Três
Julieta estava deitada na cama, olhando pro teto branco. Ela não conseguia acreditar que foi tão descuidada e andou com um estranho literal tão tarde da noite. E se ele fosse um esquisito e tentasse machucá-la? Ele não parecia, mas ela ainda precisava tomar cuidado. E se ele tentasse machucá-la ou pior ainda? Ela olhou pro relógio ao lado da cama e suspirou. 'Eu não devia ter falado com ele,' Julieta murmurou, lembrando de como ela contou pra ele e como ela chorou descontroladamente. Ele parecia muito confuso…
Ela nem sequer chorou no velório da Mãe, mas chorou quando alguém que ela não conhecia perguntou se ela estava bem. Era estranhamente confortável quando ela estava com ele. Ela podia chorar e não se preocupar em incomodá-lo porque ele era um estranho e provavelmente não o veria de novo. Era por isso que ela não conseguia controlar as lágrimas. Julieta fechou os olhos e tentou dormir, mas foi inútil, ela acabou trabalhando a noite toda, procurando algum tipo de distração da sua realidade...
Mas ela também não conseguia se concentrar no trabalho. "Minha vida é uma merda," ela murmurou quando fechou o laptop e saiu do quarto. Julieta foi até onde ela guardava uma garrafa de vinho que tinha ganhado de presente algumas semanas atrás. Ela abriu o vinho e sentou no chão da sala, bebendo direto da garrafa. "Eu queria dividir isso com você, Mãe, mas acho que não agora. Se você tivesse lutado um pouco mais, então talvez... talvez," ela olhou pra cima tentando segurar as lágrimas...
"Talvez você tivesse conseguido... estaríamos assistindo a um filme juntas e então você reclamaria que não gostou do filme e ainda acabaria assistindo até o final e perguntaria sobre os atores," ela riu tristemente e tomou um gole do vinho...
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Alex sentou na sua mesa, olhando fixamente para os papéis à sua frente. Era pra ele estar trabalhando num relatório importante, mas sua mente não parava de voltar para a mulher misteriosa da noite passada. Ele não conseguia se livrar da sensação de conexão que sentiu com ela, e a dor que ele viu nos olhos dela o assombrava. Era porque ele compartilhava uma dor parecida?
Ele tentou se concentrar nos números e gráficos, mas eles embaçavam na página. Seus pensamentos foram consumidos pelas palavras da mulher: "Você acha que ela está lá em cima?" De quem ela estava falando? E o que tinha acontecido com ela? Quem ela tinha perdido que a afetou tanto… A pessoa era querida pra ela. Era um pai?
Alex esfregou as têmporas, sentindo uma dor de cabeça chegando. Ele precisava se concentrar. Ele tinha uma reunião com um potencial investidor em uma hora, e não podia se dar ao luxo de se distrair.
Mas quando ele se levantou pra pegar uma xícara de café, seu olhar caiu na janela e seus olhos imediatamente arregalaram de surpresa, Ele podia jurar que viu a mulher andando na rua, com o cabelo voando ao vento. Ele correu pra janela tentando olhar mais de perto, mas ela tinha sumido. Ele estava vendo coisas agora porque ela tinha ocupado a mente dele?
Ele estava perdendo a cabeça? Alex se perguntou. Ele respirou fundo e tentou se livrar da sensação de desconforto. Ele precisava se concentrar. Ele não tinha nada a ver com ela e precisava parar de se preocupar..
Ao sentar de volta na sua mesa, seu telefone vibrou. Era o Patrick. "E aí, chefe. Só dando um toque. Tudo bem?"
Alex hesitou. Ele não estava bem. Mas não podia sobrecarregar Patrick com seus problemas. "Sim, tô bem. Só estressado com esse relatório."
"Precisa de ajuda?" Patrick perguntou.
Alex considerou por um momento. Talvez conversar com Patrick o ajudasse a clarear a cabeça. "Na verdade, sim. Vem no meu escritório."
Enquanto esperava Patrick chegar, Alex tentou organizar seus pensamentos. Mas sua mente não parava de voltar pra mulher. Quem era ela? E por que ele se sentia tão atraído por ela?
Patrick chegou no escritório de Alex, com uma expressão preocupada. "E aí, chefe. O que tá pegando? Você pareceu meio estranho no telefone."
Alex suspirou, esfregando as têmporas de novo. "Não sei, Patrick. Eu simplesmente não consigo me concentrar. Não paro de pensar naquela mulher que conheci ontem à noite."
A expressão de Patrick mudou de preocupação para surpresa. "Mulher? Que mulher?"
'Ontem à noite, eu esbarrei nela e ela tava… transtornada e eu me ofereci pra acompanhá-la em casa, mas sentamos no parque e…" Alex suspirou… suas palavras pareceram ter prendido toda a atenção do Patrick. Era raro ouvir seu chefe falando sobre uma mulher, especialmente uma mulher que ele tinha conhecido em tal situação. Ele se perguntou quem era essa mulher.
Alex se encostou na cadeira. "Eu não sei. Só sinto que tem alguma coisa… estranha. Como se estivesse faltando alguma coisa. Talvez eu não devesse ter deixado ela sozinha… era muito tarde e ela parecia muito triste…"
Patrick assentiu pensativo. "Talvez você só esteja se sentindo um pouco culpado por não ter ajudado mais."
Alex balançou a cabeça. "Não, é mais do que isso. Sinto como se… como se eu conhecesse ela ou algo assim."
Patrick levantou uma sobrancelha. "Você não acha que realmente conhece ela, né?"
Alex hesitou. "Não sei. Talvez. Só sinto que há uma conexão ali." Ou existia? Alex pensou em sua mente… talvez ele estivesse confundindo a dor dela com uma conexão.
Patrick se inclinou pra frente, sua voz assumindo um tom mais sério. "Chefe, talvez você devesse dar um passo atrás. Você está sob muita pressão agora, e talvez esteja apenas projetando isso nessa mulher."
Alex assentiu, sabendo que Patrick estava certo. Mas ele não conseguia se livrar da sensação de desconforto. Ele só queria saber que ela estava bem…
'Vamos, não queremos nos atrasar para a reunião' Alex se levantou e Patrick assentiu, ainda preocupado com seu chefe e se perguntando quem era a mulher…