Capítulo-24: Rejeitado
POV da Sya
'Isso também não vai, né?', a Hannah gemeu, tentando tirar a janelinha.
'Não adianta. A janela é muito pequena pra gente sair, de qualquer jeito', eu falei pra ela, sentando numa das caixas vazias.
Ela sentou do meu lado e suspirou. 'Tô preocupada. Por que os caras ainda não chegaram?'
Eu queria responder, mas tava tão fraca. Era como se meu corpo tivesse começando a desligar sozinho.
'Sya? Tá tudo bem?', a Hannah perguntou, preocupada na voz dela.
Eu balancei a cabeça, mas caí no chão mesmo assim. Ela sentou do meu lado, segurando minha mão. 'Sya! Aguenta firme, por favor!'
Eu balancei a cabeça. 'Tá tudo bem. Só tô meio tonta, só isso.'
Eu sentei mais reta, batendo na minha cabeça pra clarear um pouco a visão borrada. Funcionou.
Uma batida na porta chamou nossa atenção.
'Hannah? Sya? Vocês tão aí?', uma voz feminina perguntou.
'Stella!', a Hannah gritou, correndo pra porta. 'Estamos aqui!'
'Aguentem firme, meninas!', a Stella gritou.
A gente ouviu uma explosão antes da porta ranger e abrir. Eu pude ver ele ali, na entrada. Atrás da Stella e do Bryson.
Meu Kane.
Ele parecia tão preocupado quando entrou correndo e me abraçou. Eu abracei ele de volta, agarrando ele com força. Eu tava mesmo viva.
'Minha princesa, você tá bem?', ele se afastou e examinou meu corpo pra ver se tinha ferimentos.
Eu balancei a cabeça. 'Que bom que você veio', eu gritei, as lágrimas já escorrendo pelo meu rosto.
'Por que não viria?', ele sussurrou, sorrindo tristemente pra mim. 'Sua vida tava em perigo por minha causa.'
Eu balancei a cabeça. 'Não. Você veio porque me ama, Kane. E eu também. Eu te amo tanto.'
Ele sorriu, o sorriso mais lindo que eu já vi nele. Ele beijou minha testa gentilmente.
'Eu sempre vou te amar. Hoje e pra sempre.'
A Stella pigarreou. 'Ahm, gente. Por mais que eu ame reencontros românticos, a gente precisa sair.'
O Kane tentou me ajudar a levantar quando eu de repente senti uma dor forte que foi da minha cabeça até a espinha. Eu desmoronei no chão de novo, como uma boneca de papel.
'O que aconteceu?', ele perguntou preocupado.
'Eu tô meio grogue', eu murmurei.
Ele rapidamente colocou a mão embaixo de mim e me levantou no estilo noiva. Eu coloquei meus braços em volta dele, segurando ele com força enquanto nós quatro saímos daquele lugar escuro que eu nunca mais ia ver na minha vida.
A gente sentou no carro, a Hannah e o Bryson na frente e eu, o Kane e a Stella atrás.
'Então', eu falei, do nada. 'Eu sou sua parceira?'
Os olhos do Kane arregalaram. Os do Bryson também. Os da Stella também.
'V-Você sabe? Sobre a gente?', ele perguntou, parecendo extremamente nervoso.
Eu balancei a cabeça. 'Sei.'
O corpo do Kane ficou rígido do meu lado. 'Escuta, Sya. Eu vou explicar-'
'Não precisa', eu falei pra ele baixinho, segurando a mão dele. 'Eu não ligo se você tem presas ou não. Eu nunca ligaria.'
O Kane não relaxou nem depois disso. Eu virei um pouco pra poder sussurrar o resto no ouvido dele. 'A única coisa que importa é que você é meu e só meu. Eu te amo, Kane.' Eu beijei a bochecha dele antes de encostar minha cabeça no ombro dele de novo, agarrando ele.
O corpo dele relaxou e ele beijou minha testa. 'Eu te amo. Pra sempre.'
Eu fechei os olhos e antes de apagar, eu ouvi a voz da Hannah.
'Você me fala o que você é agora?', ela falou baixinho, pro Bryson.
Depois disso, eu dormi, cada centímetro do meu corpo doendo, dolorido e fraco.
POV do Kane
Logo a gente chegou em casa e quando saímos do carro, o Bryson levou a Hannah com ele pra explicar as coisas pra ela separadamente. Eu sabia que tipo de medo e turbulência ele tava passando porque eu já tinha sentido antes, mas agora tudo tinha sumido.
Graças ao meu anjo.
Eu levei a Sya, ainda nos meus braços, pro quarto dela e coloquei ela na cama. Ela tava parecendo tão tranquila e relaxada, isso aqueceu meu coração. Eu tirei os sapatos dela e coloquei ela pra dentro gentilmente. Eu sentei do lado dela, examinando o ferimento na cabeça dela. Não tava tão ruim, só um pouco inchado. Eu ia limpar quando ela acordasse. Ia ser errado incomodar ela agora.
Eu acariciei o rosto dela, sentindo a presença dela sob a ponta dos meus dedos.
'Eu senti tanta falta de você', eu sussurrei. Eu suspirei quando lembrei daquelas horas cruciantes que eu passei preocupado com ela. Meu coração apertou ao pensar nela se machucando. Foi minha culpa. Foi minha porra de culpa que ela se machucou. Naquela época, eu não consegui proteger minha única família, meus amigos, mas agora, eu tinha mudado tudo. Eu matei a pessoa que colocou as mãos nela e vou matar todo mundo que tentar fazer isso.
Meus pensamentos foram interrompidos quando uma ruiva apareceu na porta.
'Podemos conversar um pouco?', a Stella perguntou. Eu xinguei baixo. Eu sei sobre o que ela quer conversar.
Eu balancei a cabeça. Eu levantei e olhei pra minha linda parceira pela última vez antes de seguir ela pra fora.
*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.*.
POV da Sya:
Eu gemi quando abri meus olhos lentamente. Quando vi o que tava em volta, eu suspirei aliviada ao perceber que eu não tava mais naquele quarto mofado, mas na casa do Kane.
Na minha casa.
Eu me espreguicei e sentei, percebendo que eu tava com muita fome. Claro, eu não podia perder meu cheeseburger e perder o almoço e o jantar.
Que bom que eu não virei a janta de mais ninguém.
Eu saí da cama e fui pro banheiro. Eu tava parecendo que tinha sido pega nas ruas. Eu lavei meu rosto rapidamente, escovei meu cabelo e coloquei um pouco de loção antes de sair do meu quarto. Enquanto eu andava pelo corredor em direção à cozinha, eu senti uma sensação estranha subir pelos meus braços e ombros. A casa tava estranhamente quieta.
De repente, eu lembrei do que aconteceu no shopping e me arrepiei. Mas já que essa era a casa do Kane, eu sabia que eu tava segura. E eu também me sentia segura.
Enquanto eu passava pela sala, no entanto, eu ouvi vozes. Parecia duas pessoas discutindo. Eu não queria escutar, mas eu parei quando ouvi o Kane.
'Stella, eu entendo o que você tá dizendo, mas agora não é hora', ele tava dizendo, parecendo cansado e frustrado.
Eu fiquei triste. Ele tava passando por problemas e eu não podia ajudar ele e só tava aumentando os problemas dele.
'Quando vai ser a hora, então?', a Stella rebateu. 'Ela merece saber. Ela tem todo direito.'
'Eu quero contar pra ela também! Mas- eu acho que eu não consigo', ele respondeu.
'Você tem que contar!', a Stella gritou. 'Você tem que contar pra ela que você rejeitou ela na noite que você salvou ela do acidente que matou os pais dela.'
Meu coração parou.
Ele me conhecia desde aquela época?
As imagens daqueles olhos cinza-azulados passaram pelos meus olhos de novo. Os olhos do meu salvador. Tinha sido ele! Ele foi o que me salvou e ainda assim me deixou lá pra morrer de qualquer jeito?
Lágrimas encheram meus olhos quando eu olhei pra parte de trás da cabeça dele. A Stella foi a primeira a me ver e parou de falar. Vendo ela ficar paralisada, o Kane se virou e olhou direto pra mim.
'Sya?'
Eu não respondi. Eu tava toda rígida com choque e raiva e mágoa. O Kane, meu Kane, me rejeitou quando eu mais precisei dele?
'Eu posso explicar-'
'Não!', eu gritei, interrompendo ele. 'Como você pôde? Você viu meus pais morrerem e ainda me deixou lá pra sofrer por anos e anos?'
O Kane pareceu com dor. Ele sabia que era culpa dele. Ele foi o que causou tudo isso. Ele se moveu pra frente, tentando explicar, mas eu gritei pra ele ficar longe.
'Eu aceitei você do jeito que você é e ainda não! Eu não- só fica longe de mim.'
Eu me virei e corri pra fora, chorando. Longe do lugar que tinha me dado tanta felicidade e ainda assim tinha tirado tudo de mim.
Eu não sei o quanto eu corri antes de tudo ficar preto.
###Capítulo 25 (Parte I): Lutando por mim
POV da Sya
(2 meses depois)
'Hannah, por favor! Eu já te falei, eu tô tendo um mau pressentimento sobre isso', eu murmurei, coçando meu braço.
Ela franziu a testa. 'Eu não ligo. Nós vamos fazer isso e você não vai dizer não.'
'Mas eu tô com medo!', eu lamentei.
'Ah, para. Vai dar tudo certo, eu prometo', o Edi falou, puxando as mangas da camisa xadrez dele.
Na semana passada, eu contei pra Hannah o que o John e a Helena tinham feito com meus pais. Ela entrou em choque por alguns minutos antes de insistir que a gente prendesse eles.
'Você sabe que a gente não pode prender eles sem provas', eu falei pra ela. 'Você é filha de um advogado, devia saber.'
Ela gemeu antes de sorrir. 'A gente vai conseguir as provas. As cicatrizes no seu corpo. E a gente vai ter que gravar a confissão deles. O pai vai pegar o seu caso, não se preocupa.'
Depois disso, não teve como parar ela. Ela chamou o Edison e a dupla de burros tava me forçando a cumprir o plano delas. Eu continuei insistindo em outra coisa, mas elas não queriam saber.
'Já planejamos tudo e mesmo que você não diga sim, a gente vai mesmo assim', ela cruzou os braços no peito.
Eu fui correndo pro meu quarto e tranquei a porta. Eu caí na cama, suspirando cansada.
Tinham passado dois meses desde que eu tinha saído correndo da casa do Kane. Dois meses desde que eu tinha visto ele ou ouvido a voz dele. Eu tinha deixado claro pra ele que do jeito que ele me rejeitou, eu ia rejeitar ele.
Eu cortei todo contato com ele. Surpreendentemente, a Hannah fez o mesmo com o Bryson. Eu fiquei chocada quando acordei com a Hannah chorando dois meses atrás. Ela me contou como o Bryson nunca tinha contado pra ela a verdadeira identidade dele e tinha mantido isso escondido.
Ela tava meio chocada por estar namorando um vampiro e meio brava por ele não ter contado, então ela saiu de casa também.
Os dois garotos tavam fazendo a parte deles bem, não aparecendo na nossa frente. Eles até largaram a faculdade.
Mas isso não significava que a gente não sentia falta deles. Eu sentia muita falta do Kane. Mas minha raiva se recusava a diminuir também. A Hannah, por outro lado, não tinha certeza do que fazer e, vendo ela tão estressada, eu pedi pra ela ter tempo pra pensar. Ela não conseguia parar de chorar e o pai e a avó dela tavam ficando muito preocupados.
Por isso, nós duas nos mudamos pra um apartamento perto da faculdade usando o dinheiro que a gente conseguiu juntar. Claro, a Hannah pagou a maior parte, mas eu ainda tava pagando meu aluguel mensal.
Eu deitei no travesseiro, me sentindo triste. Esses últimos meses tinham me trazido tanta felicidade, mas eu tava cansada de depender dele. Eu queria começar a fazer as coisas por conta própria agora. Eu fechei os olhos e suspirei.
Na manhã seguinte, quando eu saí do meu quarto, a Hannah tava toda arrumada e sentada no balcão da cozinha, onde meu querido primo Edison tava ocupado fazendo café da manhã.
'Oi, Sya!', ela gritou. Ela tava usando jeans escuros e um top cropped com alças brancas.
Eu sorri e sentei do lado dela no banquinho. Eu peguei uma maçã e mordi ela.
'Bom dia, Sya. Você chegou na hora pra especial do Edi, ovos mexidos', o Edi animou, tirando a panela do fogão.
A Hannah revirou os olhos e tomou um gole do café da manhã dela. Eu ri e deixei ele colocar um pouco no meu prato.
'Você não vai comer?', eu perguntei pra Hannah, mas ela balançou a cabeça.
'Já comi Koko Krunch', ela respondeu.
Nós comemos nosso café da manhã, mas foi mais o Edi falando e a Hannah rindo. Eu raramente participava das palhaçadas deles. Pelo lado bom, o Edi tinha ajudado a animar a Hannah muito. Ele tava aqui só há uma semana, mas ele tinha se misturado tão bem com minha melhor amiga.
'De qualquer jeito', a Hannah se virou pra mim. 'Você lembra que dia é hoje?'
'Que dia é hoje?'
'É o D-Day, prima', o Edi franziu a testa, balançando a cabeça. 'Tô decepcionado.'
Eu gemi. 'Por que vocês dois não deixam isso pra lá? É perigoso!'
'Não é se tudo der certo', o Edi respondeu, levantando e ajeitando a jaqueta dele. A Hannah pegou a chave do carro e a minúscula câmera gravadora caneta que ela tinha pegado um dia atrás. 'Vamos!'
Elas me arrastaram pro carro e juntas, nós três fomos pro meu antigo bairro, especificamente pra casa da Helena.
Eu de repente senti adrenalina correndo nas minhas veias quando a casa de dois andares apareceu. Eu não tava mais com medo. Eu tava brava. Flashs do que elas tinham feito comigo e com meus pais passaram pelos meus olhos e de repente, eu queria vingança.
Eu não queria mais ser aquela Sya com medo. Aquela que se escondia atrás do Kane. Aquela que tinha calado a boca e aceitado a morte. Eu queria lutar contra elas. Eu queria fazer com que elas implorassem por perdão e depois chutar elas pra longe.
A Hannah estacionou o carro a uma distância e se virou pra mim. 'Sya, você vai entrar primeiro. Vendo você, elas vão reagir, mas eu entro um tempo depois, gravando tudo. Você tem que instigar o John a confessar. A mãe dele pode tentar parar ele, mas você tem que continuar. O Edi vai subir pro quarto do John pra procurar pistas. A gente só precisa de provas suficientes pra abrir uma investigação. O resto vai ser com o meu pai. Tá bom? Eu tenho minha faca de bolso e vocês duas têm as de vocês também.'
Mesmo que o plano não fosse tão sólido, valia a pena tentar. Talvez funcionasse. Além disso, eu queria ter a chance de gritar pro John tudo o que eu queria.
Eu nunca tinha tido a chance de fazer isso antes. Tudo o que eu fiz foi aguentar o que ele fez comigo antes de finalmente correr pela minha vida. Nós saímos do carro e andamos em direção à casa.
A Hannah me deu uma última olhada antes de bater suavemente na porta.
'Quem é?', a voz rouca da Helena gritou. Ela ainda tava com a mesma voz. Já fazia o quê, uns 4 ou 5 meses desde que eu tinha ouvido ou visto ela.
A Hannah me cutucou e eu respondi. 'Sou eu, tia Helena. Sya!'
Nós ouvimos um barulho atrás da porta antes dela abrir. A Hannah tinha se escondido do lado da parede pra não ser vista. Eu procurei a faca no bolso da minha calça jeans.
Ainda lá.
Ela sorriu, 'De volta, né? O que aconteceu? Seu brinquedo de menino ficou sem dinheiro? Ou ele percebeu que você é um fardo inútil e te largou?'
Eu apertei os punhos, mas me controlei pra não fazer nenhuma besteira. Eu ia colocar três vidas em risco se fizesse.
Ela abriu a porta mais e me deixou entrar. Eu olhei em volta. Tudo era igual. A mesma sala e o mesmo sofá mesquinho.
O John apareceu da cozinha. Ele sorriu maldosamente quando me viu. 'Bem, bem, bem. Olha quem voltou.'
Eu fiquei parada no meio da sala, com as palmas das mãos suando.
Vamos, Sya. Você consegue. Pense nos seus pais. Pense nas mortes injustas deles. Pense no que esses dois monstros fizeram com você.
'Eu sei o que vocês dois fizeram!', eu gritei. Eu de repente me senti com tanta raiva. Irritada.
Eles ficaram parados por um tempo antes da Helena soltar uma gargalhada.
'O que você descobriu, sua vadiazinha?'
'Ah, cala a boca, sua vaca!', eu falei pra ela. Os olhos dela arregalaram.
'Vocês dois, seus idiotas doentes, estão vivendo na casa que vocês compraram depois de roubar minha família e têm a audácia de me chamar de vadia?'
Eles se olharam antes da carranca do John se aprofundar. Ele não me atacou logo de cara, no entanto.
'Como ousa falar com minha mãe desse jeito?! Você esqueceu o que eu posso fazer?', ele gritou, as narinas dele se dilatando.
'Eu sei muito bem o que você pode fazer, seu porco gordo!', eu gritei, deixando tudo sair. 'Tudo o que você sabe é bater em garotas que nem são do seu tamanho! Por que você não vai procurar alguém do tamanho de Manhattan e arruma uma briga? Cavar um buraco e morrer nele, seu covarde de merda!'
Ele de repente sorriu antes de rir. A risada dele tava me dando nos nervos e eu queria socar os olhos dele.
'Então o que você vai fazer sobre isso?', ele zombou, andando mais perto de mim até ficar a centímetros do meu rosto. Eu me afastei, mas não fraquejei. 'Quer ouvir? Tudo bem. Contratamos um assassino pra matar seus pais. Fomos nós que mandamos mexer nos freios do seu carro. Mas você, sua vadiazinha, saiu de lá viva. Então a gente te manteve por perto pelo ato da casa dos seus pais. Ninguém gosta tanto de você pra te manter por perto. Você devia estar feliz por ter comida aqui. Nós matamos eles. Seus pais. Sabe por quê? Porque eles mereceram! Aqueles babacas mereceram ter seus rostos-'
Eu puxei minha mão pra trás e dei um tapa na bochecha dele. Com toda a força que eu pude. Ele não conseguiu nem reagir antes de eu socar ele embaixo do olho, fazendo ele cambalear pra longe de mim.
Uma dor forte passou pelo meu braço, mas eu não senti nada. Parecia satisfatório socar esse bastardo por uma vez.
'CALA A BOCA SEU FILHO DA PUTA! CALA A BOCA!', eu gritei.
Ele se preparou pra me socar de volta quando a Hannah entrou correndo pela porta da frente.
'Não ouse tocar nela!', ela gritou, segurando a faca de bolso dela. Eu esperava que a caneta dela tivesse gravado tudo. O gravador no meu celular provavelmente também tinha. Eu tinha ligado antes de entrar.
A Helena pareceu apavorada. 'Sua garota! Desde quando você tá aqui?'
'Desde sempre. Não ouse encostar um dedo na minha melhor amiga!', ela agarrou meu braço e me puxou pra longe do John.
Um barulho lá em cima chamou a atenção delas e eu mentalmente gemi.
Edison.
###Capítulo 25 (Parte II): O amor do Bryson
A Hannah tinha se saído bem, xingando as pessoas que mereciam ser xingadas. Mesmo que eu não seja fã de xingamentos, elas mereceram cada segundo.
Eu fiquei na entrada, focando minha câmera no que tava acontecendo lá dentro. Já que elas tavam todas focadas em discutir, não notaram que eu tava gravando tudo.
Eu não conseguia acreditar que deu certo! Meu plano tinha dado certo. Aquele idiota do John tinha falado tudo no momento em que foi instigado. As conexões dele com a polícia também não iam tirar ele e a mãe estúpida dele dessa. Porque meu pai tinha conexões mais profundas do que esse imbecil jamais teria por viver como um bandido.
Assim que ela socou ele, eu corri pra dentro, segurando minha faca no alto. 'Não ouse tocar nela!'
A Helena pareceu chocada ao me ver e eu sabia que ela tava preocupada com a possibilidade de eu ser uma testemunha. Eu puxei a Sya pra longe do John quando todas nós ouvimos algo cair lá em cima.
Edison!
O John pareceu apavorado. 'Mãe, tranque a porta. Não deixe essas duas saírem. Eu vou lá em cima. Tem alguma coisa estranha aqui.'
A Helena correu pra porta e trancou. Eu olhei pra Sya com pavor. Eu tinha a faca e a caneta tava gravando tudo, mas eu não tinha certeza de como a gente ia lutar contra essa mulher volumosa sem matar ela.
'Saiam da frente!', eu gritei, mas ela ficou parada como uma pedra na frente da porta.
O John desceu correndo, enfurecido. 'Os arquivos! Meu celular e meu laptop! Sumiram!', ele se virou pra gente, com os olhos em fendas. 'Como ousam fazer isso, suas vadias!'
Eu agarrei a faca com força enquanto a Sya tava se esforçando pra se controlar. 'Pague pelo que você fez, John! Peça desculpas!'
Ele deu passos ameaçadores em nossa direção. Eu tentei usar minha faca, mas ele se esquivou e agarrou meu pulso com uma força de aço, arrancando a lâmina e jogando no chão. Então ele me agarrou pelo pescoço com um mata-leão. Eu me esforcei pra tirar a mão dele de mim, mas não adiantou. Ele era forte demais.
'Eu vou matar vocês duas e enterrar vocês de um jeito que as pessoas nem vão saber que vocês existiram!', ele rosnou.
A Sya tentou se mexer, mas ele empurrou ela, fazendo ela cair no chão. Todo o meu oxigênio foi tirado e meus pulmões estavam pegando fogo. Ele pressionou os dedos grossos dele mais fundo na minha pele e eu tava começando a ver manchas escuras agora.
A parede perto da porta da frente explodiu naquele momento. Detritos voaram no ar, fazendo a Helena tossir e cair. Uma figura ficou no buraco enorme. O John afrouxou a mão em volta da minha garganta quando ele olhou pro novo intruso surpreso. Talvez com horror também.
Eu reconheci ele na hora.
Bryson.
Eu podia reconhecer aquele cabelo loiro-sujo e a estrutura muscular em qualquer lugar. Ele não esperou nem um segundo a mais antes de atravessar a sala e agarrar o John pela gola.
Aqueles lindos olhos verdes encontraram os meus por uma fração de segundo, como em câmera lenta, antes dele bater o John contra a parede pelo pescoço.
'Quem disse que você pode tocar nela?!', ele rugiu. Eu esfreguei meu pescoço onde ele tinha me segurado, deixando o ar entrar, e cambaleei um pouco, mas a Sya me agarrou pelos ombros, me estabilizando.
'Você tá bem?', ela perguntou.
Eu balancei a cabeça antes de olhar de volta pro Bryson e pro John. O John tava se contorcendo sob o aperto do Bryson e tava literalmente ficando azul.
O Bryson ia matar ele!
'Não, Bryson!', eu gritei, minha voz saindo um pouco rouca.
O Bryson jogou ele no chão e chutou ele no estômago, fazendo ele sentir dor.
Meu coração tava batendo muito rápido. Eu tava com tanto medo também. O Bryson se virou pra me olhar, com o rosto encharcado de preocupação. Ele andou mais perto de mim, um pouco hesitante, mas chegando mais perto do que um pé de distância.
'Você tá bem?', ele perguntou baixinho.
Eu não consegui desviar daqueles olhos. Eu tava com tanta saudade dele. Eles pareciam tão tristes e ainda preocupados.
Eu balancei a cabeça e ele se virou pra Sya, perguntando se ela tava bem.
Nós ouvimos as sirenes lá fora e o Edison entrou correndo. Ele parou chocado pra olhar pro buraco enorme na parede por um momento antes de olhar pra gente.
'Garotas! Vocês tão bem? Eu trouxe a polícia comigo!', ele gritou, parecendo todo apavorado.
Eu balancei a cabeça. Ele era mesmo um macaco. A Sya riu e começou a andar em direção a ele. 'Nós estamos bem, obrigado ao Bryson.'
Meu coração doeu quando eu olhei pra ele e eu não ousei olhar nos olhos dele. Ele, no entanto, não tinha parado de me olhar desde o momento em que ele tinha entrado pela parede.
Quando eu olhei pro buraco na parede, eu sorri pra mim mesma.
Esses garotos e suas missões de resgate chiques. O Kane bateu num cara numa mesa e o Bryson quebrou a parede quando ele podia só ter quebrado a porta.
Nós começamos a sair lentamente quando de repente eu senti uma dor forte no meu braço.
'Ah!', eu engasguei, minha mão imediatamente indo pra cima dele. Tinha começado a sangrar. Eu olhei pra Helena, de quem a gente convenientemente tinha esquecido, parada lá com uma cara brava e furiosa. Ela tinha jogado um pedaço afiado de madeira quebrada em mim.
O Bryson tava além de bravo agora. Ele se virou pra ir e provavelmente esmagar a cabeça dela, mas eu agarrei o braço dele. Ele olhou pra mim e eu balancei a cabeça com dor.
'Não', eu sussurrei.
Os olhos dele caíram pra todo o sangue escorrendo do meu braço. Meu coração apertou. Eu observei, me perguntando se os olhos dele iam mudar de cor ou se as presas dele iam brotar, mas nada disso aconteceu.
Ele ainda era meu Bryson de verdade. Saber que ele era um vampiro agora não mudou nada.
Eu tinha parado o Bryson de bater na Helena, mas eu não consegui impedir a Sya de fazer isso. Quando a polícia começou a correr pra dentro, ela correu pra tia dela e agarrou ela pelos cabelos.
'Sua vaca! Sua bruxa!', ela gritou e outros palavrões que não são saudáveis pra ouvidos de crianças. O Edi teve que afastar ela.
Ela tinha arrancado metade do cabelo da Helena, deixando ela meio careca, e até chutado ela no chão.
O Bryson parecia muito impressionado.
'Isso foi demais, Sya!', ele falou pra ela uma vez que estávamos lá fora.
'Obrigada, Bryson', a Sya respondeu, fazendo uma cortesia falsa. Quando a polícia deixou o John e a Helena em algemas, todos nós caímos na gargalhada.
A Helena parecia muito estúpida com metade do cabelo dela faltando.
'Viva a rainha Sya!', o Edi gritou, batendo palmas.
Nós demos todas as nossas provas coletadas pra polícia depois disso. O Bryson teve que nos levar pra casa, já que o Edi tinha torcido o pulso quando tava no quarto do John.
Assim que nós paramos no lado de fora do prédio do apartamento, a Sya e o Edi entraram primeiro. Eu hesitei um pouco antes de me virar pra ele.
'Ah, obrigada por hoje. Você veio na hora certa', eu falei pra ele enquanto a gente tava do lado de fora da porta do prédio.
'Você sabe que eu sempre vou estar aqui por você', ele respondeu, fazendo meu coração apertar.
Ele ainda tinha aquele charme. Nunca sumiu. E nunca falhou em me influenciar também.
Eu me virei pra ir embora quando ele chamou.
'Senti sua falta.'
Eu congelei.
Ele tinha sentido minha falta? Claro que ele ia sentir. Eu era a parceira dele. A Sya tinha explicado pra mim como essas coisas funcionavam nos últimos dois meses e eu sabia que eu tava machucando ele.
Mas meu dilema era ainda maior. Eu era humana. Uma viva. Ele tinha morrido. Eu nem sabia a história dele. Eu nem sabia o que ou como um vampiro realmente era. Eu precisava de tempo pra digerir as coisas. Eu tava caindo na dúvida e depressão e precisava me estabilizar.
'Eu não sei se você sentiu ou não, mas eu senti. Muito. Demais', ele continuou.
Eu me virei pra olhar pra ele. Meu coração tava batendo tão alto que aposto que ele podia ouvir também.
'Eu também senti sua falta', eu me peguei dizendo. Era a verdade.
'Não importa quantas vezes eu diga, eu sei que não vai justificar o que eu fiz, mas eu ainda vou dizer até que justifique. Me desculpa, amor. Me desculpa mesmo', a voz dele parecia tão dolorosa e machucada.
Eu de repente não me sentia mais tão brava. Nem tava com medo dele.
'Tudo bem. Você não precisa mais pedir desculpas', eu falei pra ele, com um pequeno sorriso no rosto.
Ele me deu um pequeno sorriso antes do olhar dele cair no corte no meu braço e nas cicatrizes no meu pulso. 'Ei', ele sussurrou, pegando gentilmente meu braço nas mãos dele.
Eu me afastei porque aparentemente, tocar na pele em volta do braço machuca o corte enorme.
Ele confundiu isso com eu me afastando pelo toque dele e ele se afastou, parecendo muito magoado.
'Você tá com medo que eu te ataque, não é?'
Não, não, não, não.
'Escuta, Brys-'
Ele abriu a boca e um par de presas cresceu na boca dele. Os olhos dele também mudaram pra um tom profundo de verde.
A forma vampira dele. 'Esse sou eu, Hannah. Esse é o monstro que você tá namorando há meses. Mas, não importa o quanto eu queira, eu não consigo mudar.'
Eu tinha pensado que eu ia estar com medo. Eu ia estar com medo dele quando ele parecesse assim. Mas eu não tava. Nem um pouco. Eu ainda me sentia segura perto dele.
Eu andei mais perto dele, com um sorriso fascinado no rosto. 'Eu não vejo você como um monstro, Bryson. Nunca vi.'
Eu levantei uma mão e coloquei no rosto dele. Ele fechou os olhos, encostando na minha palma. Parecia que ele tava morrendo pra sentir meu toque. Como se ele estivesse desesperado pra que isso acontecesse.
'Eu admito que levei um tempo pra me entender com o você de verdade', eu suspirei pesado. 'Mas eu nunca considerei você um monstro. Eu sei que nós somos diferentes. E que você deve ter pelo menos cem anos', eu ri disso.
Meu namorado era muito velho.
Ele abriu os olhos de novo, me olhando com uma nova esperança nos olhos. 'Então você não tem medo de mim? Você não acha que eu sou um monstro?'
'Claro que não, bobo!', eu sorri, acariciando a bochecha dele com meu polegar. 'Eu só precisei de um tempo pra aceitar tudo isso.'
'Então, posso te pedir pra ser minha namorada de novo?', ele sussurrou.
Eu puxei minha mão pra trás e fingi que ia pensar por um momento. A ansiedade crescendo no rosto dele parecia tão cômica e ainda assim apertou meu coração.
Ele me amava tanto.
'Mas você não pode me beijar com essas presas. Elas com certeza iam furar meus lábios bonitos', eu ri.
Ele não entendeu porque tava tão nervoso. Ele fez elas desaparecerem, no entanto, as presas dele. Os olhos verdes voltaram.
'Q-Que-? Isso significa-?', ele gaguejou, sem ter certeza se eu tinha dito sim ou não.
Eu fiquei na ponta dos pés e beijei os lábios macios dele. Deus, foi tão bom sentir ele depois de tanto tempo. Eu não desviei. Eu não consegui. E nem ele conseguiu.
Ele colocou os braços em volta da minha cintura e me puxou pra mais perto.
E assim, eu tive meu Bryson de volta.
'Você é meu Bryson pra mim. Só meu.'
Eu perguntei pra ele depois como ele sabia onde a gente tava. Ele só sorriu e disse que um passarinho tinha contado.
Edi.
###Capítulo-26: Se matando
POV da Sya:
(6 meses depois)
'Um minuto! Já vou!', eu gritei antes de dar uma última olhada em mim no espelho. Minha roupa de hoje tava meio fofa. Eu tava usando um macacão jeans bonito e tênis brancos. Tudo comprado com meu próprio dinheiro. Eu peguei minha bolsa e saí correndo.
A Hannah tava parada na porta com uma expressão brava e impaciente no rosto, batendo o pé no chão duro e olhando pro relógio com frequência.
Quando eu tranquei a porta atrás de mim, com um sorriso envergonhado no rosto, ela olhou pra cima e jogou os braços pros lados com exasperação.
'Finalmente! Você devia ter me escutado e dormido ontem à noite. E agora, vamos nos atrasar pra nossa primeira aula', ela balançou a cabeça cansada antes de sair pela porta.
'Desculpa, mas você sabe que eu não fiz a lição de casa antes e ela era pra hoje!', eu reclamei, tirando a barra de granola da minha bolsa pra mastigar.
Eu segui minha melhor amiga enquanto ela entrou no elevador e apertou o botão. Ela sempre se vestia bem pra faculdade, na minha opinião. Ela tava usando um top vermelho escuro com decote coração e uma saia plissada. O cabelo dela tava amarrado num rabo de cavalo alto com uma fita vermelha.
'As pessoas normalmente terminam as lições de casa dias antes da entrega, Sya', ela me disse enquanto a gente saía do prédio e entrava no carro dela.
'Eu não. Eu não sou as pessoas', eu dei de ombros.
Ela balançou a cabeça antes de colocar a chave na ignição e tirar o carro.
A vida tinha sido gentil comigo nesses últimos meses. Depois daquele dia na casa da minha tia, ela e o filho imundo dela foram presos. Fiel à palavra da Hannah, o pai dela pegou o caso e se certificou de que nenhuma quantidade de contatos tirasse os dois de lá.
O John e a tia Helena foram acusados de várias acusações de assassinato, tentativa de assassinato e agressão, bem como violência doméstica, possível sequestro e falsificação. O juiz também ordenou uma investigação sobre as conexões ilegais de John com a polícia e algum esquema de drogas em que ele tava metido. Aquele cara tinha mais escândalos do que as sardas no meu rosto. Eu