Capítulo Quarenta e Oito
O cara da pizzaria foi tão legal, ele deixou eu e o Austin passarmos a noite lá. Ele disse que era muito perigoso a gente andar por aí logo depois do que aconteceu, nos colocou em um quarto e foi embora. Não que eu tenha dormido muito bem depois de tudo, mas consegui descansar algumas horas.
Mandei uma mensagem pro Roman explicando que nós dois estávamos bem e como o cara da pizzaria era legal. No começo fiquei preocupada porque ele não respondeu na hora, mas de manhã ele respondeu. Ele se ofereceu para ir nos buscar, eu disse que era legal, mas que seria mais seguro ele ficar lá e que o Austin e eu nos encontraríamos com ele depois.
O Austin abre a porta da pizzaria, o ar não estava tão ruim quanto ontem à noite, mas ainda dava pra sentir o cheiro no ar. Quando saímos, tinha um monte de carros de polícia bloqueando algumas partes da cidade, eu acho que eram as partes que foram mais atingidas.
"Muito obrigada por nos deixar ficar", eu sorrio enquanto abraço cada membro da família, o nome do pizzaiolo era Carl, descobrimos ontem à noite.
"Não precisa agradecer, eu não podia deixar meus melhores clientes saírem assim, ia falir", ele ri, o que fez todo mundo rir, o Austin provavelmente dá a maior parte do dinheiro que ele ganha agora!
Depois de mais um pouco de papo, a gente sai e começa a ir pra casa. As ruas todas destruídas enchendo a nossa visão, que diabos poderia ter acontecido aqui? Um momento estava calmo, em paz e normal. Mas no seguinte, é um caos total! A gente atravessa a rua onde uma família estava chorando, o prédio na frente deles tinha sido atingido por escombros e estava, basicamente, destruído. Meu coração dói por eles, tudo o que eles conhecem se foi em questão de uma noite!
"Você tem alguma ideia do que pode ter acontecido?", eu pergunto, olhando pro Austin, eu sei que ele esteve comigo o tempo todo e sabia tanto quanto eu, mas eu só precisava saber o que causou isso!
"Eu não faço ideia", o Austin fala, dando de ombros quando o celular dele toca, ele tira e eu vejo o nome do Markus, ele logo atende. "Eu e a Payton estamos bem, estamos tentando ir pra casa agora, mas a quantidade de carros de polícia é insana", ele diz, falando com o Markus, eu aproveito para olhar mais ao redor, pra tudo que mudou tanto na nossa cidade.
"É, a gente teve que abandonar o carro, porque os escombros que estavam voando pra todo lado bloquearam a rua e a gente não conseguia passar", ele explica, enquanto eu só balanço a cabeça, o Markus provavelmente olhou no rastreador dele e viu que o carro não se moveu por algumas horas, eu ainda não acredito que ele nos rastreia como se fôssemos animais.
"Você tem alguma ideia do que pode ter acontecido? Eu e a Payton estamos só olhando tudo, eu sei que você conhece um monte de gente importante que pode saber o que aconteceu", o Austin perguntou, o que foi uma ótima pergunta, se alguém soubesse o que aconteceu, provavelmente seria o Markus.
Só foi uma merda que eu não pude ouvir o outro lado da conversa, então eu continuei olhando ao redor e deixei o Austin e o Markus conversarem. Depois de alguns minutos, eles se despedem e o Austin guarda o celular no bolso. Logo chegamos na rua que leva ao nosso prédio, e parece que o lugar não foi atingido. Isso me traz um alívio, eu não ia saber o que fazer se também perdêssemos a nossa casa.
"O Markus disse que não sabe o que aconteceu, mas vai descobrir", o Austin fala, e também para pra olhar pro prédio, eu acho que nós dois só precisávamos parar por alguns momentos pra realmente entender o que acabou de acontecer. "O Markus disse que também foi bom que a gente tivesse saído do carro, o Markus andou por aí e encontrou o carro amassado por causa dos escombros", ele disse, o que me fez arregalar os olhos, a gente ia morrer se tivesse ficado lá!
"É estranho que o Markus soube onde procurar", eu digo, levantando a sobrancelha, eu estava esperando dar uma dica do que eu sabia sem realmente contar pra ele.
O Austin olha pra mim, balançando a cabeça, mas pega na minha mão pra gente atravessar a rua e entrar no estacionamento do nosso prédio. Logo chegamos no estacionamento, onde eu sabia que ia ver o Roman em casa. Eu olho pro Austin por um segundo.
"Sério, eu não sei o que eu faria sem você", eu digo, o que pegou ele de surpresa, ele olha pra mim surpreso, mas logo um sorriso se forma nos lábios dele. "Você salvou minha vida ontem à noite, eu nunca vou esquecer isso", eu digo, e ele balança a cabeça, se virando pra olhar pra nossa casa, que só estava chegando mais perto.
"Se não fosse por mim, você não teria se metido naquela situação em primeiro lugar", ele fala, falando sobre o porquê de eu estar fora naquela noite, mas nós já tínhamos conversado sobre isso tantas vezes.
"Isso não importa agora, mas você se esforçou e salvou minha vida", eu exclamo, só querendo ver o que ele realmente fez por mim, ele não deveria ficar remoendo o porquê aconteceu!
"Você tem feito a mesma coisa por mim há anos, mas você só não sabia", ele sorri, o que me fez sorrir também, logo as escadas aparecem na nossa frente e ele começa a subir. "O que a gente vai dizer pro Roman que aconteceu ontem à noite?", ele pergunta quando chegamos no topo das escadas, eu sabia que não podíamos contar pra ele o que realmente aconteceu, porque ele ia surtar com o Austin.
"Vamos dizer que o jantar demorou muito, que conseguimos sair por volta das 2, mas as explosões nos impediram de chegar em casa", eu digo, inventando a desculpa na hora, mas eu tenho que me dar crédito, foi boa pra ser tão rápida.
O Austin ficou impressionado com a rapidez com que eu consegui inventar a desculpa, o que só me faz rir. Eu tinha que inventar um monte de desculpas pra poder sair escondida e ver o Roman, algumas eram complicadas. Eu vou até a nossa porta e abro, o cheiro da nossa casa me acalmando de todo o caos que estava lá fora. Eu jogo minhas coisas na prateleira perto da porta antes de entrar, e ao mesmo tempo eu ouço alguém correndo pela casa. Antes que eu pudesse me mexer, eu fui envolvida em um abraço apertado do Roman.
"Eu nunca fiquei tão preocupado na minha vida", ele diz, ainda me segurando com tanta força, eu só sorrio, mas o cheiro do Roman também estava me acalmando.
"Nós dois estamos bem", eu digo, segurando ele com tanta força também, eu conseguia sentir o quanto ele estava preocupado enquanto me abraçava, ele logo se afasta, colocando as mãos em cada lado do meu rosto.
"Você tem certeza que está bem?", ele pergunta, olhando nos meus olhos, eu só sorrio, balançando a cabeça, deixando ele saber que eu estava totalmente bem. "Você tá bem, cara?", ele pergunta, olhando pro Austin, que pareceu surpreso que ele estava até perguntando pra ele.
"É, eu sei que a gente pode estar passando por uma fase na nossa amizade, mas isso não muda o fato de que eu ainda te vejo como um irmão. Eu não ia saber o que fazer se alguma coisa acontecesse com vocês dois", o Roman explica, apontando pra mim e pro Austin, eu mando um sorriso pra ele, de tão fofo que ele foi, e o Austin balança a cabeça.
"Assim como a Payton, nós dois estamos bem", o Austin sorri, e o Roman vai até eles e eles se abraçam, olha, eles estão voltando ao normal!
"Eu vou tomar um banho rapidinho, parece que o cheiro de pizza grudou na minha pele", eu digo, e os caras se afastam e os dois riem de mim, mas eu realmente sinto que estou com cheiro de pizza.
"Vai tomar, eu vou separar umas roupas limpas pra você", o Roman sorri, o que me faz balançar a cabeça antes de ir em direção ao banheiro.