Capítulo Onze
Eu acordo no dia seguinte com um prato de café da manhã do Austin, ele me disse que já tinha ligado pro meu trabalho pra contar o que rolou. Ele conseguiu me dar um dia de folga! Eu agradeço ele pegando o café da manhã, onde eu percebo, eu tava na cama dele. Por um segundo eu totalmente esqueci que eu tinha dormido aqui, ele disse que também conseguiu um dia de folga pra gente fazer alguma coisa pra tirar a minha mente do que aconteceu.
Eu agradeço ele antes de terminar meu café da manhã, eu pulo no chuveiro e começo a me arrumar pro dia. Eu queria dar uma olhada pela janela pra ver como a cena tá agora, mas eu ainda não tinha ido na frente da casa ainda, já que meu quarto é nos fundos. Eu tinha terminado de me vestir quando meu telefone toca na minha penteadeira, pendurando minha toalha molhada, eu ando até lá pra ver o Roman me fazendo FaceTime. Eu atendo enquanto me sento, conecta por uns segundos antes do rosto preocupado dele encher a tela.
"Payton, você tá bem? Eu acabei de ver as notícias?" Ele pergunta preocupado, mas eu vi a cara dele mostrar uma expressão de alívio quando ele me viu.
"Eu e o Austin estamos bem, não nos machucamos de jeito nenhum" Eu sorrio quando batem na minha porta, onde eu consigo dizer pro Austin que ele pode entrar, ele abre a porta sorrindo antes de ver a cara do Roman no telefone. "O Austin na verdade salvou minha vida" Eu digo pro Roman antes de me virar pra olhar pro Austin, que balança a cabeça mas senta na cama atrás de mim.
"Você salvou ela?" Roman pergunta agora olhando pro Austin, que só encolhe os ombros mas se vira pra mim.
"Eu não podia deixar nada acontecer com ela, eu te disse que ia cuidar dela" ele sorri me dando uma leve cutucada na cabeça, o que faz escapar uma risada. "Eu não salvei a vida dela necessariamente, eu só mantive a calma e levamos nós dois pra segurança" ele diz tentando minimizar o que realmente aconteceu, ele sabia exatamente o que fazer, onde eu teria entrado em pânico!
"Valeu cara" Roman diz olhando pro Austin enquanto eu só sorrio, pelo menos eu não sou a única que agradeceu ele. "Claro que tudo isso ia acontecer quando eu tô fora da cidade, falou nas notícias que acham que é coisa de gangue, que doideira, né?" ele explica enquanto meus olhos vão pro Austin, isso tem a cara do Markus.
"Eu sei cara, nunca se sabe o que realmente acontece a portas fechadas" Austin diz, provavelmente sentindo que eu não sabia como responder aquela pergunta. "É por isso que eu e a Payton não estamos no trabalho, depois do que aconteceu a gente precisa de um tempo" ele continua, esperando mudar de assunto e sair da parada de gangue.
"A polícia tá pedindo pra testemunhas se apresentarem pra ajudar na investigação, talvez vocês dois pudessem contar o que vocês sabem e viram" Roman sugere, o que eu percebi que deixou o Austin meio em pânico, mesmo tentando esconder.
"Claro que a gente ia se soubesse, mas a gente não viu nada, viu?" Eu pergunto olhando pro Austin, que eu percebi que tava querendo me agradecer agora. "Eu não acho que tenha alguma coisa a ver com gangue, ah, coisas como gangues e bandidos não acontecem por aqui, é só a galera querendo deixar esse lugar mais emocionante do que realmente é. As pessoas erradas só colocaram as mãos nas coisas erradas, foi um acidente terrível que provavelmente nunca mais vai acontecer" Eu digo, o que eu não tinha certeza se era verdade, vamos todos lembrar o que aconteceu naquela mansão naquela noite.
"Eu mais uma vez tenho que concordar com a Payton nessa" Austin diz colocando a mão no meu ombro, eu sabia que essa era a forma dele de me agradecer por ter coberto ele.
"Agora vocês tão concordando, vão ter pulseirinhas da amizade da próxima vez que eu ligar?" Roman pergunta rindo, eu revirei os olhos, feliz que ele não percebeu nada.
"Nunca se sabe, a gente pode ter tatuagens combinando quando você voltar pra casa" Austin ri, e eu quase que imediatamente balanço a cabeça pra ele.
"Você pode fazer qualquer tatuagem que você quiser, mas eu te garanto que eu não vou participar disso" Eu digo sentando na cadeira rindo, Roman ri junto antes de dizer que precisava sair pra outra reunião.
Depois que ele desligou o telefone, eu e o Austin só sentamos em silêncio por alguns segundos. Eu sabia na minha mente que o Markus tinha alguma coisa a ver com o que aconteceu, vamos ser sinceros, as coisas doidas que tão acontecendo na minha vida ultimamente são por causa dele. Mas eu acho que eu só não queria acreditar que as coisas tavam piorando, eu tava torcendo pra que as coisas começassem a se acalmar e, eventualmente, eu ia esquecer disso. Eu não sei o quão fundo o Austin se meteu nisso, mas eu tô rezando pra que ele esteja num lugar onde consiga sair de novo.
"Obrigada Payton" ele diz quebrando o silêncio que a gente tava, eu olho pra ele balançando a cabeça.
"Eu te falei quando a gente começou isso que eu não queria mentir pra ele, mas aqui tô eu mentindo na cara dele" Eu digo levantando da cadeira e saindo do meu quarto, finalmente entrando na área principal da casa pela primeira vez hoje.
"Tecnicamente, não foi na cara dele, foi virtualmente" Austin brinca atrás de mim, sério, ele tá escolhendo agora pra transformar tudo numa grande piada.
Quando eu chego na cozinha, eu vejo que a janela principal foi tapada com madeira. Isso me diz na lata que nossa casa foi atingida por balas, se a gente tivesse ficado na cozinha ontem à noite, a gente podia ter sido atingido.
"Essa janela tá tapada com madeira não é indicação de que não é hora de ficar brincando com isso?" Eu pergunto me virando pra olhar pra ele enquanto eu falo, ele tava parado colocando as mãos nos bolsos. "Você não foi honesto comigo o tempo todo, agora eu vou fazer umas perguntas e você vai responder" Eu digo na lata, eu não ia deixar mais me mentirem.
"Você não entende, tem coisas pra sua segurança que eu simplesmente não posso te contar, eu estaria te colocando num perigo desnecessário que você não estaria se não soubesse" ele diz, o que foi a maior subestimação do século, ele não tava prestando atenção ultimamente?!
"Eu não sei se você tava acompanhando, Austin, mas eu já entrei em perigo quando eu tava na linha de fogo de qualquer merda que tá acontecendo!" Eu grito enquanto ele senta no sofá estressado. "Antes de você sentar aí e me dizer que não tem nada a ver com o que aconteceu ontem à noite, por que os dois homens que entraram numa troca de tiros e acabaram morrendo, vieram na nossa casa uma hora antes pedindo pra entrar?" Eu pergunto cruzando os braços no peito enquanto eu falo, ele olha pra mim chocado antes de se levantar.
"Você tem que acreditar em mim quando eu digo que não tenho nada a ver com o que aconteceu com aqueles caras" ele diz vindo ficar na minha frente enquanto ele fala. "A razão de eu não ter deixado eles entrarem ontem à noite foi por causa do meu trabalho, todo mundo que trabalha com o Markus mantém distância de qualquer um que trabalhe com ele fora do horário de trabalho. Quando a gente tá todo mundo junto, a gente sabe que alguma coisa ruim vai acontecer, eu não tô preparado pra deixar eles entrarem na nossa casa onde você vai estar na linha de fogo direta. Eu falei sério na outra noite, eu não vou deixar nada acontecer com você, Payton" ele diz enquanto pega uma das minhas mãos na dele, o que me faz olhar pra cima pra cara dele.
Ele leva a outra mão pra cima pra tocar meu rosto enquanto ele faz isso, os olhos dele não saem dos meus enquanto a gente faz isso. Antes da gente ter tempo de fazer qualquer outra coisa, a porta começa a bater, onde a gente pula. Que eu saiba, a gente não tava esperando ninguém.
"Espera aqui" Austin me diz antes de sair e ir pra porta da frente, eu faço o que me mandam e não saio do lugar enquanto a porta abre.
"Markus" Austin diz na porta, onde o medo imediatamente entra no meu corpo.