Capítulo Vinte e Dois
Eu e **Jacob** conversamos por umas horas, no começo foi difícil decifrar o que ele tava tentando dizer sem realmente dizer. Mas depois de um tempo, ficou fácil e eu sinto que chegamos a algum lugar. Não me entenda mal, ainda tô aterrorizada que o **Markus** descubra, nem quero imaginar o que ele faria, mas tô menos alarmada do que antes de falar com o **Jacob** hoje.
Ele me disse pra manter a cabeça baixa e focar em continuar viva, no começo achei que ele tava sendo dramático, mas eu conhecia o **Markus**. Ele disse que era bom eu não ter ficado muito perto do **Markus**, aparentemente, ele tá num surto destrutivo agora. Isso só me preocupou por causa do **Austin** estar sempre por perto dele, mas eu sabia o quão importante o **Austin** era para os negócios do **Markus**, então ele não podia fazer nada tão ruim com ele. Tentei fazer ele me explicar o que queria dizer com surto destrutivo, mas ele disse que como eu tenho que ficar perto do **Markus** com frequência, ele não queria me assustar. Mas ele me dizer isso, só me assustou mais ainda!
Um pouco antes de ir, ele me deu uma caneta, disse que se eu sentisse que tava em perigo, era pra mandar uma mensagem pra ele escrito perigo. Mas se eu sentisse que era um momento de vida ou morte, era pra tirar a tampa da caneta e segurar o botão por 5 segundos. Isso ia alertar a polícia de todo lugar pra vir me ajudar, isso só me deixou mais preocupada, pois eu sabia que provavelmente isso significava que qualquer surto que ele fica falando devia ser ruim.
Eu tava subindo as escadas pro nosso apartamento, sempre que eu tenho um dia longo, subir essas escadas é cansativo e irritante. Quando chego no último degrau, vejo dois caras que nunca tinha visto antes saindo do apartamento. Eles me veem subindo na direção deles, e os dois me olham de cima a baixo, antes que pudéssemos trocar qualquer palavra, o **Austin** aparece na porta.
Eles viram pra ele e ele levanta a sobrancelha, eles se viram um pouco em pânico antes de descer as escadas correndo.
'Quem são eles?' pergunto, apontando para os dois caras que correram direto pro carro, o **Austin** vem, pega minha mão e me puxa pro apartamento.
'Só uns caras do trabalho, não se preocupe, esses me ouvem e não o **Markus**' ele me diz assim que fecha a porta, eu achei que já tínhamos falado sobre eu não querer que as pessoas com quem ele trabalha ficassem na nossa casa.
Antes que eu pudesse discutir isso, me viro pra encarar a sala e fico imediatamente sem palavras. A sala não tava mais destruída, todos os móveis quebrados tinham sido removidos e substituídos por coisas novas. As duas janelas quebradas também foram trocadas, até a foto minha e dos caras tava no aparador, num porta-retratos novo.
'Conversei com o **Markus** e expliquei sobre a casa, ele me disse que ia me dar folga pra limpar a casa pra você enquanto você tava fora. Aqueles dois caras são meu time novo, o **Markus** achou que ia ser bom pra eles me ajudarem a treinar' o **Austin** sorri atrás de mim enquanto eu continuo olhando ao redor da casa. 'Eu não queria que você se sentisse obrigada a consertar a casa, quando a culpa foi minha por ela ter sido destruída e você ter sido atacada em primeiro lugar' ele diz suspirando, eu me viro pra olhar pra ele, onde ele tava com o rosto pra baixo.
Eu vou até ele e abraço ele de lado, ele sorri, me abraça e me aperta.
'Isso é tão gentil da sua parte, **Austin**, por favor, pare de se culpar pelo que aconteceu, como eu disse, estamos nisso juntos agora' eu digo, segurando ele forte com a cabeça no ombro dele. 'Vamos encontrar uma saída juntos' eu digo, ele não fala nada, mas me abraça ainda mais forte, é claro que eu não quero que ele se culpe por nada do que aconteceu.
'Então, como foi o café com o **Jacob**?' Ele pergunta quando eu saio do abraço, enquanto ele senta na mesa nova, eu fico me perguntando o que o **Roman** vai achar quando ver isso.
'Foi legal de rever depois de todos esses anos, nós dois dissemos que vamos fazer isso de novo algum dia' eu explico com um sorriso, pelo menos eu tava conseguindo manter essa história.
'Você devia, é bom te ver saindo e não ficar trancada em casa com medo' ele diz, felizmente, acreditando na história que eu tava sendo forçada a contar pra ele.
'Por que eu estaria com medo? Tenho você pra me proteger' eu sorrio docemente pra ele antes de ir pra cozinha pegar alguma coisa pra comer, na época em que eu tava no café, eu tava muito ocupada tentando acompanhar a conversa que eu nem comi.
'Você sabe que eu sempre vou' ele diz com um sorriso ainda sentado na mesa, eu sorrio enquanto abro a geladeira, o que me bloqueia a visão dele por alguns segundos.
'Então, onde você encontrou esses caras?' pergunto, aparecendo da geladeira com um iogurte, também entregando uma colher pro **Austin** pra dividir comigo.
'Eu não encontrei, o **Markus** disse que eu tava demorando muito pra achar caras pra substituir os outros dois, segundo ele, isso era um sinal claro de que eu não gostava do meu trabalho e tava tentando relaxar' ele diz, pegando a primeira colherada de iogurte, eu só reviro os olhos por causa do **Markus** antes de comer o iogurte também, tava muito bom!
'Bem, mais cedo ou mais tarde, você vai estar livre daquele homem' eu sorrio enquanto ele me manda uma sobrancelha levantada, mas sorri, eu sabia que ele não acreditava em mim, mas logo ele vai ver, o **Markus** vai pagar de um jeito ou de outro.