Nove
“Não podes entrar,” disse **Julieta** com firmeza enquanto estava na porta trancada. “Eu sei… Não me deixam entrar… ainda”, ele murmurou a última parte e quase sorriu. “O que disseste?”
“Nada. Devia ir-me.” Ele disse, mas **Julieta** impediu-o com as suas palavras.
“Quem és tu, na verdade?” **Alex** parou em seco e virou-se para olhar para ela, sem saber se era bom contar-lhe a sua identidade. Será que ela ia tentar evitá-lo se ele lhe contasse? As pessoas tendem a evitá-lo para tentar aproximar-se quando descobrem quem ele é… Ele não queria descobrir o que ia acontecer. Especialmente não com ela.
“Sou um gajo, que gostaria de te ver outra vez…” Ele respondeu e os olhos de **Julieta** arregalaram-se. As bochechas ficaram manchadas de vermelho. Ela pigarreou e desviou o olhar. Quando ele estava prestes a ir-se, ela disse “Adoro o parque” e entrou em casa dela, deixando **Alex** sozinho a olhar para a porta com um sorriso na cara. O sorriso dele só aumentou quando caminhou para o carro, mas assim que entrou no carro e verificou o telemóvel, o sorriso brilhante no rosto desapareceu.
Havia várias chamadas perdidas de **Patrick**, o que significava problemas no trabalho ou na família. Ele suspirou e olhou para a casa dela. Gostava de ter passado mais tempo com ela, longe de tudo, mas infelizmente, quando estava com ela, o tempo passava muito mais depressa do que o previsto. Porque é que não podia passar mais devagar para ele…
Ele ligou o motor do carro e foi-se embora, de volta à vida que detestava…
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**Julieta** tentou conter o sorriso enquanto trabalhava no portátil, mas era difícil quando os pensamentos dela voltavam sempre para ele. Na verdade, quem era ele e porque é que a estava a fazer daquela maneira só com umas simples palavras. E porque é que ela teve de responder daquela maneira. Devia ter-lhe dito para não aparecer outra vez, em vez disso, ela queria que ele aparecesse outra vez. Ela olhou para o calendário e viu que já tinha passado uma semana. Durante toda a semana… ela tinha, estranhamente, estado a pensar nele a aparecer. E ele finalmente apareceu, quando ela tinha decidido esquecê-lo.
Ela queria saber mais sobre aquele gajo Estranho. Ela até o deixou acompanhá-la, coisa que normalmente nunca faria. Ela teria encontrado maneiras de o evitar, como fazia com a maioria das pessoas.
“**Mãe**, o que é que achas… Achas que ele é um esquisito… devo ter mais cuidado?” Ela murmurou quando terminou o trabalho e fechou o portátil. Ela bocejou e esticou a mão, os olhos a fixarem-se no relógio. Já passava da meia-noite…
Ela levantou-se e caminhou lentamente para a cama, deixando-se cair nela. Não demorou muito para adormecer…
**Julieta** mexeu-se a dormir quando continuou a ouvir um som persistente vindo de perto. O que era… foi ficando mais perto e mais perto até que a acordou. Ela levantou-se abruptamente na cama e virou-se para a direção da porta do quarto. Era uma batida, vinda da porta da frente.
Ela olhou para o relógio e disse que eram quase quatro da manhã. Ela tinha dormido algumas horas. Quem era tão cedo?
Ela levantou-se da cama. Os passos dela são lentos e silenciosos. O medo a invadir-lhe o coração. Será que era um ladrão? Será que um ladrão se daria ao trabalho de bater com tanta persistência?
“Quem é!” **Julieta** gritou quando chegou perto da porta. Felizmente ela tinha trancado a porta com a chave. “Sou eu, **Alex**” Ela ouviu uma resposta e imediatamente um olhar de confusão e surpresa passou-se-lhe pela cara. O que é que ele estava a fazer em casa dela a uma hora dessas?
“O que estás a fazer aqui!?” ela gritou outra vez, o medo no coração ainda lá estava, mas tinha diminuído significativamente.
“Só preciso de verificar se estás bem… por favor, abre a porta” Ele disse, parecendo muito preocupado. Ela conseguia ouvir o medo na voz dele. Porque é que ela não estaria bem? O que se estava a passar? O que é que ele queria dizer…
“Estou bem… o que é que se passa” **Julieta** disse, aproximando-se lentamente da porta. “Abre a porta que eu explico… precisas de estar bem” Ele disse outra vez… o medo na voz dele era mais evidente desta vez.
**Julieta** passou a mão pelo cabelo, sem saber o que fazer. Ela não queria que a vizinha soubesse o que se estava a passar. Elas não hesitaram em ligar para a polícia e agravar ainda mais as coisas. Talvez ela devesse ser a ligar para a polícia… mas talvez não… e se ele não quisesse fazer mal… Porque é que parecia que ela ainda estava a sonhar…
Estranhamente, ela sabia que ele não a magoaria, mas ainda estava a ter cuidado. Ela andou de um lado para o outro em frente à porta durante alguns segundos antes de finalmente se aproximar e a abrir. Lá estava ele a olhar para ela, o medo completamente gravado nos olhos. “Estás bem… estás bem…” ele murmurou e arrastou-a para os braços dele, protetor. Enterrando a cara no cabelo dela. Ela estava bem…
**Julieta** precisou de alguns segundos para processar o que se estava a passar, antes de finalmente perceber a posição em que estavam e se esforçar para se libertar dos braços dele. “O que pensas que estás a fazer!” Ela respondeu, sem saber qual era o problema dele. Estava tão confusa naquele momento enquanto o olhava à espera de algum tipo de explicação, qualquer tipo de explicação para a fazer entender porque é que ele estava ali e o que se estava a passar…
“Bem, diz alguma coisa! Ou por favor, vai-te embora!” Ela explodiu quando ele não começou a explicar e continuou a olhar para ela…
“Eu estava só com medo… que te tivesse acontecido alguma coisa…” Ele disse com uma voz baixa. **Julieta** ainda estava totalmente confusa.
“Porque é que achas que me aconteceu alguma coisa?”
**Alex** desviou o olhar dela, sem saber o que lhe dizer. Ele não podia contar-lhe o que tinha acontecido com a família dele.
Só ia assustá-la… ela não podia saber…