezes, eu ficava me perguntando, por que aqui? Tipo, tinha um monte de faculdades boas na Inglaterra também, mas eles só deram de ombros e disseram que precisavam de uma mudança. Então, se mudaram pra outro país, do nada.
Eu só tava feliz que eles tinham vindo pra cá porque, assim, eu conheci o Kane. E falando no Kane. Depois daquele abraço, tava meio estranho entre a gente por uns dias. Toda vez que ele entrava num cômodo que eu já tava, eu corava pra caramba e ou saía correndo ou me recusava a olhar pra ele. Finalmente, depois de uns 3 dias, o Bryson me sacou e me contou que o Kane tinha exagerado um pouco na bebida naquela noite. Não podia dizer que eu não tava um pouco decepcionada, mas isso ajudou a gente a voltar ao normal. Por outro lado, o Bryson era um doce. Ele era o cara mais engraçado que eu já tinha conhecido. Não que eu tivesse conhecido outros caras além do Kane, do Bryson e do John, e se eu pudesse escolher, ia torturar o John até a morte. Mas ainda assim, o Bryson era muito engraçado e fofo. Ele tinha um charme único e atraente. Eu tava muito feliz que a Hannah tinha ele.
Entrei na cozinha pra tomar café da manhã e cumprimentei o Bryson, que tava sentado no banquinho perto da ilha, com uma caneca de café numa mão e o celular na outra. Ele levantou a cabeça quando me ouviu e acenou como uma criança animada.
"E aí, Sya! Tudo bem essa manhã?" O Bryson falou, sorrindo pra mim. Eu sorri de volta e sentei do lado dele. O cheiro de panquecas fresquinhas encheu o ar, me dando água na boca.
"Tô ótima, obrigada", respondi bem animada e olhei ao redor da cozinha, procurando por um certo par de olhos cinza-azulados. Quando não achei, me virei pro Bryson, que já tava enfiando comida na boca. Aquele cara era muito rápido, viu! Eu olhei pro lado por um segundo e ele já tava empurrando comida pra dentro.
"Cadê o Kane?", perguntei pra ele, tentando manter a calma. Tipo, como se eu não estivesse morrendo de vontade de saber porque ele não tava ali com a gente. O Bryson tentou responder, mas como tava com a boca cheia de panqueca, acabou cuspindo uns pedaços na bancada, falando um monte de merda enquanto isso. Eu ri e depois fiz uma cara de nojo. Ele mastigou rápido a comida e respondeu depois que engoliu.
"Sei lá. Você sabe que ele quase nunca come com a gente no café. Então, não é nada demais se ele não aparecer", ele deu de ombros, tomando um gole de café. Eu bufei. Desde que eu tinha vindo pra cá, uma semana atrás, o Kane não tinha tomado café com a gente nenhuma vez. Eu não tinha perguntado pro Bryson por que antes porque achei que ele ia aparecer algum dia, mas depois de perder a chance no quinto dia, achei que ele não tava vindo mesmo. Não sei porquê, mas eu tava preocupada com ele. Ou, sei lá, porque você gosta dele! Cala a boca, cérebro!
"Tudo bem", murmurei baixinho. Levantei e preparei uma bandeja de café da manhã com as panquecas deliciosas que a Cara tinha feito. A Cara era uma cozinheira incrível com uma personalidade incrível. Ela era a governanta e cuidava da casa muito bem. Fiquei impressionada com a forma como ela conseguia cuidar de uma casa tão grande sozinha.
Fui pro quarto do Kane, o que ele tinha me falado na noite em que cheguei aqui pela primeira vez. Nunca tinha ido no quarto dele depois disso, na verdade. Eu sempre encontrava ele ou o Bryson na sala de estar. Nunca senti necessidade de ir visitar o quarto dele. Bati delicadamente.
Sem resposta.
*toc toc*
De novo, sem resposta.
"Kane?" Chamei. "Trouxe café da manhã." Quando ele não me respondeu de novo, coloquei a mão na maçaneta e girei com cuidado. A porta abriu e eu dei uma espiadinha. Não tinha ninguém lá. Entrei e coloquei a bandeja na mesinha de cabeceira. Meus olhos vagaram pelo quarto e notei que tava decorado como o resto da casa. Preto com um toque de outras cores. As outras cores sendo cinza escuro e azul marinho. O quarto dele era bem simples. Além do papel de parede, cortinas e móveis bonitos, não tinha nenhuma decoração que você encontraria no quarto de um garoto da faculdade, tipo pôsteres e jogos. Ele também tinha uma mesa encostada na parede ao lado da cama, mas só isso. Era tudo simples.
Eu tava ocupada olhando em volta quando ouvi um clique atrás de mim. Me virei rápido pra ver a fonte e explicar por que eu tava no quarto dele.
"Kane, eu trouxe-" Nunca terminei a frase. Toda a cor sumiu do meu rosto e eu congelei. Ali, na porta do banheiro, tava o Kane Wilson sem camisa. O cabelo molhado colado na testa. A calça jeans justa frouxa na cintura, com todos os seus oito gominhos à mostra. Sim, meu Deus! Oito e não seis! MEU DEUS! Acho que vou desmaiar! Como que respira, porque eu não lembro como se respira!
"Acho que- eu, ah, vim aqui pra- você não tava- acho que eu vou embora", gaguejei, corando furiosamente, tentando olhar pra tudo e pra qualquer coisa no quarto, menos pra ele. Corri em direção à porta do quarto, mas não consegui abrir. Faíscas explodiram no meu pulso, onde o Kane me agarrou e me girou. Bati nele por causa do puxão repentino, meu rosto a meros centímetros do dele. Eu engasguei quando olhei pra aqueles olhos cinza-azulados que estavam me encarando fixamente. Minha respiração falhou na minha garganta por causa da proximidade em que estávamos. E o fato de ele estar sem camisa não tava me ajudando nem um pouco.
Minha boca tava aberta como a de um peixe. O rosto dele tava rígido, mas calmo enquanto ele olhava nos meus olhos. Os olhos dele estavam absorvendo cada centímetro do meu rosto e o olhar desceu pros meus lábios. Meu coração tava batendo tão forte que eu tinha certeza que ia quebrar a caixa torácica e pular do meu peito a qualquer momento.
Os olhos dele voltaram pros meus olhos e, de novo, piscaram pros meus lábios. Meu olhar também foi pros lábios dele e notei que ele tava se aproximando. Eu quase entrei em pânico e meu corpo paralisou. Eu não tinha mais nenhum controle sobre mim mesma. Era como se meus membros tivessem vontade própria. Eu só conseguia ver ele se aproximando cada vez mais, enquanto a respiração dele abanava meu rosto e eu fechava os olhos em antecipação. A colônia fresca dele tinha bloqueado meus sentidos completamente.
Quando ele tava a um centímetro dos meus lábios, uma batida alta na porta me trouxe de volta à realidade. Imediatamente pulei pra longe dele e virei a cabeça em direção à porta.
"E aí! Tá na hora da faculdade, Kane! Anda logo se não quiser se atrasar", o Bryson gritou. Ele foi embora e o som dos seus passos sumiu. Quando olhei de volta pro Kane, ele ainda tava lá, mas um passo distante de mim. Seus olhos estavam fechados com irritação e ele tava murmurando algo baixinho. Acho que ouvi um palavrão e ‘Bryson'.
Abri a porta rapidinho e saí correndo do quarto, longe de todo aquele calor. Meu coração ainda martelava no meu peito enquanto eu voltava pro meu quarto e pegava minha mochila. Saí de casa pro carro, onde o Bryson tava esperando. Meu corpo parecia estar no modo automático e minha mente ainda tava embaçada por causa do que tinha acontecido. Ou ia acontecer. Tudo parecia surreal, tipo um sonho.
Depois de um tempo, o Kane também saiu de casa, mas eu não ousei olhar pra ele, ou, pra ser mais precisa, pra aqueles olhos dele que eram magneticamente injustos.
A viagem pra faculdade foi silenciosa, exceto pela música que o Bryson cantarolava no rádio.
Quando o carro parou no estacionamento da faculdade, fui a primeira a pular. Mas o Bryson ganhou de mim, porque ele andava a passos largos e me deixou pra trás. Não parei, no entanto. Praticamente corri ao redor do prédio, propositalmente usando a porta dos fundos pra entrar, presumindo que o Kane usaria a da frente. Mas alguém agarrou meu pulso e me girou pela segunda vez naquele dia. Meu rosto encontrou um peito duro e o cheiro delicioso imediatamente me disse que era o Kane. De novo. Ele colocou seus braços musculosos ao meu redor e me prendeu contra o corpo dele. Meu rosto corou pela milésima vez desde que o conheci e meu coração acelerou a uma velocidade anormal. Me perguntei se ele tinha alguma ideia do efeito que ele tinha em mim. A presença dele tinha em mim. O peito dele vibrou contra meu rosto enquanto ele falava.
"Desculpa! Perdi o controle quando te vi no meu quarto mais cedo", ele fez uma pausa por um segundo, respirando fundo, antes de continuar. "É tão difícil te evitar, ainda mais quando a gente mora na mesma casa." Assim que as palavras saíram da boca dele, elas cortaram meu coração, estilhaçando-o em pedaços. Era difícil pra ele me evitar? Por que ele ia querer me evitar? Ele me odeia? É por isso que é difícil pra ele me evitar? Mas se ele me odeia, por que ele me trouxe pra casa dele?
"Sya, eu gosto tanto de você. Cansei de tentar lutar contra isso. A vontade de te abraçar, te beijar. Não consigo mais ficar longe de você. Te quero nos meus braços todos os minutos do dia", ele continuou, colocando os lábios na minha cabeça e respirando no meu cabelo. As palavras dele jogaram minha mente e meu coração numa loucura total. Meu coração estilhaçado foi imediatamente costurado de volta por essa pessoa linda chamada Kane Wilson. Lágrimas de felicidade saíram dos meus olhos. Eu tava tão sobrecarregada com a confissão dele que desabei ali mesmo, nos braços dele. Quando ele percebeu que eu tinha começado a chorar, ele se afastou um pouco pra poder me olhar.
Ele enxugou minhas lágrimas com os polegares e segurou meu rosto com as mãos quentes.
"Sya Summers, você quer ser minha namorada? Pra eu ter todo o direito de te beijar?" Ele perguntou, me dando um sorriso banguela extremamente charmoso que deixou meus joelhos bambos. Os olhos dele estavam cheios de amor e adoração, que eu sempre desejei.
Um pequeno sorriso apareceu no meu rosto e eu murmurei um pequeno 'Sim'. Não consegui encontrar minha voz de jeito nenhum. Os olhos dele brilharam de alegria. Ele começou a se inclinar de novo pra terminar o que tinha começado mais cedo naquela manhã. Mas, de repente, me ocorreu que esse ia ser meu primeiro beijo e o cenário tava longe de ser romântico. Estávamos os dois parados atrás do prédio da faculdade, uma lixeira a poucos metros de nós. Não tem como eu ter meu primeiro beijo assim!
Imediatamente me afastei e não consegui evitar rir, enquanto ele franzia a testa pra mim da maneira mais adorável de todas. Quase um biquinho.
"Eii! Não vale!" Ele choramingou e começou a andar na minha direção pra poder me prender nos braços de novo, mas eu corri. Foi um lado bem raro do Kane que eu pude testemunhar naquele momento. O Kane brincalhão, sem broncas. Ele tava sorrindo e rindo. O que era bem diferente da sua aparência rígida e séria normal. E, pra ser sincera, eu amei esse lado infantil e brincalhão dele.
"Agora não, meu namorado querido. Temos que ir pra aula", gritei por cima do ombro, tentando dar passos longos pra me afastar dele. Empurrei a porta dos fundos, mas ele me alcançou, beijando minha bochecha, o que fez minhas bochechas corarem.
Eu olhei pra ele de brincadeira, mas derreti instantaneamente depois de ver o sorriso lindo dele.
"O quê? Não posso beijar minha namorada na bochecha?" Ele perguntou brincalhão, arqueando uma sobrancelha pra cima. Eu ri e bati no ombro dele de brincadeira. "Se o Kane Wilson quer um beijo da namorada, ele tem que esperar", falei pra ele. As portas tinham fechado de novo.
"Eu sempre vou esperar por você", ele respondeu baixinho, entrelaçando a mão dele na minha. Meus dedinhos pequenos se encaixaram tão bem nos dele, que eram grandes. Ele deu um pequeno aperto reconfortante na minha mão e eu sorri tanto que minha mandíbula doía. Mas eu não ia parar. Eu ia sorrir o quanto eu quisesse. Por causa dessa felicidade, isso tudo é meu.
Eu não me sentia tão leve, tão feliz há muito tempo. E queria que durasse dessa vez. Sinceramente, eu esperava que sim.
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