Capítulo 23: Salvando-a
POV do Kane
A viagem de carro pro lugar que a Stella me contou foi um borrão de loucura. A Hannah se enfiou no carro antes que o Bryson pudesse impedir e exigiu ser levada pro lugar onde a melhor amiga dela tava sendo mantida à força. Tanto eu quanto o namorado dela falamos pra ela não ir, porque ia colocar ela em perigo, mas ela se recusou a ouvir.
A persistência dela era compreensível e burra. Compreensível porque a melhor amiga dela tinha sido sequestrada e burra porque ela não fazia ideia com quem a gente tava lidando.
Mas eu não falei pra ela. Era a vez do Bryson de soltar o segredo dele.
Então, nós quatro fomos pro final da floresta, onde tinha uma torre de tortura velha e abandonada. A Stella rastreou a Sya até o porão desse lugar. Parei um pouco longe e me virei pras garotas.
'Stella, você sabe o que fazer, certo? Eu e o Bryson vamos detonar o Elijah e os capangas dele. Você e a Hannah ficam escondidas."
Elas assentiram e a gente saiu. A noite tinha caído lá fora e eu conseguia ouvir corujas gritando e animais selvagens uivando. Entrei sorrateiramente pela entrada quebrada. Tava tudo muito escuro.
Fiz sinal pras garotas se esconderem quando ouvi vozes. Eram os capangas do Elijah. O Victor e o Dave. Os dois entraram pro grupinho idiota dele quando ele mostrou a posse da pedra do onheil. Eles eram leais desde então.
Eles podiam ter sentido nossos cheiros num piscar de olhos, mas como a gente tava usando uma das poçes da Stella, eles não conseguiam saber que a gente tava por perto.
Eles estavam de guarda do lado de fora de uma porta de madeira, as presas à mostra.
'Vocês!' A Stella chiou do canto esquerdo.
Eu me virei pra olhar pra ela e o Bryson também. Franzi a testa.
Por que ela tá sozinha? A Hannah não devia estar com ela?
'É a Hannah! Ela sumiu!' ela sussurrou de novo.
A cor do rosto do Bryson sumiu. Antes que ele pudesse reagir, eu peguei o braço dele. 'Escuta. Não faz nada de cabeça quente. Pode estragar tudo.'
Foi difícil pra ele me ouvir, mas ele ainda assentiu, o punho cerrado. Eu me virei pra Stella.
'Vai procurar por ela. Fica longe do Elijah, ok?'
'Entendido.' Ela sumiu e a gente virou a atenção pros dois.
'Prontos?' Eu perguntei pro Bryson que assentiu, ainda mais determinado agora.
Corri pro Victor e agarrei ele pelo pescoço. O Dave tentou pular em mim, mas o Bryson chegou nele ao mesmo tempo. O Victor se contorceu na minha pegada, mas eu agarrei a mão dele e virei.
'Ai!' ele tentou gritar, mas como eu tava com as cordas vocais dele pressionadas sob meus dedos, ele não conseguiu gritar.
Não perdi tempo e virei, jogando ele no chão e chutei a lateral dele, virando ele de costas.
'Onde ele tá? O Elijah,' eu rosnei, pressionando meu pé na garganta dele.
Ele se esforçou pra respirar, mas eu sabia que não ia demorar muito pra ele se soltar.
Ele sorriu pra mim em zombaria, 'Acha que tem chance?'
O barulho de uma porta abrindo me distraiu e ele aproveitou pra pegar meu pé e me jogar pra trás. Meus pés escorregaram no chão pra eu não perder o equilíbrio. Do meu lado, o Bryson também tinha sido empurrado pelo Dave.
A porta abriu e o Elijah saiu. A raiva correu por mim enquanto eu encarava o rosto familiar. O rato sangrento que destruiu todo mundo que eu amava.
'Nos encontramos de novo, garoto,' ele rosnou, com um sorriso sujo no rosto.
'Eu não sabia que torres de tortura tinham ratos,' eu rosnei.
Ele riu. 'Ah, por favor, Kane. Isso é um insulto aos vampiros, você sabe disso. Especialmente os nativos como eu,' ele se virou pro Bryson. 'Oi, Bryson. Vejo que você se apegou a essa aqui em vez de se juntar ao meu grupinho.'
'Eu prefiro enfiar uma dinamite na sua garganta,' o Bryson cuspiu.
'Uou, ei,' o Elijah riu, levantando as duas mãos. 'Não é legal falar assim com a pessoa que tem sua parceira. A propósito, ela ainda não sabe quem você é, não é?'
Os olhos do Bryson brilharam de fúria, 'Juro por Deus que eu vou te matar!'
'Chega de bate-papo. Acredito que você tem algo que me pertence?'
Eu olhei pro Bryson antes de enfiar a mão no bolso e tirar uma bolsinha vermelha. 'Quer dizer isso?'
O Elijah assentiu, os olhos brilhando de fome. 'Sim, exatamente. Dá aqui. Não é pra crianças.'
Joguei pra ele. 'Aqui. Agora me dá as garotas.'
Ele pegou com facilidade e abriu com entusiasmo. Eu observei com séria satisfação como aquele sorriso animado dele se transformou em fúria total. 'Que porra é essa?!' Ele gritou.
Eu sorri, 'Sua pedra.'
Ele virou a bolsinha e poeira vermelha caiu. 'O que diabos você fez com ela!' ele rugiu.
'Ah, a gente só colocou no liquidificador. Sabe, pra ver o que acontecia. Coitadinha, nem sobreviveu,' o Bryson riu.
'Ah, não, Bryson. Quebrou uma das lâminas,' eu falei pra ele. O Bryson olhou pro Elijah com choque falso.
Os olhos do Elijah se transformaram em fendas enquanto ele jogava a bolsinha fora. 'Vamos acabar com isso.'
O Bryson estava pronto pra atacar, mas eu agarrei o braço dele. 'Não. Essa é minha.'
Eu ataquei ele e empurrei ele pra trás. Ele caiu e mordeu a parede, quebrando ela. Ele caiu do lado de fora e sumiu na floresta. O Bryson chutou o Victor e o Dave no chão com um movimento rápido.
Eu corri atrás do Elijah. Já era quase amanhecer, o sol espiando suavemente no horizonte. Corri até chegar a uma clareira e lá estava ele, com presas e garras à mostra.
'Sabe, sua parceira é tão linda. Por que você não me deixa me divertir um pouco com ela primeiro? Vai ser-' eu não deixei ele terminar a frase. Eu pulei nele, totalmente furioso e os dois caíram no chão. Mesmo que já fizessem quase cem anos desde que eu tive aquela pedra, seus efeitos ainda podiam ser vistos no Elijah. É por isso que era tão maligna.
Ele tinha arranhado meus braços, deixando marcas de arranhões neles. Eu me levantei, encarando ele enquanto ele se levantava com aquele sorriso irritante ainda no rosto.
'Ah, vai. Não seja assim. Quer saber? Por que você não me deixa brincar um pouco com sua parceira antes de eu matar ela? Sabe que eu nunca deixo de apreciar minhas refeições. Lembra como eu valorizava seus amigos, quais eram os nomes deles agora? Aqueles pequenos pestes. Eles nem tinham sangue suficiente-'
'SEU BASTARDO DOENTE!' Eu gritei e avancei nele. Ele nem teve tempo de respirar quando eu o peguei e joguei na árvore. Ele bateu com tanta força e escorregou no chão, mas eu não parei.
Eu não conseguia parar.
Eu chutei ele no estômago e socava o rosto dele repetidamente, enquanto a noite em que ele matou meus amigos passava pelos meus olhos.
'Isso é pela Sandy!' Eu soquei a mandíbula dele, fazendo ele cuspir sangue. 'Isso é pelo Ray! Pelo Sean! Pelo Tyler! Pelo Jac! Pelo Kyle!'
Ele estava tão machucado que nem conseguia falar. Eu me levantei e quebrei o galho grosso de uma das árvores com minhas próprias mãos. Eu voltei pra onde ele estava deitado, com o rosto e o queixo cobertos de sangue.
'E isso é por todas as pessoas que você já lançou seus olhos imundos. Incluindo a minha Sya!' Eu levantei o galho acima da minha cabeça antes de esfaqueá-lo bem no coração.
A cabeça dele caiu mole enquanto seus olhos reviravam, ainda abertos. Eu dei um passo pra trás e observei enquanto o corpo dele virava cinzas antes de desaparecer completamente da face da terra.
Aquele covarde do caralho.