Seis
“Eu consigo ir sozinha daqui, você não precisa me seguir,” disse Julieta, e Alex balançou a cabeça. “Disseram que você precisa descansar muito. Eu te deixo na sua casa.” Ele insistiu, e isso a fez suspirar. Por que esse cara era tão persistente? Estava a deixando nos nervos. Ela olhou para ele e não parecia que ele ia parar o carro...
“Tudo bem, me deixa no parque então, eu consigo ir andando para casa de lá.”
Julieta não tinha certeza se era certo para ele saber onde ela morava. Ele não parecia o tipo que faria mal a ela. Ele até a levou para o hospital quando ela desmaiou. Ela ficou chocada quando abriu os olhos e o encontrou olhando para ela...
“Já que é perto da sua casa. Não seria melhor se eu te deixasse lá então…?”
“Tanto faz…!” Julieta finalmente concordou quando percebeu o quão persistente ele era… ela disse a ele o endereço dela e eles andaram em silêncio, ocasionalmente olhando para ele…
“Eu sou Alex,” ele disse do nada, e ela assentiu. “Eu sei o seu nome, e acho que ainda não te contei o meu,” ele acrescentou, e ela assentiu novamente e sorriu levemente, sem saber o que dizer a ele.
“Você não me contou o que estava fazendo no parque.” Era sobre isso que ela estava curiosa. Por que ele voltou lá? Ela não o tinha visto antes… ele não parecia ser de lá…
“Ah… eu estava só curioso.” Ela arqueou a sobrancelha em questionamento.
“Curioso? Sobre o quê?”
“Se você estava bem,” Alex respondeu com sinceridade, e o silêncio reinou entre eles depois. “Por que você estaria curioso sobre isso?” Julieta murmurou em voz baixa e se virou para olhar pela janela. Seus olhos começaram a ficar embaçados com as lágrimas. Qual era o lance dele? Por que ele continuava perguntando se ela estava bem? E por que ela de repente ficou vulnerável toda vez que ele perguntava isso…
“Como você pode ver, estou bem.” Sua voz a entregou, e os olhos de Alex se encheram de preocupação… ele sabia que ela não estava bem, mesmo que ela negasse…
“Você ainda não almoçou. Que tal comermos alguma coisa?” Ele sugeriu, tentando animar o clima no carro e talvez desviar a atenção dela…
Era verdade, Julieta estava com fome. Ela não tinha comido nada há mais de vinte e quatro horas e tinha certeza de que se voltasse para casa não comeria…
Ela se virou para olhar para ele e assentiu lentamente. “Eu conheço um lugar,” ela disse em voz baixa. Ela não queria comer perto dali e correr o risco de encontrar um dos fofoqueiros da área. Ela nem queria voltar para casa e, para ser sincera, preferia ficar com esse estranho estranhamente gentil… Alex…
Alex assentiu e virou o carro. O silêncio entre eles logo voltou. Julieta olhou pela janela e Alex olhou para ela ocasionalmente…
Quando eles chegaram ao lugar, estranhamente não estava lotado, e Julieta escolheu uma mesa na lateral do restaurante, que era silenciosa e mais reservada… Alex tinha aprendido, por estar perto dela, que ela preferia ficar mais na dela… Quando a comida deles chegou, ele a observou apenas olhando para ela e não comendo…
“Você quer mais alguma coisa?” ele perguntou quando alguns minutos se passaram e ela ainda não tocou na comida.
“Não. Eu só lembrei de uma coisa,” ela respondeu e tomou um gole de sua bebida…
“Por que você está sendo gentil comigo?” ela soltou, e Alex ficou um pouco surpreso com sua pergunta. Ele não percebeu que estava sendo gentil…
“Ah. Gentil? Bem, eu não tenho certeza se estou sendo… qualquer um faria o mesmo,” Julieta suspirou, porque tinha a sensação de que essa seria a resposta dele…
“Você poderia ter ido embora depois de me levar para o hospital, e agora estamos almoçando juntos? Você não acha estranho, porque eu acho.”
Alex achou estranho também. Ele achou estranho que continuasse preocupado com ela. Ele deveria ter ido embora do hospital, mas não conseguiu deixá-la sozinha quando a enfermeira disse a ele que ela precisava de muito descanso, e por um momento ele pensou em levá-la para a casa dele para que ele pudesse ter esse médico verificando ela, mas ele sabia que isso a assustaria quando ela recuperasse a consciência.
“Eu não podia te deixar sozinha depois que você desmaiou daquele jeito. E se você desmaiar de novo?”
Julieta quase revirou os olhos para ele, mas sabia que isso poderia fazê-la parecer ingrata. Ela lentamente pegou seu hambúrguer, deu uma mordida nele e Alex não conseguiu conter um sorriso. Ela parecia melhor agora, ele também mordeu sua comida. Os dois comeram em silêncio, Julieta olhando para ele com curiosidade. O que ele queria dela? Talvez ele gostasse dela? Ela duvidava, ele parecia mais um bom samaritano para ela, que estava preocupado com uma mulher soluçando que ele tinha conhecido por acaso. Mas ele parecia um pouco preocupado demais...
Ela estava prestes a pagar, mas ele a impediu e pagou o almoço deles. Ele até pediu para levar para ela, deixando-a mais confusa…
Ele estava sendo gentil demais…
“Me manda sua conta, deixa eu pagar minha comida… você não precisa pagar por mim,” ela disse quando eles saíram do restaurante, mas isso só fez um leve sorriso aparecer no rosto de Alex…
“Me dá seu número de telefone, e eu te mando,” ele entregou o telefone a ela, e ela digitou seu número, e o sorriso dele se alargou…
“Eu tenho seu número agora,” ele murmurou, aliviado que seu humor tinha melhorado.
Eles foram para a casa dela em silêncio, e quando finalmente chegaram na casa dela, Julieta disse a ele “Obrigada,” e ele assentiu. Ele achou que ela estava apenas agradecendo por ele ter levado ela ao hospital, mas Julieta era grata por outra coisa.
Ele a fez esquecer sua tristeza por um momento… ela era grata por isso…