Capítulo 12
Aliyana
Eu ouço as palavras do Marco, e bufo quando saio da porta, e deixo os dois discutirem a merda deles. Mando uma mensagem para o Mero não voltar aqui, e digo pro Michel deixar um carro pronto pra amanhã. Não vai rolar eu entregar minha amiga pro Marco Catelli.
Uma mensagem rápida pra uma amiga antiga e já tô quase chegando na minha irmã. Esse fim de semana é importante e se tudo der certo pode ser o último, que eu vou ter com ela por um tempo. Porque o Paizão não vai ficar feliz quando descobrir o que eu fiz.
"Se você acha por um momento que tá enganando alguém com o jeito que você olha pro meu homem, você é mais burra do que pensa."
"Você tá me machucando, Camilla. Por favor." Eu entro bem na hora de ver a Camilla com as garras na minha irmã, e o braço da Guilia torcido. Os olhos da Camilla arregalam e ela solta a minha irmã.
Sem pensar, eu vou pra cima dela e ela fica parada, e eu dou um tapa na cara dela. Ela é mais alta que eu, e tá vestida com um terninho de poder. E aí tem eu,
"Você é burra achando que pode encostar na minha irmã." Ela tenta me dar um tapa, mas eu pego o pulso dela no meio do caminho, girando ela com o mesmo braço, eu dou uma rasteira com meu pé descalço na dobra do joelho dela. Ela cai e faz um barulhinho.
Eu me abaixo perto do ouvido dela, "Já derrubei homens maiores que você, e derrubei eles desse jeito. Encosta na minha irmã de novo e eu corto sua garganta enquanto o Marco assiste," Eu empurro ela no chão e cuspo do lado da cabeça dela.
Mischa corre pra dentro e vê a Camilla no chão, "Por que a Tia Camimi tá no chão?"
Eu dou um sorriso pra menina enquanto chego mais perto dela e me abaixo, "A Tia Camilla tá procurando o brinco dela, querida. Já vou subir com a minha irmã, você quer ir junto?"
Ela sorri e as bochechas dela são tão fofas, que eu encosto no nariz dela, "Não, eu quero o papai."
O jeito que ela fala isso mexe comigo e me lembra muito de mim. Eu era igualzinha a ela, a filha do meu pai.
"Seu papai tá do lado da casa, se você gritar, ele vem."
Eu dou uma piscadinha pra ela quando me levanto e ela ri, "Você bonita," Ela fala, quando eu fico em pé em toda a minha altura.
"Valeu, criança, você também, vai achar seu pai."
"Guilia, vamo.", Nossas duas. A gente sai, deixando a Camilla lá parada, e eu levo minha irmã e vou pro lance de escadas.
Ela faz uma curva pra ir pro quarto dela, "Guilia, vem pro meu quarto.", Não deixo nenhuma chance pra discussão e nunca falei assim com a minha irmã.
Ela é mais velha que eu e sempre foi quem mandava. Mas o que eu vi hoje, não é bom.
Era hora da minha irmã saber algumas coisas sobre mim, e a primeira era que eu nunca fui a menina que ela achava que eu era. Eu tenho a morte na minha consciência desde que eu tinha 12 anos. Talvez não exatamente isso, mas ela podia contar comigo pra proteger ela.
Eu fecho a porta e tranco por dentro, e vejo ela parada no meio do quarto que ela escolheu, torcendo os dedos.
"Eu sugiro que você comece a falar, o que aconteceu lá?"
Ela começa a chorar e eu inclino a cabeça, mas vou até ela, sabendo que a dor pode ser uma coisa horrível. Eu abraço ela, "O Paizão não ia gostar de te ver chorando, o Filippo ia ficar furioso, e você já sabe o que eu acho disso."
"Você não deveria lutar minhas batalhas por mim, você é a irmã mais nova." Ela funga e eu solto ela e dou um passo pra trás, "Tutti abbiamo bisogno di aiuto a volte, Guilia." Todos nós precisamos de ajuda às vezes, Guilia.
Ela sorri pra mim mas tá tão derrotada que o meu próprio segredo, aquele que podia ter aliviado o coração dela, fica pesado no quarto.
"Até as irmãs mais velhas, parece." Ela sussurra e encosta na minha bochecha com a palma da mão. Eu observo a Guilia enquanto ela anda de um lado pro outro no meu quarto.
"Como você aprendeu a lutar assim?" Ela tá mais curiosa do que preocupada, então eu entendo isso como um bom sinal.
"Essa é uma pergunta pesada. Mas a resposta curta, eu cresci com 4 meninos."
Ela sorri, "Nossa, foi foda como você detonou a Camilla. Ela não é tão má, sabe."
"Eu não sei, por isso tô te perguntando."
"Quando eu e o Leonardo ficamos noivos pela primeira vez, eu tava miserável, e não conseguia ir falar com você, ou com a Ilaria, então eu achei outra forma de lidar com isso."
Eu arqueio a sobrancelha, esperando ouvir mais. Minha atenção não desvia da minha irmã.
"Eu comecei a seguir o Marco, MAS só quando ele tava por perto. E a Camilla sempre tava lá, mas eu tomava cuidado."
"Você quer dizer stalkear?" Eu não consigo não rir. Ela suspira e é dramática, do jeito que a Guilia que eu conheço.
"Não era stalkear. Era observar de longe."
Eu levanto as mãos em sinal de paz, "Ok, Observando."
"Aí um dia a gente tava numa festa na casa dos Rasetto e o Leonardo me viu observando o Marco. Ele falou que sabia que eu tinha uma quedinha pelo Marco, mas que era fofo, desde que eu SOUBESSE que eu era dele e não agisse em cima disso. Mas aí eu tava apaixonada pelo Leonardo", Ela faz uma careta,
"Mas antes que eu pudesse falar qualquer coisa a Camilla entrou, e o Leonardo não gosta dela, então ele me deixou sozinha com ela. Ela esperou ele ir embora e no minuto em que ele sumiu, ela começou a falar um monte sobre como eu era uma garotinha querendo entrar na casa dos Catelli e na vida do Marco, eu falei que não era nada daquilo mas ela pirou."
Eu não falo nada, mas, pelo olhar selvagem da Guilia, tem mais.
"Então, nos últimos cinco meses, toda vez que a Camilla tem uma chance a sós comigo, ela fala sobre isso, e se eu olho pro Marco ou ele fala comigo, ela surta."
"Isso é bizarro. Por que você não conta pro Paizão?"
A Guilia me encara, longa e fixamente, e os olhos dela caem e eu já sei a resposta pra isso, "Você dormiu com o Leonardo, não foi?"
"Aliyana."
"Eu não tenho sentimentos pelo Leonardo, Guilia, não tenho há muito tempo, se é que tive algum dia."
Ela balança a cabeça, concordando comigo, "Eu sei, você e o Marco. Eu vi vocês dois naquela noite, antes do funeral do Ren, se beijando."
Eu abro a boca mas a Guilia levanta a mão, "Eu não sei o que aconteceu entre vocês dois, e sim, na época me machucou, mas quando eu vi você e o jeito que ele te olhou Liya, eu senti essa vontade, sabe."
Eu engulo seco com a lembrança de tudo. Faz tanto tempo que eu nem sei quem é aquela garota mais. A garota que se apaixonou por um homem que pegava sem intenção de dar nada em troca.
"Não tinha nada pra querer, se você precisa saber, eu fui levada a acreditar que ele ia casar comigo, e como você pode ver, isso nunca esteve nos planos dele."
Ela vem até mim e me abraça, "Por que a gente nunca falou assim antes?"
"Acho que a gente nunca precisou. A Camilla não pode ficar te intimidando, a gente precisa fazer alguma coisa sobre isso."
"O quê?" Ela me solta, e eu olho pra minha irmã, "Pra começar, a gente se arruma pra cama, e dorme. E amanhã a gente decide o que vai fazer com a Demônia, e isso vai levar uma ligação pra Kylie. Ela é a rainha das lições. Ah, e por um lado mais leve, você tá bem sexy nessa roupa vermelha."
A Guilia sorri, "Kylie é sinônimo de problema com P maiúsculo, tô dentro. E valeu, mas amanhã lembra de se arrumar pro almoço."
A gente se arruma pra dormir, e a Guilia pula debaixo das cobertas, eu coloco um pé na cama quando ela faz aquela cara de bico que eu conheço muito bem.
"Agora?" Eu pergunto pra ela. Ela cora as sobrancelhas.
"Sério, Guilia, a cozinha é tipo no fim da cidade."
"Você tá exagerando, por favor Liya." Eu aperto os lábios e dou uma olhada cheia de desejo pra cama antes de voltar pra baixo.
Chego lá embaixo, e não fico surpresa que todo mundo ainda esteja acordado já que são só 10 e pouco.
Entrando sorrateiramente na cozinha com meu pijama de emojis e o cabelo amarrado em cima da cabeça, eu me xingo por ter confessado meu passado com o Marco pra Guilia.
A culpa de confessar uma verdade que você tenta esquecer é um gosto amargo. Abrindo a geladeira industrial de duas portas, eu vejo 2 galões de leite, um deles tá pela metade então eu pego aquele.
"Seja lá o que você estiver pensando em fazer com a Camilla, não faça."
Eu deixo o leite cair levando o susto da minha vida. O Leonardo chega perto de mim e pega o leite.
"Valeu." Eu pego de volta, mas ele não solta tão fácil.
"Por mais que eu queira estrangulá-la, meu irmão vai ficar do lado dela, e isso pode ser um problema, eu sugiro que se você quiser fazer alguma coisa que seja uma sabotagem indireta."
"Você tava ouvindo nossa conversa?"
Ele dá de ombros enquanto relaxa o corpo magro dele, eu que já babeei contra as bancadas de pedra, "Eu tenho o hábito de saber o que a minha futura esposa está aprontando a todo momento."
"Isso é bárbaro." Meus pés sentem a picada dos azulejos frios enquanto eu me movo pela cozinha pegando dois copos de leite.
"A Camilla é bárbara. Eu achei que a Guilia com toda a sua garra ia colocar a vadia no lugar dela."
"Às vezes não é tão fácil."
"Você fez parecer bem simples quando derrubou ela. Tem câmeras em todo lugar na casa, você devia ser mais cuidadosa onde decide mostrar suas verdadeiras cores."
"Você tá falando em enigmas."
"Não, eu tô falando em fatos. Você fez uma inimiga com a Camilla, e você pode ser uma rainha mas ela não é chamada de demônia à toa. Sirva seu leite, Aliyana e obrigado por defender o que é meu. Eu te devo."
Ele sai e eu franzo a testa, digerindo as palavras dele. Quando um homem feito diz que te deve, isso quer dizer que ele te deve muito.
Eu sirvo o leite, tentando entender o que ele quis dizer. Pra um pegador ele sabe como deixar uma mulher na dúvida. Uma coisa é certa, a Camilla é um problema que eu não preciso agora.