Capítulo Cinco
Estávamos quase chegando na casa gigante onde a festa ia rolar. O Roman não parava de chamar de 'casa', mas caberia nosso apartamento umas cem vezes nesse lugar. Na minha cabeça, eu sabia que era um evento da empresa, mas não imaginei que tanta gente da empresa apareceria. Tinha carros e gente pra todo lado, o que me deixou meio nervosa.
"Vai ficar tudo bem, vou ficar com você o tempo todo", o Austin sorri, estacionando o carro num espaço vazio, que foi super difícil de achar nesse pátio gigante.
"E se alguém me fizer uma pergunta que eu não souber responder?" eu pergunto, enquanto ele tira o cinto de segurança e ajeita o terno. Eu não queria pagar de burra falando alguma coisa totalmente diferente do que ele já tinha falado!
"Relaxa, vai dar tudo certo", ele sorri, pegando minha mão na dele. Eu balanço a cabeça e respiro fundo pra entrar no clima. "Obrigado por fazer isso, Payton", ele sorri antes de abrir a porta. Eu balanço a cabeça, quase pegando na maçaneta, mas o Austin já estava lá.
Eu rio, pegando na mão dele quando ele me ajuda a sair do carro. O vento frio foi a primeira coisa que me atingiu quando ele fechou e trancou a porta atrás da gente. Isso me deu a chance de olhar em volta e ver todo mundo chegando. Tinha uns carros caríssimos parando ali, essa galera deve ganhar uma grana!
O Austin estende o braço, pra eu pegar, e começa a me guiar pra dentro do lugar. Eu não sou muito boa de andar de salto, e nesse chão de pedra tava sendo um desafio! Sorte que tinha o Austin pra me impedir de cair de cara no chão, essa não ia ser uma boa primeira impressão!
O Austin acena pra algumas pessoas enquanto a gente continuava andando, finalmente saindo das pedras e entrando no prédio lindo. O lugar por dentro também tava cheio de gente, todo mundo super chique, o que, na hora, me deixou feliz por ter escolhido o vestido certo!
"O que a gente tem que fazer aqui?" eu sussurro pro Austin, ainda andando no meio da galera. Nunca estive numa situação dessas antes, não tinha ideia de como agir.
"A gente só precisa socializar com todo mundo e conversar com meu chefe quando ele vier", o Austin responde baixinho, quando chegamos nas portas do pátio nos fundos. Tomara que ele esteja levando a gente pra lá, porque esse lugar tava muito cheio, mas eu tava torcendo e rezando pra que o chão lá fora fosse mais liso do que o pátio de pedra!
"Você não vai precisar falar com ele, só ficar ali e ser bonita no meu braço", ele sorri de canto pra mim, o que me fez revirar os olhos. Eu vejo que o Austin continua sendo o Austin nessas situações.
"Você não quer que eu conte todos os seus segredinhos pra ele?" eu pergunto, docemente, enquanto a gente atravessa as portas e volta pra noite fria, onde uma música alta tocava em algum lugar daquele jardim enorme. "Tipo aquela vez que você me perguntou como enrolar a toalha na cabeça depois do banho..." eu começo a falar, mas ele coloca a mão na minha boca antes que eu pudesse continuar. É, ele provavelmente não queria que outras pessoas ouvissem essa história.
"Sim, eu quero que meu chefe me promova, mas não quero que ele saiba das coisas que eu faço na minha vida privada", ele sussurra, me olhando nos olhos enquanto fala. Eu dou um sorrisinho atrás da mão dele, quando um cara que tava passando chama a atenção do Austin.
"Aí estão vocês dois, tava me perguntando quando iam aparecer", uma voz de homem diz ao nosso lado. Eu viro a cabeça e vejo um homem alto, de cabelo preto, chegando.
Ele usava um terno super elegante, com vários anéis de ouro nos dedos. No braço dele, tava uma mulher jovem, que me olhou de cima a baixo com desconfiança. O Austin tira a mão da minha boca e a coloca na minha cintura. Se a gente não estivesse na situação em que estamos, eu provavelmente ia beliscá-lo!
"Trânsito, a gente não pode sair correndo por aí", o Austin brinca, olhando pro cara, que eu vou chutar e dizer que é o chefe dele. "Essa é a Payton", ele sorri, agora chamando toda a atenção pra mim, algo que eu não gostei muito, pra ser sincera.
"Que bom ter a honra de estar na presença de uma moça tão linda. Uma pena que o Austin já conquistou você. Eu sou o Markus", ele sorri, pegando minha mão e depositando um beijo nela, o que me deixou super desconfortável. A mulher do lado dele me lançou um olhar feio.
"Prazer em conhecê-lo", eu sorrio, quando ele finalmente solta minha mão. Ela vai imediatamente pras minhas costas, pra ele não sentir vontade de pegar de novo.
"Seu namorado é um dos meus melhores funcionários, você deve ter muito orgulho dele", o Markus sorri, olhando pro Austin enquanto fala. Eu balanço a cabeça, não gostando do jeito que o Austin tava sendo chamado de meu namorado, mas acho que era de se esperar.
"Eu não conseguiria fazer metade do trabalho se não fosse por você puxando as cordas", o Austin ri, e eu tive que me forçar a não revirar os olhos. Acho que temos um puxa-saco por perto! Sem surpresa que ele vai ser promovido.
"Austin, preciso conversar rapidinho com você", o Markus sorri, puxando a mão da garota do braço dele, não que ela quisesse soltar, né?
O Austin balança a cabeça antes de se virar pra mim. Ele segura meus braços, dizendo que não ia demorar, antes de seguir o Markus. Seja o que for que eles precisavam conversar, não podia ser na nossa frente. Talvez ele não tenha gostado da piada do Austin?
Isso deixou só eu e a garota, que eu ainda não sabia o nome, parada lá, olhando pra mim com nojo.
"Só pra você saber, o Markus nunca ia ficar com uma garota como você", ela solta, aleatoriamente. Ah, entendi, ela tá com ciúmes!
"E só pra você saber, eu não tô nem aí se ele se interessasse por mim. Eu tô feliz com o meu namorado", eu respondo na lata pra ela. Não ia deixar ela achar que podia me tratar mal assim, eu não tô interessada no Markus, nem no Austin, falando sério!
"Mas acho que tá claro pra todo mundo que o Markus também não tá muito a fim de você, eu tenho visto os olhares que ele tem dado pra outras mulheres aqui, então aproveite enquanto dura", eu dou um sorriso de canto pra ela, o que a deixou surpresa. Ela balança a cabeça antes de sair pisando duro, indo embora pra festa.
Eu sorrio pra mim mesma, feliz por ter ganho essa rodada. Não ia deixar ela me menosprezar. Agora, eu tava sozinha, o que me deu tempo pra olhar em volta e observar a festa. O Austin e o Markus estavam encostados numa pilastra, conversando. O Austin olhava pra mim de vez em quando, pra ter certeza de que eu ainda tava lá.
Meus olhos saíram deles e foram parar numa das varandas lá em cima, que tava lotada de homens de terno, olhando pra festa. Eu sou muito boa em captar as vibes das situações, mas essa tava me dando uma vibe totalmente diferente.
As pessoas na varanda não pareciam fazer parte do lugar. Sim, eles pareciam fazer parte, mas não agiam como tal. Era como se eles estivessem só observando a festa, mas observando a festa pra quê?
Eu não queria que eles soubessem que eu tava olhando pra eles, então virei o corpo, mas meus olhos ainda estavam neles. Um deles atende o telefone antes de sair correndo, alguém tá com pressa!
O homem logo aparece no meio da festa, mas vai direto pro Markus e pro Austin, e sussurra alguma coisa no ouvido do Markus. Seja o que for, deixou o Markus apavorado, ele diz a última coisa pro Austin antes de sair correndo da festa. Isso só despertou mais minha curiosidade, do que essas pessoas estão fugindo?
O Austin logo aparece do meu lado, e olha pro relógio. Seu rosto mostrava pânico.
"Vamos, vamo embora", ele diz, me pegando pelo braço e me arrastando em direção à casa, bem rápido, diga-se de passagem.
"Mas a gente acabou de chegar", eu falo pra ele, quando ele começa a empurrar todo mundo pra sair, eu sei que ele disse que precisava conversar com o chefe, mas achei que ele ia querer ficar um pouco.
"Foi só uma visitinha", ele diz, quando a gente sai pela porta da frente que a gente acabou de entrar há dez minutos. Por que eu perdi tanto tempo me arrumando se era isso?
A gente passa pelas pessoas que estavam entrando no evento, então a festa nem chegou na metade e a gente já tá indo embora? Ele me leva correndo pro carro dele, abrindo a porta pra mim. Eu agradeço, entrando, e ele corre pro lado dele, nem colocando o cinto de segurança. O carro ronca, ele dá a ré e sai correndo do pátio.
Isso me fez entrar em pânico de novo.
"Austin, o que tá acontecendo?" eu pergunto, preocupada, enquanto ele faz uma curva fechada, os pneus cantando. Ele precisa colocar o cinto!
Quando a gente faz outra curva, três Range Rovers pretos aceleram na estrada da montanha em direção à festa. O que tá acontecendo?
"A polícia, o Markus não conseguiu as licenças certas pra fazer essa festa, eu não ia ser parado pela polícia", ele sorri quando entramos na estrada principal, onde ele parece relaxar e finalmente coloca o cinto. "Obrigado de novo, Payton. Não se preocupa, não precisamos contar pro Roman", ele sorri do seu lugar. Eu balanço a cabeça, olhando pela janela pros carros passando.
Eu nem saberia o que dizer pro Roman se ele perguntasse, não faço ideia do que acabou de acontecer.