Capítulo Treze
A gente senta na beira do sofá em silêncio por uns minutinhos, sim, ele me falou que eu podia perguntar qualquer coisa. Tinha tanta pergunta rodando na minha cabeça, mas eu não sabia como ia fazer pra perguntar. Austin levanta de repente e vai pra porta, isso me choca porque eu achei que ele tinha acabado de falar que a gente podia sentar aqui e ele ia responder minhas perguntas. Mas antes que eu pudesse perguntar, ele tranca a porta e ainda bota a corrente.
"A gente não quer que o Markus entre de volta enquanto a gente tá nessa conversa", ele fala, voltando pra perto de mim, mas agora se mexe pra gente não ficar desconfortável sentando no fundo do sofá, e sim na mesa.
"O que ele ia fazer se descobrisse que a gente tá falando sobre isso?" Eu pergunto, puxando minha cadeira e sentando, ele sentou na minha frente e botou as mãos na mesa.
"Eu nem quero imaginar", ele suspira, olhando pra baixo pra mesa, o comentário dele na hora faz o medo invadir meu corpo. "Eu prometo, eu não vou deixar nada acontecer com você", ele fala, me olhando nos olhos enquanto fala, bem, me obrigar a jantar com o cara não é bem garantir minha segurança na minha opinião.
"Ok, você sabia que ia ser esse trampo que ia fazer quando começou?" Eu pergunto, que era a pergunta que tava me perturbando, ele devia ter sacado que algo tava errado quando pegou o trampo.
"Não, eu não fazia ideia do que ia acontecer. A maioria das pessoas que entram em negócios com o Markus, não fazem ideia do que elas tão realmente se metendo", ele fala, o que me deixa triste de certa forma, todas essas pessoas entram pensando que vai ser como qualquer trampo normal, só pra descobrir a verdade quando é tarde demais. "Eu fui na entrevista achando que ia ser só um trampo normal de oficina, eu tinha um pouco de experiência no passado trabalhando nesse ambiente, então achei que ia ser perfeito", ele suspira, sentando na cadeira enquanto fala, eu lembro quando ele chegou em casa da entrevista.
Ele não parava de falar como o lugar era incrível, ele vivia falando pra gente que a grana era muito boa e que ele não conseguia acreditar que tinha ganhado um trampo lá. Ele até levou eu e o Roman pra jantar naquela noite, ele falou que queria celebrar o resto da vida dele.
"Quando e como você descobriu o que tava realmente rolando?" Eu pergunto, que também era uma pergunta muito boa, eu queria saber quanto tempo ele tá fazendo as paradas que eu descobri.
"Tava indo tudo perfeito por uns seis meses, eu ia pro trampo, fazia meu trampo e ia embora. O Markus, que eu sabia que era meu chefe, ia visitar de vez em quando e conversar com os trabalhadores", ele fala, pensando, se ao menos o Austin soubesse o quão mau o Markus era naquela época. "Eu não queria causar nenhuma onda ou chamar nenhuma atenção que eu não precisava, então quando ele ia visitar, eu só focava no trampo e ficava quieto. Isso foi até... o dia que o homem de terno chegou", ele suspira mais uma vez, olhando pra mesa enquanto fala, o que só me deixou mais intrigada.
"Homem de terno?" Eu pergunto, quando ele não parecia que ia elaborar, ele não podia simplesmente me deixar com um homem de terno e não me dar nenhum contexto.
"Foi como qualquer dia normal, eu tinha acabado de consertar o radiador da mulher e ela veio buscar. Enquanto eu tava dando tchau pra ela, um cara chique de terno entra na oficina. Ele chamou minha atenção na hora, ele com certeza não era o tipo de pessoa que entrava num lugar como aquele", ele suspira enquanto eu começo a imaginar como era aquele lugar, sim, é um lugar bom, mas não pra gente rica ir. "O Markus tava de lado o tempo todo, eu senti os olhos dele em mim enquanto eu tava trabalhando. Mas quando aquele cara entrou, ele levantou na hora da cadeira dele"
*Flashback*
"Que porra você acha que tá fazendo aqui?" Markus grita pro cara chique de terno, o Austin na hora se assusta com o surto aleatório dele, onde ele dá uns passos pra trás pra dar um pouco de privacidade pra esses caras.
"Eu te falei o que eu ia fazer, esse lugar parece um bom lugar pra começar", o homem fala, olhando em volta pro prédio antes de entrar no escritório do lado, o Markus olha pro Austin, que só tava ali limpando óleo das mãos.
"Me passa aquela chave de fenda", o Markus fala pra ele, olhando o Austin nos olhos, não querendo irritar o chefe já irritado. O Markus pega a chave de fenda dele antes de entrar no escritório atrás do homem.
"Ele matou o homem", o Austin fala, terminando a história, e meus olhos arregalam, ele matou aquele homem aleatório no escritório dele.
"O que você fez?" Eu pergunto, completamente envolvida nessa história, eu provavelmente teria corrido pra salvar minha vida e chamado a polícia, eu não ia querer ter nada a ver com isso!
"O que eu podia fazer? O Markus sai do escritório e vem direto pra mim. Ele me falou que eu tinha duas opções, eu não concordava em ficar no trampo, onde ele ia me matar na hora, ou ele ia fazer parecer um acidente de trampo", ele fala, o que me dá ânsia, como pessoas como o Markus são permitidas de estar na civilização?! "Ou eu ficava onde eu tava, mas ficava de boca fechada, obviamente, eu tô sentada na sua frente agora, então você sabe qual opção eu escolhi", ele suspira, o que responde minha pergunta sobre o porquê dele ainda estar ali, ele não tem escolha, ele precisa ficar.
"Depois de saber que eu não ia dedurar ele, ele sabia que eu ia ser perfeito pra ser um dos trabalhadores dele. Ele veio na semana seguinte e me falou como as coisas iam ser, eu não ia realmente trabalhar naquele lugar mais e eu ia usar isso como minha fachada. Ele me levou pra trás do lugar, onde eu não podia ir antes, é lá que ele me mostrou todos os carros que foram modificados pra esconder coisas nas portas e outros compartimentos. Ele falou pra mim que eu não podia olhar nos pacotes, mas eu tinha que garantir que cada pacote fosse pro carro e fosse enviado", ele explica, o que na hora me faz lembrar do que eu vi outro dia, aqueles caras estavam carregando caixas enroladas em fita adesiva pra aquele carro.
"Foi isso que eu vi", eu falo, juntando tudo, o Austin só balança a cabeça confirmando que eu tava certa.
"Aqueles dois caras que você viu eram parte do meu time, como o Markus falou, era meu trampo manter eles na linha e garantir que tudo desse certo", ele explica antes de suspirar de novo. "Eu odeio dizer que tava indo tudo bem, até um dia que a gente tinha acabado de encher o carro e o Markus me chamou pra uma reunião. Eu mandei os caras embora pra entregar os pacotes enquanto eu conversava com o Markus, mas no caminho alguma coisa deu errado e eles conseguiram apreender tudo, por sorte os dois caras escaparam", ele explica, brincando com as mãos enquanto fala, pelas coisas que eu ouvi do Markus, eu posso adivinhar que ele não aceitou muito bem. "Ele falou pra mim que eu tinha que procurar gente nova pra preencher os papéis deles enquanto ele lida com eles, na hora eu não sabia o que ele queria dizer, até ontem a noite", ele fala, só confirmando que isso tudo começou pelo Markus, que indivíduo horrível!
"Eu tentei tanto manter você e o Roman fora disso, mas olha o que eu fiz", ele fala, botando a cabeça nas mãos, estressado, eu na hora levanto da minha cadeira e abraço ele pelo pescoço.
"Você não queria que nada disso acontecesse, você entrou naquele trampo sem saber o que tava realmente rolando e quando você descobriu, era tarde demais", eu falo, segurando ele tão forte, que ele começou a chorar um pouco, essa sendo a primeira vez que eu já vi ele chorar. "A gente vai consertar isso junto, eu prometo", eu falo, falando cada palavra, mas não sabendo como botar nada disso em ação.