Capítulo Dezessete
O Austin precisava sair de casa pra tentar se acalmar, o que o Roman falou pra ele só o deixou mais puto do que ele podia imaginar. O Austin só quer o melhor pra Payton, tudo que ele tá fazendo é pra proteger ela do Markus e de qualquer um ligado a ele. Mas o Roman ligar pra polícia botou isso no papel, se o Markus fosse ver, ia ver que a polícia foi na casa deles pra conversar. O que o Markus ia pensar se visse isso?
O Roman falar que a Payton era a namorada dele também o incomodou, sim, ele sabe que eles estão juntos e estão há anos, mas ele não consegue se livrar dos sentimentos que tem pela Payton. Ele gosta dela desde que se conheceram na escola, antes mesmo do Roman e Payton se conhecerem. Ele contou pro Roman os sentimentos que tinha na época e o Roman falou que ele precisava parar, que ele tinha interesse na Payton primeiro e que de jeito nenhum o Austin ia chegar e roubar a potencial namorada dele. Umas semanas depois, a Payton e o Roman começaram a namorar, e o Austin teve que engolir.
O Roman chegou nele depois e perguntou se ele ainda tinha sentimentos pela Payton, o Austin, não querendo deixar as coisas estranhas, falou que não tinha e que tava interessado em outra pessoa. Mas os sentimentos nunca foram embora, por isso, por anos, o Austin fazia parecer que não se importava com a Payton, pra os sentimentos não aparecerem. O Roman longe deixou isso difícil, os sentimentos voltaram e tão mais fortes do que nunca.
O Austin tinha acabado de parar no sinal vermelho, ele encosta a cabeça na mão que tava na porta. Do lado dele para um carro, a porta abre e sai o Markus. Ele levanta a cabeça quando o Markus chega na janela dele, ele abaixa o vidro, olhando pro cara confuso.
"Oi, Austin, eu não gosto que falem comigo daquele jeito que você falou quando eu fui legal o suficiente pra te convidar pra jantar", ele fala, olhando nos olhos dele enquanto fala, isso deixou o Austin preocupado, achando que ele ia tirar uma arma ou algo do tipo. "Normalmente, eu teria me livrado do cara na hora, mas considerando que você é meu melhor funcionário, eu vou deixar pra lá dessa vez", ele fala, o que foi chocante, mas o Austin não conseguiu evitar de sentir alívio naquela hora.
"Mas você ainda precisa aprender uma lição, eu não sou de esquecer as coisas e deixar você fazer o que quiser. Eu tava quebrando a cabeça tentando pensar em algo que ia te atingir, aí eu percebi, Payton", ele fala, o que, imediatamente, fez o alívio sumir e o coração do Austin afundar. "É uma pena que a Payton tenha que ser usada pra te ensinar essa lição vital", ele dá um sorriso antes de ficar em pé e ir embora, assim que o sinal fica verde.
O Austin, sem pensar mais, vira o carro e começa a acelerar na direção de casa. O que ele fez?
Eu acordo com meus ouvidos tocando muito, meus olhos abrem um pouco e eu percebo que tô no chão. Eu viro meu corpo pra ficar de costas, o mundo ainda meio turvo. Eu começo a olhar em volta da casa, e percebo que tem vários objetos quebrados em volta de mim, até a janela dos fundos tava quebrada. Seja lá o que aconteceu, essas pessoas realmente queriam deixar uma mensagem.
Antes que eu pudesse processar o que tava acontecendo, a porta da frente abre e o Austin entra correndo. Ele olha a sala por alguns segundos, antes de seus olhos pararem em mim deitada lá. Ele logo chegou do meu lado.
"Payton", ele fala, botando a mão nas minhas costas pra me ajudar a sentar, eu sento devagar e meus olhos vão pros dele, olhando pra mim preocupado.
"Você prometeu", é tudo que eu falo, olhando pra ele, a expressão dele muda e ele me puxa pra um abraço, me segurando tão forte nos braços dele.
"Me desculpa, Payton", ele fala, enquanto eu só encosto a cabeça no peito dele, eu tava com medo que isso acontecesse.
Era na manhã seguinte, depois do que aconteceu, o Austin me ajudou a cuidar de todos os machucados no meu rosto antes de eu ir pra cama. A gente não conversou muito, eu não sabia o que falar. Eu fiquei avisando pro Austin que algo assim ia acontecer, mas ele ficava me dizendo que tava tudo bem e que ia cuidar de mim, mas olha onde a gente tá agora.
Eu liguei pro trabalho, contando o que aconteceu, e pedindo desculpas por precisar de tanto tempo de folga, meu chefe é muito legal e falou que tava tudo bem e pra eu tirar o tempo que eu precisasse. Eu tinha acabado de me arrumar antes de sentar na minha penteadeira, me olhar no espelho me assustou. O que mais a gente vai ter que passar até isso acabar? Eu sei que o Austin consegue ver o quão ruim isso tá, mas só não sabe como sair dessa situação. Ele fica me dizendo que vai resolver tudo isso, mas eu tô com medo que ele esteja se metendo em coisas demais e nem consegue ver.
Meus olhos vão pra minha gaveta, abrindo ela devagar, eu vejo o cartão da polícia em cima. Eu pego o cartão na mão, será que essa é a saída que a gente tá esperando? Se eu ligar, e se eles tentarem envolver o Austin no que o Markus faz? E se o Markus descobrir e acabar o serviço? Mas eu também sabia que as coisas tavam começando a sair do controle, alguma coisa tem que acontecer antes que piore. Dando uma olhada pra porta, pra ter certeza que ninguém ia entrar, eu tiro meu celular e disco o número do cartão.
Meu coração tava disparado quando eu cliquei no botão, em poucos segundos começou a tocar. Depois do terceiro toque, eu comecei a repensar tudo e debater se desligava ou não. Essa ideia saiu da minha cabeça imediatamente, quando atenderam o telefone.
"Oi, é a Payton, você veio falar comigo na minha casa ontem", eu falo, esperando que ele se lembrasse de mim, eu dou uma olhada na porta mais uma vez, só por precaução.
"Oi Payton, que bom falar com você de novo, amiga. Vai ser bom finalmente ver seu rosto depois de todos esses anos, você ainda tá trabalhando naquele restaurante?", ele pergunta, parecendo que me conhecia, como ele sabia que eu trabalho num restaurante? A ficha cai e eu percebo que preciso fingir.
"Sim, eu tô, você pode me encontrar lá em uma hora?", eu pergunto, mudando minha voz pra parecer que tô falando com uma amiga, eu queria que essa reunião acabasse logo.
"Isso é perfeito, eu te encontro lá", ele responde antes de desligar, eu fico olhando pro meu celular chocada por alguns segundos, bem, isso tudo aconteceu bem rápido.
Quando eu acordei hoje de manhã, eu decidi mentalmente que ia ficar em casa hoje pra tentar me recuperar do que aconteceu. Mas também, eu não queria sair de casa, onde pessoas que eu conheço poderiam me ver e perguntar o que aconteceu. Obviamente, eu não podia contar a verdadeira razão por trás disso e eu não tinha pensado em uma desculpa ainda. Mas sabendo que eu tinha que sair de casa agora, eu levanto pra começar a tentar me arrumar.
Depois de uns trinta minutos, eu saio do meu quarto e vou pra sala. O Austin tava colocando tábuas na janela quebrada quando eu entrei, mas assim que ele me vê, ele para.
"Achei que seria melhor se eu cobrisse essa janela também, a gente não quer que nenhum passarinho entre e estrague o lugar", ele fala, pulando do armário que ele tava em pé, eu sorrio e balanço a cabeça, olhando pra sala que ainda tava bem destruída.
"Acho que não tem como estragar mais do que já tá", eu sorrio, olhando em volta antes de ir pro balcão pegar minha bolsa. "Eu tô indo pro trabalho pra conversar com meu chefe, acho que ele quer ver a prova de por que eu tô pedindo mais tempo de folga", eu explico, colocando meu celular na bolsa, eu não gostei de mentir pra ele, mas eu sabia o que ele ia dizer se eu contasse a verdade.
"Ah, eu posso te deixar lá, o Markus também ligou e perguntou se eu posso ir lá por uns minutos", ele me diz, indo pro balcão e pegando as chaves dele também, sim, talvez ele queira discutir a coisa horrível que ele mandou fazer comigo.
"Cuidado, ele pode te atacar também", eu falo, olhando pro chão, eu não sei se vou me sentir confortável na mesma sala que o Markus de novo, nem que eu me sentia confortável antes disso.
"Eu sinto muito Payton, eu sei que é minha culpa tudo isso ter acontecido e o que aconteceu com você ontem à noite, eu não devia ter te deixado sozinha aqui", ele suspira, olhando pro chão também, eu concordei com ele nesses pontos, mas eu também não queria que ele se culpasse ou se sentisse mal pelo que aconteceu.
"Ei, não se sinta mal, você não tinha como saber o que ia acontecer se você saísse. A gente já conversou sobre isso, você não tem que se culpar por nada que tá acontecendo. Um dia, logo, eu sei que a gente vai sair dessa situação", eu sorrio, esticando a mão pra pegar a dele, ele sorri, dando um aperto de leve na minha mão como agradecimento. "Agora, vamos lá, nossos chefes não vão querer que a gente se atrase, o seu, mais importante, não vai ficar feliz e aparentemente, a gente não vai gostar quando ele ficar bravo", eu sorrio, revirando os olhos enquanto puxo ele pra fora da porta, ele ri enquanto eu o puxo e saio pela porta.
Pelo menos eu tava escondendo meus nervos com sucesso.